Jornal Página 3

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Publicação relaciona consumo de carne à pobreza e a mudanças climáticas
Reprodução
Carne: modelo predador de produção de alimentos.

Sexta, 30/9/2016 6:12.

O Atlas da Carne, publicação internacional lançada hoje (29) em português na capital paulista, mostra como a produção em escala industrial e o consumo de carne tem impactado direta ou indiretamente no aumento da pobreza e da fome e nas mudanças climáticas, além de provocar deslocamentos e migrações de populações.

“O atlas é para informação, conscientização e debate político. Ele mostra o que é essa cadeia global da carne, porque que ela é uma cadeia insustentável”, disse a organizadora da versão brasileira do Atlas, Maureen Santos.

Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo no atual ritmo, em 2050 os agricultores terão que produzir 150 milhões de toneladas a mais do que atualmente. No Brasil, isso pode significar um problema: a criação de gado é a atividade econômica que ocupa a maior superfície do território nacional: 172 milhões de hectares. Sua expansão é um dos maiores responsáveis pelo desmatamento em diversos biomas.

A publicação foi originalmente publicada na Alemanha pela Fundação Heinrich Böll. O Atlas em português pode ser baixado gratuitamente em http://br.boell.org . 

O texto de lançamento do Atlas é o seguinte:

Elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, o "Atlas da carne - fatos e números sobre os animais que comemos" apresenta uma pergunta inquietante: você sabia que a produção de carne está relacionada ao desmatamento da Amazônia? A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e aumenta a desigualdade. O lançamento acontece na quinta-feira, dia 29 de setembro, no Espacio 945, localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 945 - Bixiga - São Paulo (SP).

O Atlas também registra ainda como a criação animal em escala industrial traz consequências como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade também é outra grave consequência desse avanço sobre as terras. O Atlas, portanto, indica esses e outros impactos do consumo de carne, seja ela bovina, suína, de aves e de outros tipos como búfalos e ovelhas.

A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador. Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 os agricultores e agricultoras terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética" como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. A publicação traz alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Quer, assim, mostrar ao consumidor de carne toda a cadeia de produção.

No Brasil, onde a crise hídrica já bateu à porta, para cada um quilo de carne, gastam-se 15 mil litros de água. E a criação intensiva, visando à exportação, leva ao uso de fármacos para erradicar doenças e acelerar a engorda. A contaminação do solo e da água, entre outras, são as consequências. A despeito disso, a demanda global por carne aumenta, mais rapidamente nos países emergentes e de forma cadenciada nos Estados Unidos e na Europa.

O Atlas está em sua terceira edição na Alemanha e já foi publicado em espanhol, inglês e francês. O Brasil ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse defensivo agrícola. A sanha por terra de produtores de soja e outros levam, muitas vezes, à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas no Brasil. A produção da soja também se desdobra em desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global.

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Publicação relaciona consumo de carne à pobreza e a mudanças climáticas

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Carne: modelo predador de produção de alimentos.
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Sexta, 30/9/2016 6:12.

O Atlas da Carne, publicação internacional lançada hoje (29) em português na capital paulista, mostra como a produção em escala industrial e o consumo de carne tem impactado direta ou indiretamente no aumento da pobreza e da fome e nas mudanças climáticas, além de provocar deslocamentos e migrações de populações.

“O atlas é para informação, conscientização e debate político. Ele mostra o que é essa cadeia global da carne, porque que ela é uma cadeia insustentável”, disse a organizadora da versão brasileira do Atlas, Maureen Santos.

Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo no atual ritmo, em 2050 os agricultores terão que produzir 150 milhões de toneladas a mais do que atualmente. No Brasil, isso pode significar um problema: a criação de gado é a atividade econômica que ocupa a maior superfície do território nacional: 172 milhões de hectares. Sua expansão é um dos maiores responsáveis pelo desmatamento em diversos biomas.

A publicação foi originalmente publicada na Alemanha pela Fundação Heinrich Böll. O Atlas em português pode ser baixado gratuitamente em http://br.boell.org . 

O texto de lançamento do Atlas é o seguinte:

Elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, o "Atlas da carne - fatos e números sobre os animais que comemos" apresenta uma pergunta inquietante: você sabia que a produção de carne está relacionada ao desmatamento da Amazônia? A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e aumenta a desigualdade. O lançamento acontece na quinta-feira, dia 29 de setembro, no Espacio 945, localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 945 - Bixiga - São Paulo (SP).

O Atlas também registra ainda como a criação animal em escala industrial traz consequências como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade também é outra grave consequência desse avanço sobre as terras. O Atlas, portanto, indica esses e outros impactos do consumo de carne, seja ela bovina, suína, de aves e de outros tipos como búfalos e ovelhas.

A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador. Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 os agricultores e agricultoras terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária "ecológica, social e ética" como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. A publicação traz alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Quer, assim, mostrar ao consumidor de carne toda a cadeia de produção.

No Brasil, onde a crise hídrica já bateu à porta, para cada um quilo de carne, gastam-se 15 mil litros de água. E a criação intensiva, visando à exportação, leva ao uso de fármacos para erradicar doenças e acelerar a engorda. A contaminação do solo e da água, entre outras, são as consequências. A despeito disso, a demanda global por carne aumenta, mais rapidamente nos países emergentes e de forma cadenciada nos Estados Unidos e na Europa.

O Atlas está em sua terceira edição na Alemanha e já foi publicado em espanhol, inglês e francês. O Brasil ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse defensivo agrícola. A sanha por terra de produtores de soja e outros levam, muitas vezes, à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas no Brasil. A produção da soja também se desdobra em desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global.

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