Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Saneamento total em Balneário Camboriú e Camboriú pode reduzir os problemas na praia central

Possibilidade de extinção das microalgas é remota

Quinta, 17/9/2020 14:44.
Fotos: Ivan Rupp

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Por Waldemar Cezar Neto e Marlise Schneider Cezar
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O desenvolvimento das duas principais cidades abastecidas pelo rio Camboriú, Balneário Camboriú e Camboriú, é um fator importante no aparecimento das microalgas, que ficaram conhecidas como briozoários, que ferem a beleza da praia central e atormentam moradores e turistas na temporada de verão com manchas escuras e mau cheiro que produzem sob calor intenso.
O crescimento populacional destas cidades traz junto um problema tão antigo e aparentemente, sem solução à vista: o esgoto levado pelo rio direto para o mar. Balneário Camboriú com quase 100% de rede instalada sofre as consequências da mãe e vizinha Camboriú sem um metro de rede instalada.
Existem vários outros fatores que contribuem para este ‘fenômeno natural’, como revelou um estudo de quase um ano, feito pelo curso de Oceanografia da Univali e prefeitura de Balneário Camboriú.
O coordenador desta pesquisa, professor Charrid Resgalla Junior foi enfático ao dizer que dificilmente esse fenômeno desaparecerá da praia central. E fez questão de acrescentar que antes de procurar culpados, cada cidadão deve botar a mão na consciência e ter certeza de que sua produção de esgoto está realmente onde deve estar: ligada na rede. Também alertou sobre a importância destas duas cidades construir uma rede única de esgoto.
O contrato da universidade com a prefeitura acabou junto com a pesquisa, em março deste ano, mas o professor Charrid continua estudando o problema e olhando para o futuro, dentro de um cenário que pode mudar radicalmente a praia central - o engordamento da faixa de areia - ele diz que pode piorar como pode melhorar, ‘só Deus sabe o que vai acontecer…’, afirmou.

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Documentário ‘Arribadas’

Todo o conhecimento alcançado pelo estudo de quase um ano resultou na confecção do documentário ‘Arribadas’, lançado em agosto. Ele foi preparado para facilitar a compreensão deste fenômeno.

Arribada’ é um termo espanhol, que significa ‘a subida de qualquer organismo para a praia’. Existem arribadas de vários organismos, microalgas, macroalgas, briozoários e elas costumam acontecer em temperaturas mais quentes, não oferecem risco à saúde pública, mas ninguém quer ficar perto delas, por causa do mau cheiro.

O estudo revelou que entre 1938 e 1978 estes organismos foram vistos na praia central. Mas em 2003 tornaram-se mais frequentes nas temporadas de verão e atualmente fazem parte do cenário, aparecem quase todos os dias, até no inverno.

A pesquisa mostrou que a dragagem do Rio Itajaí-açu e o bota-fora (área de descarte) na costa foram descartadas como responsáveis pelas arribadas, assim como a ocorrência do fenômeno por meio dos navios transatlânticos de turismo, porque as amostragens não identificaram estes organismos nos locais de atracação.


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..Entrevista..

Professor Charrid: ‘a partir de 2018 a coisa ficou bem insustentável’

Professor Charrid em ação (credito - Divulgação/Univali)

Os pesquisadores descobriram que as arribadas da praia central são formadas por duas microalgas. São próprias deste ambiente. Elas têm comportamento similar aos organismos do grupo das diatomáceas da zona de arrebentação. Com calor, muita luz e excesso dos nutrientes, se expandem no sistema de circulação da enseada, formando uma biomassa, que serve de substrato para briozoários e macroalgas. Através das ondas se aproximam da praia, aparecendo na areia em forma de manchas escuras.

O professor Charrid Resgalla Junior comandou a pesquisa e contou detalhes desse estudo, que começou em abril do ano passado e terminou em março deste ano. Acompanhe:

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JP3 - Estudos feitos pela própria Univali mostram que a renovação da água no interior da enseada de Balneário Camboriú é lenta. Os argentinos dizem que a cidade tem águas calientes por causa que a temperatura da água é amena. Esses dois fatores não favorecem a multiplicação desses organismos?

Charrid - A temperatura da água não é necessariamente só por causa do sistema de circulação. Ali tem um sistema de circulação praticamente fechado, em função das correntes que ocorrem do lado de fora da enseada, e isso favorece o que chamamos de maior tempo de residência da água dentro da enseada. Mas não é só por causa disso. Tem a questão de clima, o aumento da temperatura no verão, tem uma menor camada de água, a enseada é relativamente rasa, principalmente na região onde o pessoal costuma tomar banho, então ali existe essa tendência de ter uma temperatura mais elevada. Claro que ainda tem essa contribuição do rio Camboriú, que também favorece, porque a água que vem do rio geralmente é mais quente também. Então são vários fatores, não é só um fator que justificaria isso. É claro que o crescimento desses organismos é favorecido pelo aumento da temperatura e da intensidade de luz. São dois processos, dois fatores que aumentam no período de verão. Isso já está comprovado, é facilmente observável, as arribadas são mais frequentes no período do verão pelo maior aquecimento, tanto atmosférico, por questão de clima, e também pelas condições da enseada por estes vários fatores já citados.

JP3 - O trabalho cita que desde 1938, quando a cidade era praticamente inabitada já se registrava a ocorrência desses organismos, será possível reduzir a quantidade considerando que eles conseguem se multiplicar de forma rápida e a partir de poucos indivíduos?

