Jornal Página 3
Conheça alguns dos projetos que disputam os limites da praia
BC Port propõe porto para cruzeiros turísticos
BC Port propõe porto para cruzeiros turísticos

>>>>>> Por Daniele dos Reis e Waldemar Cezar Neto

A secretaria de Turismo de Balneário Camboriú estava realizando um chamamento público para projetos de ocupação da praia e do mar, na Barra Sul e no Pontal Norte. Não deu certo. O Tribunal de Contas suspendeu cautelarmente o processo, mas os que foram protocolados até o momento mostraram ousadia na criação de novos equipamentos para fomentar o turismo na região. Enquanto os moradores aguardam o desfecho, podem conferir algumas das ideias apresentadas.

O Plenário do Tribunal de Contas do Estado (TCE) confirmou no começo da semana a suspensão cautelar do chamamento público promovido pela prefeitura para projetos na Barra Sul e Pontal Norte e com isso este assunto deverá ser tratado apenas no próximo governo municipal.

O principal argumento para a suspensão parece incontornável, o espaço público objeto do chamamento já foi concedido para uma empresa, através de licitação pública promovida pelo governo federal com validade até 2034.

Dessa forma, qualquer projeto no local precisa da autorização desta empresa, a Bontur S/A, proprietária do teleférico.

O engenheiro Edson Kratz, coordenador da transição de governo de Fabrício Oliveira e provavelmente o próximo secretário do Planejamento, antecipou ao Página 3 que todos os projetos apresentados no chamamento serão analisados e discutidos, provavelmente através de uma comissão de técnicos qualificados para isto e incluindo quem hoje detém o direito de uso.

Cadastro

Ao que parece, o processo já nasceu viciado. Para se ter uma ideia, ele nem foi concebido dentro da Secretaria de Compras e Licitações e partiu de uma iniciativa da Secretaria de Turismo como uma forma de cadastro.

Agora dois nomes do alto escalão do Turismo terão que se explicar no Tribunal de Contas sobre as irregularidades apontadas na chamada pública, que incluem ainda indícios de direcionamento e ausência de prévia cessão das duas áreas pela União à prefeitura. Conheça a seguir os principais projetos apresentados.

Master Plan com os olhos no turismo internacional

A LDD Engenharia e Arquitetura apresentou projeto de um parque linear público na forma de master plan, que prevê não só aproveitamento pela iniciativa privada, mas cria novos espaços para a coletividade. O Barra Sul Garden Park Master Plan se baseia em equipamentos que são referência mundo afora, com olhos voltados para o turismo internacional.

O plano de massas tem 353 mil m2, sendo 169 mil m2 desses destinados a áreas verdes. Inclui um terminal multifuncional com aduana e capacidade para receber até dois navios ao mesmo tempo, transporte de malas, shoppings, opção de free shop, interligação com VLTs e espaço para atuação de instituições, como por exemplo, a Univali, através da gastronomia internacional.

Há previsão de estacionamento, mas conforme os idealizadores, tem como intuito incentivar o transporte de carros coletivos como vans de city tour, por exemplo.

O projeto também inclui um museu de arte com cinco pavimentos rampeados e anfiteatro com capacidade para mais de 1,7 mil pessoas. Além disso, o projeto traz uma roda gigante de 134m de diâmetro e planetário, constituído por uma abóbada e por uma máquina colocada no seu centro, que projetará os diferentes objetos celestes do cosmos.

O projeto ainda traz uma área esportiva com 10 quadras poliesportivas e um pavilhão com gramado, destinado à realização de eventos como recreações e festivais de música. As big flowers, monumentos que serviriam como reservatórios de energia, acenderiam à noite e ainda serviriam para irrigar energia para o resto do parque.

Como a proposta não é simples, o custo também não. A estimativa é de um investimento de R$ 1,2 bilhão (sem contar o VLT), o que pode assustar investidores, frente as opções de retorno apresentadas.

BC Port propõe porto para cruzeiros

Imagens de simulação de atracação no píer interno

O Porto de Balneário Camboriú ou “BC PORT” apresenta um canal dragado, bacia de evolução e berços de atracação, em uma Instalação Portuária de Turismo plena, prevista em legislação. Infraestrutura similar à de aeroportos, conta com lojas, restaurantes, hotel e um píer para receber exclusivamente cruzeiros turísticos.

