Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Especial
Violência contra a mulher: casos aumentaram durante a pandemia em Balneário Camboriú

Desde 17 de março, 632 vítimas foram atendidas.

Terça, 2/6/2020 17:01.

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Em tempos de pandemia de Coronavírus, muitas mulheres têm enfrentado outro inimigo comum em Balneário Camboriú: a violência doméstica. Segundo dados do Abraço a Mulher, programa de proteção à mulheres vítimas de violência doméstica, os atendimentos aumentaram em 30%. Desde 17 de março, 632 vítimas foram atendidas. A Polícia Civil também foi consultada pela reportagem e o órgão acredita que o aumento corresponde não somente por conta da quarentena, mas no ano de 2020 em si – comparando com 2019.

“A sociedade também precisa agir”

Inara Danielle Marques Drapalski, delegada responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Balneário Camboriú

“Há relatos de violência doméstica por conta da pandemia, a ‘aproximação forçada’ entre casais tem aumentado um pouco o número de casos, mas percebemos que o maior aumento de denúncias vem também pela informação disponibilizada para as mulheres, que estão mudando a forma que se veem na sociedade e entendem que a violência doméstica não pode ser ignorada, percebem que a grosseria não é normal. Antes essas situações eram mais veladas, era algo consentido; a mulher até se culpava, e hoje veem que não que um relacionamento não é sobre forçar o outro. Há casos de agressão física, mas a psicológica é a principal, que engloba ameaça, injúria. Há casos em todas as classes sociais, mas os que chegam até nós são em sua maioria da classe média-baixa, mas a violência pode acontecer em todas as famílias. A principal faixa etária de vítimas são mulheres entre 25 e 40 anos, mas também há casos de adolescentes de 13, 14 anos que já estão com problemas de namoro. Vejo que é muito importante desmistificar, conscientizar a mulher do papel que ela representa, e aí entra a importância das campanhas feitas através das redes sociais, por exemplo. Em maio instauramos 40 procedimentos, mas o número de denúncias que recebemos a cada mês varia entre 50 e 60; acontece também da mulher às vezes não querer seguir com a denúncia. A cada dia as mulheres estão percebendo que não podem deixar quieto, que a violência que sofrem não é normal. As denúncias que recebemos chegam até nós através dos números 181, 180 e 100, e então encaminhamos para a equipe de investigação, que entra em contato com as vítimas. É mais difícil denúncias chegarem de terceiros, mas acontece também. A sociedade também precisa agir, mas ainda há aquela questão cultural de não querer se meter. Mas você vai deixar a pessoa morrer por não querer se meter? É importante estar sempre de olho, se aproximar, oferecer ajuda. A Polícia Civil está sempre à disposição. Pedimos que, quando denunciar, faça com riqueza de detalhes. Apresente provas, testemunhas, prints de celular ajudam muito, se tiver filmagens também. Tudo facilita o trabalho da polícia”.

“Está havendo um fortalecimento grande da rede de proteção”

Tássia Bruna Carvalho, Inspetora da Guarda Municipal, que conta com o Grupo de Proteção às Mulheres (GPM)

“A violência doméstica não pode ser denunciada online (através do registro de boletim de ocorrência), mas a vítima pode colocar ameaça, por exemplo, e alterar na delegacia presencialmente. De março até agora emitimos 30 medidas protetivas, algumas foram solicitadas antes da pandemia e deferidas agora, mas a maioria são recentes. 49 mulheres estão sendo assistidas pelo GPM, que as acompanha frequentemente por ligações e WhatsApp e as apoia em casos de emergência (descumprimento da medida protetiva, caso o agressor vá até a casa dela, por exemplo). Houve dois casos de descumprimento de medida, e semana passada a Guarda Municipal conseguiu prender um homem em flagrante. A vítima nos enviou mensagem, falando que o agressor estava em frente da casa dela, e conseguimos detê-lo. Para o programa Abraço a Mulher encaminhamos recentemente 23 mulheres, que estão recebendo acompanhamento psicológico, além de encaminhamentos para o OAB Por Elas e apoio da Inclusão Social, já que muitas mulheres estão passando por dificuldades financeiras neste momento. Há casos de atendimentos de ocorrência que na hora a vítima desiste de denunciar, falam que foi só um atrito, mas está havendo um fortalecimento grande da rede de proteção, e isso faz as mulheres se sentirem mais seguras, e assim denunciam mais. Queremos que elas saibam que elas podem contar com o nosso Grupo, iremos apoiá-las, acompanhá-las. A nossa rede é bem extensa e efetiva no trabalho, apesar de estarmos com o Grupo só há três meses já temos uma demanda bem grande. As mulheres podem nos procurar diretamente, em caso de ocorrência que está acontecendo pedimos que liguem para o 153 (24h, todos os dias) e se não é no momento, mas precisam de apoio 9982-2275 (contato direto do Grupo de Proteção)”.

