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EUA barram refugiados, e advogados vão à Justiça contra decreto de Trump

Domingo, 29/1/2017 10:38.

PATRÍCIA CAMPOS MELLO, ENVIADA ESPECIAL
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O decreto assinado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (27) -barrando a entrada de refugiados nos Estados Unidos e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, produziu as primeiras vítimas. Pelo menos 2 refugiados a caminho do país foram barrados e detidos no aeroporto de Nova York na sexta-feira (27).

Outros seis –cinco iraquianos e um iemenita– foram impedidos de embarcar em um voo da EgyptAir do Cairo para Nova York no sábado (28). Apesar de terem vistos válidos, os passageiros foram obrigados a embarcar em voos de volta para seus países de origem.

Advogados de dois refugiados iraquianos detidos no aeroporto J.F. Kennedy em Nova York estão contestando o decreto na Justiça, dizendo que refugiados estão sendo presos em aeroportos de forma ilegal, e pedindo a liberação de seus clientes.

O decreto assinado por Trump suspende a entrada de todos os refugiados nos Estados Unidos por um prazo de 120 dias e deixa no limbo aqueles que já estavam a caminho do país. O decreto também barra por tempo indefinido o acolhimento de refugiados sírios no país e proíbe por 90 dias a entrada de qualquer indívíduo de 7 países de maioria muçulmana "com tendências de terrorismo" : Síria, Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Somália e Sudão.

Ainda não estava claro quantos refugiados estavam em detenção em aeroportos logo após o decreto ser assinado. Vários processos foram abertos por entidades de direitos humanos como a União Americana de Liberdades Civis (ACLU), Projeto Internacional de Assistência aos Refugiados.

Segundo relato do "New York Times", um dos iraquianos detido no aeroporto, Hameed Khalid Darweesh, tinha trabalhado para o governo americano no Iraque por 10 anos. O outro, Haider Sameer Abdulkhaleq Alshawi, estava a caminho dos EUA para se reunir com sua mulher, que havia trabalhado para uma empresa americana, e seu filho de 7 anos. Eles foram detidos no aeroporto na noite de sexta-feira, chegando em voos diferentes.

"Com quem precisamos falar?", perguntou um dos advogados, Mark Doss, do projeto de assistencia aos refugiados.

"Com o presidente", respondeu o agente de proteção da fronteira no aeroporto. "Ligue para o senhor Trump."

"Nunca tivemos problemas com um de nossos clientes no aeroporto de entrada nos EUA; é um choque ver pessoas detidas por tempo indeterminado em um país que deveria estar recebendo essas pessoas de braços abertos", disse Doss ao "New York Times".

"Essas pessoas têm vistos válidos e tiveram seus pedidos de refúgio aprovados pelo Departamento de Estado e pelo Departamento de Segurança Interna; eles têm autorização para entrar nos EUA e estão sendo detidos de forma ilegal."

VERIFICAÇÃO EXTREMA

Segundo Trump, o decreto é parte de um projeto de "verificação extrema" para impedir a entrada de "terroristas islâmicos radicais". A medida também dá preferência à entrada de refugiados cristãos e outros minorias, em detrimento de muçulmanos.

Ao assinar o decreto na sexta, Trump evocou os culpados pelos atentados de 11 de setembro em Nova York, em 2001 –mas a maioria dos 19 terroristas eram da Arábia Saudita, e os outros eram do Líbano, Egitos e Emirados Árabes– todos países que estão fora do decreto presidencial e cujos indivíduos não estão barrados.

De acordo com o "New York Times", Hameed Khalid Darweesh recebeu seu visto especial de imigrante no dia 20 de janeiro, dia da posse de Trump. Ele trabalhou como intérprete, engenheiro e prestador de serviços para o governo americano no Iraque por uma década. Ele estava com o exército americano durante a invasão do iraque em 2003. segundo o processo, e foi atacado duas vezes por estar trabalhando com os americanos. Sua mulher e três filhos, que vieram com ele, passaram pela imigração. Mas Darweesh ficou detido.

Alshawi ia se reunir com sua mulher, que está vivendo em Houston, no Texas. A mulher recebeu a notícia aos prantos. Toda a família estava na sala de casa, ligando freneticamente para advogados.

Em novembro, o menino mandou uma cartinha para um papai noel da loja de departamento Macy's: "Querido Papai Noel, você pode trazer meu pai de volta da suécia, por favor". ele não vê o pai há 3 anos, segundo o "New York Times".

Até residente legais nos EUA –pessoas com "green cards", que permitem morar e trabalhar no país– estão sendo aconselhadas por seus advogados a consultar a imigração antes de viajar para o exterior, segundo o grupo Muslim Advocates (defensores dos Muçulmanos).

Abed Ayoub, do Comitê antidiscriminação Árabe-americano, recebeu 100 consultas de pessoas preocupadas com o decreto, temendo que pudesse afetar quem tem green card, estudantes, gente em tratamento médico. "Está um caos", disse Ayoub.

O ex-presidente Barack Obama aumentou o número de refugiados autorizados para entrar nos EUA de 70 mil em 2015 (ano fiscal) para 85 mil em 2016 e 110 mil em 2017 (ano fiscal que começou em outubro de 2016). O decreto de Trump corta para 50 mil (após a suspensão de 120 dias, além de vetar completamente sírios). 

