Jornal Página 3
A maternidade e suas constantes surpresas
Fotos: Arquivo Pessoal

Por Caroline Cezar, Renata Rutes e Marlise Schneider Cezar

Qual a história do seu nascimento? Todo mundo tem algo a contar do dia que chegou a esse mundo. Algumas viram notícia, chamam atenção, surpreendem a todos, pela maneira que ocorrem... São contadas e recontadas muitas e muitas vezes. Nesta reportagem especial reunimos histórias que ajudam a expressar a beleza, as surpresas (nem sempre boas), mas acima de tudo o amor incondicional da maternidade. Confira!

O poder da palavra

Há poucos dias nasceu na Praia Brava, dentro do carro dos pais, o pequeno Francisco. Segundo filho de Luciana Nascimento e Gustavo Leipnitz, o bebê veio em menos de uma hora de trabalho de parto, e cerca de duas semanas antes da data prevista.

Depois de passar o dia fazendo mudança, e organizando a casa nova, o casal pediu uma pizza para jantar. Luciana começou a sentir algumas dores, mas não acreditava que seria o parto.

Entrou no chuveiro para ver se passava e dali pra frente a evolução foi rápida e intensa. Convencidos que era a hora, se dirigiam para o hospital, mas no caminho ela sentiu que Francisco estava ali e avisou o pai e motorista, que parou o carro e recebeu o bebê, fato que ele já vinha anunciando durante toda a gestação. "Quem vai fazer esse parto sou eu, também quero ser parteiro", brincava Gustavo, afirmando um tempo depois que a palavra realmente tem poder.

Com o filho nos braços, em ótimo estado, foram ao hospital onde mãe e bebê receberam os primeiros cuidados. "Foi uma experiência transformadora", disse Gustavo. Luciana, que é massoterapeuta e doula, está tranquila com sua nova história: "Está tudo certo, não tem como controlar a vida. É assim mesmo".


PARTO DOMICILIAR, "planejado" é relativo

"Tenho três filhos. No nascimento do primeiro, com 21 anos de idade, um parto normal hospitalar, tudo surpresa: não fazia ideia de como aquilo ia acontecer, não sabia nada da real fisiologia do parto, a sensação que tinha era de estar meio apavorada com tudo que se apresentava naquele ambiente pouco familiar. No nascimento da segunda filha, seis anos depois, outra surpresa: bebê sentada, sem equipe para resolver um parto pélvico, cesárea de surpresa, uma experiência única e especial, sem nenhuma dúvida muito marcante e intensa.

Na terceira gestação, com mais experiência e clareza, optamos pelo 'parto domiciliar planejado'. Foi uma via sacra em médicos, equipes, hospitais até conseguir desenhar um caminho que em Balneário Camboriú não existia. "Isso não se faz", diziam. Na metade da gestação confirmamos com uma equipe de Florianópolis, e fizemos várias consultas de pré-natal, muito claras e informativas. Chegou o dia, ou melhor, a noite. A bebê veio rápido e decidida; a equipe chegou só uns 40 minutos depois. Encontrou uma bebê bem nascida, mamando, ainda ligada no cordão, e uma família quentinha debaixo das cobertas. Na hora do parto, o único medo que permanecia era a vaga ideia de que alguém quisesse nos tirar dali.

É engraçado como tudo é ponto de vista e até hoje quando conto essa história tem gente que acha que "deu errado", que "viu, que perigo, elas não chegaram a tempo". Já me perguntaram até se eu paguei a equipe. Claro que sim! O atendimento delas antes e depois foi fundamental, liberou minha cabeça e meu corpo, me fez tranquila e segura para ter o bebê na hora perfeita. Ter recebido nossa filha na intimidade de nosso lar, realmente em família, sem mais ninguém, foi uma experiência singular para todos nós que nos inebriou de um amor consistente, menos romântico e mais biológico. Era exatamente assim que eu queria, mas eu só soube depois que aconteceu. Optamos por entregar e confiar e recebemos muito em troca".

Caroline Cezar, mãe agradecida por cada surpresa.

Em casa, com ajuda do SAMU

A vendedora Ana Paula Sales de Quadros, 32, não esperava ter sua filha em casa, na noite de domingo (1º), mas aconteceu. A pequena Vitória nasceu pelas mãos de dois socorristas do SAMU, que tiveram que fazer o parto as pressas.

Quem chamou o SAMU, a princípio para levar Ana para o Hospital Ruth Cardoso foi a mãe dela, Maria Inês Sales. Ana já estava em trabalho de parto e quando a bolsa estourou ficou deitada na cama. Quando os socorristas chegaram pediram que ela tentasse se levantar para ir até a maca. Porém, não deu tempo.

“Foi muito rápido e emocionante. Ela estava prevista para nascer no dia 15, mas deu tudo certo. Foi diferente, eu não esperava. Após o parto fui para o Ruth, fiz exames e eles comprovaram que tudo estava ok”, explica.

"A escolha do nome foi através do irmão Vinícius, que insistia que queria que a irmã se chamasse Vitória. “Antes não tinha um motivo, mas agora tem (risos). Ela realmente foi uma vitoriosa”, afirma.

Segundo Ana, os socorristas estavam bem preparados para o parto, mas a emoção tomou conta de todos. “Foi um misto de riso e choro. Foi maravilhoso. Ela nasceu atravessada, primeiro saiu a mãozinha dela, e eles tiveram o cuidado de não me contar isso na hora, porque eu poderia me assustar. Eles me passaram muita tranquilidade”, conta.

Para Ana, os filhos foram as melhores coisas que aconteceram em sua vida e que com dois ela se sente ainda mais completa. A avó Maria Inês concorda, e diz que é maravilhoso ver suas ‘raízes’ crescendo.

Um dos socorristas que fez o parto de Ana foi Renaldo Marquato. Ele diz que em 99% das vezes o SAMU somente encaminha a grávida para o hospital. Nos 10 anos em que ele trabalha no departamento já fez muitas conduções e cerca de 40 ‘quase partos’, mas parto mesmo foram quatro. “Trabalhei muito no domingo, infelizmente atendi muitas coisas ruins, mas terminar o dia com uma ocorrência assim foi gratificante. Você sente que tudo faz sentido, que todo o esforço vale a pena”, explica. 

Mães em dobro

Toda mãe é especial e a pequena Júlia, 6, sabe bem disso, porque ela tem duas: a biológica Nathalie Graciele e a de coração, Sylvia Toledo, que vivem juntas desde que Júlia tinha pouco mais de um ano. São casadas oficialmente há três anos.

Nathi conta que a ideia de ter Júlia surgiu quando ela estava em outro relacionamento, quando decidiu unir-se a um amigo para que pudesse engravidar. “O relacionamento com a minha ex não deu certo, e após um tempo conheci a Sylvia e resolvemos ficar juntas”, diz. A pequena não tem contato com o pai, mas o conhece.

Sua visão de família é junto das duas mães. Ela tem muito contato com a família materna, e inclusive diz que tem quatro avós: a mãe e a madrasta de Nathi, a avó de Nathi (que é sua bisa, mas ela também chama de avó) e a avó paterna, com quem não possui contato. “Ela teve uma tarefa do colégio em que precisava desenhar sua árvore genealógica. Ela colocou o pai e a mãe, mas abaixo da Nathi ela colocou o meu nome também. Ou seja, ela não me vê como substituta do pai e sim como mãe dela também”, contou Sylvia.

Júlia não vê diferença de sua família com as outras, apenas tem duas mães. Por isso, os presentes acabam sendo em dobro: na escola ela fez dois cartões de homenagem ao Dia das Mães. “A gente impõe na sociedade que ela tem família, sim. Somos respeitadas porque impomos respeito, mostramos que estamos presentes. Quando eu não posso ir a alguma reunião do colégio a Sylvia vai, por exemplo. Qualquer coisa uma supre a outra. Sou mãe de sangue, mas o amor e a segurança que a Júlia sente é igual comigo e com a Sylvia”, explica Nathi.

