Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Semana da Pessoa Idosa: Balneário Camboriú é referência em políticas públicas para maiores de 60

Mas tem espaço para melhorar: expandir o mercado de trabalho, criar um Fundo Municipal e construir uma Vila do Idoso.

Quinta, 1/10/2020 14:32.

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Por Renata Rutes e Marlise Schneider.
Segundo dados do IBGE, o Brasil tem hoje mais de 30 milhões de idosos, número que representa 13% da população do país. Em Balneário Camboriú esse número também é alto: a cidade tem hoje cerca de 145 mil habitantes, e entre 20 e 30% deles são idosos (ou seja, pelo menos 29 mil moradores do município têm mais de 60 anos).
A Semana Nacional da Pessoa Idosa, criada para lembrar sobre direitos desta população, também foi celebrada em Balneário Camboriú, com uma programação de lives através da Secretaria da Pessoa Idosa – uma das primeiras do país e que já recebeu diversos prêmios a nível nacional pelo serviço que presta. Nesta quinta-feira (1º) é comemorado também o Dia Mundial do Idoso, e no último domingo (27) foi comemorado o Dia Nacional.
Para lembrar essas datas, o Página 3 ouviu idosos, psicólogas e o secretário da Pessoa Idosa de Balneário, Paulo César Senk Júnior, para falar sobre a vida dos 60+ em Balneário, as políticas públicas que aqui existem e como têm sido as mudanças na rotina deles impostas pela pandemia de Covid-19, já que os idosos integram o principal grupo de risco da doença e estão em isolamento social desde março.

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Secretaria da Pessoa Idosa de Balneário foi uma das primeiras do país

Instituída em 2012, a Secretaria da Pessoa Idosa (SPI) de Balneário Camboriú foi uma das primeiras do país. Há quatro anos a SPI, que inicialmente pertencia à Secretaria de Inclusão Social, conta com sede própria, na Rua 1.822, entre as avenidas Terceira e Quarta. O secretário Paulo César Senk Júnior explica que até março, antes de iniciar o isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, o local desenvolvia diariamente, com o apoio de voluntários, diversas atividades para os idosos, que tinham no local um centro de convivência.

Em 32 oficinas, os 60+ aprendiam línguas, como inglês e espanhol, tinham aulas de dança, alongamento, dentre outras. Agora com a quarentena, a SPI precisou se reinventar e continua com aulas através de live (transmitidas diariamente pelo Facebook do secretário, https://www.facebook.com/pcsenk).

Lives da equipe da SPI

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“Aos poucos os idosos foram se adaptando ao novo normal e estão participando ativamente das atividades propostas. Estamos tendo uma média de acesso em torno de 100 pessoas por transmissão”, diz.

A equipe da SPI durante toda a pandemia também auxiliou os idosos com entrega de mantimentos e medicamentos, renovação de receitas médicas, entrega de chás que auxiliam no aumento da imunidade, e com as aulas virtuais de ritmos, alongamento, lives com psicólogos, bate-papo com nutricionista, dicas de automaquiagem.

“A Semana da Pessoa Idosa que já é realizada tradicionalmente na cidade, este ano foi em um formato diferenciado, porém não menos enriquecedora. Buscamos abordar temas de interesse para os idosos e que pudessem contribuir para o dia a dia deles, como, por exemplo, os exercícios físicos, muito prestigiados por eles”, conta Paulo..


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Cidade Amiga da Pessoa Idosa

O secretário informou que atualmente a Secretaria da Pessoa Idosa tem registrado em seu banco de dados 2.430 idosos que possuem credencial. No entanto, as estimativas apontam que cerca de 20% a 30% da população esteja na terceira idade, segundo dados do sistema dos usuários da Secretaria da Saúde.

“Em nosso centro de convivência registrávamos uma média de 500 pessoas dia, dependendo das atividades desenvolvidas”, salienta, lembrando que Balneário foi reconhecida nacional e internacionalmente como Cidade Amiga da Pessoa Idosa e que esse título se dá através ‘das políticas públicas desenvolvidas.

“Como o NAI (Núcleo de Atenção ao Idoso), como o programa Maturidade Saudável realizado em parceria com a Fundação Municipal de Esportes, além de projetos intergeracionais desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, como o Projeto Cidade Caminhável junto da Secretaria de Obras, e o Programa Abraço ao Idoso, pioneiro, criado em nosso município e referência a nível nacional como uma política pública exemplar no cuidado aos idosos vítimas de violência, dentre outros projetos, cada um em sua área de atuação todos voltados a melhor atender a pessoa idosa”, acrescenta, afirmando que a cidade busca constantemente aprimorar suas políticas públicas para melhor atender a população idosa.

“Somos por característica uma cidade pequena, plana – isso facilita a mobilidade, acolhedora por natureza, com uma das melhores qualidades de vida do país, características que são um convite aos idosos”, pontua.


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Abraço ao Idoso: terceira idade ainda é vítima de violência e precisa de apoio

Mesmo diante do cenário positivo e das diversas atividades que integram e trazem qualidade de vida aos idosos, muitos ainda precisam de atendimento psicológico, pois são vítimas de violência – física, psicológica e até mesmo financeira. O Abraço ao Idoso, desde sua criação, atendeu mais de 4.800 idosos vítimas de violência em Balneário Camboriú.

“A que mais nos chama a atenção é a violência financeira, são os principais casos que atendemos. Acontece em todos os bairros da cidade, e quase sempre envolve alguém próximo, como um familiar que realiza empréstimos consignados em nome dos idosos e até mesmo o próprio golpe do bilhete premiado”, diz.

O secretario Paulo, no centro, em um atendimento..

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Solidão na pandemia gerou problemas emocionais

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Desde o início da pandemia, a equipe do Abraço ao Idoso notou um significativo aumento nos atendimentos psicológicos. O secretário atribui a procura ao distanciamento e isolamento social imposto aos idosos, que integram um dos principais grupos de risco da pandemia de Covid-19.

“Recebemos muitas ligações de idosos apenas querendo conversar, muitas vezes chorando, angustiados. Neste sentido intensificamos nossas atividades com psicólogos. Em nossas oficinas virtuais durante a semana contamos com três profissionais, cada um em uma abordagem, sempre voltados ao bem estar da pessoa idosa”, explica.


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Café Terapia: união do movimento Janeiro Branco e SPI

A psicóloga Miriam Pereira coordena o movimento Janeiro Branco em Balneário Camboriú. A campanha, que acontece sempre em janeiro, é nacional e busca chamar a atenção para o tema da saúde mental, exatamente o mesmo assunto que Miriam discute nas lives que realiza todas as sextas, sempre às 14h, junto da SPI.

“O foco é levar informações a respeito da importância da saúde mental aos idosos, com formas de prevenção, exercícios que eles podem implementar para terem uma maior qualidade de vida, pois a saúde mental é totalmente interligada com a física e vice-versa”, explica, contando que nas lives aborda a importância dos idosos manterem os relacionamentos com familiares e amigos mesmo à distância, pois assim percebem que não estão sozinhos, mesmo estando isolados neste momento.

A profissional vê que todas as faixas etárias foram afetadas pelo isolamento social, mas que provavelmente a terceira idade foi uma das que mais sentiu as mudanças, já que os idosos deixaram de conviver entre eles – como na SPI, além de deixarem de receber visitas de familiares, como seus filhos e netos.

“Eles sofrem muito com essa falta de contato social. Por isso, a preocupação com eles continua, já que muitos estão tendo sintomas de ansiedade e depressão. Por isso, nos preocupamos em incentivá-los a manterem contato com pessoas queridas, mesmo que agora isso seja de forma online”, afirma.