Charrid - Sobre a ocorrência das arribadas desde 1938, que foi o registro mais antigo que temos em termos de foto aérea da região, de certa forma foi uma sorte, foi a oportunidade que a gente teve de observar esse tipo de coisa. Claro que isso é uma hipótese também, mesmo porque estamos ainda na linha de frente, apesar do contrato feito com a prefeitura de Balneário Camboriú já ter encerrado, ainda continuo com os estudos. Por interesse científico obviamente e por confirmação também das hipóteses levantadas e essa é uma delas, é um processo natural. De fato já temos observado com outros registros fotográficos mais próximos, de propaganda da época, em parceria com historiadores da cidade, estamos conseguindo registros bem interessantes. Isso leva a crer que de fato é um processo que já acontecia em Balneário Camboriú. O que acontece é que isso está aumentando em frequência e quantidade e isso não é boa coisa. Nos estudos comprovamos que de fato a arribada não são briozoários necessariamente, o organismo que está sempre presente em todas as arribadas, são as microalgas, são duas espécies delas, mas tem mais outras espécies, mas principalmente duas que têm uma morfologia bem similar, formam uma cadeia, são uma estrutura bem mais resistente e mais pesada, e tem outras características que envolvem estas duas espécies. E os outros organismos, no caso os briozoários até as macroalgas seriam mais acompanhantes. Uma segunda hipótese nossa, acreditamos por várias evidências, que esses organismos acompanhantes utilizam essas microalgas como substrato. Anteriormente acreditava que fosse o contrário. Que tínhamos um desenvolvimento de briozoários na enseada e aumentando de tamanho essas microalgas se enredariam nos briozoários e cresceriam lá, o que é uma característica comum nesse tipo de microalgas, mas isso não foi constatado. Tentamos observar esse tipo de formação de estrutura lá no fundo da enseada, em vários pontos fizemos um pente fino, e esse tipo de formação não foi observado. Então invertemos a ideia. Não é consenso, existem críticas sobre esse tipo de ideia no meio científico, mas são hipóteses e hipóteses são construídas e destruídas, isso faz parte da ciência. Na questão dessa pergunta propriamente dita é assim: como o principal causador das arribadas são microalgas e aí existe um consenso científico, mundial, é que toda vez que você tem uma proliferação exagerada de algas ou de vegetais, é porque tem um excesso de nutrientes que favorece esse desenvolvimento. A partir do momento que você corta esse fluxo, diminui essa entrada de nutrientes de dentro do sistema, a tendência é dessas arribadas diminuir, funcionaria mais ou menos dessa forma. Agora elas deixarem de existir isso não vai acontecer nunca. Primeiro porque já é uma característica do próprio ambiente de tê-las, o ideal é que voltasse nas condições iniciais, ou seja, ter uma biomassa pequena e menos frequente ocorrendo na praia central e não do jeito que acontece, que é praticamente todo o dia. Hoje tem ocorrência de arribada praticamente todo o dia. São raros os dias onde não tem arribada.

JP3 - Parece que o grande alimentador de material orgânico hoje é Camboriú que não tem rede esgoto, são quase 100 mil habitantes contribuindo. Se Camboriú e Balneário fossem totalmente saneados seria possível eliminar os briozoários e seus associados ou teremos que conviver sempre com essa realidade?

Charrid - Essa pergunta toca no ponto mesmo, a questão do saneamento é muito importante na cidade de Balneário Camboriú e Camboriú. Os dois utilizam o rio Camboriú, como corpo receptor de todo esse material, que são os efluentes domésticos principalmente, tratados e não tratados. Recentemente teve um outro trabalho desenvolvido em parceria com a Emasa e Univali, onde foi constatado que de fato o rio Camboriú já chega inclusive no ponto onde recebe o efluente da Estação de Tratamento de Balneário Camboriú comprometido. Não necessariamente a responsabilidade é só de Camboriú, provavelmente de toda a bacia do rio Camboriú. Tem que ter uma gestão muito bem feita nessa bacia para diminuir esse tipo de carga de matéria orgânica e nutriente para dentro do rio que chega na enseada. Tem que trabalhar junto se realmente querem diminuir as arribadas. Não quer dizer que vai funcionar de primeira, é um trabalho a ser desenvolvido, sem prazo para finalizar. Como eu disse antes, as arribadas são um processo característico da enseada. Antes não chamava atenção, porque era menos frequente, mas a partir de 2018, porque também trabalhamos com dados da empresa Ambiental, que estão contribuindo e estão sendo um grande parceiro nesse tipo de estudo, tudo leva a crer que a partir de 2018 a coisa ficou bem insustentável. Até então o pessoal estava fazendo um pouco de vista grossa, mas a partir de 2018 já não dava mais pra fazer esse tipo de coisa, parece que houve um incremento significativo, então tem muito a ver com o desenvolvimento da cidade, da região e as questões de saneamento aí associadas.

JP3 - Ao contrário do que muito se ouve falar, este não é um fenômeno local. Que outras praias o sr. conhece que sofrem com esses briozoários em suas temporadas de turismo?

Charrid - Vamos voltar à questão das arribadas, um termo espanhol que traduzindo seria a subida de qualquer organismo para a praia. É um termo muito utilizado para desova de tartaruga em praia e ocorrências de outros organismos (...). No caso de Balneário Camboriú temos arribada destas duas microalgas e a princípio, pelo esforço feito para tentar descobrir alguma coisa sobre elas, de fato elas só acontecem aqui. Tem um registro no Golfo da Califórnia, em uma das ilhas, acho que é o México, mas foi uma ocorrência que um pesquisador registrou e só. Fora isso não tem praia com estas espécies. Mas tem ocorrência de microalgas, outras espécies, que ocorrem no Brasil, aqui em Navegantes, ali são clássicos, já foi feito estudo (...). No Nordeste do Brasil temos ocorrências de macroalgas em grande quantidade. No Caribe recentemente saiu um estudo, parece que o rio Amazonas tem contribuído para o desenvolvimento destas macroalgas que vai dar no Caribe. Tudo são processos naturais. Temos exemplos de microalgas no Paraná, na praia gaúcha do Cassino, são vários exemplos.

JP3 - O estudo concluiu que teremos que conviver com esse fenômeno?

Charrid - Sim, porque é um processo típico das região. A quantidade e a frequência que é o problema. Tem que trabalhar justamente o saneamento. Como se resolve essa questão? O rio Camboriú é o principal corpo de água que está contribuindo com esse processo. O tempo de residência dessa água é bem alto em função do sistema de circulação. Com o processo de engorda da praia isso vai modificar, mas a gente não sabe o que vai acontecer. Por isso a exigência do órgão ambiental monitorar para ver o que está acontecendo. A visão que tenho disso, conversei muito com o pessoal da prefeitura e da Emasa sobre isso...o que acontece? As pessoas têm a tendência de botar a culpa, procurar um culpado para isso. Antes de transferir o problema, procurar um culpado, tem que ver se está fazendo a sua parte. A população de Balneário Camboriú em particular - Camboriú não ainda porque não tem sistema de coleta de esgoto, mas Balneário tem e faz tempo, inclusive bem antes de Itajaí. A porcentagem de cobertura da rede não quer dizer em relação à coleta, porque esta tem que ser efetiva também. A prefeitura está melhorando a rede, mas a população tem que fazer a sua parte, porque quem produz essa matéria orgânica é a população. Na sua casa, no seu apartamento, todos tem que ter certeza de estarem ligados à rede de esgoto. A população precisa entender que obrigatoriamente e para o próprio bem dela, e da sobrevivência da cidade, ela tem que estar ligada à rede de esgoto. Só a partir deste momento, em que você estiver realmente ligado à rede de esgoto, você pode cobrar da prefeitura, da Emasa. Até não ter certeza disso, não tem direito de reclamar de nada, porque não está fazendo sua obrigação primária. A partir disso tem tratamento, futuramente acredito que a melhor solução será um emissário submarino para mandar isso para fora. Mas isso requer muito recurso e também tem que resolver a questão de Camboriú. Todo mundo interligado numa rede única, Balneário e Camboriú, e resolvendo as questões do resto da bacia, se é que tem outros problemas associados, fazer um bom tratamento desse esgoto e depois mandar para um emissário submarino. Seria a maneira mais correta de resolver isso. Mas isso requer mais tempo e bem mais investimentos. Depois disso aguardar para ver como o ambiente responde (...). Tem vários fatores atuando, vai ter a engorda agora, não se sabe o que vai acontecer, porque esses processos que ocorrem na enseada eles são devidos principalmente ao tipo de morfologia da enseada...o contorno da enseada, a inclinação, são vários processos atuando que permitem o desenvolvimento desses organismos. Com a engorda, o problema pode piorar ou pode melhorar...pode resolver, mas vai depender do que vai acontecer e lembrando que o sistema é dinâmico, vai acontecer a engorda, mas o ambiente vai continuar trabalhando...tem um primeiro momento com a engorda concluída e depois tem uma hidrodinâmica modificada que vai trabalhar com toda aquela areia, todo aquele sedimento que for largado lá e sabe Deus o que vai acontecer...são previsões bem difíceis de serem feitas.


“Temos percebido que há uma diminuição gradativa das arribadas, mas estudos devem continuar

A secretária Maria Heloísa (credito - Arquivo Pessoal)

A secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú Maria Heloísa Lenzi Furtado disse que o estudo contratado pela prefeitura pelo valor de R$ 367.607,00, serviu para derrubar a primeira teoria, quando pensava-se que as arribadas teriam iniciado com a construção do Molhe da Barra Sul pela interferência ambiental que houve daquela dragagem e deposição da areia do rio na praia, portanto é considerado um avanço. O que mais diz a secretária:

A importância do estudo

“A teoria que agora se apresenta é que isso já acontecia antes e ela foi desenvolvida pelos pesquisadores e baseada em fotos muito antigas onde aparecem arribadas na praia central. Nunca poderemos afirmar que são as mesmas espécies, mas o estudo também demonstra que as espécies que ocorrem aqui não são só exóticas. Havia muitas teorias e isso sempre reaparece nas temporadas, os mesmos vídeos antigos voltam a circular, com teorias infundadas, de que poderia ter sido a draga que trabalha no Rio Itajaí, que são os navios de cruzeiro que trazem excesso de organismos etc. O estudo analisou todas essas teorias e as descartou. Inclusive a inicial que tínhamos de que esses organismos estariam em alguma colônia localizada na enseada. No início imaginávamos que talvez seria o caso de sugerir uma dragagem desses organismos se eram exóticos, mas o estudo concluiu que não estão localizados em nenhum ponto fixo, se formam na coluna d´água mesmo e que são espécies nativas em crescimento exacerbado pela quantidade de nutrientes que recebem”.

Sedimentos + Esgoto = Nutrientes

“A probabilidade maior do aumento do fenômeno, que começou a chamar atenção e a incomodar a população, pela quantidade de sedimentos - e não só esgoto - que chegam na praia central e beneficiam o crescimento destes organismos. E quando falo não só esgoto temos que pensar que a década de 90 foi quando houve a intensificação da urbanização da área central de Balneário Camboriú com prédios ocupando espaço, pavimentação de vias etc...que aumentou a chegada da água nos cursos ou na enseada lavando e levando tudo que encontra pela frente em cada enxurrada...esses sedimentos chegam na enseada através da chuva, ligações irregulares, através do rio Camboriú que traz muitos sedimentos da cidade vizinha...tudo isso chega hoje na enseada facilitando o desenvolvimento destes organismos, porque são nutrientes, alimento para eles”.

O que fazer?

“A Emasa continua com a fiscalização das ligações irregulares de esgoto porque isso obviamente diminui a quantidade de matéria orgânica chegando na enseada e então vai diminuindo a oferta de nutrientes. O emissário feito já contribuiu bastante, porque havia muito escape de esgoto para o Canal do Marambaia e isso está resolvido. A fiscalização das ligações irregulares e consequente redução dos esgotos irregulares já refletiu nos índices de balneabilidade como a gente nunca tinha visto em 30 anos. Outra ação é ampliar, como já fizemos na última temporada, as equipes que fazem a limpeza da praia, ampliar o trabalho da Ambiental para que tenhamos equipes mais tempo limpando a praia o mais rápido possível para não haver acúmulo e nem aquele odor desagradável, que é o que realmente incomoda a população. Temos percebido que há uma diminuição gradativa das arribadas”.

Alternativa

“Paralelamente estudamos uma alternativa de um equipamento que retire esses organismos ainda na água. Estamos analisando possibilidades, seria algo inédito construído para Balneário Camboriú, mas não temos nada concretizado ainda”.

Pontos relevantes

“De uma visão técnica científica o estudo trouxe grandes novidades e pontos muito relevantes. Temos que continuar esses estudos para buscar soluções mais efetivas de como podemos reequilibrar a enseada e a obra do alargamento da faixa de areia pode nos dar elementos novos, porque ela vai modificar o ambiente e isso pode acontecer de forma positiva. Mas não temos como afirmar isso, é preciso estudar após o alargamento o que vai acontecer com estes organismos, pode ser inclusive que eles desapareçam”.

Na foto abaixo, registro da visita da coordenadora técnica do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), Gabriela Gomes Prol Otero Sartini. Com ela, na foto, Leandro Silva, engenheiro civil da Semam, Gabriela, André, da empresa Ambiental, Maria Heloisa e Eduarda Montibeller, diretora da Semam.

credito - Divulgação/Semam
Leandro, Gabriela, André, Maria Heloisa e Eduarda.

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Emasa fez 65 mil vistorias e lacrou 500 esgotos irregulares

O diretor geral da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Douglas Beber disse que a situação das irregularidades nos imóveis em Balneário Camboriú já melhorou significativamente, comparado desde o início do Programa Se Liga na Rede em 2016. Neste período foram modificados os procedimentos, inclusive com a lacração dos esgotos irregulares e novas legislações sanitárias vigentes. As irregularidades encontradas vão desde o imóvel não estar totalmente conectado a rede de esgoto, imóveis conectados parcialmente, até a conexão na rede de drenagem. No total, já foram realizadas cerca de 65 mil vistorias (incluindo todas as fases), alcançando 500 unidades lacradas.

“Estamos com fiscalização constante, uso do robô nas vídeo inspeções em galerias de drenagem para detectar as irregularidades e denúncias recebidas”, acrescentou.

Sobre a questão do saneamento na vizinha Camboriú, o diretor informou que a Emasa e a prefeitura de Balneário Camboriú, já propuseram ao município de Camboriú um consórcio para que a empresa pudesse atuar no município vizinho implantando a rede coletora de esgoto e coletando o esgoto para ser tratado na ETE.

“Porém, Camboriú possui uma concessão para o serviço de água e até onde sabemos, estão em tratativas para ampliar esse contrato incluindo o serviço de implantação da rede coletora”, acrescentou.

Douglas disse ainda que não concorda com a construção de um emissário submarino para despejar o esgoto das duas cidades.

“Discordamos totalmente, inclusive pelo fato de existir uma Estação de Tratamento de Esgoto em Balneário Camboriú com projeto para ampliação, o que não justifica essa alternativa”, finalizou.

creditos - Renata Furlanetto
Douglas(D) e equipe.

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Registros da Ambiental mostram que arribadas aumentam nos meses mais quentes

credito - Divulgação/Ambiental

Os registros da Ambiental, a concessionária de limpeza urbana de Balneário Camboriú, desde o mês de maio de 2017 até agora, mostram a chegada constante de ‘algas’ que é o nome genérico que a empresa dá ao material dessas arribações na praia central de Balneário Camboriú.

O gerente da Ambiental em Balneário Camboriú, Eduardo Alvino da Silva, pela experiência lembra que essas arribadas começaram por volta de 2004, com um crescimento exponencial, a ponto de recolherem 100 toneladas por dia.

Ele afirma que as quantidades hoje são bem menores. Em 2019 foram recolhidas 3.797 toneladas e neste ano já foram tiradas da praia central 2.761 toneladas.

O quadro abaixo, produzido pela Ambiental, mostra que infelizmente a quantidade aumenta nos meses em que Balneário Camboriú mais recebe turistas, o que dificulta o trabalho de limpeza e multiplica a necessidade de mão de obra.


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Em Camboriú, empresa espera posicionamento da prefeitura

Texto: Luciana Zonta

credito - DivulgaçãoMoradores na hora do 'sim' para que a concessionária assuma os investimentos em esgoto, na audiência de 2019

A Águas de Camboriú oficializou, em 2019, a intenção de ampliar sua colaboração com o desenvolvimento social e econômico com a cidade, investindo na implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto para o município. Em audiência pública realizada em outubro do ano passado, moradores decidiram pela construção da rede produtora de água tratada (já prevista no contrato de concessão) e a incorporação dos investimentos no sistema de esgoto (não prevista em contrato). Esta audiência foi realizada, inclusive, por determinação de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em tramitação na Justiça de Camboriú e que prevê a construção de um sistema de tratamento de esgoto para a cidade com urgência.

Para isso, é necessária a assinatura de um termo aditivo assinado entre a prefeitura e a concessionária. Desta forma, seriam incluídas no escopo do contrato as obras de esgoto que passarão a ser responsabilidade da concessionária.

A proposta contempla a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a instalação de 280 quilômetros de rede, a construção de 30 elevatórias, melhoria dos indicadores de saúde e despoluição do Rio Camboriú e a construção da ETA de Camboriú.

“Neste momento, a Águas de Camboriú aguarda a iniciativa da prefeitura de Camboriú para que o termo aditivo seja assinado e, posteriormente, aprovado pela agência reguladora”, disse Gabriel Buim, diretor executivo da Águas de Camboriú.



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Página 3
Fotos: Ivan Rupp

Saneamento total em Balneário Camboriú e Camboriú pode reduzir os problemas na praia central

Possibilidade de extinção das microalgas é remota

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Quinta, 17/9/2020 14:44.
Por Waldemar Cezar Neto e Marlise Schneider Cezar
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O desenvolvimento das duas principais cidades abastecidas pelo rio Camboriú, Balneário Camboriú e Camboriú, é um fator importante no aparecimento das microalgas, que ficaram conhecidas como briozoários, que ferem a beleza da praia central e atormentam moradores e turistas na temporada de verão com manchas escuras e mau cheiro que produzem sob calor intenso.
O crescimento populacional destas cidades traz junto um problema tão antigo e aparentemente, sem solução à vista: o esgoto levado pelo rio direto para o mar. Balneário Camboriú com quase 100% de rede instalada sofre as consequências da mãe e vizinha Camboriú sem um metro de rede instalada.
Existem vários outros fatores que contribuem para este ‘fenômeno natural’, como revelou um estudo de quase um ano, feito pelo curso de Oceanografia da Univali e prefeitura de Balneário Camboriú.
O coordenador desta pesquisa, professor Charrid Resgalla Junior foi enfático ao dizer que dificilmente esse fenômeno desaparecerá da praia central. E fez questão de acrescentar que antes de procurar culpados, cada cidadão deve botar a mão na consciência e ter certeza de que sua produção de esgoto está realmente onde deve estar: ligada na rede. Também alertou sobre a importância destas duas cidades construir uma rede única de esgoto.
O contrato da universidade com a prefeitura acabou junto com a pesquisa, em março deste ano, mas o professor Charrid continua estudando o problema e olhando para o futuro, dentro de um cenário que pode mudar radicalmente a praia central - o engordamento da faixa de areia - ele diz que pode piorar como pode melhorar, ‘só Deus sabe o que vai acontecer…’, afirmou.

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Documentário ‘Arribadas’

Todo o conhecimento alcançado pelo estudo de quase um ano resultou na confecção do documentário ‘Arribadas’, lançado em agosto. Ele foi preparado para facilitar a compreensão deste fenômeno.

Arribada’ é um termo espanhol, que significa ‘a subida de qualquer organismo para a praia’. Existem arribadas de vários organismos, microalgas, macroalgas, briozoários e elas costumam acontecer em temperaturas mais quentes, não oferecem risco à saúde pública, mas ninguém quer ficar perto delas, por causa do mau cheiro.

O estudo revelou que entre 1938 e 1978 estes organismos foram vistos na praia central. Mas em 2003 tornaram-se mais frequentes nas temporadas de verão e atualmente fazem parte do cenário, aparecem quase todos os dias, até no inverno.

A pesquisa mostrou que a dragagem do Rio Itajaí-açu e o bota-fora (área de descarte) na costa foram descartadas como responsáveis pelas arribadas, assim como a ocorrência do fenômeno por meio dos navios transatlânticos de turismo, porque as amostragens não identificaram estes organismos nos locais de atracação.


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..Entrevista..

Professor Charrid: ‘a partir de 2018 a coisa ficou bem insustentável’

Professor Charrid em ação (credito - Divulgação/Univali)

Os pesquisadores descobriram que as arribadas da praia central são formadas por duas microalgas. São próprias deste ambiente. Elas têm comportamento similar aos organismos do grupo das diatomáceas da zona de arrebentação. Com calor, muita luz e excesso dos nutrientes, se expandem no sistema de circulação da enseada, formando uma biomassa, que serve de substrato para briozoários e macroalgas. Através das ondas se aproximam da praia, aparecendo na areia em forma de manchas escuras.

O professor Charrid Resgalla Junior comandou a pesquisa e contou detalhes desse estudo, que começou em abril do ano passado e terminou em março deste ano. Acompanhe:

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JP3 - Estudos feitos pela própria Univali mostram que a renovação da água no interior da enseada de Balneário Camboriú é lenta. Os argentinos dizem que a cidade tem águas calientes por causa que a temperatura da água é amena. Esses dois fatores não favorecem a multiplicação desses organismos?

Charrid - A temperatura da água não é necessariamente só por causa do sistema de circulação. Ali tem um sistema de circulação praticamente fechado, em função das correntes que ocorrem do lado de fora da enseada, e isso favorece o que chamamos de maior tempo de residência da água dentro da enseada. Mas não é só por causa disso. Tem a questão de clima, o aumento da temperatura no verão, tem uma menor camada de água, a enseada é relativamente rasa, principalmente na região onde o pessoal costuma tomar banho, então ali existe essa tendência de ter uma temperatura mais elevada. Claro que ainda tem essa contribuição do rio Camboriú, que também favorece, porque a água que vem do rio geralmente é mais quente também. Então são vários fatores, não é só um fator que justificaria isso. É claro que o crescimento desses organismos é favorecido pelo aumento da temperatura e da intensidade de luz. São dois processos, dois fatores que aumentam no período de verão. Isso já está comprovado, é facilmente observável, as arribadas são mais frequentes no período do verão pelo maior aquecimento, tanto atmosférico, por questão de clima, e também pelas condições da enseada por estes vários fatores já citados.

JP3 - O trabalho cita que desde 1938, quando a cidade era praticamente inabitada já se registrava a ocorrência desses organismos, será possível reduzir a quantidade considerando que eles conseguem se multiplicar de forma rápida e a partir de poucos indivíduos?