“Se você sente que está em uma relação tóxica conte conosco”

Programa oferece conforto à mulher

Christina Barichello, secretária de Inclusão Social de Balneário Camboriú, que coordena o programa Abraço a Mulher

“Os nossos atendimentos aumentaram em 30% durante a pandemia, principalmente nos primeiros 40 dias de isolamento social. Percebemos que os casais não eram acostumados a ficar tanto tempo confinados, foi quase um Big Brother da vida real. Os conflitos que já existiam, por exemplo, foram evidenciados. Tivemos algumas dificuldades porque algumas mulheres que em situações do tipo procurariam apoio dos familiares não conseguiram, já que os ônibus não estão funcionando. Algumas ficaram nos nossos abrigos. Conseguimos atender todas. Nesse tempo, atendemos mais de 600 casos. O atendimento não parou em nenhum momento, com grupos terapêuticos online (já voltou a ser presencial, mas algumas mulheres preferiram seguir online) e emergenciais de forma presencial, na hora que somos chamados, atuando na contenção da violência. Continuamos trabalhando 24h todos os dias. A violência psicológica é o nosso principal atendimento, é a que se sobrepõe, como ameaças, até ameaça de morte, além também de violência física e patrimonial. Geralmente quando é somente psicológica a mulher demora mais para denunciar, mas é, na minha opinião, uma das mais destrutivas. Abala a autoestima e não é só contra a mulher, afeta os filhos, a família toda. Denúncias podem ser feitas ao 9982-1906. Vejo que a violência contra a mulher é algo que também está se modificando, a prova é que atendemos muitos casos patrimoniais. Mudou o perfil marido e mulher, há muitas relações tóxicas que o homem usufrui de seu poder de manipulação para se apropriar do patrimônio financeiro da mulher. Peço que as mulheres não deixem chegar no extremo, peça ajuda antes e se fortaleça, se você sente que está em uma relação tóxica conte conosco, temos terapia e grupos para te ajudar. Nosso programa é público e gratuito, para todas as mulheres de Balneário Camboriú”.


DENÚNCIAS

  • Polícia Civil: números 181, 180 e 100
  • Polícia Militar: 190
  • Guarda Municipal 153 e 9982-2275 (esse direto no Grupo de Proteção)
  • Abraço a Mulher: 99982-1906


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Página 3

Violência contra a mulher: casos aumentaram durante a pandemia em Balneário Camboriú

Desde 17 de março, 632 vítimas foram atendidas.

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Terça, 2/6/2020 17:01.

Em tempos de pandemia de Coronavírus, muitas mulheres têm enfrentado outro inimigo comum em Balneário Camboriú: a violência doméstica. Segundo dados do Abraço a Mulher, programa de proteção à mulheres vítimas de violência doméstica, os atendimentos aumentaram em 30%. Desde 17 de março, 632 vítimas foram atendidas. A Polícia Civil também foi consultada pela reportagem e o órgão acredita que o aumento corresponde não somente por conta da quarentena, mas no ano de 2020 em si – comparando com 2019.

“A sociedade também precisa agir”

Inara Danielle Marques Drapalski, delegada responsável pela Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Balneário Camboriú

“Há relatos de violência doméstica por conta da pandemia, a ‘aproximação forçada’ entre casais tem aumentado um pouco o número de casos, mas percebemos que o maior aumento de denúncias vem também pela informação disponibilizada para as mulheres, que estão mudando a forma que se veem na sociedade e entendem que a violência doméstica não pode ser ignorada, percebem que a grosseria não é normal. Antes essas situações eram mais veladas, era algo consentido; a mulher até se culpava, e hoje veem que não que um relacionamento não é sobre forçar o outro. Há casos de agressão física, mas a psicológica é a principal, que engloba ameaça, injúria. Há casos em todas as classes sociais, mas os que chegam até nós são em sua maioria da classe média-baixa, mas a violência pode acontecer em todas as famílias. A principal faixa etária de vítimas são mulheres entre 25 e 40 anos, mas também há casos de adolescentes de 13, 14 anos que já estão com problemas de namoro. Vejo que é muito importante desmistificar, conscientizar a mulher do papel que ela representa, e aí entra a importância das campanhas feitas através das redes sociais, por exemplo. Em maio instauramos 40 procedimentos, mas o número de denúncias que recebemos a cada mês varia entre 50 e 60; acontece também da mulher às vezes não querer seguir com a denúncia. A cada dia as mulheres estão percebendo que não podem deixar quieto, que a violência que sofrem não é normal. As denúncias que recebemos chegam até nós através dos números 181, 180 e 100, e então encaminhamos para a equipe de investigação, que entra em contato com as vítimas. É mais difícil denúncias chegarem de terceiros, mas acontece também. A sociedade também precisa agir, mas ainda há aquela questão cultural de não querer se meter. Mas você vai deixar a pessoa morrer por não querer se meter? É importante estar sempre de olho, se aproximar, oferecer ajuda. A Polícia Civil está sempre à disposição. Pedimos que, quando denunciar, faça com riqueza de detalhes. Apresente provas, testemunhas, prints de celular ajudam muito, se tiver filmagens também. Tudo facilita o trabalho da polícia”.

