Jornal Página 3
Jornal Página 3 completa 25 anos de circulação ininterrupta

O Jornal Página 3 nasceu uma semana depois de Balneário Camboriú completar 27 anos, exatamente no dia 26 de julho de 1991. Reviva alguns dos fatos marcantes deste um quarto de século de jornalismo impresso.

Da cola, papel, estilete e tesoura ao telefone celular

Por Waldemar Cezar Neto

O celular que hoje carregamos no bolso tem capacidade equivalente a 16.000 computadores PC-XT, o modelo que o Jornal Página 3 tinha quando sua primeira edição foi impressa.

Era uma época, apenas 25 anos atrás, sem telefones celulares, sem câmeras digitais, os raros e caros computadores não trabalhavam com imagens, só com textos e uma linha de telefonia fixa custava em Balneário Camboriú mais de 4.000 dólares.

As principais ferramentas para fazer o jornal eram máquinas de escrever, um computador, uma impressora para os textos que seriam cortados em tiras e colados, mesa de luz (um vidro iluminado por baixo), régua, estilete, tesoura e cola. Portanto, tinha que ter boa coordenação motora para montar as páginas.

Quando terminava a montagem, o chão da redação estava forrado com restos de dezenas de folhas de papel.

Os filmes fotográficos eram revelados através de banhos químicos no laboratório da Real Color, uma loja da cidade. Na época, Balneário tinha muitos laboratórios fotográficos, sempre cheios de clientes porque não existiam fotografias digitais.

Com o que parecia uma colcha de retalhos de papel montada, era necessário levá-la até a gráfica. Nesses 25 anos, o Página 3 imprimiu a maior parte do tempo na RBS, em Blumenau, mas também no jornal O Estado em Florianópolis; jornal O Estado em Curitiba e Gráfica Riosul em Itapema.

Na gráfica as fotos eram reproduzidas numa máquina especial para obter o “contato”, uma imagem reticulada que seria cortada e colada nos espaços em branco, como um joguinho de montar.

Com todos os textos e fotos colados sobre uma folha de papel-gabarito, chamado “past up” era produzido o fotolito, uma espécie de negativo, uma imagem invertida da página.

Esse negativo, através de outro processo físico-químico, iria criar a imagem na chapa de impressão.

Essas duas últimas etapas continuam existindo, fotolito e chapa, embora máquinas mais modernas dispensem o fotolito. Todo o restante mudou.

Hoje os textos e as imagens deixaram de ser “físicos”, são digitais, estão “na nuvem”. O diagramador recebe o material de diversos computadores distantes e os distribui com rapidez nas páginas.

A etapa de revisão, duas décadas e meia depois, continua a mesma, uma ou mais pessoas conferindo letra por letra –e às vezes ainda ocorrem erros.

O material conferido vai para a gráfica pela internet e o processo, até a gravação das chapas, é acompanhado remotamente na sede do jornal. Antes levávamos de automóvel, agora vai pela “rede” em 10 minutos.

Mudou um monte e vai mudar mais. As grandes mudanças tecnológicas daqui em diante deverão ser na forma de distribuir as notícias, com a consolidação da internet como principal fonte de leitura.

Escrever notícias, editá-las e conferi-las para leitura parecem ter chegado ao limite da mudança, vamos ver como será dentro de 25 anos.

Notícias que causaram polêmica e alvoroço na praia

Por Marlise Schneider Cezar

Memória e arquivos. É uma combinação boa, mas concentrar 25 anos desse conjunto em algumas poucas linhas, fica bem complicado. Por isso folheando e revendo os arquivos em papel mais as lembranças (escrevemos tudo isso mesmo?) separei uma seleção de notícias, fotos, curiosidades que mexeram com a comunidade. Muitas delas acabaram com as vendas em bancas em tempo recorde. Naquele tempo não tinha internet. Muitas delas também renderam processos e mais processos. O ex-prefeito Luís Castro foi o campeão de processos contra o jornal. O que importa é chegar aos 25 anos com a certeza de que valeu a pena cada linha, cada parágrafo, cada matéria, cada entrevista, cada informação. Acompanhe:

*Roubalheira na Julifest 

Edição número 2 - 2/8/91

A cidade tremeu, porque a Festa das Nações era comandada por clubes de serviço, mas na segunda semana de circulação, o Página3 apresentou denúncias de desvios, gente faturando ‘por fora’, caixa 2 etc...

*Bordamar baleou Zé Carlos Caseca

Edição número 68 – 13 novembro de 1992

*O ladrão acabou. Feliz Ano Novo!

