Jornal Página 3
Especial: mães em dose dupla e tripla...

Por Renata Rutes

Ser mãe nem sempre é tarefa fácil... mas já pensou engravidar de gêmeos? Ou até mesmo de trigêmeos? Nesse mês dedicado a elas, o Página 3 conversou com mães em dose dupla, que tiveram essa grande surpresa quando foram fazer seus exames e descobriram que não estavam grávidas de um e sim de dois bebês (e em um caso, de três!). Há muitos casos de mulheres que engravidam de gêmeos após terem realizado algum tipo de tratamento, mas todas as entrevistadas pelo jornal foram ‘ao natural’.

Não esperava uma,
... muito menos três

Há cinco anos, a dona de casa Rafaela Cristina Pinheiro, 29, já era mãe de Milena Cristina. Uma segunda gestação não estava nos planos dela e do marido, Rafael Andrei.

“Foi um susto enorme, e eu só descobri que eram trigêmeas com seis meses de gestação. E depois de um mês e meio elas chegaram. Foi tudo muito rápido”, relembra.

Rafaela conta que só acreditou que agora tinha mais três filhas – Emanuella, Emilly e Helena – quando as viu na sala de parto do Hospital Municipal Ruth Cardoso.

“Foi ali que caiu a minha ficha e começaram a surgir inúmeros sentimentos, os principais eram sobre como eu iria dar conta”, salienta. Rafaela e o marido não fizeram nenhum tratamento, segundo a dona de casa ‘foi tudo por Deus, uma dádiva, era para acontecer’.

A primeira bebê nasceu com pouco mais de 1,355kg, a segunda com 1,650kg e a terceira com 1,605kg. Elas ficaram internadas por 27 dias: Emanuella teve que ser operada por problemas no estômago, Emilly por bronquiolite e Helena teve apneia, por isso passou um tempo na UTI.

Depois desse susto inicial, as meninas se recuperaram e hoje, com cinco anos, são saudáveis e crianças felizes. “Vivi com elas momentos que jamais imaginei passar, mas hoje somos muito felizes. Até eu entender que fui escolhida por Deus para exercer essa dádiva materna foi difícil, mas hoje elas, junto a Milena, significam tudo. São o ar que respiro”, afirma.

As irmãs, segundo a mamãe, são muito parceiras e inclusive dormem juntinhas todas as noites. “Elas são muito espertas e estão o tempo todo juntas. O Dia das Mães me faz refletir sobre tudo o que já vivi. Elas são anjos que Deus enviou para eu amar com todas as minhas forças”, completa.

No fim, deu tudo certo

Em 2014, Tatiana Melo, 21, sofreu um aborto, com quatro meses de gestação, e desde então havia decidido que não queria mais ter filhos. Porém, em dezembro de 2015, após sintomas de enjôo com uma dieta maluca que estava fazendo, descobriu que na realidade estava grávida.

“Eu não queria acreditar. Liguei pro meu esposo e pedi pra ele ir pra casa, ele tentou me acalmar e foi em outras farmácias. Comprou três tipos de testes diferentes, todos deram positivo”, conta.

Um tempo depois, Tati foi ao médico e descobriu que estava esperando dois bebês. “Meu corpo inteiro começou a tremer, comecei a ficar tonta, fiquei sem reação e não queria acreditar”, relembra.

Tatiana, a princípio, não gostou da novidade e não conseguia aceitar... mas aos poucos isso foi mudando.

“O tempo foi passando, a ansiedade por saber o sexo aumentava, eu tinha certeza absoluta que esperava dois meninos. Porém, logo tudo ia mudar. Descobri que eram duas meninas e que eu estava com Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STTF)”, explica. Isso acontece quando a mãe está perdendo um dos bebês. Havia chance de salvar as duas, mas não seria fácil.

A jovem mãe fez o procedimento no Rio de Janeiro, já que só é feito lá e em Campinas/SP. Ela conseguiu tudo através do SUS, e o resultado foi positivo.

As duas meninas, Valentinny e Victoria, conseguiram sobreviver e nasceram em Florianópolis, no dia do aniversário de Tati, 29 de julho. Porém, houve complicações e elas tiveram que ficar internadas por mais de 20 dias.

“Hoje elas estão com oito meses, depois de tudo o que passamos elas nasceram perfeitas, com muita saúde, são crianças abençoadas, minha felicidade de todos os dias. Hoje sou completa, realizada, elas me dão força todos os dias para seguir em frente, só posso agradecer a Deus por ter feito esse milagre na minha vida e na vida das minhas filhas”, comemora.

Tati se tornou referência, várias pessoas de lugares diferentes do país a procuram para saber a história delas. “Fui uma das poucas mães do Brasil que passaram por um procedimento com os bebês dentro do útero e que deu tudo certo no final. Tive que largar minha vida de trabalho e me dedicar a ser dona de casa e cuidar delas, mas sou a mamãe mais feliz e orgulhosa”, finaliza.

 

Já tinha dois...
e vieram mais dois

A professora Daiana Franciele Lamin, 31, já era mãe de Eduardo, 11, e Juliana, 5, quando descobriu que estava grávida mais uma vez. Ter um bebê já era algo fora dos planos dela e do marido, Juliano André Nardes, até que descobriram que estavam ‘a bordo’ dois: Gabriel e Miguel.

Desde então, todos os projetos mudaram. Eles não queriam mais ter filhos, já haviam parado com Dudu e Juju, mas Daiana conta que a surpresa, no fim das contas, foi uma bênção.

“Mas, inicialmente, fiquei sem ação, em estado de choque. Chorei muito, não sabia se era felicidade ou susto (risos). Tive muito apoio desde o começo, de familiares e amigos, e isso fez muita diferença”, afirma.

A gestação de Daiana foi acompanhada de médicos, pois havia a suspeita de que os bebês pudessem ter diabetes. Por isso, ela também fez dieta. “Também havia o medo de que eles nascessem antes do tempo. Mas, no fim das contas, deu tudo certo”, relembra.

Gabriel e Miguel vieram ao mundo no dia 31 de março, e acabam de completar um mês. Gabriel nasceu menorzinho, mas já está ganhando peso. Os dois são completamente saudáveis.

“Não vou mentir, é muito cansativo. Me dedico 24 horas a eles. Às vezes nem lavo o rosto, mal consigo tomar um café ou qualquer refeição pois tenho que estar sempre de olho, mas sei que vale a pena. Tanto o Dudu quanto a Juju estão sendo ótimos irmãos, estão adorando tudo. Houve um ‘ciuminho’ inicial da parte da mais nova, mas ela os ama muito”, destaca.

Gravidez estava nos planos,
... mas gêmeas surpreendeu

Michelle Rodrigues Olm, 29, educadora física, estava casada há um ano quando descobriu que estava grávida. Isso aconteceu em 21 de abril de 2014, no Feriado de Tiradentes.

A gravidez estava nos planos, mas ela jamais pensou que teria gêmeas. Havia casos de gêmeos na família do marido dela, mas ela não imaginou que isso pudesse influenciar na gravidez dela.

Algum tempo depois, quando foi fazer o exame de ultrassonografia, ficou um tempo sem entender, porque o médico passava a máquina e não dizia nada.

“Eu perguntei para ele se não havia neném e ele disse ‘tô procurando um terceiro, porque dois eu já encontrei’. Essas palavras nunca saíram da minha cabeça”, ressalta.

Para Michelle, foi uma felicidade tremenda, já que sempre foi apaixonada por crianças e sonhava em ser mãe.

“Meus sogros não tinham nenhum neto e na minha família só havia um neto, meu sobrinho que na época tinha 17 anos. Quando eu descobri que seriam meninas, Laura e Lívia, foi uma felicidade ainda maior”, diz.

Por ser de gêmeas, o acompanhamento da gestação foi especial, mas tudo correu bem. Elas nasceram no dia 10 de dezembro, quando ela completaria 37 semanas. O que surpreende é a diferença entre as irmãs, uma é morena e a outra é ruiva. Elas tiveram que ficar 12 dias na UTI por alguns probleminhas, mas se recuperaram totalmente.

Michelle sublinha que as filhas chegaram trazendo vida e melhorando tudo.

“Óbvio que os primeiros meses foram complicados. Eu chorava junto com elas porque não sabia o que fazer diante da fragilidade delas, mas aos poucos tudo foi se encaixando. Às vezes ainda dá vontade de sumir, de me trancar no banheiro e chorar, mas ao final do dia receber um abraço apertado e um beijo babado compensa e renova tudo”, desabafa.

“Foi um significado de um novo amor,
as amo mais do que tudo”

A secretária Nadjara Mafesoni, 29, é mãe das gêmeas idênticas Lívia e Alice, que nasceram em dezembro do último ano. “Quando eu descobri que estava grávida de dois bebês entrei em desespero (risos). Chorei umas três horas sem parar. Imagina, mãe de primeira viagem e já de cara de dois? Minha gestação foi maravilhosa, elas não nasceram prematuras, trabalhei até 10 dias antes de ganhá-las. Engordei 18,3kg”, relata.

A vida de Nadjara mudou completamente com o nascimento das duas, e ela diz que apesar do trabalho e do cansaço ela não se vê mais sem as filhas. “O trabalho é dobrado, mas o amor também. Tudo compensa”, acrescenta.

Nadjara salienta que jamais imaginou que seria mãe de gêmeas, e que hoje vê que é incrível, considerando que as duas tendem a ser parceiras. “Eu amo meus irmãos, vejo que essa ligação é única, então sei que a delas será ainda mais”, diz. Esse será o primeiro mês das mães de Nadjara na condição de mãe e ela confessa que está ansiosa. “Estou muito feliz, e para completar vou passar junto com a minha mãe... será uma alegria completa”, finaliza.

Para ela, este mês é especial. “Saber que sou mãe e que gerei essas duas vidas, duas meninas lindas de cores de cabelo e pele diferentes, de personalidades opostas... é incrível. Nada substitui a emoção da apresentação na escola, mesmo que ainda no meio de todas elas se envergonhem e não façam nada (risos)”, completa.

Descobriu que eram duas
somente na hora do parto

A aposentada Ignez Basseggio Muller, 77, teve as gêmeas Denise (D) e Dagmar (E) em 1970, em Lageado-RS. Muitas pessoas não sabem, mas a segunda é a conhecida Ciça Muller, que já foi presidente da Associação Empresarial de Balneário e Camboriú (Acibalc) e dirige a agência Inteligência Marketing. 

A história de Ignez é diferente, porque ela só teve a confirmação de que estava esperando gêmeas na hora do parto.

“No terceiro mês de gestação eu percebi que meu volume abdominal havia aumentado muito, mas como na época não tinha ultrassom, o médico disse que não tinha como diagnosticar se eu estava esperando um ou dois bebês”, conta. 

Ignez já era mãe de Magda, que tinha cinco anos, e Clayton, de três. Ela pressentia que algo estava diferente nessa terceira gestação, sentia um ‘movimento’ duplo dentro de si, mas o médigo ignorava.

“Ele não se importava, ria de mim. Meu marido sempre me apoiou, dizia que era lindo se realmente fossem gêmeos, mas eu fiquei muito apavorada, apreensiva”, comenta.

Foi mesmo na hora do parto que Ignez teve a confirmação de que eram duas meninas. O primeiro, de Denise, foi tranquilo, mas o de Ciça foi um pouco mais complicado.

“Ela nasceu ‘ruimzinha’, teve que ir para a incubadora... mas logo se recuperou. Estava muito frio, era maio, tivemos que ir atrás de aquecedor para os bebês. Inicialmente eu tive muito medo, mas recebi muito apoio de vizinhos e da minha família, inclusive dos meus dois outros filhos, e no fim das contas foi uma experiência maravilhosa”, enfatiza.

Depois de Denise e Ciça, Ignez teve mais uma filha, Larissa. Em 1983 a família se mudou para Balneário. Hoje ela também tem 10 netos.


Como as mamães podem se preparar?

O Página 3 também conversou com a psicóloga e coach de pais Ana Paula Petry, que falou sobre como as mães podem se preparar psicologicamente para o nascimento de seus filhos. A base é não idealizar a maternidade e sim encará-la de modo realístico, tentando ver que está tudo bem não ser perfeita. Confira abaixo:

JP3: Muitas mães de gêmeos, como as entrevistadas na matéria, não esperavam engravidar, muito menos de gêmeos. Como lidar com essa situação da melhor forma? 