Charrid - Sobre a ocorrência das arribadas desde 1938, que foi o registro mais antigo que temos em termos de foto aérea da região, de certa forma foi uma sorte, foi a oportunidade que a gente teve de observar esse tipo de coisa. Claro que isso é uma hipótese também, mesmo porque estamos ainda na linha de frente, apesar do contrato feito com a prefeitura de Balneário Camboriú já ter encerrado, ainda continuo com os estudos. Por interesse científico obviamente e por confirmação também das hipóteses levantadas e essa é uma delas, é um processo natural. De fato já temos observado com outros registros fotográficos mais próximos, de propaganda da época, em parceria com historiadores da cidade, estamos conseguindo registros bem interessantes. Isso leva a crer que de fato é um processo que já acontecia em Balneário Camboriú. O que acontece é que isso está aumentando em frequência e quantidade e isso não é boa coisa. Nos estudos comprovamos que de fato a arribada não são briozoários necessariamente, o organismo que está sempre presente em todas as arribadas, são as microalgas, são duas espécies delas, mas tem mais outras espécies, mas principalmente duas que têm uma morfologia bem similar, formam uma cadeia, são uma estrutura bem mais resistente e mais pesada, e tem outras características que envolvem estas duas espécies. E os outros organismos, no caso os briozoários até as macroalgas seriam mais acompanhantes. Uma segunda hipótese nossa, acreditamos por várias evidências, que esses organismos acompanhantes utilizam essas microalgas como substrato. Anteriormente acreditava que fosse o contrário. Que tínhamos um desenvolvimento de briozoários na enseada e aumentando de tamanho essas microalgas se enredariam nos briozoários e cresceriam lá, o que é uma característica comum nesse tipo de microalgas, mas isso não foi constatado. Tentamos observar esse tipo de formação de estrutura lá no fundo da enseada, em vários pontos fizemos um pente fino, e esse tipo de formação não foi observado. Então invertemos a ideia. Não é consenso, existem críticas sobre esse tipo de ideia no meio científico, mas são hipóteses e hipóteses são construídas e destruídas, isso faz parte da ciência. Na questão dessa pergunta propriamente dita é assim: como o principal causador das arribadas são microalgas e aí existe um consenso científico, mundial, é que toda vez que você tem uma proliferação exagerada de algas ou de vegetais, é porque tem um excesso de nutrientes que favorece esse desenvolvimento. A partir do momento que você corta esse fluxo, diminui essa entrada de nutrientes de dentro do sistema, a tendência é dessas arribadas diminuir, funcionaria mais ou menos dessa forma. Agora elas deixarem de existir isso não vai acontecer nunca. Primeiro porque já é uma característica do próprio ambiente de tê-las, o ideal é que voltasse nas condições iniciais, ou seja, ter uma biomassa pequena e menos frequente ocorrendo na praia central e não do jeito que acontece, que é praticamente todo o dia. Hoje tem ocorrência de arribada praticamente todo o dia. São raros os dias onde não tem arribada.

JP3 - Parece que o grande alimentador de material orgânico hoje é Camboriú que não tem rede esgoto, são quase 100 mil habitantes contribuindo. Se Camboriú e Balneário fossem totalmente saneados seria possível eliminar os briozoários e seus associados ou teremos que conviver sempre com essa realidade?

Charrid - Essa pergunta toca no ponto mesmo, a questão do saneamento é muito importante na cidade de Balneário Camboriú e Camboriú. Os dois utilizam o rio Camboriú, como corpo receptor de todo esse material, que são os efluentes domésticos principalmente, tratados e não tratados. Recentemente teve um outro trabalho desenvolvido em parceria com a Emasa e Univali, onde foi constatado que de fato o rio Camboriú já chega inclusive no ponto onde recebe o efluente da Estação de Tratamento de Balneário Camboriú comprometido. Não necessariamente a responsabilidade é só de Camboriú, provavelmente de toda a bacia do rio Camboriú. Tem que ter uma gestão muito bem feita nessa bacia para diminuir esse tipo de carga de matéria orgânica e nutriente para dentro do rio que chega na enseada. Tem que trabalhar junto se realmente querem diminuir as arribadas. Não quer dizer que vai funcionar de primeira, é um trabalho a ser desenvolvido, sem prazo para finalizar. Como eu disse antes, as arribadas são um processo característico da enseada. Antes não chamava atenção, porque era menos frequente, mas a partir de 2018, porque também trabalhamos com dados da empresa Ambiental, que estão contribuindo e estão sendo um grande parceiro nesse tipo de estudo, tudo leva a crer que a partir de 2018 a coisa ficou bem insustentável. Até então o pessoal estava fazendo um pouco de vista grossa, mas a partir de 2018 já não dava mais pra fazer esse tipo de coisa, parece que houve um incremento significativo, então tem muito a ver com o desenvolvimento da cidade, da região e as questões de saneamento aí associadas.

JP3 - Ao contrário do que muito se ouve falar, este não é um fenômeno local. Que outras praias o sr. conhece que sofrem com esses briozoários em suas temporadas de turismo?

Charrid - Vamos voltar à questão das arribadas, um termo espanhol que traduzindo seria a subida de qualquer organismo para a praia. É um termo muito utilizado para desova de tartaruga em praia e ocorrências de outros organismos (...). No caso de Balneário Camboriú temos arribada destas duas microalgas e a princípio, pelo esforço feito para tentar descobrir alguma coisa sobre elas, de fato elas só acontecem aqui. Tem um registro no Golfo da Califórnia, em uma das ilhas, acho que é o México, mas foi uma ocorrência que um pesquisador registrou e só. Fora isso não tem praia com estas espécies. Mas tem ocorrência de microalgas, outras espécies, que ocorrem no Brasil, aqui em Navegantes, ali são clássicos, já foi feito estudo (...). No Nordeste do Brasil temos ocorrências de macroalgas em grande quantidade. No Caribe recentemente saiu um estudo, parece que o rio Amazonas tem contribuído para o desenvolvimento destas macroalgas que vai dar no Caribe. Tudo são processos naturais. Temos exemplos de microalgas no Paraná, na praia gaúcha do Cassino, são vários exemplos.

JP3 - O estudo concluiu que teremos que conviver com esse fenômeno?

