Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Esporte
Atletas e treinadores falam sobre a paralisação imposta pelo coronavírus

Quinta, 23/4/2020 8:03.

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Marlise Schneider Cezar

A ‘parada’ obrigatória e repentina que o Coronavírus trouxe refletiu em todos os setores, interrompeu projetos, mudou planos, cancelou eventos e viagens, adiou festas e competições, inclusive a principal delas, a Olimpíada de Tóquio. Este período é particularmente difícil para quem pratica esportes competitivos, porque a máquina principal - o corpo - não pode parar. Mas como atletas e treinadores estão se mexendo em tempos de Coronavírus? A reportagem conferiu com alguns destaques competitivos de Balneário Camboriú. Acompanhe:

Foto: Arquivo Pessoal

Yago Rodrigues Santos Alves, campeão catarinense de triathlon em 2018, quarto no ranking da Copa Brasil em 2019

“Como triatleta tive algumas dificuldades no início da quarentena, principalmente com a natação, que foi a parte mais complicada, com o fechamento da praia. Aí recorria a exercícios com elástico simulando braçadas. Foi das três a modalidade mais prejudicada. No ciclismo, fiz um pedal sem sair do lugar, com a roda da bicicleta presa no rolo, um equipamento que normalmente se usa quando chove ou para algum treinamento específico. E a corrida, nas duas primeiras semanas fiquei sem correr, fazia exercícios em casa, na escada, mas agora com a flexibilização, comecei a correr na rua, bem cedo, sozinho, cuidando de todas as regras e na última semana, com a liberação dos exercícios na praia e no mar, piscinas, consegui voltar aos treinos de natação no mar”.

Foto: Arquivo Pessoal

Gerson Cabral, professor e técnico de handebol feminino da Fundação Municipal de Esportes

"Começamos o ano desenvolvendo uma etapa sistematizada que denominamos, em nosso planejamento, de pré-temporada. Iniciamos em fevereiro, com todas as atletas, mais precisamente, após o carnaval. Colocamos os grupos das categorias cadete, juvenil e adulta num rigoroso treinamento físico, diário, revezando com alguns momentos técnicos. A intenção era adaptar fisicamente as atletas, para trabalhos técnicos e táticos intensos a partir de abril. No entanto, fomos surpreendidos com a pandemia e, a partir das determinações da FMEBC e do governo municipal interrompemos as atividades e, conforme as orientações, solicitamos que todas as atletas se mantivessem em suas residências e cumprissem com as normas. Logicamente que sugerimos a todas que realizassem atividades físicas para manutenção do que, até então, haviam adquirido. Como a situação se prolongou, não conseguimos fazer um acompanhamento individual disso e, não temos a convicção de que todas as atletas fizeram corretamente. Apostamos na consciência de cada uma. No entanto, estamos atentos à evolução da situação e, como há possibilidades, talvez, de em 60 dias algumas atividades esportivas retornarem, estamos elaborando um planejamento físico que será implementado pela equipe de profissionais do handebol da FMEBC. Só que, desta vez, faremos acompanhamento diário, através das redes sociais e, pensamos que, quando pudermos retornar com os treinos, a parte física das atletas já esteja em condições de se adaptar rapidamente às atividades”.


Foto: Divulgação/CBV

Josi Alves, pentacampeã catarinenses, dez vezes campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina, desde 2009 disputa o Circuito BB, campeã geral da temporada 2019 do Circuito Brasileiro Challenger

“Desde do dia 20 março a nossa Confederação Brasileira Voleibol, departamento Praia, adiou todas as etapas do Circuito Brasileiro, com uma previsão de retorno para o mês de agosto. Desde então, nós atletas estamos seguindo as recomendações da OMS, ficando em casa. Eu estou procurando manter uma rotina, acordar cedo, fazer meu café, fazer exercícios em casa, procurando ler bastante, assistir filmes, assistir jogos, aproveitando para aprender a cozinhar, a cuidar de uma casa e principalmente refletindo muito sobre toda essa mudança mundial, procurando tirar algo de bom disso tudo”.


