Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Esporte
De saída do Irã, técnico quer aprontar surpresa mesmo treinando em campo de 60m

Copa do Mundo

Terça, 5/6/2018 12:48.
Divulgação
Carlos Queiroz

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FÁBIO ALEIXO / MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS)

Há sete anos no comando do Irã, Carlos Queiroz, 65, disputará na Rússia a sua segunda Copa do Mundo pela seleção asiática. Será também seu último torneio à frente da equipe.

Insatisfeito com a proposta salarial e os apenas seis meses de contrato que lhe foram oferecidos para renovar o vínculo após o Mundial já disse não, como contou recentemente à agência Reuters.

Mas até o fim do torneio da Rússia só pensa em fazer com que a equipe surpreenda e consiga a improvável tarefa de avançar de fase em um grupo que conta com as favoritas Portugal e Espanha e o Marrocos.

A preparação em solo russo terá início nesta terça-feira (5). Os iranianos serão os primeiros a desembarcar no país, dez dias antes da estreia contra os marroquinos, em 16 de junho, em São Petersburgo.

"Há duas maneiras de se encarar o nosso grupo. Uma é olhar e ver que temos um problema. A outra é olhar que temos uma oportunidade e um desafio para cumprir nosso objetivo", disse Queiroz à reportagem.

"A Copa tem dois tipos de países. Os que vão para ganhar e outros que vão para competir e melhorar. A gente vai para competir. Precisamos ter certeza que no fim estaremos melhores, mais preparados. Ou mudamos de Mundial ou mudamos os objetivos. Mudar de Mundial não vamos, e não vamos mudar os objetivos. Queremos sair do Mundial melhor do que chegamos", disse.

Nas quatro participações anteriores em Copas, o Irã jamais passou da primeira fase. Há quatro anos, no Brasil, somou apenas um ponto e foi lanterna de sua chave. Perdeu de Argentina e Bósnia e empatou com a Nigéria.

Hoje, Queiroz vê a equipe mais madura e melhor preparada para encarar um torneio deste peso. Dos 23 chamados para a Copa, 14 atuam fora do país. Ele, entretanto, faz uma ressalva.

"Antes da Copa de 2014 só tínhamos um jogador no exterior e muitos no Irã. Todo planejamento ficou mais fácil porque contávamos só com liga iraniana e nosso plano. Hoje, 60% da nossa equipe está fora. O planejamento e a preparação ficam mais difíceis e complexa neste momento. Aquilo que antes ganhávamos em preparação coletiva, não tínhamos em preparação individual. Os jogadores não tinham experiência. Fica uma coisa pela outra. Melhoramos individualmente, mas perdemos coletivamente", analisou.

Este é apenas um dos problemas e dificuldades citadas pelo português que já dirigiu o Real Madrid (2003-04), Manchester United (2004-08) e seleção de Portugal (2008-10).

Ele contou que a maioria dos treinos em solo iraniano são feitas em um campo que nem dimensões oficiais tem.

"É um lugar muito difícil de se trabalhar. Estou há sete anos e nosso campo tem 60m de comprimento e largura normal. Continuamos a treinar num campo de 60m. Se calhar, são todos os outros treinadores que estão errados, pois fomos a segunda seleção no mundo e a primeira na Ásia a se classificar para Copa", falou o treinador.

Este campo, aliás, nem pertence à federação iraniana.

"Somos auxiliados pelos funcionários do instituto de petróleo. O país está cheio de campos oficiais, é claro. Mas prefiro trabalhar em um campo menor com gramado melhor, do que maior e gramado pior. Isso é só para dar um exemplo de condições e preparação", desabafou.

"Em um país de grande evolução de futebol, fica fácil implementar medidas. Em países como Irã, onde temos dificuldades financeiras, a liga tem dificuldades, é sempre difícil dar um passo adiante. Quase uma magia", filosofou o português.

A fase final de preparação antes de chegar à Rússia também foi conturbada. A equipe fez um período de treinos na Turquia e perdeu um amistoso para a seleção local por 2 a 1. Depois, deveria enfrentar a Grécia, mas o jogo foi cancelado de última hora. Kosovo surgiu como alternativa,, mas também cancelou a partida. Assim, só restou um jogo contra a Lituânia, na sexta-feira (8).

