Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Esporte
Jogador de Balneário Camboriú é selecionado para jogar nos EUA

Leia o relato emocionante da mãe de Bruno de Nez

Terça, 7/8/2018 16:56.
Fotos Arquivo Pessoal
Bruno treinando no campo do Celd, no Nova Esperança

Publicidade

O jogador Bruno de Nez, 18, de Balneário Camboriú participou de seletiva em Montreal em maio e foi escolhido para jogar no futebol universitário dos Estados Unidos. Ele embarca na próxima semana para iniciar os treinos na Montverde Academy, em Orlando, onde também concluirá o ensino médio, preparando-se para a faculdade de Business (Adminstração), graças à uma bolsa de estudos que a seletiva garantiu.

Por indicação de um amigo, Bruno foi convidado pelo jogador e treinador de futebol canadense Fred Moojen, para fazer a seletiva em Montreal, onde funciona a Ribeiro-Moojen Combine. Ele ficou uma semana, participou de duas seletivas, jogando na posição extremo (ponta direita/esquerda) e recebeu o resultado que mudará sua vida.

“Fiquei muito feliz, porque não é uma oportunidade que aparece todos os dias. Esta parece que surgiu no momento certo”, comentou Bruno escolhido entre mais de 80 garotos em teste.

Ele contou que joga futebol desde criança e até os 14 anos sempre jogou por diversão. Depois começou a pensar em fazer carreira.

“Era um sonho, mas não era o maior objetivo”, acrescentou.

Ele chegou a jogar no Atlético de Ibirama e no Camboriú FC.

Enquanto prepara a bagagem e se despede dos familiares, Bruno diz que está pronto para abraçar a carreira, já impressionado com a forte estrutura que as universidades norte-americanas oferecem para o esporte.

“Lá o apoio é muito maior, se aqui no Brasil fosse assim, teríamos muito mais jogadores de alto nível do que temos hoje”, segue Bruno.

Ele faz questão de agradecer ao Instituto César Prates, que funciona no Complexo Esportivo Celd, no Bairro Nova Esperança, onde treinou durante três meses.

“Quando surgiu a oportunidade da seletiva em Montreal, eu já estava em treinamento no Instituto do ex-jogador da seleção brasileira, fiz toda parte preparatória antes da seletiva no Nova Esperança”, disse o jogador.

O treinador Fred Moojen é de Balneário Camboriú, jogou em vários times profissionais no sul do país até tornar-se um astro do futebol universitário do Canadá e dos Estados Unidos, para depois tornar-se profissional da seleção canadense. Fred mora em Montreal, onde funciona a empresa RibeiroMoojen, que descobre novos talentos através de seletivas, como essa em que Bruno de Nez participou.

“A Montverde Academy em Orlando serve de base para o time profissional, onde o Cacá jogava, o Orlando City”, descreveu Fred.

O relato da mãe

Por Tatiane de Bez

“Bruno começou a jogar em escola de futebol aos 6 anos, na Kadiz em Camboriú. Disputou vários campeonatos estaduais (ACEF). Aos 9 anos foi artilheiro do campeonato e em 2012 também. Aos 15 anos disputou um campeonato em Três Coroas no RS - Copa Cidade Verde e teve uma lesão no quadril. Ficou quase um ano longe dos gramados. Depois retornou, mas não tão confiante.

No início deste ano, ele falou que gostaria de voltar a jogar, porém estudava o dia todo, não tinha disponibilidade. Porém, senti algo diferente na fala dele, principalmente porque percebia ele cabisbaixo, triste às vezes, sem propósito de vida. Na nossa conversa ele disse que só precisava de uma chance, uma oportunidade para mostrar o seu potencial, queria algo a mais da vida. Sua fala me tocou profundamente, naquele momento senti que precisava apoiá-lo e fazer algo a mais. Disse a ele que o apoiaria no que quisesse fazer.

Neste momento ele iniciou os treinos com o ex-jogador César Prates. Ele é um treinador fantástico, ensinou muitas coisas ao Bruno e fez com que ele recuperasse sua autoconfiança. Os treinos eram diários, de segunda a sexta à tarde, o que fez com que ele mudasse de escola, para poder estar disponível.

Paralelo a isso, pensei que poderia ajudá-lo mais ainda. Foi neste momento que chamei o ex-jogador Bruno Ferraz, ele tem a escola BF Soocer em BC e Itajaí. Meu filho mais novo (Guilherme, 12 anos) joga com ele. Pedi ao Bruno se ele poderia ajudar, indicar meu filho a algum clube, conseguir um teste, qualquer coisa, queria conseguir para ele uma chance. E ela veio.