A estrutura idealizada traz uma instalação física sobre a água de 15 mil m2. Outra estrutura de 2,5mil m2 foi projetada para ficar a 20 metros de distância da instalação, com objetivo de absorver qualquer descontrole ou impacto de embarcação.

O projeto prevê um píer suportado por estacas vazadas, que além de criar recifes incentivando da vida marinha, permite o livre movimento das correntes de maré, sem alteração da demanda biológica de oxigênio.

Para se chegar à angulação prevista do canal dragado (azimute 010°/190°), a BC Port foi além dos estudos sísmicos (“radiografia” de pedras no leito oceânico). “Trabalhamos em parceria com a Acquaplan de modelagem matemática hidrodinâmica, usando a reanálise de ondas de um histórico de 30 anos”, completou André Guimarães, bacharel em Ciências Náuticas e idealizador do projeto.

Alerta sobre especuladores

Todo o empreendimento está orçado entre 275 e 300 milhões de reais (variação referente a equipamentos em moeda estrangeira). O capital viria da iniciativa privada e seguirá o modelo adotado pela maioria dos portos de entretenimento do mundo.

“Como a área de desembarque é aberta ao público, qualquer cidadão e milhares de turistas de férias na cidade poderão frequentar livremente a área, desfrutar de “shows das águas” gratuitos, bem como pescar ou passear”, defende André Guimarães.

André ressalta o caráter sustentável do projeto na geração de empregos e no fomento ao turismo em Santa Catarina, visto que será construído sobre o mar e não vai avançar sobre áreas verdes.

“Acreditamos que os projetos apresentados vêm a impulsionar o turismo e desenvolvimento econômico, e juntos, aplicados com parcimônia e de maneira correta, complementam uns aos outros, fazendo com que coletivamente possuam maior valor agregado”, enfatiza.

Ele ainda faz um alerta sobre as propostas que estão surgindo. “Devemos distinguir os “especuladores de plantão”, identificar projetos que nunca sairão do papel. Por isso, cabe a Banca Examinadora (Conselho da Cidade e COMTUR), avaliar quais empreendimentos possuem viabilidade técnica, ambiental e econômica, ao exemplo do BC PORT”, finaliza.

Cassino, show de águas e mobilidade

O Waterfront Barra Sul é outro projeto ousado. Ele começou a ser desenhado no ano passado, com os olhos voltados para a liberação dos cassinos. Se for aprovado, o projeto vai permitir um cassino por Estado, e a ideia é colocar Balneário na dianteira dessa disputa. A construção seria na Barra Sul, contando com o engordamento da faixa de areia.

Uma torre com 55 andares vai abrigar o cassino com hotel, shopping, teto jardim, restaurantes, casas noturnas e uma estação de monorail (bonde sobre trilhos) como uma nova alternativa de modal para a cidade. Isso, aliado a uma marina pública com 341 vagas, helipontos e um terminal marítimo com transporte por catamarãs (barcos com capacidade para até 450 passageiros para transportes entre cidades).

Na extensão do Molhe da Barra Sul, uma conexão com o BC Port, um aquário gigante e público, show de águas; praças para esportes náuticos (skate park, beach tennis, tenda de esportes); playground; áreas verdes com sombra; espaço gastronomia, estacionamento no subsolo para quase 1,3 mil carros e um palco semi-coberto para show.

Projeto conectado com o entorno

A ideia é ainda conectar, via Passarela, o acesso ao centro histórico e ao mercado público da Barra, que está previsto no projeto com áreas para feirantes, restaurante, espaços gastronômicos e mercado do peixe. Também está prevista a urbanização de toda a borda do rio. “Fará com que a Passarela tenha sentido, vai revitalizar toda a Barra Sul e a Barra, para que essa área não seja os fundos da cidade”, diz o arquiteto.

Para Ênio, o Waterfront Barra Sul vai além de um novo equipamento turístico. “Ele será um potencializador da matriz econômica. Não só como atividade náutica, mas com novas formas de transporte”, comentou. Ele defende que Balneário precisa de equipamentos para manter o turista ocupado por aqui por muito mais tempo.

No total seriam 127mil m2. Faqueti disse que ainda não chegou a uma estimativa de investimento.

“Com relação a custos não temos o levantamento exato, pois depende de diversos fatores, principalmente tipo de tecnologia a ser utilizada nas edificações e espaços públicos urbanos, mas sim, a ideia agora é buscar grupos privados para investir no projeto”, esclareceu o arquiteto Thiago Kruscinsk.


Quarta, 19/10/2016 10:14.


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