O Mundial também terá uma data para lá de especial para Queiroz e que ele espera ansiosamente: 25 de junho. Será quando Irã enfrentará Portugal na Arena Mordovia, em Saransk.

"Será mesmo especial, depois de tantos anos na seleção. É curioso, pois estarei em um estádio com todo vermelho e verde. Portugal tem estas cores, o Irã também", disse.

Além de enfrentar sua pátria, se encontrará com Cristiano Ronaldo, com quem trabalhou por anos no Manchester e na seleção.

Para ele é difícil dizer quem é o melhor entre o português e Lionel Messi.

"São ambos jogadores de talento indiscutível. Não é verdadeiro dizer que Cristiano é só isso porque trabalha muito e Messi porque tem mais talento. Não é uma visão que partilho. O Messi trabalha tanto para alcançar seus objetivos como o Cristiano. E do Cristiano eu digo que não seria possível só com trabalho chegar onde jogou. Compará-los com este parâmetro não é uma abordagem correta Ambos são extraordinários, únicos. Só é possível terem este grau de reconhecimento porque são pessoas muito determinadas em preparação individual e coletiva", afirmou.

SONHO BRASILEIRO

Em 2011, Queiroz recebeu uma proposta do Vasco mas por questões pessoais não pôde aceitar. Em 2014, quando esteve no Brasil para a Copa se encantou com a estrutura disponibilizada pelo Corinthians no CT do Parque Ecológico, onde a equipe ficou baseada durante o Mundial.

E trabalhar no Brasil até o fim de sua carreira é algo que faz parte de seus desejos.

"Eu sempre tive fascínio de poder treinar uma equipe no Brasil. Deve ser empolgante ter uma base de partida que é ótima. É como começar a dirigir uma orquestra sem ter que procurar um violonista ou pianista. Qual a minha imagem do Brasil? Você começa com jogadores que não desafinam na técnica porque isso já existe", disse.


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Carlos Queiroz

De saída do Irã, técnico quer aprontar surpresa mesmo treinando em campo de 60m

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Terça, 5/6/2018 12:48.

FÁBIO ALEIXO / MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS)

Há sete anos no comando do Irã, Carlos Queiroz, 65, disputará na Rússia a sua segunda Copa do Mundo pela seleção asiática. Será também seu último torneio à frente da equipe.

Insatisfeito com a proposta salarial e os apenas seis meses de contrato que lhe foram oferecidos para renovar o vínculo após o Mundial já disse não, como contou recentemente à agência Reuters.

Mas até o fim do torneio da Rússia só pensa em fazer com que a equipe surpreenda e consiga a improvável tarefa de avançar de fase em um grupo que conta com as favoritas Portugal e Espanha e o Marrocos.

A preparação em solo russo terá início nesta terça-feira (5). Os iranianos serão os primeiros a desembarcar no país, dez dias antes da estreia contra os marroquinos, em 16 de junho, em São Petersburgo.

"Há duas maneiras de se encarar o nosso grupo. Uma é olhar e ver que temos um problema. A outra é olhar que temos uma oportunidade e um desafio para cumprir nosso objetivo", disse Queiroz à reportagem.

"A Copa tem dois tipos de países. Os que vão para ganhar e outros que vão para competir e melhorar. A gente vai para competir. Precisamos ter certeza que no fim estaremos melhores, mais preparados. Ou mudamos de Mundial ou mudamos os objetivos. Mudar de Mundial não vamos, e não vamos mudar os objetivos. Queremos sair do Mundial melhor do que chegamos", disse.

Nas quatro participações anteriores em Copas, o Irã jamais passou da primeira fase. Há quatro anos, no Brasil, somou apenas um ponto e foi lanterna de sua chave. Perdeu de Argentina e Bósnia e empatou com a Nigéria.

Hoje, Queiroz vê a equipe mais madura e melhor preparada para encarar um torneio deste peso. Dos 23 chamados para a Copa, 14 atuam fora do país. Ele, entretanto, faz uma ressalva.

"Antes da Copa de 2014 só tínhamos um jogador no exterior e muitos no Irã. Todo planejamento ficou mais fácil porque contávamos só com liga iraniana e nosso plano. Hoje, 60% da nossa equipe está fora. O planejamento e a preparação ficam mais difíceis e complexa neste momento. Aquilo que antes ganhávamos em preparação coletiva, não tínhamos em preparação individual. Os jogadores não tinham experiência. Fica uma coisa pela outra. Melhoramos individualmente, mas perdemos coletivamente", analisou.

Este é apenas um dos problemas e dificuldades citadas pelo português que já dirigiu o Real Madrid (2003-04), Manchester United (2004-08) e seleção de Portugal (2008-10).

Ele contou que a maioria dos treinos em solo iraniano são feitas em um campo que nem dimensões oficiais tem.

"É um lugar muito difícil de se trabalhar. Estou há sete anos e nosso campo tem 60m de comprimento e largura normal. Continuamos a treinar num campo de 60m. Se calhar, são todos os outros treinadores que estão errados, pois fomos a segunda seleção no mundo e a primeira na Ásia a se classificar para Copa", falou o treinador.

Este campo, aliás, nem pertence à federação iraniana.

"Somos auxiliados pelos funcionários do instituto de petróleo. O país está cheio de campos oficiais, é claro. Mas prefiro trabalhar em um campo menor com gramado melhor, do que maior e gramado pior. Isso é só para dar um exemplo de condições e preparação", desabafou.

"Em um país de grande evolução de futebol, fica fácil implementar medidas. Em países como Irã, onde temos dificuldades financeiras, a liga tem dificuldades, é sempre difícil dar um passo adiante. Quase uma magia", filosofou o português.

A fase final de preparação antes de chegar à Rússia também foi conturbada. A equipe fez um período de treinos na Turquia e perdeu um amistoso para a seleção local por 2 a 1. Depois, deveria enfrentar a Grécia, mas o jogo foi cancelado de última hora. Kosovo surgiu como alternativa,, mas também cancelou a partida. Assim, só restou um jogo contra a Lituânia, na sexta-feira (8).

O Mundial também terá uma data para lá de especial para Queiroz e que ele espera ansiosamente: 25 de junho. Será quando Irã enfrentará Portugal na Arena Mordovia, em Saransk.

"Será mesmo especial, depois de tantos anos na seleção. É curioso, pois estarei em um estádio com todo vermelho e verde. Portugal tem estas cores, o Irã também", disse.

Além de enfrentar sua pátria, se encontrará com Cristiano Ronaldo, com quem trabalhou por anos no Manchester e na seleção.

Para ele é difícil dizer quem é o melhor entre o português e Lionel Messi.

"São ambos jogadores de talento indiscutível. Não é verdadeiro dizer que Cristiano é só isso porque trabalha muito e Messi porque tem mais talento. Não é uma visão que partilho. O Messi trabalha tanto para alcançar seus objetivos como o Cristiano. E do Cristiano eu digo que não seria possível só com trabalho chegar onde jogou. Compará-los com este parâmetro não é uma abordagem correta Ambos são extraordinários, únicos. Só é possível terem este grau de reconhecimento porque são pessoas muito determinadas em preparação individual e coletiva", afirmou.

SONHO BRASILEIRO

Em 2011, Queiroz recebeu uma proposta do Vasco mas por questões pessoais não pôde aceitar. Em 2014, quando esteve no Brasil para a Copa se encantou com a estrutura disponibilizada pelo Corinthians no CT do Parque Ecológico, onde a equipe ficou baseada durante o Mundial.

E trabalhar no Brasil até o fim de sua carreira é algo que faz parte de seus desejos.

"Eu sempre tive fascínio de poder treinar uma equipe no Brasil. Deve ser empolgante ter uma base de partida que é ótima. É como começar a dirigir uma orquestra sem ter que procurar um violonista ou pianista. Qual a minha imagem do Brasil? Você começa com jogadores que não desafinam na técnica porque isso já existe", disse.


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