O Bruno Ferraz conhecia o Fred, jogador brasileiro que mora e joga no Canadá. Entrei em contato com ele, passei alguns vídeos de gols e jogadas do Bruno e ele ofereceu a oportunidade desta seletiva em Montreal, organizada pelo Fred. Em aproximadamente 35 dias tudo aconteceu. Começamos o processo de passaporte, visto, passagens, com o tempo contra nós, pois todos diziam que não daria tempo, estes processos são morosos. Mas tudo aconteceu em sincronia. Tudo deu muito certo, tenho certeza que Deus concedeu este momento a ele. E pela primeira vez, meu filho andou de avião, conheceu outro país, viajou para tão longe sozinho, sem conhecer a língua, mas com muita determinação e coragem ele seguiu em frente.

Foram cinco dias no Canadá e dois dias de seletiva e quatro instituições se interessaram por ele, todas dos EUA. Tinha apenas dois brasileiros participando, e um era o Bruno. Nossa escolha foi pela Escola Montverde Academy na cidade de Montverde, a 30 quilômetros de Orlando. Uma escola com uma excelente infraestrutura e com um treinador experiente que se chama Mike Pontempa.

Bruno recebeu uma bolsa no valor de 24 mil dólares e o restante será nosso investimento. Após a decisão tomada de que ele iria, começamos o processo de admissão da escola, trâmite burocrático. Neste momento estamos na pendência do visto de estudante, Bruno tem entrevista no consulado nesta quarta-feira (8). Se for concedido viaja no dia 13 ou 14 de agosto. Ficará em Montverde por um ano, concluindo lá o ensino médio.

Nunca imaginamos que algo assim fosse possível, esta oportunidade é muito mais do que sonhamos, do que ele sonhou. Uma oportunidade de conhecer outra cultura, de estudar numa das melhores escolas dos EUA, fazendo o que gosta, só temos que agradecer a Deus por esta oportunidade. Bruno tem um talento, ele é muito habilidoso com os pés, tenho certeza que com garra, dedicação, determinação e perseverança alcançará o sucesso. Estamos muito orgulhosos. Será difícil a partida, foi com ele que aprendi a ser mãe, mas não permitir que ele fosse seria injusto e egoísta. Então, estamos apoiando.

Gosto muito de um pensamento que diz: "sonhamos com o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas isso é o que tememos, não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são onde as certezas moram".

É baseado neste pensamento que incentivo meus filhos, a buscarem o voo, a terem coragem para ousar, para tentar algo que muitos têm medo ou desistem sem persistir. Não quero meus filhos em gaiolas, presos a certezas. O mundo é de quem experimenta, de quem não se acomoda. Daqui uma semana, meu filho sairá da gaiola, para um voo com inúmeras possibilidades e muito aprendizado”.

No campo canadense, a seletiva que mudará sua vida


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade


Publicidade














Página 3
Fotos Arquivo Pessoal
Bruno treinando no campo do Celd, no Nova Esperança
Bruno treinando no campo do Celd, no Nova Esperança

Jogador de Balneário Camboriú é selecionado para jogar nos EUA

Leia o relato emocionante da mãe de Bruno de Nez

Publicidade

Terça, 7/8/2018 16:56.

O jogador Bruno de Nez, 18, de Balneário Camboriú participou de seletiva em Montreal em maio e foi escolhido para jogar no futebol universitário dos Estados Unidos. Ele embarca na próxima semana para iniciar os treinos na Montverde Academy, em Orlando, onde também concluirá o ensino médio, preparando-se para a faculdade de Business (Adminstração), graças à uma bolsa de estudos que a seletiva garantiu.

Por indicação de um amigo, Bruno foi convidado pelo jogador e treinador de futebol canadense Fred Moojen, para fazer a seletiva em Montreal, onde funciona a Ribeiro-Moojen Combine. Ele ficou uma semana, participou de duas seletivas, jogando na posição extremo (ponta direita/esquerda) e recebeu o resultado que mudará sua vida.

“Fiquei muito feliz, porque não é uma oportunidade que aparece todos os dias. Esta parece que surgiu no momento certo”, comentou Bruno escolhido entre mais de 80 garotos em teste.

Ele contou que joga futebol desde criança e até os 14 anos sempre jogou por diversão. Depois começou a pensar em fazer carreira.

“Era um sonho, mas não era o maior objetivo”, acrescentou.

Ele chegou a jogar no Atlético de Ibirama e no Camboriú FC.

Enquanto prepara a bagagem e se despede dos familiares, Bruno diz que está pronto para abraçar a carreira, já impressionado com a forte estrutura que as universidades norte-americanas oferecem para o esporte.

“Lá o apoio é muito maior, se aqui no Brasil fosse assim, teríamos muito mais jogadores de alto nível do que temos hoje”, segue Bruno.

Ele faz questão de agradecer ao Instituto César Prates, que funciona no Complexo Esportivo Celd, no Bairro Nova Esperança, onde treinou durante três meses.

“Quando surgiu a oportunidade da seletiva em Montreal, eu já estava em treinamento no Instituto do ex-jogador da seleção brasileira, fiz toda parte preparatória antes da seletiva no Nova Esperança”, disse o jogador.

