Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Esporte
Italo Ferreira vence Gabriel Medina e conquista o título mundial de surfe

Das pranchas de isopor ao topo do mundo

Sexta, 20/12/2019 6:07.
EBC.

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Paulo Favero
O surfista Italo Ferreira conquistou seu primeiro título mundial nesta quinta-feira ao brilhar na etapa de Pipeline do Circuito Mundial, no Havaí. Ele levou a melhor sobre seus adversários na última etapa da temporada organizada pela WSL (Liga Mundial de Surfe, da sigla em inglês) e faturou o cobiçado troféu, deixando fortes rivais para trás como os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, o sul-africano Jordy Smith e o norte-americano Kolohe Andino, que iniciaram o evento também com chances.

"Eu não acredito. Era o meu sonho, lutei minha vida toda por isso. Dedico para minha avó e meu tio que morreram faz pouco tempo", afirmou o surfista, aos prantos, bastante emocionado. Ele superou Medina na final da competição e com isso confirmou o primeiro título mundial em seu currículo. "O Gabriel é um grande competidor, parabéns para ele que brigou até o fim. É incrível isso estar acontecendo", continuou.

O título coloca Italo na pequena galeria de campeões mundiais e um dos poucos brasileiros a conseguir tal feito. Além dele, Gabriel Medina tem duas taças e Adriano de Souza, o Mineirinho, uma. O resultado ainda mostra a força da "Brazilian Storm", como essa geração de surfistas nacionais é chamada. Nos últimos seis anos, em quatro o Brasil foi campeão - as outras duas foram vencidas pelo havaiano John John Florence.

A conquista veio da maneira mais emocionante possível. Italo passou por Jadson André, Peterson Crisanto, Yago Dora e Kelly Slater até chegar à final. Do outro lado da chave, Medina superou Imaikalani deVault, Caio Ibelli, John John Florence e Griffin Colapinto. Só que na disputa entre os dois brasileiros na final, Italo levou a melhor, ganhou por 15,56 a 12,94 e fez a festa nas areias de Pipeline com sua torcida.

O título coroa uma ótima temporada de Italo, que também colocou em sua galeria de conquistas um outro importante troféu em 2019: o do ISA Games, em Miyazaki, no Japão, quando superou surfistas do mundo inteiro para ficar com a medalha de ouro no evento que serviu para sentir as ondas do país que receberá os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Lá, Italo protagonizou uma das melhores histórias do ano. Ele teve o passaporte furtado nos EUA, precisou correr contra o tempo para tirar nova documentação, ter o visto japonês e chegar ao local de competição. Quando desembarcou no aeroporto de Miyazaki, sua bateria estava na água. Deixou suas malas para trás, pegou carona, chegou na praia sem equipamento, pegou uma prancha emprestada com Filipe Toledo e se classificou. Depois disso, deu um show nas fases seguintes e foi campeão.

Já na primeira etapa do ano do Circuito Mundial de Surfe, em Gold Coast, ele foi campeão e começou com o pé direito. No evento seguinte, em Bells Beach, também na Austrália, acabou caindo nas quartas de final. Já a terceira parada foi em Bali, mas ele não teve um bom resultado em Keramas.

Com um desempenho um pouco irregular, Italo acabou sendo eliminado para o havaiano John John Florence em Margaret River nas quartas de final. A ducha de água fria veio em casa, na etapa de Saquarema, no Brasil, quando ele deu adeus cedo à disputa ficando apenas na 17ª posição da etapa brasileira.

Com resultados não tão bons, ele sabia que precisava reagir no Circuito Mundial e foi isso que fez na África do Sul, ao chegar na final e perder apenas para Gabriel Medina. Na sequência, no Taiti, obteve um 17º lugar e no evento seguinte, na piscina de ondas de Kelly Slater, na Califórnia, ficou na nona posição.

Após esses resultados não tão empolgantes, Italo quase jogou a toalha, mas reuniu forças e partiu cedo para a Europa, a fim de reagir na temporada. Na disputa em Hossegor, na França, foi vice-campeão, perdendo a decisão para Jeremy Flores, e depois, em Peniche, ganhou o evento português e chegou ao Havaí como líder do ranking mundial.

Usando a lycra amarela, ele teve o experiente Shane Dorian como conselheiro em Pipeline, aproveitando as dicas do surfista local para se dar bem nos tubos do North Shore havaiano. E com boa performance nas ondas mais famosas do mundo, Italo conquistou seu primeiro troféu de campeão e já avisou que quer mais.

Das pranchas de isopor ao topo do mundo

Natural de Baía Formosa, no litoral do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira desde cedo se apaixonou pelo mar e pelas ondas. Seu pai, que trabalhava como pescador, costumava emprestar parte do isopor onde gelava os peixes para o garoto das suas primeiras braçadas na água. A brincadeira virou coisa séria, ele ganhou uma prancha de presente de um parente e logo mostrou talento.