Ana Paula: Precisamos compreender que, na maternidade, tudo pode ser completamente diferente do que se espera. Inicialmente, a notícia pode ser desesperadora, mas com o passar do tempo a mãe se adapta a esta nova realidade. Depois, a mãe dá conta e encara os desafios, muitas vezes superando os medos da maternidade. É uma questão de adaptação, ou seja, encarar e aceitar a situação para passar por ela de forma mais leve e saudável.

JP3: Qual é a diferença entre a maternidade real e ideal? 

Ana Paula: Imensa. Na maternidade ideal se criam expectativas de que as coisas serão de uma maneira muitas vezes equivocada. Por mais que as mães já saibam que não será tudo perfeito, elas nem imaginam o quanto as coisas podem sair do seu controle ou mesmo serem mais difíceis do que esperam. A "mãe ideal" quase não comete erros e tira a maternidade de letra, lida de forma fácil com tudo. É uma idealização quase impossível de atingir. Já a mãe real sabe que, apesar de todas as dificuldades e expectativas não alcançadas, ela está fazendo o seu melhor e lidando com a maternidade conforme seu alcance, mas da melhor maneira possível.

JP3: Como a mulher pode se preparar da melhor forma para a maternidade?

Ana Paula: A principal dica é não criar grandes expectativas, viver um dia de cada vez e seguir seu coração. Além disso, buscar um grupo de apoio (familiares, amigos ou profissionais) pode fazer diferença. O apoio de amigos e familiares é fundamental para que a mãe sinta-se acolhida em meio aos medos, à insegurança e às possíveis angústias da maternidade; olhar para a mãe e dizer “está tudo bem” é necessário nessa fase, mostrando que há compreensão e empatia por parte de familiares e amigos. Um psicólogo coach pode ajudá-las a passar por esta fase de forma mais leve, tranquila e feliz.

 


Página 3

Especial: mães em dose dupla e tripla...

Por Renata Rutes

Ser mãe nem sempre é tarefa fácil... mas já pensou engravidar de gêmeos? Ou até mesmo de trigêmeos? Nesse mês dedicado a elas, o Página 3 conversou com mães em dose dupla, que tiveram essa grande surpresa quando foram fazer seus exames e descobriram que não estavam grávidas de um e sim de dois bebês (e em um caso, de três!). Há muitos casos de mulheres que engravidam de gêmeos após terem realizado algum tipo de tratamento, mas todas as entrevistadas pelo jornal foram ‘ao natural’.

Não esperava uma,
... muito menos três

Há cinco anos, a dona de casa Rafaela Cristina Pinheiro, 29, já era mãe de Milena Cristina. Uma segunda gestação não estava nos planos dela e do marido, Rafael Andrei.

“Foi um susto enorme, e eu só descobri que eram trigêmeas com seis meses de gestação. E depois de um mês e meio elas chegaram. Foi tudo muito rápido”, relembra.

Rafaela conta que só acreditou que agora tinha mais três filhas – Emanuella, Emilly e Helena – quando as viu na sala de parto do Hospital Municipal Ruth Cardoso.

“Foi ali que caiu a minha ficha e começaram a surgir inúmeros sentimentos, os principais eram sobre como eu iria dar conta”, salienta. Rafaela e o marido não fizeram nenhum tratamento, segundo a dona de casa ‘foi tudo por Deus, uma dádiva, era para acontecer’.

A primeira bebê nasceu com pouco mais de 1,355kg, a segunda com 1,650kg e a terceira com 1,605kg. Elas ficaram internadas por 27 dias: Emanuella teve que ser operada por problemas no estômago, Emilly por bronquiolite e Helena teve apneia, por isso passou um tempo na UTI.

Depois desse susto inicial, as meninas se recuperaram e hoje, com cinco anos, são saudáveis e crianças felizes. “Vivi com elas momentos que jamais imaginei passar, mas hoje somos muito felizes. Até eu entender que fui escolhida por Deus para exercer essa dádiva materna foi difícil, mas hoje elas, junto a Milena, significam tudo. São o ar que respiro”, afirma.

