Jornal Página 3
O “inventor” da anchova assada realmente nasceu em um restaurante

“Nasceu num restaurante” costuma ser força de expressão, mas não no caso do Renato Linhares é verdade porque ele nasceu, 62 anos atrás, sobre uma mesa no restaurante da sua família, na Barra Sul.

Serviço de parteira competente, era assim que todos nasciam por esses lados.

Renato é meu velho parceiro e fui encontrá-lo dias atrás em seu restaurante, na Vila Real, para esta reportagem. Chegando lá me deparei com outro também velho amigo e especialista em frutos do mar, Beto Oliani, dono da peixaria do mesmo nome.

Os dois puxaram pela memória e me deram os nomes dos primeiros restaurantes de Balneário Camboriú: o pioneiro Mariluz, na Avenida Central; o Linhares, dos pais do Renato; o Baturité e a Defumaria Carlos, esses três últimos na Barra Sul.

Renato se criou no Linhares, foi para o exército e na volta, após girar por alguns empregos, assumiu o restaurante do Camping Tedesco, onde ficou durante quase três décadas. Quando o camping virou marina ele veio para a Vila Real, onde está há 11 anos, há oito no endereço atual, na Rua Dom Diniz, 29.

Do restaurante do camping sobraram de lembrança as duas placas pintadas a mão que indicavam os sanitários. Elas estão comigo, troquei por publicidade no jornal. O antigo dono tenta lembrar o nome de quem as pintou “ele batia fotografias... Zé... tocava violão... vivia no Baturité... gostava da bagunça...”.

O Rancho do Renato é provavelmente o único restaurante da cidade onde se pode comer peixe fresco pescado pelo próprio dono. Ele sempre diz que o melhor tempero do peixe é ser fresco.

Renato sabe, mas quase não cozinha, quem fazia isso é sua esposa, Ângela, que agora só coordena. Ao marido cabe pescar e nisso ele é mestre. Às terças-feiras o Rancho serve siri. “Ontem pesquei o dia todo em Penha, com 30 puçás de cada vez”.

Beto Oliani destaca que no Rancho é possível comer frutos do mar que não se encontra em outras casas porque todo o pescado que o dono captura é aproveitado, algo semelhante ao que ocorre em restaurantes do Mediterrâneo.

Renato conta, sem aparentar vaidade, que foi o primeiro a servir anchova assada. Na época o peixe não era valorizado. Por causa da procura a anchova encareceu, hoje no Rancho sai por R$ 69,00 para duas pessoas.

Aproveito e informo aos leitores que o bufê com frutos do mar fica por R$ 38,00 e o bufê simples por R$ 22,00.

Pergunto como vão os negócios e ele diz que a crise pegou para todos. Lembra o tempo quase sem concorrência na Barra Sul quando atendia 300, 400 pessoas por dia. No verão porque no inverno era um deserto, ia tudo que acumulava na temporada.

O herdeiro do Rancho deverá ser o filho Ricardo que estudou gastronomia. Trabalham 12 pessoas no total (no verão 20) o que demonstra a importância dos restaurantes para a geração de empregos na cidade.

Renato diz que seu peixe preferido é sardinha, “mas não pode ser fresca, tem que pegar gelo”. Enquanto assisto ele e Beto Oliani (que prefere pescada bembeca), travam um debate sobre peixes melhores e piores.

O prato mais consumido no Rancho do Renato é anchova, de preferência marisqueira, de corso (ou de curso, aquelas que viajam), pescadas na linha de mão, não na rede que as amassa e marca.

Pergunto se depois de 62 anos em restaurante Renato não tem vontade de parar e ele me responde que não vai parar nunca, não dá.

Peço e ele ensina como preparar anchova, seguramente o prato mais consumido nos restaurantes de frutos do mar de Balneário Camboriú e que Renato introduziu nos cardápios.

Compre anchova na peixaria do Beto Oliani e abra pelas costas se for fazer na brasa ou pela barriga para preparar na chapa. Na brasa pode ser com ou sem escamas. Tempere com sal e limão. Passe um pouco de farinha de trigo para não grudar na chapa e asse de um lado, depois o outro. Na brasa pode ser feita com cabeça, fechada, usando a grelha para peixe.

Se quiser sentir o gosto do peixe esqueça margarina, maionese, alfavaca e outras coisas que o pessoal usa. No máximo um molho em separado de alcaparras com salsinha.


