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PÁGINA 3 / Fama
Telefilme com senso de espetáculo, 'De Encontro com a Vida' é mais do mesmo

Quinta, 19/4/2018 9:15.

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SÉRGIO ALPENDRE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Marc Rothemund tornou-se conhecido com seu segundo longa, o fraco "Formiga nas Calças" (2000). No terceiro longa, "Uma Mulher Contra Hitler" (2005), apresentou uma pequena evolução no domínio da narrativa, mas ainda faltava uma maior ambição para além do cinema comercial.

Treze anos, e alguns longas depois, nos chega este "De Encontro com a Vida", uma comédia romântica com toques dramáticos sobre Saliya Kahawatte (Kostja Ullmann), um rapaz ambicioso e esforçado nos estudos e no trabalho, mas que luta contra um problema que afeta severamente sua visão.

Estamos, portanto, num típico filme de superação das dificuldades, do tipo que sempre deu certo comercialmente, a não ser quando realizado com imensa incompetência ou falta completa de imaginação.

Eis que o longa de Rothemund se enquadra nos dois casos. Principalmente porque segue à risca uma fórmula que busca o maior número possível de adeptos. Com isso parece mais um telefilme dos anos 1990, um arremedo de "mais do mesmo" que sugere uma involução na carreira do diretor.

Só que é rodado em scope, ou seja, a tela super horizontal. Mas não há composição de imagem, em momento algum, que justifique a adoção de tal formato. O que parece estar em jogo é apenas o senso de espetáculo. E então temos um telefilme com senso de espetáculo, uma aberração por definição.

E a trama, convenhamos, não ajuda. Para começar, o grande sonho de Saliya é trabalhar em um hotel de luxo. Após inúmeras recusas por causa de sua deficiência visual, tem a chance de um longo teste para um hotel de Munique, e lá encontra parceiros que irão ajudá-lo a superar as dificuldades e enganar os avaliadores e empregadores.

Percebemos logo que esse sonho é meio de araque. O que ele quer mesmo é superar a deficiência. Quer ainda conquistar o coração de Laura (Anna Maria Mühe), uma das fornecedoras de comida para o hotel.

Por isso vemos todos os procedimentos dos filmes de superação, desde o aspecto conciliador dos conflitos até o arco dramático que prevê revezes facilmente superáveis (sem que os temores e as incertezas da vida sejam realmente representados).

Baseado em uma história real, "De Encontro com a Vida" tem perfil claramente motivador, tipo autoajuda. Mas não rende coisa alguma cinematograficamente falando. Pode até fazer sucesso, porque isso não tem nada a ver com a qualidade da obra. E provavelmente será logo esquecido.

DE ENCONTRO COM A VIDA (MEIN BLIND DATE MIT DEM LEBEN)
QUADO estreia nesta quinta (19)
PRODUÇÃO Alemanha, 2017
DIREÇÃO Marc Rothemund
AVALIAÇÃO Ruim


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Página 3

Telefilme com senso de espetáculo, 'De Encontro com a Vida' é mais do mesmo

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Quinta, 19/4/2018 9:15.

SÉRGIO ALPENDRE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Marc Rothemund tornou-se conhecido com seu segundo longa, o fraco "Formiga nas Calças" (2000). No terceiro longa, "Uma Mulher Contra Hitler" (2005), apresentou uma pequena evolução no domínio da narrativa, mas ainda faltava uma maior ambição para além do cinema comercial.

Treze anos, e alguns longas depois, nos chega este "De Encontro com a Vida", uma comédia romântica com toques dramáticos sobre Saliya Kahawatte (Kostja Ullmann), um rapaz ambicioso e esforçado nos estudos e no trabalho, mas que luta contra um problema que afeta severamente sua visão.

Estamos, portanto, num típico filme de superação das dificuldades, do tipo que sempre deu certo comercialmente, a não ser quando realizado com imensa incompetência ou falta completa de imaginação.

Eis que o longa de Rothemund se enquadra nos dois casos. Principalmente porque segue à risca uma fórmula que busca o maior número possível de adeptos. Com isso parece mais um telefilme dos anos 1990, um arremedo de "mais do mesmo" que sugere uma involução na carreira do diretor.

Só que é rodado em scope, ou seja, a tela super horizontal. Mas não há composição de imagem, em momento algum, que justifique a adoção de tal formato. O que parece estar em jogo é apenas o senso de espetáculo. E então temos um telefilme com senso de espetáculo, uma aberração por definição.

E a trama, convenhamos, não ajuda. Para começar, o grande sonho de Saliya é trabalhar em um hotel de luxo. Após inúmeras recusas por causa de sua deficiência visual, tem a chance de um longo teste para um hotel de Munique, e lá encontra parceiros que irão ajudá-lo a superar as dificuldades e enganar os avaliadores e empregadores.

Percebemos logo que esse sonho é meio de araque. O que ele quer mesmo é superar a deficiência. Quer ainda conquistar o coração de Laura (Anna Maria Mühe), uma das fornecedoras de comida para o hotel.

Por isso vemos todos os procedimentos dos filmes de superação, desde o aspecto conciliador dos conflitos até o arco dramático que prevê revezes facilmente superáveis (sem que os temores e as incertezas da vida sejam realmente representados).

Baseado em uma história real, "De Encontro com a Vida" tem perfil claramente motivador, tipo autoajuda. Mas não rende coisa alguma cinematograficamente falando. Pode até fazer sucesso, porque isso não tem nada a ver com a qualidade da obra. E provavelmente será logo esquecido.

DE ENCONTRO COM A VIDA (MEIN BLIND DATE MIT DEM LEBEN)
QUADO estreia nesta quinta (19)
PRODUÇÃO Alemanha, 2017
DIREÇÃO Marc Rothemund
AVALIAÇÃO Ruim


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