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Dia da Mulher: assédio nas ruas é comum na região, mas o que fazer?

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Terça, 8/3/2016 8:59.

É comum mulheres sofrerem importunações ofensivas ao pudor enquanto andam na rua, seja em forma das populares cantadas ou até mesmo casos mais graves, como perseguições e até ‘passadas de mão’. Em Balneário Camboriú diversas situações do tipo vêm acontecendo e são divulgadas principalmente através das redes sociais.

Uma repórter do Página 3 foi perseguida no dia 8 de fevereiro, às 8h, por um grupo de seis jovens e teve que abrigar-se em uma residência na rua da redação, no Centro de Balneário. O caso voltou a se repetir na quinta-feira (18), quando um homem de bicicleta passou por ela na Rua 2.500 e bateu em sua bunda.

Outras mulheres procuraram o jornal para relatar suas histórias, mas por receio da exposição não querem se identificar. Houve até relatos de perseguição na ciclofaixa da Atlântica (homens de carro que seguem as ciclistas), além de cantadas e provocações ofensivas em supermercados da cidade.

Uma jovem contou que estava na fila de um bar quando um homem ‘furou’ a sua frente. Ela pediu diversas vezes que ele saísse, até que em certo momento ele pegou em suas partes íntimas, insinuando que a vítima queria ter relações com ele.

Outro caso aconteceu com uma estudante de 20 anos. Ela estava caminhando pela rua, no fim de janeiro, quando foi abordada por um ‘senhor sorridente’. “Magro, usava óculos de grau e boné vermelho. Aparentemente simpático. Ele me chamou e eu parei e esperei ele chegar perto, pois achei que ele quisesse uma informação. Foi quando ele perguntou quanto eu cobrava para ‘fazer um esquema e tirar a calcinha’. Meu chão caiu, eu não esperava aquilo. Foi surpreendente, chocante e constrangedor”, descreve.

A moça conta que estava vestida de shorts, camiseta e chinelo. Porém, nem se ela estivesse de biquíni o homem teria direito de falar com ela dessa maneira. Não há desculpas para esse tipo de abordagem.

“A minha reação na hora foi fazer um escândalo, e ele saiu rindo e dizendo que eu estava ‘me achando demais”, relembra. Ela afirma que se sentiu abusada e que a situação é nojenta. “Isso não é aceitável. Ele mexeu comigo, mas amanhã pode passar a mão na sua prima, depois abusar da sua filha. O assunto é serio, triste e relevante. A luta é grande, longa, vem de anos, mas juntas, nem que seja a passos de formiga, chegaremos lá”, diz.

O que diz a delegada

A delegada Ruth Henn, responsável pela delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, explica que não costumam ficar sabendo desse tipo de situação, porque não há registro de Boletim de Ocorrência, já que muitas vezes as mulheres não conseguem identificar o autor.

“Essas situações são chamadas de importunações ofensivas ao pudor e para que elas sejam investigadas é necessário prová-las. É realmente revoltante saber que esse tipo de coisa acontece, mas para condenar alguém é preciso indícios e testemunhas que comprovem que as denúncias são reais. Nem sempre a palavra da vítima adianta, e se ela não conseguir provar pode acabar respondendo por falsa acusação. O tiro pode sair pela culatra”, informa.

A lei é claramente conivente com a cultura do abuso. A importunação ofensiva ao pudor é considerada apenas uma contravenção penal. A punição é branda e prevê só o pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários.

Chega de Fiu Fiu

Já que a legislação contribui para que os abusos continuem sendo comuns na sociedade, mulheres buscam repassar informações e apoio através das redes. A campanha Chega de Fiu Fiu é um desses exemplos e reúne relatos de mulheres vítimas de assédio ou que presenciaram algum tipo de abuso. Pelo site elas podem indicar o local exato do fato. Balneário Camboriú e todas as cidades da região já estão no mapa com diversos registros. 


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