O treinador Fred Moojen é de Balneário Camboriú, jogou em vários times profissionais no sul do país até tornar-se um astro do futebol universitário do Canadá e dos Estados Unidos, para depois tornar-se profissional da seleção canadense. Fred mora em Montreal, onde funciona a empresa RibeiroMoojen, que descobre novos talentos através de seletivas, como essa em que Bruno de Nez participou.

“A Montverde Academy em Orlando serve de base para o time profissional, onde o Cacá jogava, o Orlando City”, descreveu Fred.

O relato da mãe

Por Tatiane de Bez

“Bruno começou a jogar em escola de futebol aos 6 anos, na Kadiz em Camboriú. Disputou vários campeonatos estaduais (ACEF). Aos 9 anos foi artilheiro do campeonato e em 2012 também. Aos 15 anos disputou um campeonato em Três Coroas no RS - Copa Cidade Verde e teve uma lesão no quadril. Ficou quase um ano longe dos gramados. Depois retornou, mas não tão confiante.

No início deste ano, ele falou que gostaria de voltar a jogar, porém estudava o dia todo, não tinha disponibilidade. Porém, senti algo diferente na fala dele, principalmente porque percebia ele cabisbaixo, triste às vezes, sem propósito de vida. Na nossa conversa ele disse que só precisava de uma chance, uma oportunidade para mostrar o seu potencial, queria algo a mais da vida. Sua fala me tocou profundamente, naquele momento senti que precisava apoiá-lo e fazer algo a mais. Disse a ele que o apoiaria no que quisesse fazer.

Neste momento ele iniciou os treinos com o ex-jogador César Prates. Ele é um treinador fantástico, ensinou muitas coisas ao Bruno e fez com que ele recuperasse sua autoconfiança. Os treinos eram diários, de segunda a sexta à tarde, o que fez com que ele mudasse de escola, para poder estar disponível.

Paralelo a isso, pensei que poderia ajudá-lo mais ainda. Foi neste momento que chamei o ex-jogador Bruno Ferraz, ele tem a escola BF Soocer em BC e Itajaí. Meu filho mais novo (Guilherme, 12 anos) joga com ele. Pedi ao Bruno se ele poderia ajudar, indicar meu filho a algum clube, conseguir um teste, qualquer coisa, queria conseguir para ele uma chance. E ela veio.

O Bruno Ferraz conhecia o Fred, jogador brasileiro que mora e joga no Canadá. Entrei em contato com ele, passei alguns vídeos de gols e jogadas do Bruno e ele ofereceu a oportunidade desta seletiva em Montreal, organizada pelo Fred. Em aproximadamente 35 dias tudo aconteceu. Começamos o processo de passaporte, visto, passagens, com o tempo contra nós, pois todos diziam que não daria tempo, estes processos são morosos. Mas tudo aconteceu em sincronia. Tudo deu muito certo, tenho certeza que Deus concedeu este momento a ele. E pela primeira vez, meu filho andou de avião, conheceu outro país, viajou para tão longe sozinho, sem conhecer a língua, mas com muita determinação e coragem ele seguiu em frente.

Foram cinco dias no Canadá e dois dias de seletiva e quatro instituições se interessaram por ele, todas dos EUA. Tinha apenas dois brasileiros participando, e um era o Bruno. Nossa escolha foi pela Escola Montverde Academy na cidade de Montverde, a 30 quilômetros de Orlando. Uma escola com uma excelente infraestrutura e com um treinador experiente que se chama Mike Pontempa.

Bruno recebeu uma bolsa no valor de 24 mil dólares e o restante será nosso investimento. Após a decisão tomada de que ele iria, começamos o processo de admissão da escola, trâmite burocrático. Neste momento estamos na pendência do visto de estudante, Bruno tem entrevista no consulado nesta quarta-feira (8). Se for concedido viaja no dia 13 ou 14 de agosto. Ficará em Montverde por um ano, concluindo lá o ensino médio.

Nunca imaginamos que algo assim fosse possível, esta oportunidade é muito mais do que sonhamos, do que ele sonhou. Uma oportunidade de conhecer outra cultura, de estudar numa das melhores escolas dos EUA, fazendo o que gosta, só temos que agradecer a Deus por esta oportunidade. Bruno tem um talento, ele é muito habilidoso com os pés, tenho certeza que com garra, dedicação, determinação e perseverança alcançará o sucesso. Estamos muito orgulhosos. Será difícil a partida, foi com ele que aprendi a ser mãe, mas não permitir que ele fosse seria injusto e egoísta. Então, estamos apoiando.

Gosto muito de um pensamento que diz: "sonhamos com o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas isso é o que tememos, não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são onde as certezas moram".

É baseado neste pensamento que incentivo meus filhos, a buscarem o voo, a terem coragem para ousar, para tentar algo que muitos têm medo ou desistem sem persistir. Não quero meus filhos em gaiolas, presos a certezas. O mundo é de quem experimenta, de quem não se acomoda. Daqui uma semana, meu filho sairá da gaiola, para um voo com inúmeras possibilidades e muito aprendizado”.

No campo canadense, a seletiva que mudará sua vida


Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade