Jornal Página 3
Especial sustentabilidade: o sucesso das iniciativas depende da comunidade

Por Caroline Cezar

O Instituto Eco Cidadão, com sede no Estaleirinho, levou um grupo de 15 pessoas a Florianópolis para conhecer de perto alguns pontos da Agricultura Urbana da cidade, com foco principal nos sistemas de compostagem. A viagem aconteceu no final de setembro e foi a segunda etapa do Circuito Ecológico Reciclagem, que iniciou com uma palestra em Taquaras. 

Viagem de campo para inspirar práticas locais

A ideia é que essas pessoas vissem de perto diferentes métodos a fim de trazer para sua comunidade práticas ligadas à destinação de resíduos. O grupo tinha representantes das praias agrestes e associação quilombola, horta comunitária do Estaleiro, professores da rede pública e particular, cozinheiro de escola, artista, jornalista, ecologista, engenheiro ambiental, funcionário público, terapeuta, formando assim uma rede diversificada de atuação, com foco principal na região da APA. Muitos deles já tinham projetos e ações ligadas ao tema.

“Queremos transformar a APA numa região modelo, temos tudo para alcançar essa meta de Lixo Zero até 2020”, comentou Luciana Andrea, do Eco Cidadão. “Aqui mesmo somos o exemplo vivo de compostagem, um monte de gente diferente misturada, para brotarem coisas novas”, brincou Deodoro Hermes, que há anos trabalha com iniciativas ambientais em BC.

O percurso foi Hotel Sesc Cacupé; a Comcap e o Museu do Lixo, da prefeitura; o Parque Ecológico Córrego Grande/ Família Casca; o Jardim Botânico e a Horta Comunitária PACUCA. O grupo foi acompanhado por uma representante da Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis.

Em todos os pontos fica claro que compostar o lixo -transformar restos de comida e cascas que iriam para o lixão em adubo orgânico- acaba trazendo como consequência outras práticas sustentáveis: captação de água da chuva, para usar no próprio campo de compostagem e nas hortas; a produção de alimentos orgânicos, adubo e biofertilizantes naturais; uma atenção maior para a destinação correta de todo tipo de resíduos, e principalmente, o forte envolvimento comunitário, causando assim um verdadeiro movimento de transformação social.


A unidade do Sesc Cacupé funciona como um modelo bem sucedido de destinação de resíduos, na iniciativa privada. A unidade transforma em adubo cerca de sete toneladas de lixo por mês gerados nos restaurantes, através do sistema de compostagem da UFSC, como é popularmente conhecido, que são leiras termofílicas, de aeração passiva. São feitas várias camadas, começando por galhos e podas, palha, restos de comida, e serragem; é importante cobrir bem para evitar insetos e gerar calor. O interior da leira chega a alcançar 70 graus. O campo de compostagem do SESC tem cerca de dez leiras, captação de água da chuva, separação do biofertilizante e produção de adubo, que é usado na própria horta e jardins do SESC e distribuído à comunidade. Estudantes da UFSC fazem estágios no local, que com frequência promove ações sociais, oficinas, palestras e visitas para compartilhar a experiência.


No Campeche, desde 2015, funciona a horta comunitária Pacuca - Parque Cultural do Campeche: a ideia nasceu no centro comunitário. Sem dinheiro. Sem escala. Com cerca de 12 voluntários, e envolvimento comunitário, que leva restos orgânicos para compostar, e recebe em troca alimentos ou adubo. O surfista veterano Ataíde, um dos pilares da Pacuca, com fala rústica e braços queimados do sol, dá a dica: “Horta comunitária é uma maneira sustentável de ocupar áreas públicas, garantir que não vai sair mais um prédio. Igual a essa, tem mais umas dez hortas espalhadas em Florianópolis, mas podia ter bem mais. Só tem que fazer: os camaradas fazem 15 reuniões em 12 anos pra fazer uma horta… pega na enxada e vai”, simplifica Ataíde, indicando que a prática é o melhor caminho pra começar. O efeito social das hortas comunitárias é sempre potente, um processo de transformação social: traz mudança de postura, faz repensar o lixo, de onde vem e pra onde vai, aproxima do plantio e da colheita, dos ciclos naturais da terra e do alimento, resgata as relações sociais e influencia em todo entorno.