Miriam aproveita para aconselhar o público a focar no autoconhecimento, como analisar o que te faz bem, o que te dá prazer e bem estar e buscar fazer essas coisas, como ver fotos, ouvir músicas, fazer videochamadas com familiares e amigos.

“Ver as outras pessoas é muito importante. É fundamental também criar uma rotina e segui-la, tendo nela atividades prazerosas, para que esse período que estamos passando seja o mais leve e tranquilo possível”, acrescenta.

Uma das atividades realizadas no Café Terapia foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): o caderno ou pote da gratidão. O exercício é escrever diariamente pelo menos três coisas que te fazem ser grato, como o sol, amigos ou até mesmo uma situação vivida no passado.

“Também aconselhei os idosos a escreverem uma carta para o ‘eu do futuro’, relatando como se sentem, medos, angústias, o que esperam da vida para os próximos meses, e ler daqui algum tempo, assim verão que tudo passa e que as coisas melhoram”, completa.


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Ginástica para o cérebro: papel, caneta, bom humor e disposição

Sandra Hoffmann é psicóloga há 21 anos, especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva, formada pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela reside em Balneário desde 2019, atuando na Secretaria de Educação, no departamento de Educação Especial. Porém, como trabalhou no Hospital de Clínicas, em São Paulo, como neuropsicóloga voluntária da equipe de Hidrodinâmica Cerebral, foi convidada para atuar como voluntária junto da SPI, onde realiza a oficina de ginástica para o cérebro, que acontece agora de forma online, promovendo psicoeducação para os idosos.

“Proponho exercícios que estimulam as habilidades cognitivas, como memória, linguagem, função executiva, visuoespacial e visuopercepção (abrange todos os domínios cognitivos). Chegamos a ter mais de 200 visualizações em nossas lives, inclusive de outros estados e até de outros países”, conta.

Segundo a psicóloga, a proposta é realizar encontros leves, divertidos e onde há intensa interação.

“Só precisam de papel e caneta, bom humor e disposição. Quando eles não conseguem acompanhar ao vivo, respondem as atividades em outro horário, fotografam e me enviam. É muito gratificante perceber que muitos aguardam a nossa ‘aula’, como eles mesmos dizem, toda quinta às 15h”, afirma.


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Psicóloga une sabedoria oriental e neurociência

Assim como Sandra, a psicóloga Lisia Brandão da Fontoura, atua junto da SPI de forma voluntária. Ela se mudou para Balneário no começo do ano, vinda de Porto Alegre, e logo conheceu o trabalho da secretaria.

“Quando cheguei na SPI vi um resgate de almas, muitos me contaram que antes de conhecerem a secretaria eram tristes, e lá eles pareciam adolescentes, animados, queriam aproveitar tudo. Fiquei encantada”, relembra.

Como pouco tempo depois veio a pandemia, os trabalhos de Lisia junto dos idosos vêm sendo de forma online. Ela produz vídeos e encaminha para eles, discutindo temas como ansiedade, yoga, meditação, estresse, longevidade, dentre outros assuntos.

O diferencial da profissional é que ela foca na neurociência junto da sabedoria oriental e espiritual, tendo, como ela mesma define, ’30 anos de caminhada’, onde passou por, segundo ela, mais de 40 países. Lisia diz que já realizou formações em países da Europa, e também no Japão e Índia.

“Tive uma busca intensa por autoconhecimento, e quando retornei alinhei as sabedorias orientais e ocidentais. Com os idosos, tenho muito a aprender e a trocar experiências. Lamento que nas lives não consigo escutá-los, gostaria de ter uma interação maior com eles, que o isolamento social infelizmente não está permitindo”, comenta, citando que se surpreendeu com o respeito que Balneário Camboriú tem com os idosos, afirmando que é algo que viu também no Oriente, onde a terceira idade é reverenciada.

“Não podemos progredir na vida se não agradecermos nossos pais e avós”, diz.

Lisia se preocupa com o fato de que há muitos idosos em sobrecarga, além do isolamento social há aqueles que estão com filhos e netos voltando para casa, já que muitas pessoas passaram por dificuldades econômicas por conta da pandemia, além dos casais que também estão precisando estar juntos 24h – causando aumento nos divórcios.

“Quando a tensão dura tanto tempo como agora, mais de seis meses, pode se tornar algo maior, como pânico, transtorno pós-traumático. Em Balneário senti que não existe apenas uma instituição, e sim um olhar para o ser humano. Há a preocupação com a vida, está havendo esse resgate. É raro no Brasil algo assim”, completa.


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“Benefícios da dança são muitos”, diz professora de ritmos

Fátima Falchini, professora e coreógrafa, tem longa experiência com idosos. Há 11 anos ela é coreógrafa do grupo de dança da terceira idade Balanço das Ondas, que já conquistou inúmeros prêmios regionais e estaduais. Há 10 anos trabalha como professora de ritmos e professora de ginástica na praia, no programa Maturidade Saudável, realizado entre a secretaria da Pessoa Idosa e a Fundação Municipal de Esportes. O programa tem polos nos bairros e oferece atividades como dança, ginástica, vôlei e handebol adaptado.

Desde que iniciou a pandemia Fátima apresenta aulas de dança e ritmos todos os dias, de forma remota.

“A dança na terceira idade é de extrema importância. Além de melhorar o condicionamento físico, ajuda na auto estima, na prevenção ao alzheimer, na socialização. Os benefícios são inúmeros. Em tempos de pandemia, de isolamento, se torna fundamental a prática de atividade física. Todos estão convidados a acompanhar nossas aulas online pelo Facebook Fátima Folchini”, convidou.

Grupos de dança da terceira idade Balanço das Ondas

credito - Arquivo Pessoal

Fátima com os vários grupos que trabalha


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Associação São Vicente de Paula é o lar de 42 idosos

A Associação São Vicente de Paula, o Lar dos Velhinhos de Balneário Camboriú, é mantida através de convênio com a prefeitura e segundo o secretário da Pessoa Idosa, Paulo César Senk Júnior, lá residem 42 idosos, mas outros 28 estão aguardando por uma vaga.

Diversos residentes e funcionários do local tiveram Covid-19, por isso foi aplicado um rígido sistema de controle, criado através de um plano de ação de combate ao Coronavírus. As visitas foram interrompidas e retornaram há pouco tempo, acontecendo através da ‘cortina do abraço’: em um ambiente controlado foi instalada uma cortina plástica onde os idosos ficam resguardados e podem, mediante prévio agendamento, receber visitas.

“Isso ajudou muito, porque eles ficaram por meses sem verem pessoalmente seus parentes. Até então estavam apenas recebendo chamadas de vídeo”, comenta o secretário.

Apesar das visitas de familiares terem retornado, todas as atividades externas seguem suspensas, como visitas de grupos, prestadores de serviços e passeios.

Paulo salienta que o local passou por muitas melhorias recentemente, e conta hoje com salas específicas para atendimentos de fisioterapia e odontologia, tanto a área interna quanto externa foram repintadas e a rede elétrica passou por revisão.

“Todos os alvarás sanitários, de funcionamento, do Corpo de Bombeiros, estão em dia e somos registrados como instituição de longa permanência para idosos”, completa.

A Associação São Vicente de Paula continua recebendo doações do público, que são muito bem-vindas.
Quem quiser ajudar o Lar dos Idosos deve fazer contato telefônico através do número 3363-7835.