Foto: Divulgação

Lucas "Sorin", pentacampeão brasileiro, tricampeão sul americano e bicampeão pan americano de kung fu, atleta de MMA e Boxe Chinês (atleta da seleção brasileira e professor de atletas de rendimento)

“O período de fato é muito complicado em especial em 2020 que tínhamos uma grande expectativa para o Pan que seria no Brasil e o Mundial Jr no Marrocos, ambos adiados. Vínhamos em uma crescente com nossa base visando os eventos e tudo foi bloqueado. Tem sido complicado, eu tenho treinado sozinho em casa e indiquei treinos aos meu principais atletas, porém, tratando de crianças/adolescentes é muito complicado não estar acompanhado ao lado. Acredito que quando tudo se normalizar teremos dificuldades mas, vamos trabalhar dobrado para que possa voltar ao melhor nível como atleta e também cuidar dos meus filhotes. A maioria dos meus atletas são dos bairros, e algumas ações do Anjos Sem Asas acompanhadas por mim beneficiaram a comunidade num todo e a família de todos atletas necessitados com cestas básicas. Acredito que é um momento que precisamos entender e nos fortalecer, as coisas vão se normalizar em breve mas, se o pessoal não se conscientizar, de fato, vamos continuar sofrendo muito com essa pandemia!”


Foto: Arquivo PessoalDiogo com sua esposa Daia, que também é treinadora de atletismo

Diogo Gamboa, treinador de atletismo da Fundação Municipal de Esportes, membro do Conselho Técnico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), treinador em algumas oportunidades da seleção brasileira e pré-convocado para os Jogos Olímpicos do Japão

“O atleta de rendimento não tem como passar grandes períodos inativo. Infelizmente devido a quarentena perdemos parte do trabalho, não estamos nas pistas, mas todos atletas de competição estão ativos, treinando em casa, alguns que possuem áreas maiores em casa ou áreas livres próximas das suas casas, realizaram treinos, seguindo todas as orientações da OMS. Neste momento o treinamento tem que ser sob regência da OMS, para que possamos permanecer ativos, de maneira saudável. Todos os treinos são prescritos e monitorados pelo grupo de treinadores, tenho feito até vídeo conferências. Além da parte física, algo importante que precisamos pensar para nossos atletas é a parte mental, porque fisicamente a gente consegue fazer uma manutenção, mas o que não pode é perder o foco, o atleta não pode desmotivar. Semanalmente tenho me reunido com meus atletas virtualmente para conversar, motivá-los, acho que essa é a grande saída, mantê-los ativos dentro das possibilidades e principalmente mantê-los com a mente saudável. Esperando o retorno, sabemos que esse ano irão acontecer alguns eventos estaduais e nacionais, mas não sabemos quando isso acontecerá. E quando acontecer retomaremos, acredito que nosso grupo estará em forma, para tentar buscar alguns títulos e conquistas como temos feito nos últimos anos”.


Foto: Divulgação/CBAT

Anny Caroline de Bassi, tetracampeã e recordista dos Jasc (100m rasos), tricampeã e recordistas dos Jasc(200m), campeã sul-americana 4x100m, multicampeã catarinense (em várias cateogrias) e pré-convocada para Olimpíada do Japão

“Venho treinando em casa desde o início da quarentena tomando todas as medidas necessárias. Meu treinador Diogo Gamboa separou e adaptou uma série de atividades para que eu conseguisse manter a forma física, em minha própria residência, que é um local seguro neste momento. Claro que não está sendo fácil, já tivemos alguns adiamentos como os Jogos Olímpicos por exemplo que era e é meu foco principal. Mas tudo isso é necessário para que o vírus não se propague ainda mais. Minha atividades e rotinas de treino estão nesta fase mais relacionadas a força, e exercícios que utilizam apenas o peso do meu corpo. Não estou podendo correr, o que basicamente é o que mais faço em minha modalidade, e isso deixa nós atletas apreensivos com nosso rendimento, uma vez que uma hora ou outra as competições voltarão e precisaremos de um bom condicionamento físico. E por isso tento ao máximo estar com a cabeça ‘limpa’ e cumprir tudo que meu treinador vem me passando e quando isso tudo passar, estarei com muito mais foco nos objetivos a serem alcançados”.


