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Canhanduba: “Prefiro excesso de presos do que bandidos na rua”, diz juiz
Renata Rutes/Página 3

Quinta, 5/5/2016 8:29.

A afirmação é do juiz Pedro Waliscosky Carvalho, responsável pela Vara de Execuções Penais de Itajaí, sobre a superlotação do Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí (CPVI), que está com 658 presos a mais do que o seu limite.

O maior problema que a unidade enfrenta é que há muitos presos de outras cidades e estados detidos aqui, como por exemplo, os 178 de Blumenau. O juiz disse que exigiu uma resposta do Departamento de Administração Prisional (DEAP), da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania e que foi confirmado que os presos de Blumenau irão retornar para lá em duas semanas. “O presídio deles ficou pronto e tem agora 599 novas vagas”, emendou o juiz.

Ainda assim a situação não se resolveria por completo, por causa dos presidiários de outros estados. Muitos foragidos vêm para a região de Balneário e Itajaí e acabam sendo presos aqui.

“Eles deveriam ficar no CPVI por pouco tempo, mas temos muita dificuldade em devolver eles para seus estados de origem, principalmente os paranaenses. O Paraná diz que vai buscar seus presos, mas nunca fazem isso. Se eles dissessem que não, tomaríamos uma providência legal, mas ficam nos enrolando”, informa.

Para ele, a única saída é construir mais presídios, principalmente na Grande Florianópolis.

Quantos?

Hoje a penitenciária do CPVI tem espaço para 820 presos, mas tem 1018; o regime semiaberto abriga 137, mas possui espaço para 120. No presídio, que abriga hoje 1.133 presos, há vagas para 690.

“Porém, há presos que estão na enfermaria, por exemplo. Essa lotação não quer dizer que eles estão empilhados, até porque o CPVI é uma grande estrutura. De dia você não nota, somente à noite quando eles vão para as celas, que, por exemplo, deveria abrigar oito, mas está com 10 homens”, explica.

Ressocialização não é para todos

Essa lotação acaba impedindo que todos os presos consigam se ressocializar, através do trabalho e aulas. Porém, segundo Walicosky, nem mesmo com a lotação normal,  o CPVI conseguiria integrar todos os homens. O problema mais grave hoje é na questão estrutural (água, esgoto e saúde).

“Não podemos ser irresponsáveis. Como juiz corregedor sempre deixei que o DEAP definisse essas questões, mas esses abusos precisam ser corrigidos”, reforça.

O diretor geral do CPVI, Juliano Stoeberl esclarece que existem 11 fábricas no CPVI, de materiais de reciclagem, eletrodomésticos e roupas, por exemplo. Os presos entram no trabalho e já emendam com a aula, que acontece nos três turnos. Só podem trabalhar e estudar os presos que apresentam bom comportamento, é uma espécie de regalia.

Para Juliano, a única solução para a superlotação é a educação. "Temos que investir na educação, mas é um processo demorado. temos que começar agora para daqui uns 30 anos começarmos a fechar os presídios", finalizou.

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Canhanduba: “Prefiro excesso de presos do que bandidos na rua”, diz juiz

Renata Rutes/Página 3
Quinta, 5/5/2016 8:29.

A afirmação é do juiz Pedro Waliscosky Carvalho, responsável pela Vara de Execuções Penais de Itajaí, sobre a superlotação do Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí (CPVI), que está com 658 presos a mais do que o seu limite.

O maior problema que a unidade enfrenta é que há muitos presos de outras cidades e estados detidos aqui, como por exemplo, os 178 de Blumenau. O juiz disse que exigiu uma resposta do Departamento de Administração Prisional (DEAP), da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania e que foi confirmado que os presos de Blumenau irão retornar para lá em duas semanas. “O presídio deles ficou pronto e tem agora 599 novas vagas”, emendou o juiz.

Ainda assim a situação não se resolveria por completo, por causa dos presidiários de outros estados. Muitos foragidos vêm para a região de Balneário e Itajaí e acabam sendo presos aqui.

“Eles deveriam ficar no CPVI por pouco tempo, mas temos muita dificuldade em devolver eles para seus estados de origem, principalmente os paranaenses. O Paraná diz que vai buscar seus presos, mas nunca fazem isso. Se eles dissessem que não, tomaríamos uma providência legal, mas ficam nos enrolando”, informa.

Para ele, a única saída é construir mais presídios, principalmente na Grande Florianópolis.

Quantos?

Hoje a penitenciária do CPVI tem espaço para 820 presos, mas tem 1018; o regime semiaberto abriga 137, mas possui espaço para 120. No presídio, que abriga hoje 1.133 presos, há vagas para 690.

“Porém, há presos que estão na enfermaria, por exemplo. Essa lotação não quer dizer que eles estão empilhados, até porque o CPVI é uma grande estrutura. De dia você não nota, somente à noite quando eles vão para as celas, que, por exemplo, deveria abrigar oito, mas está com 10 homens”, explica.

Ressocialização não é para todos

Essa lotação acaba impedindo que todos os presos consigam se ressocializar, através do trabalho e aulas. Porém, segundo Walicosky, nem mesmo com a lotação normal,  o CPVI conseguiria integrar todos os homens. O problema mais grave hoje é na questão estrutural (água, esgoto e saúde).

“Não podemos ser irresponsáveis. Como juiz corregedor sempre deixei que o DEAP definisse essas questões, mas esses abusos precisam ser corrigidos”, reforça.

O diretor geral do CPVI, Juliano Stoeberl esclarece que existem 11 fábricas no CPVI, de materiais de reciclagem, eletrodomésticos e roupas, por exemplo. Os presos entram no trabalho e já emendam com a aula, que acontece nos três turnos. Só podem trabalhar e estudar os presos que apresentam bom comportamento, é uma espécie de regalia.

Para Juliano, a única solução para a superlotação é a educação. "Temos que investir na educação, mas é um processo demorado. temos que começar agora para daqui uns 30 anos começarmos a fechar os presídios", finalizou.

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