Jornal Página 3
Maio Amarelo: média de acidentes com vítima é altíssima em Balneário Camboriú
Divulgação
Acidentes por imprudência dos motoristas são diários.
Acidentes por imprudência dos motoristas são diários.

Por Daniele Sisnandes

O trânsito de Balneário Camboriú enfrenta um panorama preocupante. Com ruas cada vez mais disputadas e uma infraestrutura de mobilidade que não acompanha a evolução da demanda, os acidentes e infrações se multiplicam. Hoje a taxa de acidentes com vítimas na cidade é altíssima, o que está levando o município a investir em estratégias.

Mancha de sangue

O Maio Amarelo é um movimento que engloba diversos órgãos e segmentos da sociedade para chamar a atenção para a segurança viária, mais que isso, é um movimento em prol da vida.

Não é exagero. Conforme informações da Polícia Militar, no ano passado foram registrados em Boletins de Ocorrência um total de 2.379 acidentes de trânsito em Balneário Camboriú. São mais de seis por dia.

Eles se dividem em: 1.794 acidentes de trânsito apenas com danos materiais e 585 acidentes de trânsito com vítima de lesão corporal, o que é considerada uma taxa altíssima de 24,5%, onde um em cada quatro acidentes é considerado com vítimas.

De acordo com o diretor do Departamento de Trânsito Carlos Santi o Centro é o bairro onde mais ocorrem os acidentes, justamente pela densidade de ocupação, que “é maior do que a da cidade de São Paulo, segundo os levantamentos do Plano de Mobilidade Urbana”. Logo em seguida aparece a Vila Real, que vem recebendo diversas interferências a pedido da comunidade.

Aliás, o que mais chega ao Departamento de Trânsito são solicitações de interferências (são de dois a quatro pedidos por semana!). Santi conta que se fossem instaladas todas as travessias elevadas que são reivindicadas pelos moradores, Balneário seria capital desse tipo de dispositivo, com pelo menos uma a cada quadra.

O que chama a atenção é que mesmo com tantas travessias já instaladas (são centenas) e um sistema complexo de fiscalização eletrônica, os números de multas e infrações ainda sejam tão altos.

Falando em radares…

Conforme Santi, dirigir acima da velocidade permitida é a infração campeã, seguida por estacionar em local proibido. “O pessoal olha ‘mas não vê’ as placas”, pontua. Em terceiro aparece conduzir falando ao celular, o que é tão perigoso quanto dirigir embriagado.

A velocidade é o fator preponderante da gravidade dos acidentes. Apesar das críticas sobre os limites de velocidade dentro do município, a probabilidade de morte despenca se o motorista dirigir dentro da lei.

Veja o gráfico abaixo:

 

O setor de Trânsito considera a fiscalização importante, mas valoriza a educação, por isso, em vez de aumentar o número de radares planeja diminuí-lo, ampliar os sensores nos semáforos e investir em campanhas.

“A ampliação se dará muito mais no âmbito das campanhas educativas, pois a fiscalização por si só não surte efeito sem o motorista ter noção do perigo que leva a terceiros ao impor velocidade em seu veículo”, declara o diretor.

Por isso, o município planeja adotar radares estáticos (em tripés) fazendo a fiscalização nos bairros, dentro do âmbito legal preconizado pelo DENATRAN. Antes disso, no entanto, a sinalização da cidade será revista e serão lançadas campanhas intensivas.

A frota só aumenta

Outro fator que o município precisa lidar é o aumento da frota, principalmente de motocicletas. Em 10 anos, ela praticamente dobrou.

Balneário tem hoje mais de 22 mil motos com registros ativos, sem contar as emplacadas em municípios vizinhos e que circulam por aqui diariamente.

Apesar de serem submetidos às mesmas regras que os automóveis, muitos motociclistas usam da mobilidade facilitada para manobras arriscadas como conversões proibidas e circulação em corredores ou ainda abusar da velocidade, o que aumenta os riscos do tráfego diário.

No final do ano passado um desses encontros terminou em fatalidade. Um empresário de 86 anos e o cachorro dele foram atropelados e mortos por um mototaxista quando atravessavam uma faixa de segurança na Terceira Avenida.

Falta bom senso

O desrespeito às normas de trânsito demonstram uma clara falta de bom senso dos condutores, não só com os outros, mas consigo mesmos. Só para ilustrar, entre as principais infrações registradas pelos agentes em 2017 está dirigir sem o cinto de segurança.

“A conscientização é a principal chave, muito maior do que a multa. Nossa meta é com as duas frentes (Fiscalização e Educação para conscientização) cortar em 2018 em pelo menos 30% o número de acidentes com fatalidade na cidade”, adiantou Santi.

As ações não se restringem ao Maio Amarelo. Este ano o Departamento de Trânsito já realizou inclusive reunião com as autoescolas de Balneário para pedir melhor qualificação dos condutores, tanto dos novos como dos que estão se reciclando.


