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Opinião: água de reuso: o que é isso ?
Fotos: Sonoma County Water Agency
Tubulação de água de reuso nos Estados Unidos

Quarta, 7/12/2016 8:12.

Por Tânia Pedrelli

Há certas coisas que precisam ser compartilhadas, e acredito ser interessante compartilhar com aqueles que têm interesse ou curiosidade sobre o tema.

Em viagem a Los Angeles, depois de muitas caminhadas e como estudiosa do tema “saneamento”, fiquei intrigada com aquela tubulação de coloração rosa fúcsia ao longo das vias públicas.

Primeiro pensei que fosse coisa de Hollywood, depois achei que o vermelho dos hidrantes havia desbotado sob o sol da Califórnia, ou até mesmo que fosse uma versão do Outubro Rosa.

Com coragem, formulei uma frase em inglês ao guia. Qual seria o motivo de tal coloração?

Ele me olhou com aquele olhar de “coitada, ela não sabe...” e respondeu calmamente que se tratava de uma tubulação exclusiva para “água de reuso”, cujo destino seria a irrigação de espaços públicos e privados, para uso industrial e da agricultura, sendo uma prática comum em todo o estado da Califórnia.

Mas, afinal, do que se trata “água de reuso”? Basicamente, seria o esgoto sanitário tratado a níveis avançados, e reusado tanto para fins potáveis e não potáveis.

Os exemplos mais típicos de reuso para fins não potáveis são o uso no paisagismo urbano, limpeza de ruas, irrigação na agricultura, e até mesmo na construção civil, onde não há necessidade de água potável, com cloro e demais produtos usados no tratamento.

Já o reuso para fins potáveis abrange maiores tecnologias de tratamento, no entanto é altamente viável.

Porém, se formos refletir, já fazemos reuso para fins potáveis, só que de forma inconsciente e não planejada, pois a água captada no rio por uma cidade é a mesma água onde provavelmente foi lançado esgoto da cidade localizada à montante.

Além dos Estados Unidos, outros países como Israel, Espanha e Singapura são os pioneiros (desde a década de 70) em pesquisas sobre o tema de reuso de água, bem como fazem uso deste recurso, pois não se trata de uma questão de escolha, mas sim de sobrevivência, principalmente econômica.

A Namíbia, um país da África localizado entre dois desertos, foi o primeiro (isso já nos idos de 1960) a tratar seus esgotos e redirecionar diretamente para uma estação de tratamento de água.

E aí se pode questionar sobre a real necessidade da “água de reuso”; afinal, o Brasil tem cerca de 12% de toda a água do planeta. Sim, estatisticamente temos! Mas quase toda essa quantidade de água encontra-se em regiões pouco habitadas, como a Amazônia; e há as regiões com stress hídrico, como a região metropolitana de São Paulo, com dificuldade para atender a alta demanda populacional e industrial, e em concomitante ao fato dos mananciais existentes encontrarem-se comprometidos com o aporte de esgotos sanitários.

Apesar da região Metropolitana de São Paulo ser abastecida por oito sistemas produtores de água, em 2014 esteve em uma situação muito crítica, pois os reservatórios de água, principalmente do sistema Cantareira, estavam operando no vermelho.

A situação mudou um pouco porque choveu; caso contrário a população abastecida por este sistema, em torno de 5 milhões de pessoas, estaria sem água na torneira. E as mudanças climáticas estão batendo à nossa porta, ou seja, não podemos ficar esperando chover.

No Brasil, temos alguns exemplos de reuso de água operando em grande porte. A Sabesp, companhia de saneamento do Governo do Estado de São Paulo, já opera com estações de tratamento que produzem água de reuso para diversos fins não potáveis e industriais.

E, mais recentemente, a companhia de saneamento de Campinas/SP opera a primeira estação de tratamento de esgotos projetada para a produção de água de reuso, cuja qualidade da água é idêntica à da água potável.

Resumindo, chegará o tempo - e muito em breve - que a água que todos nós consumiremos provirá de uma estação produtora de água de reuso.

Tal fato será uma tendência, uma questão de sobrevivência. Estamos preparados? E para refletirmos: como está a nossa Bacia Hidrográfica?

Tânia Denise Pedrelli é graduada em Engenharia Química pela Fundação Universidade Regional de Blumenau; mestre em Engenharia Ambiental na área de concentração em Tecnologias de Saneamento Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina; Especialista (Pós graduação em Lato Sensu) em Gerenciamento de Águas e Efluentes pela Faculdade do SENAI Blumenau e MBA em Pericia e Auditoria Ambiental pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Professora universitária, funcionária de carreira da prefeitura de Balneário Camboriú desde 1994, lotada na área de saneamento e análise de projetos onde exerce a função de fiscal de saúde pública.



 

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Opinião: água de reuso: o que é isso ?