Foto: Arquivo Pessoal

Claudio Henrique Beraldo (Iki), técnico do voleibol masculino da FMEBC/ABC do Voleibol, técnico campeão dos Joguinhos 2018, primeiro titulo do voleibol masculino na historia de Balneário Camboriú

“Estamos vivendo uma situação atípica então estamos tendo que nos reinventar. Segundo a Fesporte o calendário vai acontecer, o mesmo acontece com a Federação Catarinense de Voleibol. Talvez não nos moldes tradicionais de disputa mas irão acontecer. Nossos atletas neste período estão recebendo os treinos para fazer em casa cada um se adaptando dentro da sua realidade. O importante é que eles não fiquem inativos neste período. Os treinos podem ser acompanhados no Instagram da abcdovoleibol. Estamos todos ansiosos para nossa retomada aos treinos e na torcida para que tudo dê certo”.


Foto: Arquivo Pessoal

Aldo Max, professor da FMEBC, atual campeão catarinense de jiu jitsu (peso e absoluto)

“O jiu jitsu assim como o judô e outras artes marciais está enfrentando uma peculariedade diferente. Hoje (22) as academias voltaram a abrir portas, mas com uma nova técnica que está no decreto do governador que diz que é precisa um distanciamento de 1,5m entre um e outro, máscara etc..só que o jiu jitsu, o judô e outras são lutas de contato, eu dependo de agarrar o meu adversário, segurar o quimono dele, pegar nele para poder praticar, por isso nós não podemos voltar aos treinos. Sugeriram que fizessem treinos de condicionamento físico, mas quem vai pagar uma academia, vai frequentar uma aula de luta para fazer polichinelo, por assim dizer? Ainda estamos de mãos atadas, não estamos treinando e continuaremos assim até que flexibilizem mais as normas. Por isso seguimos o que vinha fazendo desde o começo da quarentena, sugeri exercícios para os alunos fazer em casa e trabalhei na parte intelectual também, mandei provas e regras de arbitragem, fiz pesquisa para eles se auto avaliarem, toda hora mandando videos de técnicas. Eu por ter academia, peguei os equipamentos de treinamento fisico, levei para minha casa, no meu prédio tem uma área grande de lazer e consegui colocar os equipamentos para treinar e seguir ativo”.


Foto: Divulgação

Kauany Gutz Kyukawa, 16, nascida em Balneário Camboriú, onde começou carreira na FMEBC, desde o ano passado joga em São Paulo, campeã brasileira Sub-18; campeã invicta como capitã de Santa Catarina no Brasileiro de Seleções Sub-18, foi convocada em março para a seletiva da seleção brasileira de vôlei Sub-18, para disputar o Sul americano no Chile

“A situação que estamos enfrentando devido a COVID-19, certamente prejudica os treinamentos, ainda mais pelo vôlei ser um esporte coletivo e com bola, mas desde que escolhi essa vida de atleta, busco sempre ter foco e manter a disciplina mesmo em feriados, recessos e períodos de férias, fazendo com que as adaptações para esse período de quarentena não sejam tão estranhas para mim. Em relação a parte física, sigo as instruções do clube onde atuo (ADC Bradesco) que disponibilizou planilhas de treinos adaptadas para a realização dentro de casa, mas ao mesmo tempo o mais próxima possível do que vínhamos trabalhando, além de correr e pedalar para manter a capacidade aeróbica. Falando sobre o contato com bola, fica um pouco mais difícil de mantê-lo durante esse período, por necessitar das condições ideais, mas o que estou conseguindo fazer é treinar os fundamentos separados (toque, manchete, batida do saque e encaixe de bola) na parede. Além disso, estou buscando investir no treinamento mental e psicológico, que é fundamental durante os jogos principalmente em situações de pressão, fazendo isso através da leitura de materiais que contribuem para o desenvolvimento pessoal, do hábito de escrita, da meditação e de vídeos que abordam assuntos relacionados ao esporte. O objetivo de tudo isso é manter um alto nível ao voltar às quadras, e recuperar mais rapidamente o ritmo de jogo, com a expectativa de ótimas performances para o resto da temporada, torcendo para que o coronavírus apresente logo uma grande diminuição de casos para que as atividades sejam retomadas o mais breve possível”.


Foto: Arquivo PessoalSérgio treinando em casa com o filho de 3 anos

Sérgio Ricardo Borba, professor e árbitro internacional de judô

"Neste período de quarentena estamos enviando aos alunos pequenos vídeos com atividades físicas relacionadas à prática do judô, para que não percam o ritmo de treino, que estavam habituados. São vídeos com atividades técnicas, entradas de técnicas utilizando borrachas para trabalhar o equilíbrio e a isometria muscular e duas vezes por semana aula online de 30 minutos”.


Foto: Divulgação

Leize Bianchini, 37, atleta multicampeã dos Jogos Abertos (JASC) e técnica de vôlei de praia da FMEBC

“Na medida do possível estamos trabalhando a questão do movimento, com treinos passados pelo whats, claro que não é possível manter o mesmo nível de preparo físico de quando paramos, perdemos muito com essa paralisação, mas temos consciência de que precisa ser assim. As academias voltaram quarta (22), já estão todos orientados para retornar com a parte física da academia, e aguardamos a volta da liberação dos treinos. com bola. Todos dentro do possível se mexendo em casa e agora nas academias. Estamos aguardando as mudanças que a Fesporte vai fazer nas competições estaduais. Falo para meus alunos que vai ser um período curto mas muito intenso de competições, e precisamos encarar esse desafio como se fosse um final de ano, para não perder a motivação e a vontade de fazer um ano mais curto, porque nosso ano vai se resumir em um semestre. Como atleta, eu não estava há tanto tempo parada, é chato, diferente, mas tem que ter paciência”.


Foto: Divulgação

Guilherme Salvi de Oliveira Iensen, treinador de ginástica artística da FMEBC, técnico campeão masculino Copa Estadual e campeão feminino Copa Catarinense

“Diante do cenário atual, estamos tentando das mais variadas formas manter uma rotina de treinos, principalmente os de força, flexibilidade, de elementos estáticos de baixo risco e que não demandem grande aporte de segurança, uma vez que a ginástica artística requer um aparato todo para treinamento básico, por isso estamos tentando implementar algumas rotinas de forma a propiciar que todos participem. Utilizamos as ferramentas das redes sociais como forma de aproximação, através de LIVES, vídeos, desafios entre os atletas da modalidade de todo o estado, etc...



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Atletas e treinadores falam sobre a paralisação imposta pelo coronavírus

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Quinta, 23/4/2020 8:03.
Marlise Schneider Cezar

A ‘parada’ obrigatória e repentina que o Coronavírus trouxe refletiu em todos os setores, interrompeu projetos, mudou planos, cancelou eventos e viagens, adiou festas e competições, inclusive a principal delas, a Olimpíada de Tóquio. Este período é particularmente difícil para quem pratica esportes competitivos, porque a máquina principal - o corpo - não pode parar. Mas como atletas e treinadores estão se mexendo em tempos de Coronavírus? A reportagem conferiu com alguns destaques competitivos de Balneário Camboriú. Acompanhe:

Foto: Arquivo Pessoal

Yago Rodrigues Santos Alves, campeão catarinense de triathlon em 2018, quarto no ranking da Copa Brasil em 2019

“Como triatleta tive algumas dificuldades no início da quarentena, principalmente com a natação, que foi a parte mais complicada, com o fechamento da praia. Aí recorria a exercícios com elástico simulando braçadas. Foi das três a modalidade mais prejudicada. No ciclismo, fiz um pedal sem sair do lugar, com a roda da bicicleta presa no rolo, um equipamento que normalmente se usa quando chove ou para algum treinamento específico. E a corrida, nas duas primeiras semanas fiquei sem correr, fazia exercícios em casa, na escada, mas agora com a flexibilização, comecei a correr na rua, bem cedo, sozinho, cuidando de todas as regras e na última semana, com a liberação dos exercícios na praia e no mar, piscinas, consegui voltar aos treinos de natação no mar”.

Foto: Arquivo Pessoal

Gerson Cabral, professor e técnico de handebol feminino da Fundação Municipal de Esportes

"Começamos o ano desenvolvendo uma etapa sistematizada que denominamos, em nosso planejamento, de pré-temporada. Iniciamos em fevereiro, com todas as atletas, mais precisamente, após o carnaval. Colocamos os grupos das categorias cadete, juvenil e adulta num rigoroso treinamento físico, diário, revezando com alguns momentos técnicos. A intenção era adaptar fisicamente as atletas, para trabalhos técnicos e táticos intensos a partir de abril. No entanto, fomos surpreendidos com a pandemia e, a partir das determinações da FMEBC e do governo municipal interrompemos as atividades e, conforme as orientações, solicitamos que todas as atletas se mantivessem em suas residências e cumprissem com as normas. Logicamente que sugerimos a todas que realizassem atividades físicas para manutenção do que, até então, haviam adquirido. Como a situação se prolongou, não conseguimos fazer um acompanhamento individual disso e, não temos a convicção de que todas as atletas fizeram corretamente. Apostamos na consciência de cada uma. No entanto, estamos atentos à evolução da situação e, como há possibilidades, talvez, de em 60 dias algumas atividades esportivas retornarem, estamos elaborando um planejamento físico que será implementado pela equipe de profissionais do handebol da FMEBC. Só que, desta vez, faremos acompanhamento diário, através das redes sociais e, pensamos que, quando pudermos retornar com os treinos, a parte física das atletas já esteja em condições de se adaptar rapidamente às atividades”.


Foto: Divulgação/CBV

Josi Alves, pentacampeã catarinenses, dez vezes campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina, desde 2009 disputa o Circuito BB, campeã geral da temporada 2019 do Circuito Brasileiro Challenger

“Desde do dia 20 março a nossa Confederação Brasileira Voleibol, departamento Praia, adiou todas as etapas do Circuito Brasileiro, com uma previsão de retorno para o mês de agosto. Desde então, nós atletas estamos seguindo as recomendações da OMS, ficando em casa. Eu estou procurando manter uma rotina, acordar cedo, fazer meu café, fazer exercícios em casa, procurando ler bastante, assistir filmes, assistir jogos, aproveitando para aprender a cozinhar, a cuidar de uma casa e principalmente refletindo muito sobre toda essa mudança mundial, procurando tirar algo de bom disso tudo”.


Foto: Divulgação

Lucas "Sorin", pentacampeão brasileiro, tricampeão sul americano e bicampeão pan americano de kung fu, atleta de MMA e Boxe Chinês (atleta da seleção brasileira e professor de atletas de rendimento)

“O período de fato é muito complicado em especial em 2020 que tínhamos uma grande expectativa para o Pan que seria no Brasil e o Mundial Jr no Marrocos, ambos adiados. Vínhamos em uma crescente com nossa base visando os eventos e tudo foi bloqueado. Tem sido complicado, eu tenho treinado sozinho em casa e indiquei treinos aos meu principais atletas, porém, tratando de crianças/adolescentes é muito complicado não estar acompanhado ao lado. Acredito que quando tudo se normalizar teremos dificuldades mas, vamos trabalhar dobrado para que possa voltar ao melhor nível como atleta e também cuidar dos meus filhotes. A maioria dos meus atletas são dos bairros, e algumas ações do Anjos Sem Asas acompanhadas por mim beneficiaram a comunidade num todo e a família de todos atletas necessitados com cestas básicas. Acredito que é um momento que precisamos entender e nos fortalecer, as coisas vão se normalizar em breve mas, se o pessoal não se conscientizar, de fato, vamos continuar sofrendo muito com essa pandemia!”


Foto: Arquivo PessoalDiogo com sua esposa Daia, que também é treinadora de atletismo

Diogo Gamboa, treinador de atletismo da Fundação Municipal de Esportes, membro do Conselho Técnico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), treinador em algumas oportunidades da seleção brasileira e pré-convocado para os Jogos Olímpicos do Japão

“O atleta de rendimento não tem como passar grandes períodos inativo. Infelizmente devido a quarentena perdemos parte do trabalho, não estamos nas pistas, mas todos atletas de competição estão ativos, treinando em casa, alguns que possuem áreas maiores em casa ou áreas livres próximas das suas casas, realizaram treinos, seguindo todas as orientações da OMS. Neste momento o treinamento tem que ser sob regência da OMS, para que possamos permanecer ativos, de maneira saudável. Todos os treinos são prescritos e monitorados pelo grupo de treinadores, tenho feito até vídeo conferências. Além da parte física, algo importante que precisamos pensar para nossos atletas é a parte mental, porque fisicamente a gente consegue fazer uma manutenção, mas o que não pode é perder o foco, o atleta não pode desmotivar. Semanalmente tenho me reunido com meus atletas virtualmente para conversar, motivá-los, acho que essa é a grande saída, mantê-los ativos dentro das possibilidades e principalmente mantê-los com a mente saudável. Esperando o retorno, sabemos que esse ano irão acontecer alguns eventos estaduais e nacionais, mas não sabemos quando isso acontecerá. E quando acontecer retomaremos, acredito que nosso grupo estará em forma, para tentar buscar alguns títulos e conquistas como temos feito nos últimos anos”.