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Uma história de trabalho e amor por Balneário Camboriú

credito - arquivo Pessoal

Freia Prochnow, 90 anos, sempre foi uma mulher ativa e mesmo na quarentena, está sempre procurando algo para manter-se ocupada. Com dificuldade de locomoção porque sofreu uma queda no início de março e precisou fazer uma cirurgia, ela passa o tempo fazendo coisas que gosta.

“Gosto de fazer crochê, assistir notícias ou um bom filme na tevê, leio a Bíblia todos os dias, sou luterana, mas ainda não posso ir aos cultos dominicais, então assisto eles pela internet, converso muito com minha filha Liane, que é minha cuidadora, moramos juntas, sempre arrumo uma coisa para fazer, mas sinto muita falta de encontrar as pessoas, as amigas nos grupos da Oase”.

Freia faz parte da história de Balneário Camboriú, que está registrada passo-a-passo em sua mente.

Acompanhe o relato desta catarinense de Jaraguá do Sul que adotou Balneário Camboriú como a cidade do seu coração.

“Casei em setembro de 1954 com Egon Prochnow (in memoriam) e duas semanas depois viemos para Balneário Camboriú. Na beira da praia, alugamos o Praia Hotel por dois anos. Não deu certo, não tinha movimento no inverno, era tudo mato, então fomos morar em Blumenau. Lá ficamos por três anos, meu marido comprou um Alfa Romeo e foi trabalhar de motorista, até que ouvimos que o Hotel Balneário, que não existe mais, estava para alugar. Voltamos para a praia em 1957, ficamos quatro anos nesse hotel na beira da praia. Neste período compramos um hotelzinho de madeira ‘Inês Schmidt’, na Rua 1001 e lá construímos o nosso Hotel Blumenau, lá por 1966, eram dois andares e 12 quartos. Sempre lotado no verão. Eu fazia tudo. Acordava às 5h e trabalhava até 1h30 da madrugada e isso todos os dias. Depois aumentamos mais dois andares e assim foi indo. Só uns 10 anos depois que o hotel começou é que contratamos uma cozinheira para me ajudar, a gente oferecia café, almoço e jantar. Depois paramos com almoço. Anos depois paramos com o jantar e há 18 anos só oferecemos café da manhã. Parei de trabalhar no hotel com 82 anos. Hoje o hotel tem 114 apartamentos, olho tudo isso e sinto muito orgulho do nosso trabalho”.


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Rita e David: casal compartilha rotina de quarentena e passeios de carro

A aposentada Rita de Cássia Rivero Tames, 68 anos, é casada com o professor do curso de Odontologia da Univali, David Rivero Tames, de 76 anos. Eles residem em Balneário há 26 anos, e frequentam a Secretaria da Pessoa Idosa desde a fundação dela. Os dois contam que sempre gostaram muito das aulas de ginástica e dança, e agora esperam por elas todos os dias, sempre às 9h. As lives já fazem parte da rotina de quarentena do casal, que inclusive se preparam com fantasias e acessórios.

“Eu uso às vezes chapéu, outro dia colete... sempre nos vestimos para as aulas”, conta David, que é interrompido pela esposa, que completa o quanto as aulas são divertidas e essenciais nessa quarentena.

“Não vejo outras prefeituras que realizam isso, é um projeto simplesmente sensacional. Nós também participamos do grupo Balanço das Ondas, fizemos até um festival online, isso tudo é muito importante”, opina a aposentada.

Segundo Rita, os dois têm muito medo de sair para caminhar na rua, e até as compras de mercado fazem de maneira online, recebendo tudo em casa, mas ela confessa que os dois saem para passear do carro, mas já acrescenta que eles não saem do automóvel.

“Nada além disso, e só porque não aguentávamos mais ficar só dentro do apartamento”, diz entre risos, acrescentando que a pandemia também fez o marido se inteirar mais das tarefas de casa.

David, que é professor do curso de Odontologia da Univali e está ministrando aulas online para seus alunos, vê que não vão fazer atividades presenciais até que haja uma vacina, e que quando isso acontecer vão começar a voltar, mas ainda com precaução.

“Ficamos chateados por sabermos que tem gente que não está respeitando a pandemia e nós estamos nos cuidando, seguiremos assim”, completa.


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Argentina mora em Balneário há 20 anos e dá apoio psicológico para amigos

A aposentada Liliana Lucia Roda, 65 anos, mora em Balneário, cidade pela qual sempre foi apaixonada, há 20 anos. Ela diz que a pandemia não afetou tanto a sua vida e que sempre seguiu os protocolos de prevenção ao Covid-19.

“Eu sempre estou usando álcool gel, máscara e óculos, me previno bem, mas saio para caminhar de manhã, faço compras. Há 20 dias voltei a ver os meus amigos, nos encontramos para tomar café. Tenho filha e netas que moram em Balneário, mas a maioria mora na Argentina e em Miami, por isso nos vemos por vídeo. O celular é indispensável pra mim”, explica.

Ly, como é conhecida, salienta que se dedicou nessa quarentena a se relacionar com as pessoas através do WhatsApp e que inclusive tenta dar apoio psicológico a amigos, tanto brasileiros quanto argentinos, porque sabe que apesar de que não foi tão afetada pelo Covid-19, há muitas pessoas que foram.

“Escuto pessoas, amigos e conhecidos. É um projeto pessoal que tenho. Converso com muita gente, ajudar é algo que faço, vejo que é uma corrente do bem. Eu faço o bem e a vida vai devolver”, afirma, acrescentando que tem esperança de que a vacina sairá logo e que até o final do ano tudo estará ‘quase normal’.

“Os idosos vivem muito bem em Balneário, as aulas online da SPI são ótimas também. Eu não faço todos os dias, mas às vezes sim. Aqui a política pública é muito ampla, há muitas coisas para a terceira idade. Antes as pessoas achavam que quem tem 60 anos era velho, e na verdade temos muita vida pela frente”, finaliza.


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“Se não faço atividades, enlouqueço”

A aposentada Rosana Jussara de Oliveira, 61 anos, é curitibana e mora em Balneário há 15 anos, com a mãe, que tem 84 anos. Ela conta que quando começou a quarentena sentiu-se ‘meio sem rumo’, pois frequentava diariamente a SPI, onde fazia aulas de ginástica, dança, além de jogar bingo e passear com os amigos da secretaria.

“Fiquei triste, nos sentimos solitários. As aulas online ajudaram, pois acabamos tendo contato diário novamente. Sou do Balanço das Ondas e também participamos de festival online, o Costão em Dança, e nesta quinta (1º) temos um festival de Blumenau, também online”, explica.

Rosana opina que as atividades são muito importantes para a saúde física e mental.

“Se eu não faço, enlouqueço (risos). Tem também o Café Terapia, as psicólogas são ótimas, ajudam muito. A SPI não esqueceu dos idosos, continuam presentes nas nossas vidas”, diz.

A aposentada sai somente para apoiar a mãe, que teve câncer, e inclusive vai ao médico por ela.

“No começo eu me ocupava muito limpando a casa, mas tudo cansa (risos). Vou também na farmácia e mercado quando precisa. Tenho uma filha que mora em SP, fazemos chamada de vídeo, e um filho de Itajaí, mas só nos vemos de longe. Isso tem sido muito triste, mas acredito que a vacina sairá em janeiro, tenho muita fé nisso, e até março teremos o nosso ‘novo normal’. Sinto muita falta de abraçar e estar realmente perto de todos”, destaca.