Edição número - 31/12/92

O jornal acompanhou os movimentos estudantis, saiu às ruas em passeatas, pediu junto com os caras pintadas, o impeachment de collor. Ele renunciou antes.

*Parlamentarismo faz o seu primeiro comício público no Brasil, na praça Tamandaré.

Edição 79 – 22/01/93

Foi uma intensa movimentação de políticos na cidade, os comícios eram no centro, junto à praia, com grande concentração de público.

*Declarações de bens incriminam Júlio Lorensatto Ferreira, ex-secretário de Administração e atual vereador.

Edição 80 – 29/01/93

O caso gerou a primeira CPI da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Sérgio Lorenzato. Nunca se viu, leu ou ouviu tanta falcatrua. Toda semana o jornal era aguardado para saber quem ou o quê mais estava por vir. Foi um grande escândalo político.

*Barcaça irregular causa acidente e mata quatro turistas

Edição 92 – 23/04/93

Elas eram aposentadas argentinas em férias. A barcaça virou quando levava os turistas do barco de passeio até a praia de Laranjeiras. Outros 11 ficaram feridos. Houve superlotação e não havia colete salva vidas para todos. Foi notícia internacional.

*Povo vota pela continuação do presidencialismo.

Edição 92 – 23 de abril de 1993

O plebiscito movimentou parte da população. Em Balneário o parlamentarismo recebeu 6511 contra 10826 do presidencialismo.

*Baleia morre na praia apesar do esforço.

Edição 101 – 26 de junho de 1993

Autoridades e populares lutaram para salvar a cachalote que encalhou num domingo à noite, em frente ao hotel Fischer. Mas não conseguiram. Na segunda-feira, acabou o estoque de vaselina, Hipoglós, e tudo que era bom contra queimadura solar...porque o dorso da baleia estava sob sol intenso. Na volta, barcos e mais barcos jogando água, cobrindo ela com lençóis. Nada adiantou. A equipe do Página 3 (leia-se Bola, Marzinho e Marlise mais o fotógrafo da prefeitura Sansão) virou a noite trabalhando e torcendo, mas a cachalote morreu na terça-feira. O que fazer com ela? Somente na quarta-feira foi decidido transportá-la de caminhão para Florianópolis, onde o esqueleto está até hoje. A praia viveu dias de temporada, praia cheia, curiosos vieram de todas as partes.

*Sacada mata-turistas: o prédio estava totalmente irregular.

Edição 183 – 16 de outubro de 1993

A sacada desabou com quatro turistas, uma delas morreu. O dono do prédio é o argentino Fernando Ortilli que está responsabilizando os engenheiros Alberto Rassele e Jorge Cachel.

*Juiz decide que a fedorenta Sultepa ficará fechada.

Edição número 130 - janeiro 1994

A empresa agrediu o meio ambiente e devastou o Morro do Boi por mais de 10 anos impunemente. As marcas deste estrago podem ser vistas até hoje.

*Crime do freezer tem suspeito. Mãe e filho são mortos e congelados.

Edição 240 – 24 de fevereiro de 1996

O crime aconteceu na Lanchonete São Roque, na Rua 1500 quase esquina com Brasil. O jornal estava fechando mais uma edição quando ‘explodiu’ a notícia. Osni Antunes matou a mulher e o filho dela de 23 anos, esquartejou os corpos e guardou em dois freezeres. E se mandou. Como não pagou mais a conta, a luz foi cortada e os vizinhos sentiram o mau cheiro. Assim foi descoberto o crime. O jornal esgotou em poucas horas nas bancas.

*Afastamento do prefeito Luís Castro

Edição 244/23 de março de 1996

A justiça determinou o afastamento durante prazo máximo de 90 dias ou enquanto durar a instrução criminal do processo 481: o prefeito foi acusado de ter pago seu advogado particular com dinheiro da prefeitura. Este advogado foi pago para mover uma dezena de processos contra o jornal Página3 pelo suposto crime de calúnia. As provas contra Castro são acachapantes. O vereador Sérgio Lorenzato reuniu cópias de comprovantes de pagamentos obtidas junto ao TJ que confirmam as acusações. Outro grande escândalo político na cidade.

*O vice Dado Cherem assume a prefeitura

Edição 245/30 de março de 1996

*Auditoria termina e confirma roubalheira do governo anterior

Edição 254/1º de junho de 1996

*Auditores da Esag emitiram relatório que confirma o que o Página3 vem denunciando há dois anos: a administração Castro causou enormes prejuízos aos cofres públicos.

