Jornal Página 3
Os exemplos de sustentabilidade do mundo oriental
Arquivo Pessoal
O consultor e ao fundo a Shangai Tower, com 634m
O consultor e ao fundo a Shangai Tower, com 634m

Consultor e mestre em estudos ambientais, Gil Koeddermann acaba de voltar do Japão e da China, sua quinta missão técnica pelo mundo em busca de soluções construtivas e de sustentabilidade.

Como ele mesmo se descreve, Gil é um incansável estudioso de tecnologias sustentáveis. Todos os anos ele participa com recursos próprios de uma missão formada por arquitetos brasileiros.

Eles já verificaram soluções nos Estados Unidos, Dubai, Abu Dhabi e até Masdar City, a cidade mais sustentável do mundo, e que está sendo edificada nos Emirados Árabes Unidos.

Desta vez o foco foi o Japão (onde conheceram Tóquio, Hiroshima e Quioto), mas Gil fez um complemento e visitou antes Xangai, a maior cidade da China.

Xangai

Em 2015 Xangai chegou a ser considerada a cidade mais poluída do mundo, quando teve até atividades ao ar livre proibidas. Como a cidade é um conglomerado financeiro, o governo percebeu que aquilo prejudicaria a economia e resolveu tomar uma posição.

“O que mais eles têm lá é alimento para vegetação. Quem se alimenta de gás carbônico? As árvores, então eles fizeram umas plantações de árvores, inacreditáveis”, contou Gil. Ele explica que elas já vêm grandes e mesmo onde não há espaço, planta-se em jardins suspensos.

Japão

Ruas com poucos carros, resultado de uma política de responsabilidade

Conforme Gil, segundo a ONU, a verticalização é o modelo mais sustentável porque se concentra serviços em um só lugar. Para o consultor, o melhor exemplo disso é Tóquio. Mesmo com uma população de 37 milhões de pessoas, a cidade funciona e há poucos carros circulando. O transporte público é ótimo e existe uma lei que só permite o licenciamento se a pessoa comprovar que tem uma vaga em casa e uma no local de trabalho.

Gil encontrou uma cidade limpa, não por causa dos serviços de limpeza - que incluem até aspiradores nas escadas de acesso ao metrô (ele filmou!), mas porque não se suja.

O próprio embaixador do Brasil, André Pena, recebeu a missão e apresentou um pouco da cultura japonesa, que impressionou muitos os participantes. Ele falou que não há violência e que existe a cultura do don’t touch, por isso se você perder algo ou deixar suas compras em um lugar enquanto vai ao banco, ninguém mexe.

“O respeito ao ser humano é inacreditável. Você vê muitas pessoas trabalhando com 70, 80 anos. Trabalhar é uma honra no Japão”, sublinhou. Ele contou que isso é tão forte, que o desemprego é um dos principais fatores que levam ao alto índice de suicídios.

Em Hiroshima

Na cidade de Hiroshima, o que chamou atenção, além da reconstrução após a bomba nuclear, foram as três usinas de desintegração de resíduos. Elas funcionam 24 horas e são totalmente automatizadas. Os caminhões descarregam os resíduos já selecionados, que não têm como ser reaproveitados.

Das 600 toneladas de resíduos recebidos por dia, sobra apenas 40 após o processo. Esse material é altamente tóxico, por isso ele passa por um banho químico e é usado para fazer aterro no oceano e aumentar o território. O próprio sistema gera energia para se sustentar e o excedente é enviado à rede para ser distribuído entre a população.

Para Balneário Gil trouxe na bagagem muitos vídeos e a experiência que pretende partilhar com o secretário de Planejamento Edson Kratz.

Ele lembra que iniciativas locais existem - como a H.Pio, que terá o primeiro edifício certificado em breve, porém falta incentivo para os empresários e até moradores.

“Em Buenos Aires, por exemplo, se você mantém um jardim, tem desconto no IPTU. O empreendedor não pode ficar só pagando tem que ter sua contrapartida”, opinou.

