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Brasileiros cegos vão aos EUA buscar seus cães-guia; adaptação no Brasil é o desafio
EBC.
Cão-guia em Brasilia.

Sexta, 9/12/2016 7:21.

JAIRO MARQUES - SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na semana em que se celebra mundialmente a pessoa com deficiência, quatro cegos de São Paulo festejam dois meses de mais autonomia de ir e vir, mais liberdade para tocarem o dia a dia e mais segurança ao andar pelas ruas da cidade graças às patas dos cães-guia Wayne, Valen, Indy e Rudy.

O quarteto canino migrou de uma conceituada escola de treinamento de Michigan, a Leader Dogs, para serem fiéis companheiros e trabalhar pelo bem estar do casal Genival Santos, 37, e Kátia Antunes, 33, tutores de Wayne e Valen; de Marcelo Panico, que comanda Rudy, e de Liana Conrado, 62, tutora de Indy.

Além de servir ao dia a dia, os peludos têm outra nobre missão: a de aposentar os antigos guias, todos já idosos, dos quatro cegos. Deixam de trabalhar Leila, San, Harley e Sirius, todos com mais de dez anos de idade e oito de serviços prestados à inclusão.

Não existem estatísticas oficiais de cães-guia em atividade no Brasil. A estimativa feita pelas organizações mais envolvidas com o tema no país é de 150 a 200 animais trabalhadores, quase nada diante das aproximadamente 600 mil pessoas com cegueira total, segundo o Censo de 2010 do IBGE.

A maior parte dos peludos vem "importada" de escolas dos Estados Unidos, da Austrália e de países europeus, o que implica um custo logístico para trazer o animal de cerca de R$ 35 mil.

De acordo com Thays Martinez, presidente do Instituto Íris, uma das instituições mais atuantes do Brasil no apoio às pessoas com deficiência visual, "não se paga pelo cão, mas é preciso recursos para mandar os usuários ao exterior para fazerem o treinamento e para a manutenção dos bichos".

Despedida

Por pouco mais de um ano, famílias socializadoras deram a esses quatro cães carinho, modos, passeios e experiências cotidianas diversas -como usar transportes públicos e ir a restaurantes. Elas são voluntárias e só podem ficar com os cachorros caso eles sejam reprovados como trabalhadores.

Wayne, que é irmão de Valen e de Rudy, foi "educado" na casa de um bombeiro que já recebeu em seu lar outros sete candidatos a guia.
Ele e sua família puderam abraçar e brincar com o bicho por uma última vez antes do embarque para o Brasil.

"São pessoas muito conscientes de que estão fazendo um papel social importante. Nos Estados Unidos, é muito raro que as famílias não sigam à risca as regras de criação dos cães ou que criem conflito para ficarem com o cachorro", afirma Genival, que é advogado.

Os brasileiros ficaram em Michigan (EUA) por 21 dias se habituando aos novos parceiros. O tempo normal é de 30 dias, mas o desconto foi devido ao grupo já possuir experiência com os bichos.

Um dos momentos mais importantes da estadia é o primeiro encontro dos cães-guia com seus futuros tutores. O evento acontece em um ambiente controlado em que a atenção do animal estará totalmente voltada ao companheiro que irá guiar.

"Um elo que será para a vida toda começa a se formar. A comparação que fazemos é com uma mãe que esperou seu bebê por nove meses. Quando acontece o encontro, são diversas sensações envolvidas. Fazemos de tudo para ser algo marcante", diz o treinador Moisés Vieira Jr., 52, um dos mais experientes em atuação no Brasil.

Pelas ruas

A viagem para a nova casa é meticulosamente preparada para o conforto dos cães e dos tutores. Os bichos aprendem a se posicionarem embaixo de poltronas do avião e passam por uma dieta restrita para suportarem o voo de dez horas sem sobressaltos.

"Um dia antes do embarque fazemos uma rotina de oferecer espaço de alívio para eles a cada duas horas. O Valen se comportou maravilhosamente bem", afirma Kátia, que é analista de dados.

O grande desafio do quarteto humano começou quando teve início o desbravamento das ruas de São Paulo, que possuem estímulos e desarranjos bem diferentes do que os cães estavam acostumados na América do Norte.

"Como há muitos sacos de lixo nas ruas e calçadas, o Indy às vezes se distraí. Isso sem falar nas pessoas que o abordam na hora em que está me guiando, o que tira a concentração dele. Tenho que ser rígida para ele não perder a atenção do trabalho", afirma Liana, que é cantora lírica.

Brasil

As iniciativas nacionais de treinamento de cães-guia ainda são tímidas e enfrentam problemas de financiamento e apoio técnico. Na cidade de Balneário Camboriú (SC), a escola Helen Keller é uma promessa. Até 2021, pretende entregar 30 cães por ano a deficientes visuais. 