No Jardim Botânico de Florianópolis, há um Pátio Didático de Reciclagem Orgânica, com demonstração de diferentes maneiras de fazer compostagem, minhocário, horta medicinal, e um modelo de agrofloresta, onde as espécies crescem misturadas, como acontece na natureza.


 Antes de governos, políticas públicas, instituições, estão as pessoas. São as pessoas que fazem as mudanças. Pessoas determinadas nos lugares certos podem transformar a realidade ao seu redor. Pessoas que compartilham sua prática, que não ficam esperando, que tomam iniciativa, que usam o que tem e como podem. 

Há pessoas assim nos setores públicos, na vizinhança, nas escolas públicas e particulares, nas cozinhas, hospitais e nas ruas, nas mais diversas funções e atividades. Muitas vezes são silenciosos, não tem interesse que seu trabalho apareça, e sim aconteça. Às vezes nem percebem o tanto que fazem, e como isso repercute. Muitas e na maioria das vezes, não tem dinheiro, ou se tem, é pouco. Faz como dá, pede um apoio aqui e ali, leva algo de casa, inventa uma alternativa, cria, transforma.

Um governo alinhado olha pra essas iniciativas e endossa, porque vê que funciona, principalmente como agente social. E nasce espontâneo, original, de uma necessidade/ percepção de um grupo e que pode servir de exemplo ou modelo para outros.


Compostagem e horta orgânica na escola

 

A professora de Ciências Zeli Porto da Rosa, da escola municipal Dona Lili, da Barra, participou da viagem a Florianópolis e contou um pouco da experiência que já acontece na escola desde fevereiro, e como isso desperta o interesse e envolvimento dos alunos.

O tema Lixo Zero na Cozinha do CEM Dona Lili, com Compostagem e Horta Pedagógica Sustentável foi trabalhado do primeiro ao nono ano. “A melhor maneira de entender e contribuir para minimizar a poluição do meio ambiente seria começar pela separação do lixo produzido na própria cozinha da escola. A compostagem elimina mais da metade dos resíduos, sem falar que o lixo que sai fica mais limpo; ao invés de acumular nas lixeiras está melhorando a estrutura do solo”, explica Zeli.

São feitos dois modelos de compostagem: no canteiro e nos galões; os alunos estão sempre participando e colaborando. Na hora do recreio eles fazem a separação do material, lixo seco em um tambor e o orgânico em outro. Pesam o material, registram, depositam na composteira, fazem a cobertura com poda de grama e serragem. Durante a semana eles revolvem a composteira, medem a temperatura, ficam atentos se a mesma exala mau cheiro ou tem proliferação de inseto. Quando a composteira atinge o grau de maturação, eles levam o composto orgânico para fertilizar a horta escolar. O composto orgânico líquido que é apurado na composteira é retirado e colocado em litros para ser diluído com água e irrigar a horta quando for necessário, se chama biofertilizante.

Com a implantação da Horta Pedagógica os alunos participam do ciclo completo do alimento: reduzem o lixo que vai para a lixeira, transformam grande parte em adubo, plantam, cuidam, observam, irrigam, colhem e comem, junto com a merenda escolar. Toda a produção é orgânica, sem uso de agrotóxicos. Recentemente também foi feito um canteiro de plantas medicinais.​


Horta Comunitária do Estaleiro

Há menos de três meses está funcionando na praia do Estaleiro a Horta Comunitária, uma iniciativa que reúne os moradores para plantar, colher e se encontrar num espaço comum. A ideia surgiu de uma conversa na Associação de Moradores e logo nos primeiros encontros tomou vida própria, reunindo pessoas dispostas a ver a ideia brotar. “Esse é o grande segredo, o comprometimento das pessoas”, comenta o presidente da associação, Marcelo Amaral. 

O terreno particular foi emprestado em forma de comodato e ali já foram plantadas mais de 500 mudas, entre árvores frutíferas, batatas, aipim, milho, plantas medicinais, chás, temperos e hortaliças. Tudo que foi usado até então foi conseguido através de apoio e doações dos moradores, e as colheitas são distribuídas entre as pessoas que estão trabalhando juntas. Aos sábados pela manhã acontecem os mutirões e o grupo se divide durante a semana para a manutenção da horta, regas e funções.

Também é feita uma compostagem, com a participação de moradores e da escola, que foram convidados a separar o lixo orgânico e destinar a esse fim.

Não existe hierarquia, nem estatuto, só um grupo de whatsapp para facilitar a comunicação. São em média 40 moradores envolvidos formando uma grande diversidade de saberes: ideias, diferentes formas de manejo, artesanatos, receitas compartilhadas, artes plásticas, música e até construção de brinquedos alternativos, com bambu e madeira, já que sempre há muitas crianças acompanhando e brincando junto. Também com a participação delas, foi feita uma pintura coletiva no muro, e a confecção de uma bernunça, personagem do Boi de Mamão, para a brincadeira musical que também vem acontecendo nesse espaço comum, que em pouco tempo se transformou num importante espaço de convivência do bairro.

Brinquedos alternativos, rodízio comunitário, música, cultura popular,
plantio e colheita: mais que uma horta, um ponto de encontro. 


Instituto Eco Cidadão quer ser unidade modelo

Fábio Vaccaro, da Panacéia, ensinando sobre compostagem na prática: experiência de anos nas iniciativas ambientais o capacita para compartilhar a experiência.

Localizado em um ponto estratégico -na entrada da Rodovia Interpraias, pelo Estaleirinho- está o Instituto Eco Cidadão, que há três anos vem atuando na cidade, sempre alinhado com práticas nacionais sustentáveis, como o programa Lixo Zero, que funciona em todo país. A ideia de Luciana , é transformar o espaço em um modelo, que possa servir de inspiração para espalhar ideias sustentáveis, primeiro na região da APA, e depois para toda cidade, outros municípios e assim por diante.

“Espaços modelos, com captação de água da chuva, tratamento de esgoto sustentável, uso de energia solar, modelos de compostagem e horta orgânica, ideias de reciclagem do lixo, campanhas de recolhimento de eletrônicos, óleo de cozinha, tampinhas; difusão de políticas públicas relacionadas à sustentabilidade; e por aí vai, há muito a ser compartilhado”, diz Luciana Andrea, ressaltando que é fundamental o envolvimento comunitário, e apoio do município e instituições, como o Ministério Público, que desde sempre foi um importante apoiador. 


 

Recolhimento de óleo de cozinha, pilhas usadas, carrinho movido a energia solar, reutilização de materiais, já são realidades no Eco Cidadão. 


 


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Especial sustentabilidade: o sucesso das iniciativas depende da comunidade

Por Caroline Cezar

O Instituto Eco Cidadão, com sede no Estaleirinho, levou um grupo de 15 pessoas a Florianópolis para conhecer de perto alguns pontos da Agricultura Urbana da cidade, com foco principal nos sistemas de compostagem. A viagem aconteceu no final de setembro e foi a segunda etapa do Circuito Ecológico Reciclagem, que iniciou com uma palestra em Taquaras. 

Viagem de campo para inspirar práticas locais

A ideia é que essas pessoas vissem de perto diferentes métodos a fim de trazer para sua comunidade práticas ligadas à destinação de resíduos. O grupo tinha representantes das praias agrestes e associação quilombola, horta comunitária do Estaleiro, professores da rede pública e particular, cozinheiro de escola, artista, jornalista, ecologista, engenheiro ambiental, funcionário público, terapeuta, formando assim uma rede diversificada de atuação, com foco principal na região da APA. Muitos deles já tinham projetos e ações ligadas ao tema.

“Queremos transformar a APA numa região modelo, temos tudo para alcançar essa meta de Lixo Zero até 2020”, comentou Luciana Andrea, do Eco Cidadão. “Aqui mesmo somos o exemplo vivo de compostagem, um monte de gente diferente misturada, para brotarem coisas novas”, brincou Deodoro Hermes, que há anos trabalha com iniciativas ambientais em BC.

O percurso foi Hotel Sesc Cacupé; a Comcap e o Museu do Lixo, da prefeitura; o Parque Ecológico Córrego Grande/ Família Casca; o Jardim Botânico e a Horta Comunitária PACUCA. O grupo foi acompanhado por uma representante da Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis.

Em todos os pontos fica claro que compostar o lixo -transformar restos de comida e cascas que iriam para o lixão em adubo orgânico- acaba trazendo como consequência outras práticas sustentáveis: captação de água da chuva, para usar no próprio campo de compostagem e nas hortas; a produção de alimentos orgânicos, adubo e biofertilizantes naturais; uma atenção maior para a destinação correta de todo tipo de resíduos, e principalmente, o forte envolvimento comunitário, causando assim um verdadeiro movimento de transformação social.


A unidade do Sesc Cacupé funciona como um modelo bem sucedido de destinação de resíduos, na iniciativa privada. A unidade transforma em adubo cerca de sete toneladas de lixo por mês gerados nos restaurantes, através do sistema de compostagem da UFSC, como é popularmente conhecido, que são leiras termofílicas, de aeração passiva. São feitas várias camadas, começando por galhos e podas, palha, restos de comida, e serragem; é importante cobrir bem para evitar insetos e gerar calor. O interior da leira chega a alcançar 70 graus. O campo de compostagem do SESC tem cerca de dez leiras, captação de água da chuva, separação do biofertilizante e produção de adubo, que é usado na própria horta e jardins do SESC e distribuído à comunidade. Estudantes da UFSC fazem estágios no local, que com frequência promove ações sociais, oficinas, palestras e visitas para compartilhar a experiência.


No Campeche, desde 2015, funciona a horta comunitária Pacuca - Parque Cultural do Campeche: a ideia nasceu no centro comunitário. Sem dinheiro. Sem escala. Com cerca de 12 voluntários, e envolvimento comunitário, que leva restos orgânicos para compostar, e recebe em troca alimentos ou adubo. O surfista veterano Ataíde, um dos pilares da Pacuca, com fala rústica e braços queimados do sol, dá a dica: “Horta comunitária é uma maneira sustentável de ocupar áreas públicas, garantir que não vai sair mais um prédio. Igual a essa, tem mais umas dez hortas espalhadas em Florianópolis, mas podia ter bem mais. Só tem que fazer: os camaradas fazem 15 reuniões em 12 anos pra fazer uma horta… pega na enxada e vai”, simplifica Ataíde, indicando que a prática é o melhor caminho pra começar. O efeito social das hortas comunitárias é sempre potente, um processo de transformação social: traz mudança de postura, faz repensar o lixo, de onde vem e pra onde vai, aproxima do plantio e da colheita, dos ciclos naturais da terra e do alimento, resgata as relações sociais e influencia em todo entorno.


No Jardim Botânico de Florianópolis, há um Pátio Didático de Reciclagem Orgânica, com demonstração de diferentes maneiras de fazer compostagem, minhocário, horta medicinal, e um modelo de agrofloresta, onde as espécies crescem misturadas, como acontece na natureza.


 Antes de governos, políticas públicas, instituições, estão as pessoas. São as pessoas que fazem as mudanças. Pessoas determinadas nos lugares certos podem transformar a realidade ao seu redor. Pessoas que compartilham sua prática, que não ficam esperando, que tomam iniciativa, que usam o que tem e como podem. 

Há pessoas assim nos setores públicos, na vizinhança, nas escolas públicas e particulares, nas cozinhas, hospitais e nas ruas, nas mais diversas funções e atividades. Muitas vezes são silenciosos, não tem interesse que seu trabalho apareça, e sim aconteça. Às vezes nem percebem o tanto que fazem, e como isso repercute. Muitas e na maioria das vezes, não tem dinheiro, ou se tem, é pouco. Faz como dá, pede um apoio aqui e ali, leva algo de casa, inventa uma alternativa, cria, transforma.

Um governo alinhado olha pra essas iniciativas e endossa, porque vê que funciona, principalmente como agente social. E nasce espontâneo, original, de uma necessidade/ percepção de um grupo e que pode servir de exemplo ou modelo para outros.


Compostagem e horta orgânica na escola

 

A professora de Ciências Zeli Porto da Rosa, da escola municipal Dona Lili, da Barra, participou da viagem a Florianópolis e contou um pouco da experiência que já acontece na escola desde fevereiro, e como isso desperta o interesse e envolvimento dos alunos.

O tema Lixo Zero na Cozinha do CEM Dona Lili, com Compostagem e Horta Pedagógica Sustentável foi trabalhado do primeiro ao nono ano. “A melhor maneira de entender e contribuir para minimizar a poluição do meio ambiente seria começar pela separação do lixo produzido na própria cozinha da escola. A compostagem elimina mais da metade dos resíduos, sem falar que o lixo que sai fica mais limpo; ao invés de acumular nas lixeiras está melhorando a estrutura do solo”, explica Zeli.