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EUA barram refugiados, e advogados vão à Justiça contra decreto de Trump

Domingo, 29/1/2017 10:38.

PATRÍCIA CAMPOS MELLO, ENVIADA ESPECIAL
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O decreto assinado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (27) -barrando a entrada de refugiados nos Estados Unidos e de cidadãos de sete países de maioria muçulmana, produziu as primeiras vítimas. Pelo menos 2 refugiados a caminho do país foram barrados e detidos no aeroporto de Nova York na sexta-feira (27).

Outros seis –cinco iraquianos e um iemenita– foram impedidos de embarcar em um voo da EgyptAir do Cairo para Nova York no sábado (28). Apesar de terem vistos válidos, os passageiros foram obrigados a embarcar em voos de volta para seus países de origem.

Advogados de dois refugiados iraquianos detidos no aeroporto J.F. Kennedy em Nova York estão contestando o decreto na Justiça, dizendo que refugiados estão sendo presos em aeroportos de forma ilegal, e pedindo a liberação de seus clientes.

O decreto assinado por Trump suspende a entrada de todos os refugiados nos Estados Unidos por um prazo de 120 dias e deixa no limbo aqueles que já estavam a caminho do país. O decreto também barra por tempo indefinido o acolhimento de refugiados sírios no país e proíbe por 90 dias a entrada de qualquer indívíduo de 7 países de maioria muçulmana "com tendências de terrorismo" : Síria, Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Somália e Sudão.

Ainda não estava claro quantos refugiados estavam em detenção em aeroportos logo após o decreto ser assinado. Vários processos foram abertos por entidades de direitos humanos como a União Americana de Liberdades Civis (ACLU), Projeto Internacional de Assistência aos Refugiados.

Segundo relato do "New York Times", um dos iraquianos detido no aeroporto, Hameed Khalid Darweesh, tinha trabalhado para o governo americano no Iraque por 10 anos. O outro, Haider Sameer Abdulkhaleq Alshawi, estava a caminho dos EUA para se reunir com sua mulher, que havia trabalhado para uma empresa americana, e seu filho de 7 anos. Eles foram detidos no aeroporto na noite de sexta-feira, chegando em voos diferentes.

"Com quem precisamos falar?", perguntou um dos advogados, Mark Doss, do projeto de assistencia aos refugiados.

"Com o presidente", respondeu o agente de proteção da fronteira no aeroporto. "Ligue para o senhor Trump."

"Nunca tivemos problemas com um de nossos clientes no aeroporto de entrada nos EUA; é um choque ver pessoas detidas por tempo indeterminado em um país que deveria estar recebendo essas pessoas de braços abertos", disse Doss ao "New York Times".

"Essas pessoas têm vistos válidos e tiveram seus pedidos de refúgio aprovados pelo Departamento de Estado e pelo Departamento de Segurança Interna; eles têm autorização para entrar nos EUA e estão sendo detidos de forma ilegal."

VERIFICAÇÃO EXTREMA

Segundo Trump, o decreto é parte de um projeto de "verificação extrema" para impedir a entrada de "terroristas islâmicos radicais". A medida também dá preferência à entrada de refugiados cristãos e outros minorias, em detrimento de muçulmanos.

Ao assinar o decreto na sexta, Trump evocou os culpados pelos atentados de 11 de setembro em Nova York, em 2001 –mas a maioria dos 19 terroristas eram da Arábia Saudita, e os outros eram do Líbano, Egitos e Emirados Árabes– todos países que estão fora do decreto presidencial e cujos indivíduos não estão barrados.

De acordo com o "New York Times", Hameed Khalid Darweesh recebeu seu visto especial de imigrante no dia 20 de janeiro, dia da posse de Trump. Ele trabalhou como intérprete, engenheiro e prestador de serviços para o governo americano no Iraque por uma década. Ele estava com o exército americano durante a invasão do iraque em 2003. segundo o processo, e foi atacado duas vezes por estar trabalhando com os americanos. Sua mulher e três filhos, que vieram com ele, passaram pela imigração. Mas Darweesh ficou detido.

Alshawi ia se reunir com sua mulher, que está vivendo em Houston, no Texas. A mulher recebeu a notícia aos prantos. Toda a família estava na sala de casa, ligando freneticamente para advogados.

Em novembro, o menino mandou uma cartinha para um papai noel da loja de departamento Macy's: "Querido Papai Noel, você pode trazer meu pai de volta da suécia, por favor". ele não vê o pai há 3 anos, segundo o "New York Times".

Até residente legais nos EUA –pessoas com "green cards", que permitem morar e trabalhar no país– estão sendo aconselhadas por seus advogados a consultar a imigração antes de viajar para o exterior, segundo o grupo Muslim Advocates (defensores dos Muçulmanos).

Abed Ayoub, do Comitê antidiscriminação Árabe-americano, recebeu 100 consultas de pessoas preocupadas com o decreto, temendo que pudesse afetar quem tem green card, estudantes, gente em tratamento médico. "Está um caos", disse Ayoub.

O ex-presidente Barack Obama aumentou o número de refugiados autorizados para entrar nos EUA de 70 mil em 2015 (ano fiscal) para 85 mil em 2016 e 110 mil em 2017 (ano fiscal que começou em outubro de 2016). O decreto de Trump corta para 50 mil (após a suspensão de 120 dias, além de vetar completamente sírios). 

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