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O “inventor” da anchova assada realmente nasceu em um restaurante

“Nasceu num restaurante” costuma ser força de expressão, mas não no caso do Renato Linhares é verdade porque ele nasceu, 62 anos atrás, sobre uma mesa no restaurante da sua família, na Barra Sul.

Serviço de parteira competente, era assim que todos nasciam por esses lados.

Renato é meu velho parceiro e fui encontrá-lo dias atrás em seu restaurante, na Vila Real, para esta reportagem. Chegando lá me deparei com outro também velho amigo e especialista em frutos do mar, Beto Oliani, dono da peixaria do mesmo nome.

Os dois puxaram pela memória e me deram os nomes dos primeiros restaurantes de Balneário Camboriú: o pioneiro Mariluz, na Avenida Central; o Linhares, dos pais do Renato; o Baturité e a Defumaria Carlos, esses três últimos na Barra Sul.

Renato se criou no Linhares, foi para o exército e na volta, após girar por alguns empregos, assumiu o restaurante do Camping Tedesco, onde ficou durante quase três décadas. Quando o camping virou marina ele veio para a Vila Real, onde está há 11 anos, há oito no endereço atual, na Rua Dom Diniz, 29.

Do restaurante do camping sobraram de lembrança as duas placas pintadas a mão que indicavam os sanitários. Elas estão comigo, troquei por publicidade no jornal. O antigo dono tenta lembrar o nome de quem as pintou “ele batia fotografias... Zé... tocava violão... vivia no Baturité... gostava da bagunça...”.

O Rancho do Renato é provavelmente o único restaurante da cidade onde se pode comer peixe fresco pescado pelo próprio dono. Ele sempre diz que o melhor tempero do peixe é ser fresco.

Renato sabe, mas quase não cozinha, quem fazia isso é sua esposa, Ângela, que agora só coordena. Ao marido cabe pescar e nisso ele é mestre. Às terças-feiras o Rancho serve siri. “Ontem pesquei o dia todo em Penha, com 30 puçás de cada vez”.

Beto Oliani destaca que no Rancho é possível comer frutos do mar que não se encontra em outras casas porque todo o pescado que o dono captura é aproveitado, algo semelhante ao que ocorre em restaurantes do Mediterrâneo.

Renato conta, sem aparentar vaidade, que foi o primeiro a servir anchova assada. Na época o peixe não era valorizado. Por causa da procura a anchova encareceu, hoje no Rancho sai por R$ 69,00 para duas pessoas.

Aproveito e informo aos leitores que o bufê com frutos do mar fica por R$ 38,00 e o bufê simples por R$ 22,00.

Pergunto como vão os negócios e ele diz que a crise pegou para todos. Lembra o tempo quase sem concorrência na Barra Sul quando atendia 300, 400 pessoas por dia. No verão porque no inverno era um deserto, ia tudo que acumulava na temporada.

O herdeiro do Rancho deverá ser o filho Ricardo que estudou gastronomia. Trabalham 12 pessoas no total (no verão 20) o que demonstra a importância dos restaurantes para a geração de empregos na cidade.

Renato diz que seu peixe preferido é sardinha, “mas não pode ser fresca, tem que pegar gelo”. Enquanto assisto ele e Beto Oliani (que prefere pescada bembeca), travam um debate sobre peixes melhores e piores.

O prato mais consumido no Rancho do Renato é anchova, de preferência marisqueira, de corso (ou de curso, aquelas que viajam), pescadas na linha de mão, não na rede que as amassa e marca.

Pergunto se depois de 62 anos em restaurante Renato não tem vontade de parar e ele me responde que não vai parar nunca, não dá.

Peço e ele ensina como preparar anchova, seguramente o prato mais consumido nos restaurantes de frutos do mar de Balneário Camboriú e que Renato introduziu nos cardápios.

Compre anchova na peixaria do Beto Oliani e abra pelas costas se for fazer na brasa ou pela barriga para preparar na chapa. Na brasa pode ser com ou sem escamas. Tempere com sal e limão. Passe um pouco de farinha de trigo para não grudar na chapa e asse de um lado, depois o outro. Na brasa pode ser feita com cabeça, fechada, usando a grelha para peixe.

Se quiser sentir o gosto do peixe esqueça margarina, maionese, alfavaca e outras coisas que o pessoal usa. No máximo um molho em separado de alcaparras com salsinha.