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Rainha da Terceira Idade e assistente jurídica: “Abracei a causa”

Beatriz Rodrigues Campos, tem 76 anos ‘muito bem vividos’ – como ela mesma define. Nascida em Minas Gerais, viveu 62 anos no Rio de Janeiro e mora há quatro em Balneário. Beatriz foi por 35 anos advogada e 15 professora. Logo que se mudou para Balneário, em 2017, se apaixonou pela cidade e pela Secretaria da Pessoa Idosa e ‘abraçou a causa’, logo se oferecendo para apoiar como assistente jurídica. Ela foi também Rainha da Terceira Idade (mandato até 2018).

“Muitos casos apareceram, fico triste porque há muitos filhos querendo os imóveis dos pais em Balneário. Mesmo com a pandemia, não deixo de pensar e trabalhar por eles. Há muitos que estão sozinhos, que dependiam de transporte público e estamos sem ônibus e Bondindinho. Há idosos que não possuem condição de ficar usando Uber”, relata.

Dona Bia reside com a filha, que é fisioterapeuta da prefeitura, e com o genro, que possui uma construtora em Tijucas. Como os dois trabalham o dia todo, ela cuida dos netos.

“Estudo com eles, faço as tarefas de casa. Vejo que é muito importante o convívio nosso, dos idosos, com as crianças. Não posso reclamar da quarentena, porque pra mim foi uma benção. Minha única reclamação é sobre esse tal grupo de risco. Sou idosa, mas não sou grupo de risco. Sou do grupo especial. Não podemos aceitar esse nome (risos)”, conta.

A aposentada também segue rotina de alongamento e aulas de dança, mesmo em casa preza por se exercitar, junto das lives realizadas pela SPI, explicando que ‘não pode enferrujar’, mas que mesmo estando em casa não para.

“Faço comida para os meus netos. Tudo é vida e alegria. No dia que a faxineira vem, eu aproveito para resolver algumas coisas, como ir ao banco. Tenho uma neta que me deu um bisnetinho e mora em Criciúma, então quinzenalmente vamos até lá, e ela também vem para matar a saudade da Dubai brasileira (risos). Uma coisa que sinto falta é de festa. Eu adoro e agora não está podendo acontecer. Sinto saudade também de abraçar apertado, de estar junto”, comenta.

Beatriz e família


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Odete preside grupo de dança e faz tricô: “Sinto falta das aulas presenciais”

A aposentada Odete Aparecida Muniz, 73 anos, é lageana, mas reside em Balneário há nove anos. Ela foi, durante dois anos, professora de voleibol para a terceira idade através da Fundação Municipal de Esportes e atualmente preside o grupo de dança Balanço das Ondas.

“A pandemia afetou em parte a minha rotina, pela ausência das aulas presenciais de dança, e, pelo isolamento social, que foi a nossa maior barreira. Embora a tecnologia tenha contribuído para amenizar a situação, não me permitindo despertar sentimentos de solidão, estresse e ansiedade”, explica, comentando que sente falta das aulas presenciais, já que os movimentos de uma coreografia estimulam o cérebro a pensar, contribuindo sensivelmente para a qualidade de vida e saúde.

Em casa, Odete faz trabalhos manuais em tricô, como sapatos, meias e gorros, com a colaboração de amigas que integram o Balanço das Ondas, Jussara e Marissônia.

“Já entregamos produções no Lar dos Idosos, no Hospital Pequeno Anjo, de Itajaí e na Rede Feminina de Combate ao Câncer, sendo tudo doado em nome do Balanço”, conta.

A aposentada também gosta de assistir missas pela TV, afirmando que nutre uma crença que consiste em equilíbrio na conexão mente e corpo.

A presidente do Balanço aproveita para citar que, apesar de Balneário fazer bastante pelos idosos, ainda há muito para se melhorar, como a importância de ampliar as políticas públicas que insiram a terceira idade no mercado de trabalho.

“Aproveito a época, que é oportuna, sugerindo a nova administração que seja criado o Fundo Municipal para o Idoso, com doações de pessoas físicas e jurídicas, com o devido desconto no Imposto de Renda. Assim para o Balanço das Ondas poderão ser disponibilizados valores necessários, pois muito bem sempre representamos o município. Em 21 anos de existência, o Grupo ainda não foi privilegiado com nenhuma subvenção. Também que seja construído o Centro do Idoso com toda a estrutura necessária, além da Vila do Idoso Dignidade em Viver, com a construção de conjuntos habitacionais”, finaliza.


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Dona Eulina: amor pela música a inspira a seguir na quarentena

A cantora Eulina Ladewig Silveira, 90 anos, é fundadora do grupo Seresteiros de Balneário Camboriú, sendo bastante conhecida na cidade. Ela conta que a pandemia afetou a sua vida completamente e que desde março está dentro de casa – somente nessas últimas semanas saiu para almoçar durante o final de semana. Em 14 de março ela viajou de cruzeiro pela costa brasileira com a família, quando todos, inclusive ela, pegou Covid-19.

“Vim muito fraca, muito cansada. Pedi para o meu filho me levar no médico, e ele não disse que estava desconfiado que eu estava com Covid, mas me recomendou vacina para gripe e pneumonia. Fiquei uma semana em casa de repouso, e não tinha disposição para andar nem dentro de casa, fiquei de cama, mas não tive febre e nem dores, só um grande cansaço”, relembra.

Depois de dois meses, Eulina refez o exame e foi confirmado que ela havia tido Covid, mas sua imunidade já estava boa. A rotina dela agora é cozinhar, descansar e trabalhar em um projeto que está fazendo para festejar seus 90 anos – quando puder fazer, será no Teatro Bruno Nitz, uma retrospectiva de sua vida em Balneário.

“Faço atividade respiratória, orientada pelo meu filho, e fazemos todos os dias, para que eu não perca a minha capacidade pulmonar e conseguir cantar. Ser idosa não é fácil, mas em Balneário Camboriú é um privilégio, aqui tem muita opção para os idosos, começando pela praia para se andar, apanhar sol, tomar banho de mar, conversar com os amigos. Há muitos lugares bons para nos encontrarmos, sei que há salões para idosos dançarem. Eu nunca fui, mas sei que tem”, conta.

Os hobbies dela são todos ligados a música, e ela gosta de assistir apresentações que fez, assim como ver reportagens em jornais e revistas – inclusive o Página 3, já que agora não está podendo se apresentar pela cidade, como costumava fazer: nos últimos cinco anos ela se apresentava regularmente na Praça da Cultura, que fica atrás do Atlântico Shopping. Enquanto ela cantava, todos dançavam. A última vez que ela se apresentou lá foi em 7 de março.

“Tenho muita saudade e tenho fé de voltar o mais breve possível, ali me encontrava com muitas pessoas que iam me ver. Era muito lindo. A música sempre me ajudou e me ajuda a viver feliz. Quando eu era mais nova eu cantava acompanhando a radiola, violão solado também e eu acompanhava. Hoje não canto mais em casa sozinha, não tenho esse prazer mais. Gosto de cantar quando tem público, mas acho que vou morrer gostando de cantar, e peço a Deus que não tire a minha voz, para eu cantar enquanto eu tiver vida”, pontua.

Hoje, Eulina faz lives com amigos toda semana, mas comenta que prefere muito mais apresentações ao vivo, com plateia.

“Lives é o que temos hoje, mas acho um pouco triste. A gente canta sozinha. Vendo as pessoas na plateia, vendo que estão gostando, é empolgante”, opina.