Foto: Divulgação/CBAT

Anny Caroline de Bassi, tetracampeã e recordista dos Jasc (100m rasos), tricampeã e recordistas dos Jasc(200m), campeã sul-americana 4x100m, multicampeã catarinense (em várias cateogrias) e pré-convocada para Olimpíada do Japão

“Venho treinando em casa desde o início da quarentena tomando todas as medidas necessárias. Meu treinador Diogo Gamboa separou e adaptou uma série de atividades para que eu conseguisse manter a forma física, em minha própria residência, que é um local seguro neste momento. Claro que não está sendo fácil, já tivemos alguns adiamentos como os Jogos Olímpicos por exemplo que era e é meu foco principal. Mas tudo isso é necessário para que o vírus não se propague ainda mais. Minha atividades e rotinas de treino estão nesta fase mais relacionadas a força, e exercícios que utilizam apenas o peso do meu corpo. Não estou podendo correr, o que basicamente é o que mais faço em minha modalidade, e isso deixa nós atletas apreensivos com nosso rendimento, uma vez que uma hora ou outra as competições voltarão e precisaremos de um bom condicionamento físico. E por isso tento ao máximo estar com a cabeça ‘limpa’ e cumprir tudo que meu treinador vem me passando e quando isso tudo passar, estarei com muito mais foco nos objetivos a serem alcançados”.


Foto: Arquivo Pessoal

Claudio Henrique Beraldo (Iki), técnico do voleibol masculino da FMEBC/ABC do Voleibol, técnico campeão dos Joguinhos 2018, primeiro titulo do voleibol masculino na historia de Balneário Camboriú

“Estamos vivendo uma situação atípica então estamos tendo que nos reinventar. Segundo a Fesporte o calendário vai acontecer, o mesmo acontece com a Federação Catarinense de Voleibol. Talvez não nos moldes tradicionais de disputa mas irão acontecer. Nossos atletas neste período estão recebendo os treinos para fazer em casa cada um se adaptando dentro da sua realidade. O importante é que eles não fiquem inativos neste período. Os treinos podem ser acompanhados no Instagram da abcdovoleibol. Estamos todos ansiosos para nossa retomada aos treinos e na torcida para que tudo dê certo”.


Foto: Arquivo Pessoal

Aldo Max, professor da FMEBC, atual campeão catarinense de jiu jitsu (peso e absoluto)

“O jiu jitsu assim como o judô e outras artes marciais está enfrentando uma peculariedade diferente. Hoje (22) as academias voltaram a abrir portas, mas com uma nova técnica que está no decreto do governador que diz que é precisa um distanciamento de 1,5m entre um e outro, máscara etc..só que o jiu jitsu, o judô e outras são lutas de contato, eu dependo de agarrar o meu adversário, segurar o quimono dele, pegar nele para poder praticar, por isso nós não podemos voltar aos treinos. Sugeriram que fizessem treinos de condicionamento físico, mas quem vai pagar uma academia, vai frequentar uma aula de luta para fazer polichinelo, por assim dizer? Ainda estamos de mãos atadas, não estamos treinando e continuaremos assim até que flexibilizem mais as normas. Por isso seguimos o que vinha fazendo desde o começo da quarentena, sugeri exercícios para os alunos fazer em casa e trabalhei na parte intelectual também, mandei provas e regras de arbitragem, fiz pesquisa para eles se auto avaliarem, toda hora mandando videos de técnicas. Eu por ter academia, peguei os equipamentos de treinamento fisico, levei para minha casa, no meu prédio tem uma área grande de lazer e consegui colocar os equipamentos para treinar e seguir ativo”.