 

Transformando a saudade em amor

Como é o Dia das Mães para quem perde um filho? A psicopedagoga e psicoterapeuta Renata Rossana Ribeiro Gamba, catarinense de Lages, que reside há um ano em Balneário Camboriú, foi surpreendida em 2012, quando seu filho Rodrigo, 20 anos, morreu em acidente de trânsito. Ele estudava medicina na Unoeste, em Presidente Prudente (SP) e no feriado de Nossa Senhora de Aparecida foi competir nos Jogos Universitários em Jales (SP) e na volta, morreu em acidente de trânsito junto com outros três colegas. Rossana escreveu sobre essa ‘passagem’ no livro ‘Viver...Além dos Filhos’, que lançou semana passada em Balneário (o livro circula há um ano por todo o país).

JP3 - Dia das Mães é uma conhecida data comemorativa, de encontros, abraços, beijos e muita alegria para mães e filhos. Como você sente essa data?

Rossana - A saudade física do abraço, do beijo, de estar junto é muito grande! Mas a benção de ter dois filhos tão maravilhosos, o Rodrigo no plano Espiritual, e o Guilherme conosco no plano Físico, me traz a certeza que ser mãe é algo que transcende, é um amor infinito e incondicional, onde a única coisa que realmente importa é a felicidade deles! E como o Rodrigo voltou para a casa eterna ainda jovem, acredito que a sua missão aqui na terra foi cumprida, nada é por acaso, dou sempre a minha benção a ele e transmito o meu infinito amor para que o receba no plano de luz onde está.

JP3 - É um dia para reviver sua história com o filho? Ou consegue superar e olhar sempre em frente para não olhar o passado e entristecer?

Rossana - Não existe no coração das mães somente um dia para reviver a história com o filho, ela acontece diariamente, em várias situações e momentos. A energia linda que se manifestou quando nosso filho aqui estava, continua viva em nossos corações, vibrando em outra dimensão. Portanto, não existe só a história passada, a vida é uma caminhada evolutiva, uma marcha constante. Nada pára na vida, tudo se mexe, tudo se transforma, tudo se adapta; Ninguém ficou eternamente aqui, um dia também faremos a nossa ‘passagem’ e nesse momento nos encontraremos com aqueles que foram antes de nós, em especial nossos maiores tesouros: nossos filhos. Essa é a minha certeza!

JP3 - O que gostaria de dizer para mães que perderam seus filhos?

Rossana - Devemos aprender a transformar essa saudade em Flor de Amor! Para que nossos filhos no plano de luz onde estão, possam sentir esse amor infinito e eterno e sintam-se protegidos como um dia o protegemos quando estavam aqui conosco! Procurem a certeza da ‘vida após vida’, pois ela é um acalanto para o coração; sossega a mente e faz sentir a grandeza que existe em tudo que vivemos, sentimos e intuímos. Existe algo maior que os nossos olhos carnais não conseguem decifrar. O infinito para onde também vamos, é algo eterno, que não conseguimos mensurar e descrever; é algo ‘abençoado’, ‘divino’ em expressão e na forma de ser. Vamos procurar ficar bem, cumprir a nossa missão aqui, para que os nossos filhos também fiquem bem onde estão!

JP3 - Há um velho ditado que diz, só o tempo pode ajudar em situações como esta. Você concorda?

Rossana - A vida nos coloca, em determinados momentos, a pensar, a questionar, tudo que se passa... São tantas as perguntas que fizemos e as respostas na maioria das vezes encontramos dentro de nós mesmos. Quando aconteceu a volta do Rodrigo para o plano de luz, já estava estudando esse lado da continuidade da vida há 20 e poucos anos! Tinha comigo essa inquietação de entender porque passamos por aqui e não ficamos aqui?