Charrid - Sim, porque é um processo típico das região. A quantidade e a frequência que é o problema. Tem que trabalhar justamente o saneamento. Como se resolve essa questão? O rio Camboriú é o principal corpo de água que está contribuindo com esse processo. O tempo de residência dessa água é bem alto em função do sistema de circulação. Com o processo de engorda da praia isso vai modificar, mas a gente não sabe o que vai acontecer. Por isso a exigência do órgão ambiental monitorar para ver o que está acontecendo. A visão que tenho disso, conversei muito com o pessoal da prefeitura e da Emasa sobre isso...o que acontece? As pessoas têm a tendência de botar a culpa, procurar um culpado para isso. Antes de transferir o problema, procurar um culpado, tem que ver se está fazendo a sua parte. A população de Balneário Camboriú em particular - Camboriú não ainda porque não tem sistema de coleta de esgoto, mas Balneário tem e faz tempo, inclusive bem antes de Itajaí. A porcentagem de cobertura da rede não quer dizer em relação à coleta, porque esta tem que ser efetiva também. A prefeitura está melhorando a rede, mas a população tem que fazer a sua parte, porque quem produz essa matéria orgânica é a população. Na sua casa, no seu apartamento, todos tem que ter certeza de estarem ligados à rede de esgoto. A população precisa entender que obrigatoriamente e para o próprio bem dela, e da sobrevivência da cidade, ela tem que estar ligada à rede de esgoto. Só a partir deste momento, em que você estiver realmente ligado à rede de esgoto, você pode cobrar da prefeitura, da Emasa. Até não ter certeza disso, não tem direito de reclamar de nada, porque não está fazendo sua obrigação primária. A partir disso tem tratamento, futuramente acredito que a melhor solução será um emissário submarino para mandar isso para fora. Mas isso requer muito recurso e também tem que resolver a questão de Camboriú. Todo mundo interligado numa rede única, Balneário e Camboriú, e resolvendo as questões do resto da bacia, se é que tem outros problemas associados, fazer um bom tratamento desse esgoto e depois mandar para um emissário submarino. Seria a maneira mais correta de resolver isso. Mas isso requer mais tempo e bem mais investimentos. Depois disso aguardar para ver como o ambiente responde (...). Tem vários fatores atuando, vai ter a engorda agora, não se sabe o que vai acontecer, porque esses processos que ocorrem na enseada eles são devidos principalmente ao tipo de morfologia da enseada...o contorno da enseada, a inclinação, são vários processos atuando que permitem o desenvolvimento desses organismos. Com a engorda, o problema pode piorar ou pode melhorar...pode resolver, mas vai depender do que vai acontecer e lembrando que o sistema é dinâmico, vai acontecer a engorda, mas o ambiente vai continuar trabalhando...tem um primeiro momento com a engorda concluída e depois tem uma hidrodinâmica modificada que vai trabalhar com toda aquela areia, todo aquele sedimento que for largado lá e sabe Deus o que vai acontecer...são previsões bem difíceis de serem feitas.


“Temos percebido que há uma diminuição gradativa das arribadas, mas estudos devem continuar

A secretária Maria Heloísa (credito - Arquivo Pessoal)

A secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú Maria Heloísa Lenzi Furtado disse que o estudo contratado pela prefeitura pelo valor de R$ 367.607,00, serviu para derrubar a primeira teoria, quando pensava-se que as arribadas teriam iniciado com a construção do Molhe da Barra Sul pela interferência ambiental que houve daquela dragagem e deposição da areia do rio na praia, portanto é considerado um avanço. O que mais diz a secretária:

A importância do estudo

“A teoria que agora se apresenta é que isso já acontecia antes e ela foi desenvolvida pelos pesquisadores e baseada em fotos muito antigas onde aparecem arribadas na praia central. Nunca poderemos afirmar que são as mesmas espécies, mas o estudo também demonstra que as espécies que ocorrem aqui não são só exóticas. Havia muitas teorias e isso sempre reaparece nas temporadas, os mesmos vídeos antigos voltam a circular, com teorias infundadas, de que poderia ter sido a draga que trabalha no Rio Itajaí, que são os navios de cruzeiro que trazem excesso de organismos etc. O estudo analisou todas essas teorias e as descartou. Inclusive a inicial que tínhamos de que esses organismos estariam em alguma colônia localizada na enseada. No início imaginávamos que talvez seria o caso de sugerir uma dragagem desses organismos se eram exóticos, mas o estudo concluiu que não estão localizados em nenhum ponto fixo, se formam na coluna d´água mesmo e que são espécies nativas em crescimento exacerbado pela quantidade de nutrientes que recebem”.

Sedimentos + Esgoto = Nutrientes

“A probabilidade maior do aumento do fenômeno, que começou a chamar atenção e a incomodar a população, pela quantidade de sedimentos - e não só esgoto - que chegam na praia central e beneficiam o crescimento destes organismos. E quando falo não só esgoto temos que pensar que a década de 90 foi quando houve a intensificação da urbanização da área central de Balneário Camboriú com prédios ocupando espaço, pavimentação de vias etc...que aumentou a chegada da água nos cursos ou na enseada lavando e levando tudo que encontra pela frente em cada enxurrada...esses sedimentos chegam na enseada através da chuva, ligações irregulares, através do rio Camboriú que traz muitos sedimentos da cidade vizinha...tudo isso chega hoje na enseada facilitando o desenvolvimento destes organismos, porque são nutrientes, alimento para eles”.

O que fazer?