Foto: Divulgação

Kauany Gutz Kyukawa, 16, nascida em Balneário Camboriú, onde começou carreira na FMEBC, desde o ano passado joga em São Paulo, campeã brasileira Sub-18; campeã invicta como capitã de Santa Catarina no Brasileiro de Seleções Sub-18, foi convocada em março para a seletiva da seleção brasileira de vôlei Sub-18, para disputar o Sul americano no Chile

“A situação que estamos enfrentando devido a COVID-19, certamente prejudica os treinamentos, ainda mais pelo vôlei ser um esporte coletivo e com bola, mas desde que escolhi essa vida de atleta, busco sempre ter foco e manter a disciplina mesmo em feriados, recessos e períodos de férias, fazendo com que as adaptações para esse período de quarentena não sejam tão estranhas para mim. Em relação a parte física, sigo as instruções do clube onde atuo (ADC Bradesco) que disponibilizou planilhas de treinos adaptadas para a realização dentro de casa, mas ao mesmo tempo o mais próxima possível do que vínhamos trabalhando, além de correr e pedalar para manter a capacidade aeróbica. Falando sobre o contato com bola, fica um pouco mais difícil de mantê-lo durante esse período, por necessitar das condições ideais, mas o que estou conseguindo fazer é treinar os fundamentos separados (toque, manchete, batida do saque e encaixe de bola) na parede. Além disso, estou buscando investir no treinamento mental e psicológico, que é fundamental durante os jogos principalmente em situações de pressão, fazendo isso através da leitura de materiais que contribuem para o desenvolvimento pessoal, do hábito de escrita, da meditação e de vídeos que abordam assuntos relacionados ao esporte. O objetivo de tudo isso é manter um alto nível ao voltar às quadras, e recuperar mais rapidamente o ritmo de jogo, com a expectativa de ótimas performances para o resto da temporada, torcendo para que o coronavírus apresente logo uma grande diminuição de casos para que as atividades sejam retomadas o mais breve possível”.


Foto: Arquivo PessoalSérgio treinando em casa com o filho de 3 anos

Sérgio Ricardo Borba, professor e árbitro internacional de judô

"Neste período de quarentena estamos enviando aos alunos pequenos vídeos com atividades físicas relacionadas à prática do judô, para que não percam o ritmo de treino, que estavam habituados. São vídeos com atividades técnicas, entradas de técnicas utilizando borrachas para trabalhar o equilíbrio e a isometria muscular e duas vezes por semana aula online de 30 minutos”.


Foto: Divulgação

Leize Bianchini, 37, atleta multicampeã dos Jogos Abertos (JASC) e técnica de vôlei de praia da FMEBC

“Na medida do possível estamos trabalhando a questão do movimento, com treinos passados pelo whats, claro que não é possível manter o mesmo nível de preparo físico de quando paramos, perdemos muito com essa paralisação, mas temos consciência de que precisa ser assim. As academias voltaram quarta (22), já estão todos orientados para retornar com a parte física da academia, e aguardamos a volta da liberação dos treinos. com bola. Todos dentro do possível se mexendo em casa e agora nas academias. Estamos aguardando as mudanças que a Fesporte vai fazer nas competições estaduais. Falo para meus alunos que vai ser um período curto mas muito intenso de competições, e precisamos encarar esse desafio como se fosse um final de ano, para não perder a motivação e a vontade de fazer um ano mais curto, porque nosso ano vai se resumir em um semestre. Como atleta, eu não estava há tanto tempo parada, é chato, diferente, mas tem que ter paciência”.


Foto: Divulgação

Guilherme Salvi de Oliveira Iensen, treinador de ginástica artística da FMEBC, técnico campeão masculino Copa Estadual e campeão feminino Copa Catarinense

“Diante do cenário atual, estamos tentando das mais variadas formas manter uma rotina de treinos, principalmente os de força, flexibilidade, de elementos estáticos de baixo risco e que não demandem grande aporte de segurança, uma vez que a ginástica artística requer um aparato todo para treinamento básico, por isso estamos tentando implementar algumas rotinas de forma a propiciar que todos participem. Utilizamos as ferramentas das redes sociais como forma de aproximação, através de LIVES, vídeos, desafios entre os atletas da modalidade de todo o estado, etc...



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