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Página 3

Semana da Pessoa Idosa: Balneário Camboriú é referência em políticas públicas para maiores de 60

Mas tem espaço para melhorar: expandir o mercado de trabalho, criar um Fundo Municipal e construir uma Vila do Idoso.

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Quinta, 1/10/2020 14:32.
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Por Renata Rutes e Marlise Schneider.
Segundo dados do IBGE, o Brasil tem hoje mais de 30 milhões de idosos, número que representa 13% da população do país. Em Balneário Camboriú esse número também é alto: a cidade tem hoje cerca de 145 mil habitantes, e entre 20 e 30% deles são idosos (ou seja, pelo menos 29 mil moradores do município têm mais de 60 anos).
A Semana Nacional da Pessoa Idosa, criada para lembrar sobre direitos desta população, também foi celebrada em Balneário Camboriú, com uma programação de lives através da Secretaria da Pessoa Idosa – uma das primeiras do país e que já recebeu diversos prêmios a nível nacional pelo serviço que presta. Nesta quinta-feira (1º) é comemorado também o Dia Mundial do Idoso, e no último domingo (27) foi comemorado o Dia Nacional.
Para lembrar essas datas, o Página 3 ouviu idosos, psicólogas e o secretário da Pessoa Idosa de Balneário, Paulo César Senk Júnior, para falar sobre a vida dos 60+ em Balneário, as políticas públicas que aqui existem e como têm sido as mudanças na rotina deles impostas pela pandemia de Covid-19, já que os idosos integram o principal grupo de risco da doença e estão em isolamento social desde março.

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Secretaria da Pessoa Idosa de Balneário foi uma das primeiras do país

Instituída em 2012, a Secretaria da Pessoa Idosa (SPI) de Balneário Camboriú foi uma das primeiras do país. Há quatro anos a SPI, que inicialmente pertencia à Secretaria de Inclusão Social, conta com sede própria, na Rua 1.822, entre as avenidas Terceira e Quarta. O secretário Paulo César Senk Júnior explica que até março, antes de iniciar o isolamento social por conta da pandemia de Covid-19, o local desenvolvia diariamente, com o apoio de voluntários, diversas atividades para os idosos, que tinham no local um centro de convivência.

Em 32 oficinas, os 60+ aprendiam línguas, como inglês e espanhol, tinham aulas de dança, alongamento, dentre outras. Agora com a quarentena, a SPI precisou se reinventar e continua com aulas através de live (transmitidas diariamente pelo Facebook do secretário, https://www.facebook.com/pcsenk).

Lives da equipe da SPI

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“Aos poucos os idosos foram se adaptando ao novo normal e estão participando ativamente das atividades propostas. Estamos tendo uma média de acesso em torno de 100 pessoas por transmissão”, diz.

A equipe da SPI durante toda a pandemia também auxiliou os idosos com entrega de mantimentos e medicamentos, renovação de receitas médicas, entrega de chás que auxiliam no aumento da imunidade, e com as aulas virtuais de ritmos, alongamento, lives com psicólogos, bate-papo com nutricionista, dicas de automaquiagem.

“A Semana da Pessoa Idosa que já é realizada tradicionalmente na cidade, este ano foi em um formato diferenciado, porém não menos enriquecedora. Buscamos abordar temas de interesse para os idosos e que pudessem contribuir para o dia a dia deles, como, por exemplo, os exercícios físicos, muito prestigiados por eles”, conta Paulo..


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Cidade Amiga da Pessoa Idosa

O secretário informou que atualmente a Secretaria da Pessoa Idosa tem registrado em seu banco de dados 2.430 idosos que possuem credencial. No entanto, as estimativas apontam que cerca de 20% a 30% da população esteja na terceira idade, segundo dados do sistema dos usuários da Secretaria da Saúde.

“Em nosso centro de convivência registrávamos uma média de 500 pessoas dia, dependendo das atividades desenvolvidas”, salienta, lembrando que Balneário foi reconhecida nacional e internacionalmente como Cidade Amiga da Pessoa Idosa e que esse título se dá através ‘das políticas públicas desenvolvidas.

“Como o NAI (Núcleo de Atenção ao Idoso), como o programa Maturidade Saudável realizado em parceria com a Fundação Municipal de Esportes, além de projetos intergeracionais desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, como o Projeto Cidade Caminhável junto da Secretaria de Obras, e o Programa Abraço ao Idoso, pioneiro, criado em nosso município e referência a nível nacional como uma política pública exemplar no cuidado aos idosos vítimas de violência, dentre outros projetos, cada um em sua área de atuação todos voltados a melhor atender a pessoa idosa”, acrescenta, afirmando que a cidade busca constantemente aprimorar suas políticas públicas para melhor atender a população idosa.

“Somos por característica uma cidade pequena, plana – isso facilita a mobilidade, acolhedora por natureza, com uma das melhores qualidades de vida do país, características que são um convite aos idosos”, pontua.


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Abraço ao Idoso: terceira idade ainda é vítima de violência e precisa de apoio

Mesmo diante do cenário positivo e das diversas atividades que integram e trazem qualidade de vida aos idosos, muitos ainda precisam de atendimento psicológico, pois são vítimas de violência – física, psicológica e até mesmo financeira. O Abraço ao Idoso, desde sua criação, atendeu mais de 4.800 idosos vítimas de violência em Balneário Camboriú.

“A que mais nos chama a atenção é a violência financeira, são os principais casos que atendemos. Acontece em todos os bairros da cidade, e quase sempre envolve alguém próximo, como um familiar que realiza empréstimos consignados em nome dos idosos e até mesmo o próprio golpe do bilhete premiado”, diz.

O secretario Paulo, no centro, em um atendimento..

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Solidão na pandemia gerou problemas emocionais

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Desde o início da pandemia, a equipe do Abraço ao Idoso notou um significativo aumento nos atendimentos psicológicos. O secretário atribui a procura ao distanciamento e isolamento social imposto aos idosos, que integram um dos principais grupos de risco da pandemia de Covid-19.

“Recebemos muitas ligações de idosos apenas querendo conversar, muitas vezes chorando, angustiados. Neste sentido intensificamos nossas atividades com psicólogos. Em nossas oficinas virtuais durante a semana contamos com três profissionais, cada um em uma abordagem, sempre voltados ao bem estar da pessoa idosa”, explica.


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Café Terapia: união do movimento Janeiro Branco e SPI

A psicóloga Miriam Pereira coordena o movimento Janeiro Branco em Balneário Camboriú. A campanha, que acontece sempre em janeiro, é nacional e busca chamar a atenção para o tema da saúde mental, exatamente o mesmo assunto que Miriam discute nas lives que realiza todas as sextas, sempre às 14h, junto da SPI.

“O foco é levar informações a respeito da importância da saúde mental aos idosos, com formas de prevenção, exercícios que eles podem implementar para terem uma maior qualidade de vida, pois a saúde mental é totalmente interligada com a física e vice-versa”, explica, contando que nas lives aborda a importância dos idosos manterem os relacionamentos com familiares e amigos mesmo à distância, pois assim percebem que não estão sozinhos, mesmo estando isolados neste momento.

A profissional vê que todas as faixas etárias foram afetadas pelo isolamento social, mas que provavelmente a terceira idade foi uma das que mais sentiu as mudanças, já que os idosos deixaram de conviver entre eles – como na SPI, além de deixarem de receber visitas de familiares, como seus filhos e netos.