“A Emasa continua com a fiscalização das ligações irregulares de esgoto porque isso obviamente diminui a quantidade de matéria orgânica chegando na enseada e então vai diminuindo a oferta de nutrientes. O emissário feito já contribuiu bastante, porque havia muito escape de esgoto para o Canal do Marambaia e isso está resolvido. A fiscalização das ligações irregulares e consequente redução dos esgotos irregulares já refletiu nos índices de balneabilidade como a gente nunca tinha visto em 30 anos. Outra ação é ampliar, como já fizemos na última temporada, as equipes que fazem a limpeza da praia, ampliar o trabalho da Ambiental para que tenhamos equipes mais tempo limpando a praia o mais rápido possível para não haver acúmulo e nem aquele odor desagradável, que é o que realmente incomoda a população. Temos percebido que há uma diminuição gradativa das arribadas”.

Alternativa

“Paralelamente estudamos uma alternativa de um equipamento que retire esses organismos ainda na água. Estamos analisando possibilidades, seria algo inédito construído para Balneário Camboriú, mas não temos nada concretizado ainda”.

Pontos relevantes

“De uma visão técnica científica o estudo trouxe grandes novidades e pontos muito relevantes. Temos que continuar esses estudos para buscar soluções mais efetivas de como podemos reequilibrar a enseada e a obra do alargamento da faixa de areia pode nos dar elementos novos, porque ela vai modificar o ambiente e isso pode acontecer de forma positiva. Mas não temos como afirmar isso, é preciso estudar após o alargamento o que vai acontecer com estes organismos, pode ser inclusive que eles desapareçam”.

Na foto abaixo, registro da visita da coordenadora técnica do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), Gabriela Gomes Prol Otero Sartini. Com ela, na foto, Leandro Silva, engenheiro civil da Semam, Gabriela, André, da empresa Ambiental, Maria Heloisa e Eduarda Montibeller, diretora da Semam.

credito - Divulgação/Semam
Leandro, Gabriela, André, Maria Heloisa e Eduarda.

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Emasa fez 65 mil vistorias e lacrou 500 esgotos irregulares

O diretor geral da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Douglas Beber disse que a situação das irregularidades nos imóveis em Balneário Camboriú já melhorou significativamente, comparado desde o início do Programa Se Liga na Rede em 2016. Neste período foram modificados os procedimentos, inclusive com a lacração dos esgotos irregulares e novas legislações sanitárias vigentes. As irregularidades encontradas vão desde o imóvel não estar totalmente conectado a rede de esgoto, imóveis conectados parcialmente, até a conexão na rede de drenagem. No total, já foram realizadas cerca de 65 mil vistorias (incluindo todas as fases), alcançando 500 unidades lacradas.

“Estamos com fiscalização constante, uso do robô nas vídeo inspeções em galerias de drenagem para detectar as irregularidades e denúncias recebidas”, acrescentou.

Sobre a questão do saneamento na vizinha Camboriú, o diretor informou que a Emasa e a prefeitura de Balneário Camboriú, já propuseram ao município de Camboriú um consórcio para que a empresa pudesse atuar no município vizinho implantando a rede coletora de esgoto e coletando o esgoto para ser tratado na ETE.

“Porém, Camboriú possui uma concessão para o serviço de água e até onde sabemos, estão em tratativas para ampliar esse contrato incluindo o serviço de implantação da rede coletora”, acrescentou.

Douglas disse ainda que não concorda com a construção de um emissário submarino para despejar o esgoto das duas cidades.

“Discordamos totalmente, inclusive pelo fato de existir uma Estação de Tratamento de Esgoto em Balneário Camboriú com projeto para ampliação, o que não justifica essa alternativa”, finalizou.

creditos - Renata Furlanetto
Douglas(D) e equipe.

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Registros da Ambiental mostram que arribadas aumentam nos meses mais quentes

credito - Divulgação/Ambiental

Os registros da Ambiental, a concessionária de limpeza urbana de Balneário Camboriú, desde o mês de maio de 2017 até agora, mostram a chegada constante de ‘algas’ que é o nome genérico que a empresa dá ao material dessas arribações na praia central de Balneário Camboriú.

O gerente da Ambiental em Balneário Camboriú, Eduardo Alvino da Silva, pela experiência lembra que essas arribadas começaram por volta de 2004, com um crescimento exponencial, a ponto de recolherem 100 toneladas por dia.

Ele afirma que as quantidades hoje são bem menores. Em 2019 foram recolhidas 3.797 toneladas e neste ano já foram tiradas da praia central 2.761 toneladas.

O quadro abaixo, produzido pela Ambiental, mostra que infelizmente a quantidade aumenta nos meses em que Balneário Camboriú mais recebe turistas, o que dificulta o trabalho de limpeza e multiplica a necessidade de mão de obra.


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Em Camboriú, empresa espera posicionamento da prefeitura

Texto: Luciana Zonta

credito - DivulgaçãoMoradores na hora do 'sim' para que a concessionária assuma os investimentos em esgoto, na audiência de 2019

A Águas de Camboriú oficializou, em 2019, a intenção de ampliar sua colaboração com o desenvolvimento social e econômico com a cidade, investindo na implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto para o município. Em audiência pública realizada em outubro do ano passado, moradores decidiram pela construção da rede produtora de água tratada (já prevista no contrato de concessão) e a incorporação dos investimentos no sistema de esgoto (não prevista em contrato). Esta audiência foi realizada, inclusive, por determinação de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em tramitação na Justiça de Camboriú e que prevê a construção de um sistema de tratamento de esgoto para a cidade com urgência.

Para isso, é necessária a assinatura de um termo aditivo assinado entre a prefeitura e a concessionária. Desta forma, seriam incluídas no escopo do contrato as obras de esgoto que passarão a ser responsabilidade da concessionária.

A proposta contempla a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), a instalação de 280 quilômetros de rede, a construção de 30 elevatórias, melhoria dos indicadores de saúde e despoluição do Rio Camboriú e a construção da ETA de Camboriú.

“Neste momento, a Águas de Camboriú aguarda a iniciativa da prefeitura de Camboriú para que o termo aditivo seja assinado e, posteriormente, aprovado pela agência reguladora”, disse Gabriel Buim, diretor executivo da Águas de Camboriú.



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