Pensava... se Deus, nosso Pai e Criador, nos ‘fez’, nos ‘inventou’, humanos de carne e osso, dotados de uma inteligência espetacular como poderia ele ‘acabar’ ou ‘destruir’ a sua criação, os seus filhos, que são a sua imagem e semelhança, através do fenômeno chamado morte? Jamais! Existe uma continuidade, um propósito maior em tudo isso!

E foi com certeza da existência de uma ‘Vida após Vida’ que consegui amenizar a dor da saudade, compreendendo que se aqui fiquei e meu filho amado Rodrigo foi, é porque eu ainda tenho algo a fazer aqui, e ele já cumpriu a sua missão.

 

O primeiro Dia das Mães elas nunca vão esquecer

O primeiro a gente nunca esquece. Foi pensando nisso que a reportagem procurou mamães de primeira viagem, para saber sua expectativa sobre seu primeiro Dia das Mães. As histórias são diferentes, mas todas concordam com o fato de que seus filhos mudaram suas vidas e que essa data agora é ainda mais emocionante e importante.

Mãe de gêmeas

A jornalista Alessandra Damaceno Webber comandava a assessoria de comunicação da prefeitura de Balneário, quando descobriu que estava grávida. Ela e o marido Vinícius sempre desejaram um filho, mas acabavam sempre adiando. Quando Ale enfim decidiu que queria engravidar, não conseguiu. Ela decidiu então adiar mais uma vez e fazer um mestrado, quando enfim descobriu que estava grávida.

No começo, Ale não se sentiu muito bem e teve que ir ao hospital. “Durante a ultrassonografia o médico disse ‘o bebê um está bem e o bebê dois também’. Eu fiquei chocada e disse ‘não, é só um, eu já fiz ultrassonografia e vi’. E então ele riu e disse que havia se multiplicado, porque estava aparecendo dois”, relembra. Apesar da surpresa, a felicidade que Ale viveria dali em diante seria também em dobro.

“Decidi que não haveria mais mestrado, e que agora eu ia aprender a trocar fraldas, pois até então nunca havia trocado uma. Nem segurava uma criança direito no colo. Tinha muito medo...”, diz.

Mesmo grávida de Rebeca e Nicole, continuou trabalhando normalmente. Engordou 24 quilos, mas o mais difícil para ela era comer e dormir, pois sua barriga ficou muito grande.

“A minha ficha de estar grávida e ser mãe só caiu quando elas nasceram. Trabalho desde os 14 anos e nunca havia pensado em parar, mas com elas todas as minhas prioridades mudaram. Por isso, decidi dar uma pausa, sem data, para curtir as minhas pequenas”, conta.
As pequenas são gêmeas de placentas diferentes, mas, segundo Ale, com personalidades muito parecidas e fortes.

“Elas têm uma ligação apaixonante. Parece que se entendem só de olhar. Durante o dia elas ficam bem juntinhas, se uma chora a outra fica olhando, se uma ri a outra também começa a rir. Elas chegam a dormir de mãos dadas”, relata. A jornalista afirma que esse Dia das Mães para ela será indescritível.

“Hoje eu vivo um sentimento tão forte de amor e carinho que não tem como descrever. Sempre quis ser mãe, mas nunca imaginei que seria tão maravilhoso. Ser mãe de gêmeas está sendo ainda mais gostoso do que eu imaginava. Quando eu estava grávida as pessoas faziam questão de me contar suas experiências ruins, mas quando tive elas vi que não era nada daquilo. As experiências dependem de como você está disposta a encará-las, e para está sendo incrível”, comenta.

Para quem quiser saber mais sobre as três, Ale criou a página O Mundo das Gêmeas.