“Está havendo um fortalecimento grande da rede de proteção”

Tássia Bruna Carvalho, Inspetora da Guarda Municipal, que conta com o Grupo de Proteção às Mulheres (GPM)

“A violência doméstica não pode ser denunciada online (através do registro de boletim de ocorrência), mas a vítima pode colocar ameaça, por exemplo, e alterar na delegacia presencialmente. De março até agora emitimos 30 medidas protetivas, algumas foram solicitadas antes da pandemia e deferidas agora, mas a maioria são recentes. 49 mulheres estão sendo assistidas pelo GPM, que as acompanha frequentemente por ligações e WhatsApp e as apoia em casos de emergência (descumprimento da medida protetiva, caso o agressor vá até a casa dela, por exemplo). Houve dois casos de descumprimento de medida, e semana passada a Guarda Municipal conseguiu prender um homem em flagrante. A vítima nos enviou mensagem, falando que o agressor estava em frente da casa dela, e conseguimos detê-lo. Para o programa Abraço a Mulher encaminhamos recentemente 23 mulheres, que estão recebendo acompanhamento psicológico, além de encaminhamentos para o OAB Por Elas e apoio da Inclusão Social, já que muitas mulheres estão passando por dificuldades financeiras neste momento. Há casos de atendimentos de ocorrência que na hora a vítima desiste de denunciar, falam que foi só um atrito, mas está havendo um fortalecimento grande da rede de proteção, e isso faz as mulheres se sentirem mais seguras, e assim denunciam mais. Queremos que elas saibam que elas podem contar com o nosso Grupo, iremos apoiá-las, acompanhá-las. A nossa rede é bem extensa e efetiva no trabalho, apesar de estarmos com o Grupo só há três meses já temos uma demanda bem grande. As mulheres podem nos procurar diretamente, em caso de ocorrência que está acontecendo pedimos que liguem para o 153 (24h, todos os dias) e se não é no momento, mas precisam de apoio 9982-2275 (contato direto do Grupo de Proteção)”.

“Se você sente que está em uma relação tóxica conte conosco”

Programa oferece conforto à mulher

Christina Barichello, secretária de Inclusão Social de Balneário Camboriú, que coordena o programa Abraço a Mulher

“Os nossos atendimentos aumentaram em 30% durante a pandemia, principalmente nos primeiros 40 dias de isolamento social. Percebemos que os casais não eram acostumados a ficar tanto tempo confinados, foi quase um Big Brother da vida real. Os conflitos que já existiam, por exemplo, foram evidenciados. Tivemos algumas dificuldades porque algumas mulheres que em situações do tipo procurariam apoio dos familiares não conseguiram, já que os ônibus não estão funcionando. Algumas ficaram nos nossos abrigos. Conseguimos atender todas. Nesse tempo, atendemos mais de 600 casos. O atendimento não parou em nenhum momento, com grupos terapêuticos online (já voltou a ser presencial, mas algumas mulheres preferiram seguir online) e emergenciais de forma presencial, na hora que somos chamados, atuando na contenção da violência. Continuamos trabalhando 24h todos os dias. A violência psicológica é o nosso principal atendimento, é a que se sobrepõe, como ameaças, até ameaça de morte, além também de violência física e patrimonial. Geralmente quando é somente psicológica a mulher demora mais para denunciar, mas é, na minha opinião, uma das mais destrutivas. Abala a autoestima e não é só contra a mulher, afeta os filhos, a família toda. Denúncias podem ser feitas ao 9982-1906. Vejo que a violência contra a mulher é algo que também está se modificando, a prova é que atendemos muitos casos patrimoniais. Mudou o perfil marido e mulher, há muitas relações tóxicas que o homem usufrui de seu poder de manipulação para se apropriar do patrimônio financeiro da mulher. Peço que as mulheres não deixem chegar no extremo, peça ajuda antes e se fortaleça, se você sente que está em uma relação tóxica conte conosco, temos terapia e grupos para te ajudar. Nosso programa é público e gratuito, para todas as mulheres de Balneário Camboriú”.


DENÚNCIAS

  • Polícia Civil: números 181, 180 e 100
  • Polícia Militar: 190
  • Guarda Municipal 153 e 9982-2275 (esse direto no Grupo de Proteção)
  • Abraço a Mulher: 99982-1906

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