Página 3

Maio Amarelo: média de acidentes com vítima é altíssima em Balneário Camboriú

Divulgação
Acidentes por imprudência dos motoristas são diários.
Acidentes por imprudência dos motoristas são diários.

Por Daniele Sisnandes

O trânsito de Balneário Camboriú enfrenta um panorama preocupante. Com ruas cada vez mais disputadas e uma infraestrutura de mobilidade que não acompanha a evolução da demanda, os acidentes e infrações se multiplicam. Hoje a taxa de acidentes com vítimas na cidade é altíssima, o que está levando o município a investir em estratégias.

Mancha de sangue

O Maio Amarelo é um movimento que engloba diversos órgãos e segmentos da sociedade para chamar a atenção para a segurança viária, mais que isso, é um movimento em prol da vida.

Não é exagero. Conforme informações da Polícia Militar, no ano passado foram registrados em Boletins de Ocorrência um total de 2.379 acidentes de trânsito em Balneário Camboriú. São mais de seis por dia.

Eles se dividem em: 1.794 acidentes de trânsito apenas com danos materiais e 585 acidentes de trânsito com vítima de lesão corporal, o que é considerada uma taxa altíssima de 24,5%, onde um em cada quatro acidentes é considerado com vítimas.

De acordo com o diretor do Departamento de Trânsito Carlos Santi o Centro é o bairro onde mais ocorrem os acidentes, justamente pela densidade de ocupação, que “é maior do que a da cidade de São Paulo, segundo os levantamentos do Plano de Mobilidade Urbana”. Logo em seguida aparece a Vila Real, que vem recebendo diversas interferências a pedido da comunidade.

Aliás, o que mais chega ao Departamento de Trânsito são solicitações de interferências (são de dois a quatro pedidos por semana!). Santi conta que se fossem instaladas todas as travessias elevadas que são reivindicadas pelos moradores, Balneário seria capital desse tipo de dispositivo, com pelo menos uma a cada quadra.

O que chama a atenção é que mesmo com tantas travessias já instaladas (são centenas) e um sistema complexo de fiscalização eletrônica, os números de multas e infrações ainda sejam tão altos.

Falando em radares…

Conforme Santi, dirigir acima da velocidade permitida é a infração campeã, seguida por estacionar em local proibido. “O pessoal olha ‘mas não vê’ as placas”, pontua. Em terceiro aparece conduzir falando ao celular, o que é tão perigoso quanto dirigir embriagado.

A velocidade é o fator preponderante da gravidade dos acidentes. Apesar das críticas sobre os limites de velocidade dentro do município, a probabilidade de morte despenca se o motorista dirigir dentro da lei.

Veja o gráfico abaixo:

 

O setor de Trânsito considera a fiscalização importante, mas valoriza a educação, por isso, em vez de aumentar o número de radares planeja diminuí-lo, ampliar os sensores nos semáforos e investir em campanhas.

“A ampliação se dará muito mais no âmbito das campanhas educativas, pois a fiscalização por si só não surte efeito sem o motorista ter noção do perigo que leva a terceiros ao impor velocidade em seu veículo”, declara o diretor.

Por isso, o município planeja adotar radares estáticos (em tripés) fazendo a fiscalização nos bairros, dentro do âmbito legal preconizado pelo DENATRAN. Antes disso, no entanto, a sinalização da cidade será revista e serão lançadas campanhas intensivas.

A frota só aumenta

Outro fator que o município precisa lidar é o aumento da frota, principalmente de motocicletas. Em 10 anos, ela praticamente dobrou.

Balneário tem hoje mais de 22 mil motos com registros ativos, sem contar as emplacadas em municípios vizinhos e que circulam por aqui diariamente.

Apesar de serem submetidos às mesmas regras que os automóveis, muitos motociclistas usam da mobilidade facilitada para manobras arriscadas como conversões proibidas e circulação em corredores ou ainda abusar da velocidade, o que aumenta os riscos do tráfego diário.

No final do ano passado um desses encontros terminou em fatalidade. Um empresário de 86 anos e o cachorro dele foram atropelados e mortos por um mototaxista quando atravessavam uma faixa de segurança na Terceira Avenida.

Falta bom senso

O desrespeito às normas de trânsito demonstram uma clara falta de bom senso dos condutores, não só com os outros, mas consigo mesmos. Só para ilustrar, entre as principais infrações registradas pelos agentes em 2017 está dirigir sem o cinto de segurança.

“A conscientização é a principal chave, muito maior do que a multa. Nossa meta é com as duas frentes (Fiscalização e Educação para conscientização) cortar em 2018 em pelo menos 30% o número de acidentes com fatalidade na cidade”, adiantou Santi.

As ações não se restringem ao Maio Amarelo. Este ano o Departamento de Trânsito já realizou inclusive reunião com as autoescolas de Balneário para pedir melhor qualificação dos condutores, tanto dos novos como dos que estão se reciclando.