Delegação brasileira com gerente da usina desintegradora de Hiroshima


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Os exemplos de sustentabilidade do mundo oriental

Arquivo Pessoal
O consultor e ao fundo a Shangai Tower, com 634m
O consultor e ao fundo a Shangai Tower, com 634m

Consultor e mestre em estudos ambientais, Gil Koeddermann acaba de voltar do Japão e da China, sua quinta missão técnica pelo mundo em busca de soluções construtivas e de sustentabilidade.

Como ele mesmo se descreve, Gil é um incansável estudioso de tecnologias sustentáveis. Todos os anos ele participa com recursos próprios de uma missão formada por arquitetos brasileiros.

Eles já verificaram soluções nos Estados Unidos, Dubai, Abu Dhabi e até Masdar City, a cidade mais sustentável do mundo, e que está sendo edificada nos Emirados Árabes Unidos.

Desta vez o foco foi o Japão (onde conheceram Tóquio, Hiroshima e Quioto), mas Gil fez um complemento e visitou antes Xangai, a maior cidade da China.

Xangai

Em 2015 Xangai chegou a ser considerada a cidade mais poluída do mundo, quando teve até atividades ao ar livre proibidas. Como a cidade é um conglomerado financeiro, o governo percebeu que aquilo prejudicaria a economia e resolveu tomar uma posição.

“O que mais eles têm lá é alimento para vegetação. Quem se alimenta de gás carbônico? As árvores, então eles fizeram umas plantações de árvores, inacreditáveis”, contou Gil. Ele explica que elas já vêm grandes e mesmo onde não há espaço, planta-se em jardins suspensos.

Japão

Ruas com poucos carros, resultado de uma política de responsabilidade

Conforme Gil, segundo a ONU, a verticalização é o modelo mais sustentável porque se concentra serviços em um só lugar. Para o consultor, o melhor exemplo disso é Tóquio. Mesmo com uma população de 37 milhões de pessoas, a cidade funciona e há poucos carros circulando. O transporte público é ótimo e existe uma lei que só permite o licenciamento se a pessoa comprovar que tem uma vaga em casa e uma no local de trabalho.

Gil encontrou uma cidade limpa, não por causa dos serviços de limpeza - que incluem até aspiradores nas escadas de acesso ao metrô (ele filmou!), mas porque não se suja.

O próprio embaixador do Brasil, André Pena, recebeu a missão e apresentou um pouco da cultura japonesa, que impressionou muitos os participantes. Ele falou que não há violência e que existe a cultura do don’t touch, por isso se você perder algo ou deixar suas compras em um lugar enquanto vai ao banco, ninguém mexe.

“O respeito ao ser humano é inacreditável. Você vê muitas pessoas trabalhando com 70, 80 anos. Trabalhar é uma honra no Japão”, sublinhou. Ele contou que isso é tão forte, que o desemprego é um dos principais fatores que levam ao alto índice de suicídios.

Em Hiroshima

Na cidade de Hiroshima, o que chamou atenção, além da reconstrução após a bomba nuclear, foram as três usinas de desintegração de resíduos. Elas funcionam 24 horas e são totalmente automatizadas. Os caminhões descarregam os resíduos já selecionados, que não têm como ser reaproveitados.

Das 600 toneladas de resíduos recebidos por dia, sobra apenas 40 após o processo. Esse material é altamente tóxico, por isso ele passa por um banho químico e é usado para fazer aterro no oceano e aumentar o território. O próprio sistema gera energia para se sustentar e o excedente é enviado à rede para ser distribuído entre a população.

Para Balneário Gil trouxe na bagagem muitos vídeos e a experiência que pretende partilhar com o secretário de Planejamento Edson Kratz.

Ele lembra que iniciativas locais existem - como a H.Pio, que terá o primeiro edifício certificado em breve, porém falta incentivo para os empresários e até moradores.

“Em Buenos Aires, por exemplo, se você mantém um jardim, tem desconto no IPTU. O empreendedor não pode ficar só pagando tem que ter sua contrapartida”, opinou.

Delegação brasileira com gerente da usina desintegradora de Hiroshima