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Peru vence e elimina o Brasil na primeira fase da Copa América Centenário

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Segunda, 13/6/2016 7:09.

A seleção brasileira não para de dar vexame. Neste domingo à noite, conseguiu a façanha de ser eliminada na primeira fase da Copa América Centenário, ao perder para o Peru por 1 a 0, em Foxborough, e ficar em humilhante terceiro lugar no Grupo B, com apenas quatro pontos. A desclassificação vai representar, com quase toda certeza, o fim do ciclo de Dunga no comando. A demissão deve ser confirmada nos próximos dias pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

O técnico nas próximas rodadas das Eliminatórias e na Olimpíada será outro. Tite, do Corinthians, é cotado para assumir o cargo

O jogo deste domingo foi mais uma página rasgada na história de uma seleção que um dia foi gloriosa. Uma seleção que numa Copa do Mundo em casa levou um 7 a 1 da Alemanha. E que nas duas últimas Copas América, a do ano passado sob o comando de Dunga, não passara das quartas de final. Mas contra o Peru deu para perceber que o fundo do poço ainda não havia chegado.

Dunga pagou o preço da indecisão, de não saber montar o time e de fazer opções erradas ao escalar e ao trocar a equipe. Não adianta reclamar dos seis cortes que foram feitos em relação à convocação inicial, aos problemas na preparação. Um time que só consegue ganhar do Haiti não tem desculpa.

Desde 1987 que o Brasil não saía na primeira fase de uma Copa América. Neste domingo, como se viu na eliminação nas quartas de final da Copa da África do Sul, em 2010, o que se viu foi um Dunga passivo, incrédulo na beira do campo. Ele não sabia o que fazer com o time, como mudá-lo. Aceitou sem reagir ao domínio peruano no segundo tempo.

Mais uma vez a seleção brasileira se complicou diante de um time estruturado. Fez uma primeira etapa até razoável, embora a falta de maior objetividade. Mas a segunda foi sofrível, e sofrida. A evolução tão decantada por Dunga e os jogadores não se acham em campo. A não ser contra adversários como o Haiti.

Antes do início da partida, foi observado um minuto de silêncio em respeito às vítimas do ataque a uma boate gay em Orlando. O atentado que deixou 50 mortes e 53 feridos teve como consequência um cuidado maior da segurança em relação a outros jogos. A revista às pessoas que acessaram o estádio foi mais rigorosa.

Com Casemiro suspenso, Dunga abriu mão da segurança que um volante marcador como Walace poderia representar e preferiu mandar a campo um time mais atrevido. Recuou Renato Augusto para ajudar Elias na função de volante e colocou Lucas Lima com a missão de armar o jogo. Enfim o camisa 10 da seleção começou uma partida, como muitos brasileiros desejavam. Dunga fez mais: trocou Jonas por Gabriel e, com isso, ganhou mais movimentação à frente.

Conservador, Dunga só foi na defesa, ao promover a volta de seu capitão, Miranda, no lugar no jovem Marquinhos. Fez um opção pela segurança. Não deu certo. O time até fez primeiro tempo razoável, mas pecou pela falta de objetividade.

Se no primeiro tempo o rendimento da seleção foi razoável, no segundo a equipe esteve irreconhecível. O time errava passes, marcava mal e dava espaço para o Peru, que foi para cima, animando a torcida, sempre disposta a apoiar.

Lucas Lima sumiu, Gabriel sumiu. O Brasil sumiu. O Peru passou a controlar o jogo. Dunga demorou para mexer e, quando o fez, errou ao colocar Hulk no time.

E o que se temia aconteceu. Aos 29 minutos, num contra-ataque, Ruidiaz, que havia entrado pouco antes, marcou o gol do Peru, num lance polêmico. Houve a impressão de que tocou para as redes com a mão. Mas após muita reclamação dos brasileiros e do juiz uruguaio Andres Cunha claramente consultar alguém que não estava em campo, confirmou o gol.

A consulta ao árbitro de vídeo ainda está em fase de testes autorizado pela International Board. Mas é usada em algumas competições. A Copa América não faz parte da relação e a Conmebol não confirmou se obteve autorização para usá-lo.

Mas nada serve de desculpa. Daí para frente, o que se viu foi um bando tentando empatar no desespero. Não daria mesmo certo. E Dunga se despede outra vez de maneira melancólica.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 0 x 1 PERU

BRASIL - Alisson; Daniel Alves, Miranda, Gil e Felipe Luis; Elias, Renato Augusto, Willian, Lucas Lima e Phillippe Coutinho; Gabriel (Hulk). Técnico: Dunga.

PERU - Gallese; Corzo, Rodríguez, Ramos e Trauco; Balbín (Yotún), Vílchez, Pollo e Flores (Ruidiaz); Cueva (Tapia) e Guerrero. Técnico: Ricardo Gareca.

GOL - Ruidiaz, aos 29 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Andres Cunha (Fifa/URU).

CARTÕES AMARELOS - Lucas Lima e Renato Augusto.

PÚBLICO - 36.187 pagantes.

RENDA - Não disponível.

LOCAL - Gillette Stadium, em Boston (Estados Unidos). 

 

Dunga diz 'só temer a morte' ao comentar risco de demissão, mas deverá cair

Por Almir Leite e Gonçalo Junior (AE)

A desclassificação na primeira fase da Copa América deve definir o final da segunda passagem de Dunga pela seleção brasileira. Antes da competição, a CBF considerava que o torneio seria uma espécie de última chance. Chegar às quartas de final era a meta mínima. Fontes ligadas à CBF indicam que não haverá clima para a continuidade. A última vez que o Brasil havia sido eliminado na primeira fase de uma Copa América foi em 1987.

O treinador afirmou que o imponderável definiu a desclassificação - o gol do Peru foi marcado após toque de mão - e não teme ser demitido. "Só temo a morte. No Brasil, nós queremos que tudo se resolva em um ou dois anos. Tem de ter paciência para reformulação e persistir no trabalho", disse o treinador. A saída iminente de Dunga prejudica o planejamento para a Olimpíada.

No dia 29 de junho, o treinador deveria convocar o time olímpico Dunga fala em continuidade. "Sem dúvida, a (busca pela) medalha vai ser uma pressão. O Brasil nunca venceu. Quando se tem uma derrota vai ter a cobrança. Tenho certeza de que o torcedor viu como foi eliminado. O Brasil não foi eliminado no futebol", diz, referindo-se novamente ao gol ilegal. "Uma solução se encontra na continuidade. O presidente sabe do trabalho. Sabemos das cobranças. Não tendo o resultado, a tendência é que a cobrança aumente", afirmou.

Assim que o árbitro apitou a final da partida, praticamente todos os jogadores abaixaram a cabeça. Com a cabeça baixa, não conseguiam compreender a primeira derrota para o Peru em 41 anos "Tentamos de tudo, mas a bola não quis entrar", disse o capitão Miranda.

Naquele que deve ser seu último jogo como treinador do time nacional, Dunga pecou pela falta de iniciativa nas substituições Ele trocou apenas Gabriel por Hulk e não fez duas alterações. Na queda da Copa de 2010, Dunga agiu da mesma forma. "Não fizemos as alterações porque o time estava encaixado", afirmou.

Embora tenha conseguido fazer uma "limpeza" na equipe que fez uma campanha vexatória na Copa do Mundo - nenhum titular da equipe que perdeu por 7 a 1 foi escalado na partida contra o Equador -, Dunga levou o Brasil ao sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018.


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