Só que a condição financeira da família, sem tantos recursos, era uma dificuldade no início, pois para participar de competições era necessário pagar inscrição, viajar e ter uma estrutura mínima. Mas Italo nunca desistiu do sonho de ser surfista profissional e via naquela brincadeira uma possibilidade de ter um trabalho que se identificasse.

O talento dele como atleta fez com que estreasse no Circuito Mundial de Surfe em 2015. Na ocasião, chamou atenção pelo seu estilo arrojado e teve até bons resultados, como o segundo lugar na etapa de Peniche, em Portugal, e uma semifinal na etapa do Rio de Janeiro. No final do ano, foi agraciado com o prêmio de estreante do ano na modalidade.

Para além dos feitos, no final de 2015 ele recebeu um enorme elogio de Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais. "Ele chocou as pessoas que não o conheciam tão bem, principalmente fora do Brasil, mas o que posso dizer é que ele é muito bom em qualquer condição de mar. Ele tem força para ondas grandes, dá aéreos em ondas menores e é muito competitivo", afirmou.

Desde então, Italo foi crescendo no cenário internacional e amadurecendo seu lado competitivo. Em 2016 teve uma temporada irregular, no ano seguinte se machucou e perdeu parte do calendário de etapas, mas em 2018 ganhou três eventos e por pouco não chegou ao Havaí com chance de título. Desta vez, manteve o foco e se recuperou na reta final da temporada para garantir seu primeiro troféu.

Italo é um surfista talentoso, muito bem preparado e com enorme carisma. Costuma mostrar raça nas disputas, já teve grandes derrotas e sabe que não é imbatível. De qualquer forma, ele entra como um dos favoritos na próxima temporada e também candidato ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o surfe fará sua estreia no programa.

Como rivais em 2020, terá o havaiano John John Florence, bicampeão mundial e que neste ano se machucou na quinta etapa do Circuito Mundial, quando liderava, e não pôde buscar o terceiro título. E também os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, que tiveram um bom ano e devem mais uma vez brigar até o fim pelo troféu. São os jovens surfistas ditando o ritmo em uma modalidade que atrai cada vez mais torcedores e patrocinadores.


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EBC.

Italo Ferreira vence Gabriel Medina e conquista o título mundial de surfe

Das pranchas de isopor ao topo do mundo

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Sexta, 20/12/2019 6:07.

Paulo Favero
O surfista Italo Ferreira conquistou seu primeiro título mundial nesta quinta-feira ao brilhar na etapa de Pipeline do Circuito Mundial, no Havaí. Ele levou a melhor sobre seus adversários na última etapa da temporada organizada pela WSL (Liga Mundial de Surfe, da sigla em inglês) e faturou o cobiçado troféu, deixando fortes rivais para trás como os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, o sul-africano Jordy Smith e o norte-americano Kolohe Andino, que iniciaram o evento também com chances.

"Eu não acredito. Era o meu sonho, lutei minha vida toda por isso. Dedico para minha avó e meu tio que morreram faz pouco tempo", afirmou o surfista, aos prantos, bastante emocionado. Ele superou Medina na final da competição e com isso confirmou o primeiro título mundial em seu currículo. "O Gabriel é um grande competidor, parabéns para ele que brigou até o fim. É incrível isso estar acontecendo", continuou.

O título coloca Italo na pequena galeria de campeões mundiais e um dos poucos brasileiros a conseguir tal feito. Além dele, Gabriel Medina tem duas taças e Adriano de Souza, o Mineirinho, uma. O resultado ainda mostra a força da "Brazilian Storm", como essa geração de surfistas nacionais é chamada. Nos últimos seis anos, em quatro o Brasil foi campeão - as outras duas foram vencidas pelo havaiano John John Florence.

A conquista veio da maneira mais emocionante possível. Italo passou por Jadson André, Peterson Crisanto, Yago Dora e Kelly Slater até chegar à final. Do outro lado da chave, Medina superou Imaikalani deVault, Caio Ibelli, John John Florence e Griffin Colapinto. Só que na disputa entre os dois brasileiros na final, Italo levou a melhor, ganhou por 15,56 a 12,94 e fez a festa nas areias de Pipeline com sua torcida.

O título coroa uma ótima temporada de Italo, que também colocou em sua galeria de conquistas um outro importante troféu em 2019: o do ISA Games, em Miyazaki, no Japão, quando superou surfistas do mundo inteiro para ficar com a medalha de ouro no evento que serviu para sentir as ondas do país que receberá os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

Lá, Italo protagonizou uma das melhores histórias do ano. Ele teve o passaporte furtado nos EUA, precisou correr contra o tempo para tirar nova documentação, ter o visto japonês e chegar ao local de competição. Quando desembarcou no aeroporto de Miyazaki, sua bateria estava na água. Deixou suas malas para trás, pegou carona, chegou na praia sem equipamento, pegou uma prancha emprestada com Filipe Toledo e se classificou. Depois disso, deu um show nas fases seguintes e foi campeão.

Já na primeira etapa do ano do Circuito Mundial de Surfe, em Gold Coast, ele foi campeão e começou com o pé direito. No evento seguinte, em Bells Beach, também na Austrália, acabou caindo nas quartas de final. Já a terceira parada foi em Bali, mas ele não teve um bom resultado em Keramas.

Com um desempenho um pouco irregular, Italo acabou sendo eliminado para o havaiano John John Florence em Margaret River nas quartas de final. A ducha de água fria veio em casa, na etapa de Saquarema, no Brasil, quando ele deu adeus cedo à disputa ficando apenas na 17ª posição da etapa brasileira.

Com resultados não tão bons, ele sabia que precisava reagir no Circuito Mundial e foi isso que fez na África do Sul, ao chegar na final e perder apenas para Gabriel Medina. Na sequência, no Taiti, obteve um 17º lugar e no evento seguinte, na piscina de ondas de Kelly Slater, na Califórnia, ficou na nona posição.

Após esses resultados não tão empolgantes, Italo quase jogou a toalha, mas reuniu forças e partiu cedo para a Europa, a fim de reagir na temporada. Na disputa em Hossegor, na França, foi vice-campeão, perdendo a decisão para Jeremy Flores, e depois, em Peniche, ganhou o evento português e chegou ao Havaí como líder do ranking mundial.

Usando a lycra amarela, ele teve o experiente Shane Dorian como conselheiro em Pipeline, aproveitando as dicas do surfista local para se dar bem nos tubos do North Shore havaiano. E com boa performance nas ondas mais famosas do mundo, Italo conquistou seu primeiro troféu de campeão e já avisou que quer mais.

Das pranchas de isopor ao topo do mundo

Natural de Baía Formosa, no litoral do Rio Grande do Norte, Italo Ferreira desde cedo se apaixonou pelo mar e pelas ondas. Seu pai, que trabalhava como pescador, costumava emprestar parte do isopor onde gelava os peixes para o garoto das suas primeiras braçadas na água. A brincadeira virou coisa séria, ele ganhou uma prancha de presente de um parente e logo mostrou talento.

Só que a condição financeira da família, sem tantos recursos, era uma dificuldade no início, pois para participar de competições era necessário pagar inscrição, viajar e ter uma estrutura mínima. Mas Italo nunca desistiu do sonho de ser surfista profissional e via naquela brincadeira uma possibilidade de ter um trabalho que se identificasse.

O talento dele como atleta fez com que estreasse no Circuito Mundial de Surfe em 2015. Na ocasião, chamou atenção pelo seu estilo arrojado e teve até bons resultados, como o segundo lugar na etapa de Peniche, em Portugal, e uma semifinal na etapa do Rio de Janeiro. No final do ano, foi agraciado com o prêmio de estreante do ano na modalidade.

Para além dos feitos, no final de 2015 ele recebeu um enorme elogio de Kelly Slater, dono de 11 títulos mundiais. "Ele chocou as pessoas que não o conheciam tão bem, principalmente fora do Brasil, mas o que posso dizer é que ele é muito bom em qualquer condição de mar. Ele tem força para ondas grandes, dá aéreos em ondas menores e é muito competitivo", afirmou.

Desde então, Italo foi crescendo no cenário internacional e amadurecendo seu lado competitivo. Em 2016 teve uma temporada irregular, no ano seguinte se machucou e perdeu parte do calendário de etapas, mas em 2018 ganhou três eventos e por pouco não chegou ao Havaí com chance de título. Desta vez, manteve o foco e se recuperou na reta final da temporada para garantir seu primeiro troféu.

Italo é um surfista talentoso, muito bem preparado e com enorme carisma. Costuma mostrar raça nas disputas, já teve grandes derrotas e sabe que não é imbatível. De qualquer forma, ele entra como um dos favoritos na próxima temporada e também candidato ao pódio nos Jogos Olímpicos de Tóquio, quando o surfe fará sua estreia no programa.

Como rivais em 2020, terá o havaiano John John Florence, bicampeão mundial e que neste ano se machucou na quinta etapa do Circuito Mundial, quando liderava, e não pôde buscar o terceiro título. E também os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo, que tiveram um bom ano e devem mais uma vez brigar até o fim pelo troféu. São os jovens surfistas ditando o ritmo em uma modalidade que atrai cada vez mais torcedores e patrocinadores.


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