Fotos: Sonoma County Water Agency
Tubulação de água de reuso nos Estados Unidos
Tubulação de água de reuso nos Estados Unidos
Quarta, 7/12/2016 8:12.

Por Tânia Pedrelli

Há certas coisas que precisam ser compartilhadas, e acredito ser interessante compartilhar com aqueles que têm interesse ou curiosidade sobre o tema.

Em viagem a Los Angeles, depois de muitas caminhadas e como estudiosa do tema “saneamento”, fiquei intrigada com aquela tubulação de coloração rosa fúcsia ao longo das vias públicas.

Primeiro pensei que fosse coisa de Hollywood, depois achei que o vermelho dos hidrantes havia desbotado sob o sol da Califórnia, ou até mesmo que fosse uma versão do Outubro Rosa.

Com coragem, formulei uma frase em inglês ao guia. Qual seria o motivo de tal coloração?

Ele me olhou com aquele olhar de “coitada, ela não sabe...” e respondeu calmamente que se tratava de uma tubulação exclusiva para “água de reuso”, cujo destino seria a irrigação de espaços públicos e privados, para uso industrial e da agricultura, sendo uma prática comum em todo o estado da Califórnia.

Mas, afinal, do que se trata “água de reuso”? Basicamente, seria o esgoto sanitário tratado a níveis avançados, e reusado tanto para fins potáveis e não potáveis.

Os exemplos mais típicos de reuso para fins não potáveis são o uso no paisagismo urbano, limpeza de ruas, irrigação na agricultura, e até mesmo na construção civil, onde não há necessidade de água potável, com cloro e demais produtos usados no tratamento.

Já o reuso para fins potáveis abrange maiores tecnologias de tratamento, no entanto é altamente viável.

Porém, se formos refletir, já fazemos reuso para fins potáveis, só que de forma inconsciente e não planejada, pois a água captada no rio por uma cidade é a mesma água onde provavelmente foi lançado esgoto da cidade localizada à montante.

Além dos Estados Unidos, outros países como Israel, Espanha e Singapura são os pioneiros (desde a década de 70) em pesquisas sobre o tema de reuso de água, bem como fazem uso deste recurso, pois não se trata de uma questão de escolha, mas sim de sobrevivência, principalmente econômica.

A Namíbia, um país da África localizado entre dois desertos, foi o primeiro (isso já nos idos de 1960) a tratar seus esgotos e redirecionar diretamente para uma estação de tratamento de água.

E aí se pode questionar sobre a real necessidade da “água de reuso”; afinal, o Brasil tem cerca de 12% de toda a água do planeta. Sim, estatisticamente temos! Mas quase toda essa quantidade de água encontra-se em regiões pouco habitadas, como a Amazônia; e há as regiões com stress hídrico, como a região metropolitana de São Paulo, com dificuldade para atender a alta demanda populacional e industrial, e em concomitante ao fato dos mananciais existentes encontrarem-se comprometidos com o aporte de esgotos sanitários.

Apesar da região Metropolitana de São Paulo ser abastecida por oito sistemas produtores de água, em 2014 esteve em uma situação muito crítica, pois os reservatórios de água, principalmente do sistema Cantareira, estavam operando no vermelho.

A situação mudou um pouco porque choveu; caso contrário a população abastecida por este sistema, em torno de 5 milhões de pessoas, estaria sem água na torneira. E as mudanças climáticas estão batendo à nossa porta, ou seja, não podemos ficar esperando chover.

No Brasil, temos alguns exemplos de reuso de água operando em grande porte. A Sabesp, companhia de saneamento do Governo do Estado de São Paulo, já opera com estações de tratamento que produzem água de reuso para diversos fins não potáveis e industriais.

E, mais recentemente, a companhia de saneamento de Campinas/SP opera a primeira estação de tratamento de esgotos projetada para a produção de água de reuso, cuja qualidade da água é idêntica à da água potável.

Resumindo, chegará o tempo - e muito em breve - que a água que todos nós consumiremos provirá de uma estação produtora de água de reuso.

Tal fato será uma tendência, uma questão de sobrevivência. Estamos preparados? E para refletirmos: como está a nossa Bacia Hidrográfica?

Tânia Denise Pedrelli é graduada em Engenharia Química pela Fundação Universidade Regional de Blumenau; mestre em Engenharia Ambiental na área de concentração em Tecnologias de Saneamento Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina; Especialista (Pós graduação em Lato Sensu) em Gerenciamento de Águas e Efluentes pela Faculdade do SENAI Blumenau e MBA em Pericia e Auditoria Ambiental pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Professora universitária, funcionária de carreira da prefeitura de Balneário Camboriú desde 1994, lotada na área de saneamento e análise de projetos onde exerce a função de fiscal de saúde pública.



 

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