São feitos dois modelos de compostagem: no canteiro e nos galões; os alunos estão sempre participando e colaborando. Na hora do recreio eles fazem a separação do material, lixo seco em um tambor e o orgânico em outro. Pesam o material, registram, depositam na composteira, fazem a cobertura com poda de grama e serragem. Durante a semana eles revolvem a composteira, medem a temperatura, ficam atentos se a mesma exala mau cheiro ou tem proliferação de inseto. Quando a composteira atinge o grau de maturação, eles levam o composto orgânico para fertilizar a horta escolar. O composto orgânico líquido que é apurado na composteira é retirado e colocado em litros para ser diluído com água e irrigar a horta quando for necessário, se chama biofertilizante.

Com a implantação da Horta Pedagógica os alunos participam do ciclo completo do alimento: reduzem o lixo que vai para a lixeira, transformam grande parte em adubo, plantam, cuidam, observam, irrigam, colhem e comem, junto com a merenda escolar. Toda a produção é orgânica, sem uso de agrotóxicos. Recentemente também foi feito um canteiro de plantas medicinais.​


Horta Comunitária do Estaleiro

Há menos de três meses está funcionando na praia do Estaleiro a Horta Comunitária, uma iniciativa que reúne os moradores para plantar, colher e se encontrar num espaço comum. A ideia surgiu de uma conversa na Associação de Moradores e logo nos primeiros encontros tomou vida própria, reunindo pessoas dispostas a ver a ideia brotar. “Esse é o grande segredo, o comprometimento das pessoas”, comenta o presidente da associação, Marcelo Amaral. 

O terreno particular foi emprestado em forma de comodato e ali já foram plantadas mais de 500 mudas, entre árvores frutíferas, batatas, aipim, milho, plantas medicinais, chás, temperos e hortaliças. Tudo que foi usado até então foi conseguido através de apoio e doações dos moradores, e as colheitas são distribuídas entre as pessoas que estão trabalhando juntas. Aos sábados pela manhã acontecem os mutirões e o grupo se divide durante a semana para a manutenção da horta, regas e funções.

Também é feita uma compostagem, com a participação de moradores e da escola, que foram convidados a separar o lixo orgânico e destinar a esse fim.

Não existe hierarquia, nem estatuto, só um grupo de whatsapp para facilitar a comunicação. São em média 40 moradores envolvidos formando uma grande diversidade de saberes: ideias, diferentes formas de manejo, artesanatos, receitas compartilhadas, artes plásticas, música e até construção de brinquedos alternativos, com bambu e madeira, já que sempre há muitas crianças acompanhando e brincando junto. Também com a participação delas, foi feita uma pintura coletiva no muro, e a confecção de uma bernunça, personagem do Boi de Mamão, para a brincadeira musical que também vem acontecendo nesse espaço comum, que em pouco tempo se transformou num importante espaço de convivência do bairro.

Brinquedos alternativos, rodízio comunitário, música, cultura popular,
plantio e colheita: mais que uma horta, um ponto de encontro. 


Instituto Eco Cidadão quer ser unidade modelo

Fábio Vaccaro, da Panacéia, ensinando sobre compostagem na prática: experiência de anos nas iniciativas ambientais o capacita para compartilhar a experiência.

Localizado em um ponto estratégico -na entrada da Rodovia Interpraias, pelo Estaleirinho- está o Instituto Eco Cidadão, que há três anos vem atuando na cidade, sempre alinhado com práticas nacionais sustentáveis, como o programa Lixo Zero, que funciona em todo país. A ideia de Luciana , é transformar o espaço em um modelo, que possa servir de inspiração para espalhar ideias sustentáveis, primeiro na região da APA, e depois para toda cidade, outros municípios e assim por diante.

“Espaços modelos, com captação de água da chuva, tratamento de esgoto sustentável, uso de energia solar, modelos de compostagem e horta orgânica, ideias de reciclagem do lixo, campanhas de recolhimento de eletrônicos, óleo de cozinha, tampinhas; difusão de políticas públicas relacionadas à sustentabilidade; e por aí vai, há muito a ser compartilhado”, diz Luciana Andrea, ressaltando que é fundamental o envolvimento comunitário, e apoio do município e instituições, como o Ministério Público, que desde sempre foi um importante apoiador. 


 

Recolhimento de óleo de cozinha, pilhas usadas, carrinho movido a energia solar, reutilização de materiais, já são realidades no Eco Cidadão.