“Eles sofrem muito com essa falta de contato social. Por isso, a preocupação com eles continua, já que muitos estão tendo sintomas de ansiedade e depressão. Por isso, nos preocupamos em incentivá-los a manterem contato com pessoas queridas, mesmo que agora isso seja de forma online”, afirma.

Miriam aproveita para aconselhar o público a focar no autoconhecimento, como analisar o que te faz bem, o que te dá prazer e bem estar e buscar fazer essas coisas, como ver fotos, ouvir músicas, fazer videochamadas com familiares e amigos.

“Ver as outras pessoas é muito importante. É fundamental também criar uma rotina e segui-la, tendo nela atividades prazerosas, para que esse período que estamos passando seja o mais leve e tranquilo possível”, acrescenta.

Uma das atividades realizadas no Café Terapia foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS): o caderno ou pote da gratidão. O exercício é escrever diariamente pelo menos três coisas que te fazem ser grato, como o sol, amigos ou até mesmo uma situação vivida no passado.

“Também aconselhei os idosos a escreverem uma carta para o ‘eu do futuro’, relatando como se sentem, medos, angústias, o que esperam da vida para os próximos meses, e ler daqui algum tempo, assim verão que tudo passa e que as coisas melhoram”, completa.


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Ginástica para o cérebro: papel, caneta, bom humor e disposição

Sandra Hoffmann é psicóloga há 21 anos, especialista em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva, formada pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ela reside em Balneário desde 2019, atuando na Secretaria de Educação, no departamento de Educação Especial. Porém, como trabalhou no Hospital de Clínicas, em São Paulo, como neuropsicóloga voluntária da equipe de Hidrodinâmica Cerebral, foi convidada para atuar como voluntária junto da SPI, onde realiza a oficina de ginástica para o cérebro, que acontece agora de forma online, promovendo psicoeducação para os idosos.

“Proponho exercícios que estimulam as habilidades cognitivas, como memória, linguagem, função executiva, visuoespacial e visuopercepção (abrange todos os domínios cognitivos). Chegamos a ter mais de 200 visualizações em nossas lives, inclusive de outros estados e até de outros países”, conta.

Segundo a psicóloga, a proposta é realizar encontros leves, divertidos e onde há intensa interação.

“Só precisam de papel e caneta, bom humor e disposição. Quando eles não conseguem acompanhar ao vivo, respondem as atividades em outro horário, fotografam e me enviam. É muito gratificante perceber que muitos aguardam a nossa ‘aula’, como eles mesmos dizem, toda quinta às 15h”, afirma.


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Psicóloga une sabedoria oriental e neurociência

Assim como Sandra, a psicóloga Lisia Brandão da Fontoura, atua junto da SPI de forma voluntária. Ela se mudou para Balneário no começo do ano, vinda de Porto Alegre, e logo conheceu o trabalho da secretaria.

“Quando cheguei na SPI vi um resgate de almas, muitos me contaram que antes de conhecerem a secretaria eram tristes, e lá eles pareciam adolescentes, animados, queriam aproveitar tudo. Fiquei encantada”, relembra.

Como pouco tempo depois veio a pandemia, os trabalhos de Lisia junto dos idosos vêm sendo de forma online. Ela produz vídeos e encaminha para eles, discutindo temas como ansiedade, yoga, meditação, estresse, longevidade, dentre outros assuntos.

O diferencial da profissional é que ela foca na neurociência junto da sabedoria oriental e espiritual, tendo, como ela mesma define, ’30 anos de caminhada’, onde passou por, segundo ela, mais de 40 países. Lisia diz que já realizou formações em países da Europa, e também no Japão e Índia.

“Tive uma busca intensa por autoconhecimento, e quando retornei alinhei as sabedorias orientais e ocidentais. Com os idosos, tenho muito a aprender e a trocar experiências. Lamento que nas lives não consigo escutá-los, gostaria de ter uma interação maior com eles, que o isolamento social infelizmente não está permitindo”, comenta, citando que se surpreendeu com o respeito que Balneário Camboriú tem com os idosos, afirmando que é algo que viu também no Oriente, onde a terceira idade é reverenciada.

“Não podemos progredir na vida se não agradecermos nossos pais e avós”, diz.

Lisia se preocupa com o fato de que há muitos idosos em sobrecarga, além do isolamento social há aqueles que estão com filhos e netos voltando para casa, já que muitas pessoas passaram por dificuldades econômicas por conta da pandemia, além dos casais que também estão precisando estar juntos 24h – causando aumento nos divórcios.

“Quando a tensão dura tanto tempo como agora, mais de seis meses, pode se tornar algo maior, como pânico, transtorno pós-traumático. Em Balneário senti que não existe apenas uma instituição, e sim um olhar para o ser humano. Há a preocupação com a vida, está havendo esse resgate. É raro no Brasil algo assim”, completa.


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“Benefícios da dança são muitos”, diz professora de ritmos

Fátima Falchini, professora e coreógrafa, tem longa experiência com idosos. Há 11 anos ela é coreógrafa do grupo de dança da terceira idade Balanço das Ondas, que já conquistou inúmeros prêmios regionais e estaduais. Há 10 anos trabalha como professora de ritmos e professora de ginástica na praia, no programa Maturidade Saudável, realizado entre a secretaria da Pessoa Idosa e a Fundação Municipal de Esportes. O programa tem polos nos bairros e oferece atividades como dança, ginástica, vôlei e handebol adaptado.

Desde que iniciou a pandemia Fátima apresenta aulas de dança e ritmos todos os dias, de forma remota.

“A dança na terceira idade é de extrema importância. Além de melhorar o condicionamento físico, ajuda na auto estima, na prevenção ao alzheimer, na socialização. Os benefícios são inúmeros. Em tempos de pandemia, de isolamento, se torna fundamental a prática de atividade física. Todos estão convidados a acompanhar nossas aulas online pelo Facebook Fátima Folchini”, convidou.

Grupos de dança da terceira idade Balanço das Ondas

credito - Arquivo Pessoal

Fátima com os vários grupos que trabalha


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Associação São Vicente de Paula é o lar de 42 idosos

A Associação São Vicente de Paula, o Lar dos Velhinhos de Balneário Camboriú, é mantida através de convênio com a prefeitura e segundo o secretário da Pessoa Idosa, Paulo César Senk Júnior, lá residem 42 idosos, mas outros 28 estão aguardando por uma vaga.

Diversos residentes e funcionários do local tiveram Covid-19, por isso foi aplicado um rígido sistema de controle, criado através de um plano de ação de combate ao Coronavírus. As visitas foram interrompidas e retornaram há pouco tempo, acontecendo através da ‘cortina do abraço’: em um ambiente controlado foi instalada uma cortina plástica onde os idosos ficam resguardados e podem, mediante prévio agendamento, receber visitas.

“Isso ajudou muito, porque eles ficaram por meses sem verem pessoalmente seus parentes. Até então estavam apenas recebendo chamadas de vídeo”, comenta o secretário.

Apesar das visitas de familiares terem retornado, todas as atividades externas seguem suspensas, como visitas de grupos, prestadores de serviços e passeios.

Paulo salienta que o local passou por muitas melhorias recentemente, e conta hoje com salas específicas para atendimentos de fisioterapia e odontologia, tanto a área interna quanto externa foram repintadas e a rede elétrica passou por revisão.

“Todos os alvarás sanitários, de funcionamento, do Corpo de Bombeiros, estão em dia e somos registrados como instituição de longa permanência para idosos”, completa.

A Associação São Vicente de Paula continua recebendo doações do público, que são muito bem-vindas.
Quem quiser ajudar o Lar dos Idosos deve fazer contato telefônico através do número 3363-7835.

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Uma história de trabalho e amor por Balneário Camboriú

credito - arquivo Pessoal

Freia Prochnow, 90 anos, sempre foi uma mulher ativa e mesmo na quarentena, está sempre procurando algo para manter-se ocupada. Com dificuldade de locomoção porque sofreu uma queda no início de março e precisou fazer uma cirurgia, ela passa o tempo fazendo coisas que gosta.

“Gosto de fazer crochê, assistir notícias ou um bom filme na tevê, leio a Bíblia todos os dias, sou luterana, mas ainda não posso ir aos cultos dominicais, então assisto eles pela internet, converso muito com minha filha Liane, que é minha cuidadora, moramos juntas, sempre arrumo uma coisa para fazer, mas sinto muita falta de encontrar as pessoas, as amigas nos grupos da Oase”.

Freia faz parte da história de Balneário Camboriú, que está registrada passo-a-passo em sua mente.

Acompanhe o relato desta catarinense de Jaraguá do Sul que adotou Balneário Camboriú como a cidade do seu coração.

“Casei em setembro de 1954 com Egon Prochnow (in memoriam) e duas semanas depois viemos para Balneário Camboriú. Na beira da praia, alugamos o Praia Hotel por dois anos. Não deu certo, não tinha movimento no inverno, era tudo mato, então fomos morar em Blumenau. Lá ficamos por três anos, meu marido comprou um Alfa Romeo e foi trabalhar de motorista, até que ouvimos que o Hotel Balneário, que não existe mais, estava para alugar. Voltamos para a praia em 1957, ficamos quatro anos nesse hotel na beira da praia. Neste período compramos um hotelzinho de madeira ‘Inês Schmidt’, na Rua 1001 e lá construímos o nosso Hotel Blumenau, lá por 1966, eram dois andares e 12 quartos. Sempre lotado no verão. Eu fazia tudo. Acordava às 5h e trabalhava até 1h30 da madrugada e isso todos os dias. Depois aumentamos mais dois andares e assim foi indo. Só uns 10 anos depois que o hotel começou é que contratamos uma cozinheira para me ajudar, a gente oferecia café, almoço e jantar. Depois paramos com almoço. Anos depois paramos com o jantar e há 18 anos só oferecemos café da manhã. Parei de trabalhar no hotel com 82 anos. Hoje o hotel tem 114 apartamentos, olho tudo isso e sinto muito orgulho do nosso trabalho”.


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Rita e David: casal compartilha rotina de quarentena e passeios de carro

A aposentada Rita de Cássia Rivero Tames, 68 anos, é casada com o professor do curso de Odontologia da Univali, David Rivero Tames, de 76 anos. Eles residem em Balneário há 26 anos, e frequentam a Secretaria da Pessoa Idosa desde a fundação dela. Os dois contam que sempre gostaram muito das aulas de ginástica e dança, e agora esperam por elas todos os dias, sempre às 9h. As lives já fazem parte da rotina de quarentena do casal, que inclusive se preparam com fantasias e acessórios.

“Eu uso às vezes chapéu, outro dia colete... sempre nos vestimos para as aulas”, conta David, que é interrompido pela esposa, que completa o quanto as aulas são divertidas e essenciais nessa quarentena.

“Não vejo outras prefeituras que realizam isso, é um projeto simplesmente sensacional. Nós também participamos do grupo Balanço das Ondas, fizemos até um festival online, isso tudo é muito importante”, opina a aposentada.

Segundo Rita, os dois têm muito medo de sair para caminhar na rua, e até as compras de mercado fazem de maneira online, recebendo tudo em casa, mas ela confessa que os dois saem para passear do carro, mas já acrescenta que eles não saem do automóvel.

“Nada além disso, e só porque não aguentávamos mais ficar só dentro do apartamento”, diz entre risos, acrescentando que a pandemia também fez o marido se inteirar mais das tarefas de casa.

David, que é professor do curso de Odontologia da Univali e está ministrando aulas online para seus alunos, vê que não vão fazer atividades presenciais até que haja uma vacina, e que quando isso acontecer vão começar a voltar, mas ainda com precaução.

“Ficamos chateados por sabermos que tem gente que não está respeitando a pandemia e nós estamos nos cuidando, seguiremos assim”, completa.


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Argentina mora em Balneário há 20 anos e dá apoio psicológico para amigos

A aposentada Liliana Lucia Roda, 65 anos, mora em Balneário, cidade pela qual sempre foi apaixonada, há 20 anos. Ela diz que a pandemia não afetou tanto a sua vida e que sempre seguiu os protocolos de prevenção ao Covid-19.

“Eu sempre estou usando álcool gel, máscara e óculos, me previno bem, mas saio para caminhar de manhã, faço compras. Há 20 dias voltei a ver os meus amigos, nos encontramos para tomar café. Tenho filha e netas que moram em Balneário, mas a maioria mora na Argentina e em Miami, por isso nos vemos por vídeo. O celular é indispensável pra mim”, explica.

Ly, como é conhecida, salienta que se dedicou nessa quarentena a se relacionar com as pessoas através do WhatsApp e que inclusive tenta dar apoio psicológico a amigos, tanto brasileiros quanto argentinos, porque sabe que apesar de que não foi tão afetada pelo Covid-19, há muitas pessoas que foram.

“Escuto pessoas, amigos e conhecidos. É um projeto pessoal que tenho. Converso com muita gente, ajudar é algo que faço, vejo que é uma corrente do bem. Eu faço o bem e a vida vai devolver”, afirma, acrescentando que tem esperança de que a vacina sairá logo e que até o final do ano tudo estará ‘quase normal’.

“Os idosos vivem muito bem em Balneário, as aulas online da SPI são ótimas também. Eu não faço todos os dias, mas às vezes sim. Aqui a política pública é muito ampla, há muitas coisas para a terceira idade. Antes as pessoas achavam que quem tem 60 anos era velho, e na verdade temos muita vida pela frente”, finaliza.


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“Se não faço atividades, enlouqueço”

A aposentada Rosana Jussara de Oliveira, 61 anos, é curitibana e mora em Balneário há 15 anos, com a mãe, que tem 84 anos. Ela conta que quando começou a quarentena sentiu-se ‘meio sem rumo’, pois frequentava diariamente a SPI, onde fazia aulas de ginástica, dança, além de jogar bingo e passear com os amigos da secretaria.

“Fiquei triste, nos sentimos solitários. As aulas online ajudaram, pois acabamos tendo contato diário novamente. Sou do Balanço das Ondas e também participamos de festival online, o Costão em Dança, e nesta quinta (1º) temos um festival de Blumenau, também online”, explica.

Rosana opina que as atividades são muito importantes para a saúde física e mental.

“Se eu não faço, enlouqueço (risos). Tem também o Café Terapia, as psicólogas são ótimas, ajudam muito. A SPI não esqueceu dos idosos, continuam presentes nas nossas vidas”, diz.

A aposentada sai somente para apoiar a mãe, que teve câncer, e inclusive vai ao médico por ela.

“No começo eu me ocupava muito limpando a casa, mas tudo cansa (risos). Vou também na farmácia e mercado quando precisa. Tenho uma filha que mora em SP, fazemos chamada de vídeo, e um filho de Itajaí, mas só nos vemos de longe. Isso tem sido muito triste, mas acredito que a vacina sairá em janeiro, tenho muita fé nisso, e até março teremos o nosso ‘novo normal’. Sinto muita falta de abraçar e estar realmente perto de todos”, destaca.


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Rainha da Terceira Idade e assistente jurídica: “Abracei a causa”

Beatriz Rodrigues Campos, tem 76 anos ‘muito bem vividos’ – como ela mesma define. Nascida em Minas Gerais, viveu 62 anos no Rio de Janeiro e mora há quatro em Balneário. Beatriz foi por 35 anos advogada e 15 professora. Logo que se mudou para Balneário, em 2017, se apaixonou pela cidade e pela Secretaria da Pessoa Idosa e ‘abraçou a causa’, logo se oferecendo para apoiar como assistente jurídica. Ela foi também Rainha da Terceira Idade (mandato até 2018).

“Muitos casos apareceram, fico triste porque há muitos filhos querendo os imóveis dos pais em Balneário. Mesmo com a pandemia, não deixo de pensar e trabalhar por eles. Há muitos que estão sozinhos, que dependiam de transporte público e estamos sem ônibus e Bondindinho. Há idosos que não possuem condição de ficar usando Uber”, relata.

Dona Bia reside com a filha, que é fisioterapeuta da prefeitura, e com o genro, que possui uma construtora em Tijucas. Como os dois trabalham o dia todo, ela cuida dos netos.

“Estudo com eles, faço as tarefas de casa. Vejo que é muito importante o convívio nosso, dos idosos, com as crianças. Não posso reclamar da quarentena, porque pra mim foi uma benção. Minha única reclamação é sobre esse tal grupo de risco. Sou idosa, mas não sou grupo de risco. Sou do grupo especial. Não podemos aceitar esse nome (risos)”, conta.

A aposentada também segue rotina de alongamento e aulas de dança, mesmo em casa preza por se exercitar, junto das lives realizadas pela SPI, explicando que ‘não pode enferrujar’, mas que mesmo estando em casa não para.

“Faço comida para os meus netos. Tudo é vida e alegria. No dia que a faxineira vem, eu aproveito para resolver algumas coisas, como ir ao banco. Tenho uma neta que me deu um bisnetinho e mora em Criciúma, então quinzenalmente vamos até lá, e ela também vem para matar a saudade da Dubai brasileira (risos). Uma coisa que sinto falta é de festa. Eu adoro e agora não está podendo acontecer. Sinto saudade também de abraçar apertado, de estar junto”, comenta.

Beatriz e família


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Odete preside grupo de dança e faz tricô: “Sinto falta das aulas presenciais”

A aposentada Odete Aparecida Muniz, 73 anos, é lageana, mas reside em Balneário há nove anos. Ela foi, durante dois anos, professora de voleibol para a terceira idade através da Fundação Municipal de Esportes e atualmente preside o grupo de dança Balanço das Ondas.

“A pandemia afetou em parte a minha rotina, pela ausência das aulas presenciais de dança, e, pelo isolamento social, que foi a nossa maior barreira. Embora a tecnologia tenha contribuído para amenizar a situação, não me permitindo despertar sentimentos de solidão, estresse e ansiedade”, explica, comentando que sente falta das aulas presenciais, já que os movimentos de uma coreografia estimulam o cérebro a pensar, contribuindo sensivelmente para a qualidade de vida e saúde.

Em casa, Odete faz trabalhos manuais em tricô, como sapatos, meias e gorros, com a colaboração de amigas que integram o Balanço das Ondas, Jussara e Marissônia.

“Já entregamos produções no Lar dos Idosos, no Hospital Pequeno Anjo, de Itajaí e na Rede Feminina de Combate ao Câncer, sendo tudo doado em nome do Balanço”, conta.

A aposentada também gosta de assistir missas pela TV, afirmando que nutre uma crença que consiste em equilíbrio na conexão mente e corpo.

A presidente do Balanço aproveita para citar que, apesar de Balneário fazer bastante pelos idosos, ainda há muito para se melhorar, como a importância de ampliar as políticas públicas que insiram a terceira idade no mercado de trabalho.

“Aproveito a época, que é oportuna, sugerindo a nova administração que seja criado o Fundo Municipal para o Idoso, com doações de pessoas físicas e jurídicas, com o devido desconto no Imposto de Renda. Assim para o Balanço das Ondas poderão ser disponibilizados valores necessários, pois muito bem sempre representamos o município. Em 21 anos de existência, o Grupo ainda não foi privilegiado com nenhuma subvenção. Também que seja construído o Centro do Idoso com toda a estrutura necessária, além da Vila do Idoso Dignidade em Viver, com a construção de conjuntos habitacionais”, finaliza.


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Dona Eulina: amor pela música a inspira a seguir na quarentena

A cantora Eulina Ladewig Silveira, 90 anos, é fundadora do grupo Seresteiros de Balneário Camboriú, sendo bastante conhecida na cidade. Ela conta que a pandemia afetou a sua vida completamente e que desde março está dentro de casa – somente nessas últimas semanas saiu para almoçar durante o final de semana. Em 14 de março ela viajou de cruzeiro pela costa brasileira com a família, quando todos, inclusive ela, pegou Covid-19.

“Vim muito fraca, muito cansada. Pedi para o meu filho me levar no médico, e ele não disse que estava desconfiado que eu estava com Covid, mas me recomendou vacina para gripe e pneumonia. Fiquei uma semana em casa de repouso, e não tinha disposição para andar nem dentro de casa, fiquei de cama, mas não tive febre e nem dores, só um grande cansaço”, relembra.

Depois de dois meses, Eulina refez o exame e foi confirmado que ela havia tido Covid, mas sua imunidade já estava boa. A rotina dela agora é cozinhar, descansar e trabalhar em um projeto que está fazendo para festejar seus 90 anos – quando puder fazer, será no Teatro Bruno Nitz, uma retrospectiva de sua vida em Balneário.

“Faço atividade respiratória, orientada pelo meu filho, e fazemos todos os dias, para que eu não perca a minha capacidade pulmonar e conseguir cantar. Ser idosa não é fácil, mas em Balneário Camboriú é um privilégio, aqui tem muita opção para os idosos, começando pela praia para se andar, apanhar sol, tomar banho de mar, conversar com os amigos. Há muitos lugares bons para nos encontrarmos, sei que há salões para idosos dançarem. Eu nunca fui, mas sei que tem”, conta.

Os hobbies dela são todos ligados a música, e ela gosta de assistir apresentações que fez, assim como ver reportagens em jornais e revistas – inclusive o Página 3, já que agora não está podendo se apresentar pela cidade, como costumava fazer: nos últimos cinco anos ela se apresentava regularmente na Praça da Cultura, que fica atrás do Atlântico Shopping. Enquanto ela cantava, todos dançavam. A última vez que ela se apresentou lá foi em 7 de março.

“Tenho muita saudade e tenho fé de voltar o mais breve possível, ali me encontrava com muitas pessoas que iam me ver. Era muito lindo. A música sempre me ajudou e me ajuda a viver feliz. Quando eu era mais nova eu cantava acompanhando a radiola, violão solado também e eu acompanhava. Hoje não canto mais em casa sozinha, não tenho esse prazer mais. Gosto de cantar quando tem público, mas acho que vou morrer gostando de cantar, e peço a Deus que não tire a minha voz, para eu cantar enquanto eu tiver vida”, pontua.

Hoje, Eulina faz lives com amigos toda semana, mas comenta que prefere muito mais apresentações ao vivo, com plateia.

“Lives é o que temos hoje, mas acho um pouco triste. A gente canta sozinha. Vendo as pessoas na plateia, vendo que estão gostando, é empolgante”, opina.



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