As irmãs, segundo a mamãe, são muito parceiras e inclusive dormem juntinhas todas as noites. “Elas são muito espertas e estão o tempo todo juntas. O Dia das Mães me faz refletir sobre tudo o que já vivi. Elas são anjos que Deus enviou para eu amar com todas as minhas forças”, completa.

No fim, deu tudo certo

Em 2014, Tatiana Melo, 21, sofreu um aborto, com quatro meses de gestação, e desde então havia decidido que não queria mais ter filhos. Porém, em dezembro de 2015, após sintomas de enjôo com uma dieta maluca que estava fazendo, descobriu que na realidade estava grávida.

“Eu não queria acreditar. Liguei pro meu esposo e pedi pra ele ir pra casa, ele tentou me acalmar e foi em outras farmácias. Comprou três tipos de testes diferentes, todos deram positivo”, conta.

Um tempo depois, Tati foi ao médico e descobriu que estava esperando dois bebês. “Meu corpo inteiro começou a tremer, comecei a ficar tonta, fiquei sem reação e não queria acreditar”, relembra.

Tatiana, a princípio, não gostou da novidade e não conseguia aceitar... mas aos poucos isso foi mudando.

“O tempo foi passando, a ansiedade por saber o sexo aumentava, eu tinha certeza absoluta que esperava dois meninos. Porém, logo tudo ia mudar. Descobri que eram duas meninas e que eu estava com Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STTF)”, explica. Isso acontece quando a mãe está perdendo um dos bebês. Havia chance de salvar as duas, mas não seria fácil.

A jovem mãe fez o procedimento no Rio de Janeiro, já que só é feito lá e em Campinas/SP. Ela conseguiu tudo através do SUS, e o resultado foi positivo.

As duas meninas, Valentinny e Victoria, conseguiram sobreviver e nasceram em Florianópolis, no dia do aniversário de Tati, 29 de julho. Porém, houve complicações e elas tiveram que ficar internadas por mais de 20 dias.

“Hoje elas estão com oito meses, depois de tudo o que passamos elas nasceram perfeitas, com muita saúde, são crianças abençoadas, minha felicidade de todos os dias. Hoje sou completa, realizada, elas me dão força todos os dias para seguir em frente, só posso agradecer a Deus por ter feito esse milagre na minha vida e na vida das minhas filhas”, comemora.

Tati se tornou referência, várias pessoas de lugares diferentes do país a procuram para saber a história delas. “Fui uma das poucas mães do Brasil que passaram por um procedimento com os bebês dentro do útero e que deu tudo certo no final. Tive que largar minha vida de trabalho e me dedicar a ser dona de casa e cuidar delas, mas sou a mamãe mais feliz e orgulhosa”, finaliza.

 

Já tinha dois...
e vieram mais dois

A professora Daiana Franciele Lamin, 31, já era mãe de Eduardo, 11, e Juliana, 5, quando descobriu que estava grávida mais uma vez. Ter um bebê já era algo fora dos planos dela e do marido, Juliano André Nardes, até que descobriram que estavam ‘a bordo’ dois: Gabriel e Miguel.

Desde então, todos os projetos mudaram. Eles não queriam mais ter filhos, já haviam parado com Dudu e Juju, mas Daiana conta que a surpresa, no fim das contas, foi uma bênção.

“Mas, inicialmente, fiquei sem ação, em estado de choque. Chorei muito, não sabia se era felicidade ou susto (risos). Tive muito apoio desde o começo, de familiares e amigos, e isso fez muita diferença”, afirma.

A gestação de Daiana foi acompanhada de médicos, pois havia a suspeita de que os bebês pudessem ter diabetes. Por isso, ela também fez dieta. “Também havia o medo de que eles nascessem antes do tempo. Mas, no fim das contas, deu tudo certo”, relembra.

Gabriel e Miguel vieram ao mundo no dia 31 de março, e acabam de completar um mês. Gabriel nasceu menorzinho, mas já está ganhando peso. Os dois são completamente saudáveis.

“Não vou mentir, é muito cansativo. Me dedico 24 horas a eles. Às vezes nem lavo o rosto, mal consigo tomar um café ou qualquer refeição pois tenho que estar sempre de olho, mas sei que vale a pena. Tanto o Dudu quanto a Juju estão sendo ótimos irmãos, estão adorando tudo. Houve um ‘ciuminho’ inicial da parte da mais nova, mas ela os ama muito”, destaca.

Gravidez estava nos planos,
... mas gêmeas surpreendeu

Michelle Rodrigues Olm, 29, educadora física, estava casada há um ano quando descobriu que estava grávida. Isso aconteceu em 21 de abril de 2014, no Feriado de Tiradentes.

A gravidez estava nos planos, mas ela jamais pensou que teria gêmeas. Havia casos de gêmeos na família do marido dela, mas ela não imaginou que isso pudesse influenciar na gravidez dela.

Algum tempo depois, quando foi fazer o exame de ultrassonografia, ficou um tempo sem entender, porque o médico passava a máquina e não dizia nada.

“Eu perguntei para ele se não havia neném e ele disse ‘tô procurando um terceiro, porque dois eu já encontrei’. Essas palavras nunca saíram da minha cabeça”, ressalta.

Para Michelle, foi uma felicidade tremenda, já que sempre foi apaixonada por crianças e sonhava em ser mãe.

“Meus sogros não tinham nenhum neto e na minha família só havia um neto, meu sobrinho que na época tinha 17 anos. Quando eu descobri que seriam meninas, Laura e Lívia, foi uma felicidade ainda maior”, diz.

Por ser de gêmeas, o acompanhamento da gestação foi especial, mas tudo correu bem. Elas nasceram no dia 10 de dezembro, quando ela completaria 37 semanas. O que surpreende é a diferença entre as irmãs, uma é morena e a outra é ruiva. Elas tiveram que ficar 12 dias na UTI por alguns probleminhas, mas se recuperaram totalmente.

Michelle sublinha que as filhas chegaram trazendo vida e melhorando tudo.

“Óbvio que os primeiros meses foram complicados. Eu chorava junto com elas porque não sabia o que fazer diante da fragilidade delas, mas aos poucos tudo foi se encaixando. Às vezes ainda dá vontade de sumir, de me trancar no banheiro e chorar, mas ao final do dia receber um abraço apertado e um beijo babado compensa e renova tudo”, desabafa.

“Foi um significado de um novo amor,
as amo mais do que tudo”

A secretária Nadjara Mafesoni, 29, é mãe das gêmeas idênticas Lívia e Alice, que nasceram em dezembro do último ano. “Quando eu descobri que estava grávida de dois bebês entrei em desespero (risos). Chorei umas três horas sem parar. Imagina, mãe de primeira viagem e já de cara de dois? Minha gestação foi maravilhosa, elas não nasceram prematuras, trabalhei até 10 dias antes de ganhá-las. Engordei 18,3kg”, relata.

A vida de Nadjara mudou completamente com o nascimento das duas, e ela diz que apesar do trabalho e do cansaço ela não se vê mais sem as filhas. “O trabalho é dobrado, mas o amor também. Tudo compensa”, acrescenta.

Nadjara salienta que jamais imaginou que seria mãe de gêmeas, e que hoje vê que é incrível, considerando que as duas tendem a ser parceiras. “Eu amo meus irmãos, vejo que essa ligação é única, então sei que a delas será ainda mais”, diz. Esse será o primeiro mês das mães de Nadjara na condição de mãe e ela confessa que está ansiosa. “Estou muito feliz, e para completar vou passar junto com a minha mãe... será uma alegria completa”, finaliza.

Para ela, este mês é especial. “Saber que sou mãe e que gerei essas duas vidas, duas meninas lindas de cores de cabelo e pele diferentes, de personalidades opostas... é incrível. Nada substitui a emoção da apresentação na escola, mesmo que ainda no meio de todas elas se envergonhem e não façam nada (risos)”, completa.