Um sonho que se tornou realidade

Quando a consultora de Imagem e Estilo Fernanda Berejuk descobriu que estava grávida de Pedro, que hoje tem três meses, sentiu uma mistura de sentimentos.

“Me senti extremamente feliz, mas também com um pouco de medo, do tipo: será que vou dar conta do recado?”, conta.

Fernanda sempre trabalhou, e uma das primeiras coisas que fez quando descobriu a gravidez foi dar uma pausa na carreira. “Tive que ficar de repouso das nove até 13 semanas de gestação. No começo eu senti bastante, mas depois eu percebi que esse era o momento de cuidar da minha saúde e da saúde do meu filho, então levei essa mudança da melhor forma possível”, diz.

Ela afirma que não existiu nada que pudesse prepará-la para a chegada do filho, a não ser ele mesmo. “Eu busquei sempre orientação do meu obstetra, que foi maravilhoso para mim em todos os momentos, e também de amigas que são mães. Essa troca de experiência acrescentou muito, mas também procurei ler sobre o assunto”, afirma.

Fernanda contou com o auxílio da mãe, que trabalha na área da saúde e a apoiou em todos os momentos. “Grávida eu sempre falava: gente, cadê o botão que aperta e te transforma em mãe? (risos) Certo dia uma amiga me respondeu: ‘quando o Pedro nascer, o botão vai apertar automaticamente’ e foi assim mesmo que aconteceu”, relembra.

Ela afirma que o dia do nascimento de seu filho foi o dia mais feliz e pleno de sua vida. “A mudança é tremenda, mas algo pelo qual eu já esperava. As dificuldades existem sim, e são muitas. Para mim o mais difícil ainda é lidar com o cansaço. Amamentar e cuidar 24h de um bebê é exaustivo, mas a onda de amor que nos liga me segura e me faz concluir mais um dia com muita força, dedicação e alegria”, confessa.

Ela diz que sempre viu o Dia das Mães de uma forma muito especial, apesar de que acredita que essa data deve ser comemorada todos os outros dias do ano. “Nesse em especial, o meu primeiro como mãe, estou me sentindo muito feliz e realizada. Minha admiração e gratidão a todas as mães do mundo. Feliz dia!”, finaliza.

Grandes mudanças pelo filho

A jornalista Rafaella Reinert Souza sempre sonhou em ser mãe, tanto que ela e o marido, que moravam em uma casa com um quarto, decidiram se mudar para um apartamento maior já pensando no futuro filho.

“Fui ao médico, fiz todos os exames e começamos a tentar! Seis meses depois eu engravidei e perdi o bebê. Isso aconteceu em dezembro de 2014. Em fevereiro de 2015 eu estava grávida de novo! O desejo era imenso, queríamos muito um filho...”, conta.

Ela sempre quis ter seu bebê de parto normal, pensando em sua recuperação, mas não sabia o quanto isso também seria positivo para seu filho. “Assisti ao filme o Renascimento do Parto e tive a certeza do que queria. No Facebook achei uma doula, começamos a conversar e ela me convidou para participar de um grupo de gestantes, o Gesta, onde pude tirar todas as minhas dúvidas”.

Rafaella escolheu o parto humanizado quando descobriu seus diferenciais. “Foi tudo perfeito como imaginei. Eu estava segura de minhas decisões e me preparei muito. Eu tive leite para ‘dar e vender’ porque o meu desejo de amamentar e minha preparação para tal eram gigantes. Esperei as noites em claro, mas elas não vieram, esperei as cólicas desesperadoras, mas elas não vieram. Tive sorte? Não sei... Mas segui a risca o que minha doula me orientou”, explica.

Rafa foi adepta do sling (carregador de bebê feito de pano, onde a criança fica sempre perto da mãe, com livre acesso ao seio materno) desde o primeiro dia de vida de Antônio. Na época ela não sabia, mas isso faria uma grande diferença em sua vida materna.