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Brasileiros cegos vão aos EUA buscar seus cães-guia; adaptação no Brasil é o desafio

EBC.
Cão-guia em Brasilia.
Cão-guia em Brasilia.
Sexta, 9/12/2016 7:21.

JAIRO MARQUES - SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na semana em que se celebra mundialmente a pessoa com deficiência, quatro cegos de São Paulo festejam dois meses de mais autonomia de ir e vir, mais liberdade para tocarem o dia a dia e mais segurança ao andar pelas ruas da cidade graças às patas dos cães-guia Wayne, Valen, Indy e Rudy.

O quarteto canino migrou de uma conceituada escola de treinamento de Michigan, a Leader Dogs, para serem fiéis companheiros e trabalhar pelo bem estar do casal Genival Santos, 37, e Kátia Antunes, 33, tutores de Wayne e Valen; de Marcelo Panico, que comanda Rudy, e de Liana Conrado, 62, tutora de Indy.

Além de servir ao dia a dia, os peludos têm outra nobre missão: a de aposentar os antigos guias, todos já idosos, dos quatro cegos. Deixam de trabalhar Leila, San, Harley e Sirius, todos com mais de dez anos de idade e oito de serviços prestados à inclusão.

Não existem estatísticas oficiais de cães-guia em atividade no Brasil. A estimativa feita pelas organizações mais envolvidas com o tema no país é de 150 a 200 animais trabalhadores, quase nada diante das aproximadamente 600 mil pessoas com cegueira total, segundo o Censo de 2010 do IBGE.

A maior parte dos peludos vem "importada" de escolas dos Estados Unidos, da Austrália e de países europeus, o que implica um custo logístico para trazer o animal de cerca de R$ 35 mil.

De acordo com Thays Martinez, presidente do Instituto Íris, uma das instituições mais atuantes do Brasil no apoio às pessoas com deficiência visual, "não se paga pelo cão, mas é preciso recursos para mandar os usuários ao exterior para fazerem o treinamento e para a manutenção dos bichos".

Despedida

Por pouco mais de um ano, famílias socializadoras deram a esses quatro cães carinho, modos, passeios e experiências cotidianas diversas -como usar transportes públicos e ir a restaurantes. Elas são voluntárias e só podem ficar com os cachorros caso eles sejam reprovados como trabalhadores.

Wayne, que é irmão de Valen e de Rudy, foi "educado" na casa de um bombeiro que já recebeu em seu lar outros sete candidatos a guia.
Ele e sua família puderam abraçar e brincar com o bicho por uma última vez antes do embarque para o Brasil.

"São pessoas muito conscientes de que estão fazendo um papel social importante. Nos Estados Unidos, é muito raro que as famílias não sigam à risca as regras de criação dos cães ou que criem conflito para ficarem com o cachorro", afirma Genival, que é advogado.

Os brasileiros ficaram em Michigan (EUA) por 21 dias se habituando aos novos parceiros. O tempo normal é de 30 dias, mas o desconto foi devido ao grupo já possuir experiência com os bichos.

Um dos momentos mais importantes da estadia é o primeiro encontro dos cães-guia com seus futuros tutores. O evento acontece em um ambiente controlado em que a atenção do animal estará totalmente voltada ao companheiro que irá guiar.

"Um elo que será para a vida toda começa a se formar. A comparação que fazemos é com uma mãe que esperou seu bebê por nove meses. Quando acontece o encontro, são diversas sensações envolvidas. Fazemos de tudo para ser algo marcante", diz o treinador Moisés Vieira Jr., 52, um dos mais experientes em atuação no Brasil.

Pelas ruas

A viagem para a nova casa é meticulosamente preparada para o conforto dos cães e dos tutores. Os bichos aprendem a se posicionarem embaixo de poltronas do avião e passam por uma dieta restrita para suportarem o voo de dez horas sem sobressaltos.

"Um dia antes do embarque fazemos uma rotina de oferecer espaço de alívio para eles a cada duas horas. O Valen se comportou maravilhosamente bem", afirma Kátia, que é analista de dados.

O grande desafio do quarteto humano começou quando teve início o desbravamento das ruas de São Paulo, que possuem estímulos e desarranjos bem diferentes do que os cães estavam acostumados na América do Norte.

"Como há muitos sacos de lixo nas ruas e calçadas, o Indy às vezes se distraí. Isso sem falar nas pessoas que o abordam na hora em que está me guiando, o que tira a concentração dele. Tenho que ser rígida para ele não perder a atenção do trabalho", afirma Liana, que é cantora lírica.

Brasil

As iniciativas nacionais de treinamento de cães-guia ainda são tímidas e enfrentam problemas de financiamento e apoio técnico. Na cidade de Balneário Camboriú (SC), a escola Helen Keller é uma promessa. Até 2021, pretende entregar 30 cães por ano a deficientes visuais. 

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