Descobriu que eram duas
somente na hora do parto

A aposentada Ignez Basseggio Muller, 77, teve as gêmeas Denise (D) e Dagmar (E) em 1970, em Lageado-RS. Muitas pessoas não sabem, mas a segunda é a conhecida Ciça Muller, que já foi presidente da Associação Empresarial de Balneário e Camboriú (Acibalc) e dirige a agência Inteligência Marketing. 

A história de Ignez é diferente, porque ela só teve a confirmação de que estava esperando gêmeas na hora do parto.

“No terceiro mês de gestação eu percebi que meu volume abdominal havia aumentado muito, mas como na época não tinha ultrassom, o médico disse que não tinha como diagnosticar se eu estava esperando um ou dois bebês”, conta. 

Ignez já era mãe de Magda, que tinha cinco anos, e Clayton, de três. Ela pressentia que algo estava diferente nessa terceira gestação, sentia um ‘movimento’ duplo dentro de si, mas o médigo ignorava.

“Ele não se importava, ria de mim. Meu marido sempre me apoiou, dizia que era lindo se realmente fossem gêmeos, mas eu fiquei muito apavorada, apreensiva”, comenta.

Foi mesmo na hora do parto que Ignez teve a confirmação de que eram duas meninas. O primeiro, de Denise, foi tranquilo, mas o de Ciça foi um pouco mais complicado.

“Ela nasceu ‘ruimzinha’, teve que ir para a incubadora... mas logo se recuperou. Estava muito frio, era maio, tivemos que ir atrás de aquecedor para os bebês. Inicialmente eu tive muito medo, mas recebi muito apoio de vizinhos e da minha família, inclusive dos meus dois outros filhos, e no fim das contas foi uma experiência maravilhosa”, enfatiza.

Depois de Denise e Ciça, Ignez teve mais uma filha, Larissa. Em 1983 a família se mudou para Balneário. Hoje ela também tem 10 netos.


Como as mamães podem se preparar?

O Página 3 também conversou com a psicóloga e coach de pais Ana Paula Petry, que falou sobre como as mães podem se preparar psicologicamente para o nascimento de seus filhos. A base é não idealizar a maternidade e sim encará-la de modo realístico, tentando ver que está tudo bem não ser perfeita. Confira abaixo:

JP3: Muitas mães de gêmeos, como as entrevistadas na matéria, não esperavam engravidar, muito menos de gêmeos. Como lidar com essa situação da melhor forma? 

Ana Paula: Precisamos compreender que, na maternidade, tudo pode ser completamente diferente do que se espera. Inicialmente, a notícia pode ser desesperadora, mas com o passar do tempo a mãe se adapta a esta nova realidade. Depois, a mãe dá conta e encara os desafios, muitas vezes superando os medos da maternidade. É uma questão de adaptação, ou seja, encarar e aceitar a situação para passar por ela de forma mais leve e saudável.

JP3: Qual é a diferença entre a maternidade real e ideal? 

Ana Paula: Imensa. Na maternidade ideal se criam expectativas de que as coisas serão de uma maneira muitas vezes equivocada. Por mais que as mães já saibam que não será tudo perfeito, elas nem imaginam o quanto as coisas podem sair do seu controle ou mesmo serem mais difíceis do que esperam. A "mãe ideal" quase não comete erros e tira a maternidade de letra, lida de forma fácil com tudo. É uma idealização quase impossível de atingir. Já a mãe real sabe que, apesar de todas as dificuldades e expectativas não alcançadas, ela está fazendo o seu melhor e lidando com a maternidade conforme seu alcance, mas da melhor maneira possível.

JP3: Como a mulher pode se preparar da melhor forma para a maternidade?

Ana Paula: A principal dica é não criar grandes expectativas, viver um dia de cada vez e seguir seu coração. Além disso, buscar um grupo de apoio (familiares, amigos ou profissionais) pode fazer diferença. O apoio de amigos e familiares é fundamental para que a mãe sinta-se acolhida em meio aos medos, à insegurança e às possíveis angústias da maternidade; olhar para a mãe e dizer “está tudo bem” é necessário nessa fase, mostrando que há compreensão e empatia por parte de familiares e amigos. Um psicólogo coach pode ajudá-las a passar por esta fase de forma mais leve, tranquila e feliz.