“Trabalhei como assessora de imprensa até o fim da gravidez. No ultimo mês trabalhei de casa para evitar o deslocamento dirigindo até o escritório. Sempre tive todo o suporte necessário da empresa para qual eu trabalhava, a Oficina das Palavras”, diz. A jornalista acabou tomando a decisão que não voltaria para o trabalho, assumindo ‘com unhas e dentes’ a profissão mãe.

Foi aí que entrou o seu novo trabalho. Rafaella é aluna do Grupo de Dança Kaiorra há anos e teve que parar de dançar durante a gestação, mas quando seu filho completou seis meses ela teve uma ideia: criar algo que pudesse dançar junto do filho. Desde então, ela é professora de sling dance, que é jazz com sling para as mães dançarem com seus filhos. O grupo se reúne na academia, que fica em Camboriú, nas sextas e sábados, sempre às 15h. Para ela, o Dia das Mães é para reunir as famílias, a sua e a de seu marido, e celebrar o amor que os une, ‘que não se pode explicar, apenas sentir’.

 

Artigo: "Vida é surpresa"

Todo nascimento é uma surpresa. Assim como a hora da morte, a chegada nesse mundo, faz parte do mistério da vida. Confiar na vida parece pedir demais: pode dar errado, pode acontecer alguma coisa...a gente pode... até morrer! Se a vida não estiver nos surpreendendo o tempo todo, desconfie… não é natural.

Toda a sorte de equipamentos e tecnologias recentes -porque 50, 60 anos na história da humanidade é nada- nos serviu para alguma coisa, mas é inegável que nos atrapalha sobremaneira no nosso relacionamento com o mistério da vida. Esse que devia ser o mais íntimo de todos os relacionamentos, o mais estreito, porque se trata do inevitável: a vida acontece. Mas a tecnologia e a sociedade está gritando: - Você que manda! Está tudo sob controle! Faça do seu jeito! Programe! Interfira!

Idealizar o nascimento de um filho gera expectativa e expectativa gera frustração. A mulher precisa sim se preparar para tornar-se mãe, mas essa preparação fala de fé inabalável, de confiança e entrega, e não de controle e prepotência. Fala de abertura e consciência, de singularidade e conexão.

Os que cercam essa mulher -família, amigos, profissionais da saúde- deviam também ter em foco a confiança naquele binômio: a mãe que vai nascer, o bebê que a escolheu. Mas parece que quanto mais se aproxima a chegada, mais pavor em lidar com o mistério. Dobram, triplicam, o número de exames, consultas, perguntas, ansiedades e o telefone nunca mais pára de tocar. Essa mulher, nesse momento, não precisa disso. Essa mulher, precisa estar em contato com ela mesma, com seu ritmo interno, com seu pulso e sua confiança na vida. E as pessoas que orbitam essa mulher também precisam resgatar essa afirmação, essa confiança na Ordem.

Por mais que se planeje, se interfira e crie-se um falso controle, os nascimentos continuam sendo surpresas, e como a surpresa pega de surpresa, precisa tempo para recompor. Por isso recomenda-se à mulher que recebeu uma criança -por qualquer via, até mesmo as judiciais- preserve-se e interiorize o seu rito de passagem. O que aquele momento trouxe como ensinamento? O quanto sou grata por mais essa experiência? O quanto posso crescer a partir daqui? Esse é o apoio necessário a essa mulher: que ela possa se preservar e viver integralmente sua experiência; que os seus próximos cuidem do entorno para que ela se dedique à tarefa de um profundo transformar-se, de uma nova rotina, de um novo papel, de lidar com tudo que vem à tona. Que ela não tenha que se preocupar com as convenções sociais, pentear o cabelo ou servir chá para visitas. Que ela pode se despir, ficar à vontade na sua intimidade, porque existe toda uma rede que entende essa necessidade e a apóia fundamentalmente nesse grande tecer que é a base de nossa existência amorosa.

Caroline Cezar é mãe e doula.


Sexta, 6/5/2016 14:23.


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