*Castro reassume. Cherem completou 78 dias debaixo de ‘mau tempo’

Edição 256, 15 de junho de 1996

Nesse curto período de tempo, Dado Cherem emplacou duas novidades: não houve roubo de dinheiro público e a palavra do prefeito dada em público não se modificava minutos depois no gabinete como tantas vezes aconteceu na gestão do mentiroso Castro.

*O fantasma do Piriquito

Até os repórteres do Página 3 não conseguiam acreditar que a maior parte do dinheiro da campanha foi doado por um fantasma, uma pessoa que não existia e se chamava Waldemar.

CURIOSIDADES

1ª Capa cor

Edição 417, de 10 de julho de 1999, foi primeira capa colorida do Página 3.

Gringos

Página 3 –Turismo já está circulando na Argentina com notícias de Balneário – “Balneario Camboriu prepara profesionalización de su turismo"

Primeira entrevista 

O jornal Página reuniu os magistrados Alaíde Maria Nolli, 27, Robson Luz Varella, 26, os promotores Luiz Alberto Cavalcanti, Gotardo Antonio Andreola, 45 e Mário Luiz Melo, 28 para um debate sobre o Poder Judiciário no Brasil. (Depois de uma hora de debate, fomos conferir o gravador que não estava ligado. Felizmente os entrevistados compreenderam e não se importaram de começar do começo...)

Corrida de Bateiras

 

Página 3 promove em 1992 uma competição para comemorar seu primeiro ano. O prêmio era uma bateira novinha feita pelo Santinho. Em 1993 mais uma bateira entregue diante de grande público.

ENTREVISTAS

*Waldir Guse, na edição de 16 de agosto de 1991

O cabeleireiro das mulheres mais elegantes da praia, assumindo sua homossexualidade (in memoriam, falecido em fevereiro de 1993): “Eu amo a mulher. Mas tá cheio de mulher casada de Camboriú, de cidade vizinha, fazendo ponto, pegando guri de colégio, tá assim óh!!!”

Manoel dos Santos (Manequinha) na edição de 10 de julho de 1993

Com 42 anos, 97 centímetros de altura, 23 quilos, andava de bike por toda a cidade e era muito respeitado. “Tenho sete irmãos, tem um com quase dois metros, o único pequeno sou eu”.

*Evandro Lins e Silva

Um dos homens que ousou enfrentar o corrupto fernando collor de melo, quando esteve palestrando em Balneário a convite do advogado Carlos Cesário Pereira.

“Antigamente em geral a corrupção era assim tumores...fixação ali e aqui, depois ela virou uma septicemia, abranfendo tudo e no último governo a coisa tomou um aspecto inusitado, a ponto de permitir que o presidente da república fosse desalojado do poder”. Ed.111 – 4 de setembro de 1993

*Lula da Silva

Em campanha em Balneário, foi entrevistado no Posto do Jaison, na Terceira Avenida: “Quem sabe fosse importante fazer uma CPI da campanha do Esperidião Amin em SC para saber de onde veio o dinheiro”.ed.135 – 19/02/93

COLUNISTAS JP3

Edição número 1 - 26/7/1991
*Luiz Alberto Cavalcanti (in memoriam)
*Oliveira Brandão
*Rogério Faísca

Edição número 34 – 13 de março de 1992
*Jota Junior (Coluna ativa)
*Professor
*Professor José Ricardo
*Bola

Edição número 92 – 23 de abril de 1993
Nagel Milton de Mello (in memoriam)

Edição número 140 – 26 de março de 1994
Waldemar Cezar Neto – Dedo na Moleira (escreve também a Coluna Culinária até hoje. Antes do Dedo na Moleira e da Culinária, escreveu as colunas Arnildo Dicolla (Esportes), Cérebro Eletrônico (Informática) e Box (Cultura).

Ed.295 – 8 de março de 1997
Enéas Athanázio (Coluna Ativa)

Ed.617 – 10 de maio de 2003
Sônia Tetto (Coluna Ativa)

Ed.723 – 21 de maio de 2005
Augusto Cesar Diegoli (Coluna Ativa)

Ed.753 - 17 de dezembro de 2005
Robertinho (Coluna Ativa)

Ed.814 – 17 de fevereiro de 2007
Fabi Loos (Coluna Ativa)

Quem mais assina ou assinou coluna no Página 3

*Caroline Schneider Cezar (assinou Poucas&Boas e hoje assina Ex Pressão)
*Ike Gevaerd (assinou Roteiro de Viagens e hoje assina Turiscope)
*Ademar Silva
*Elias Silveira
*Bola Teixeira (assinou Canard)
*Ricardo Cabral
*Zélio Prado
*Higino Oltramari
*Georgia Mello
*Kuka
*Karina Peters
*Alessandra Schauffert
*Marlise Schneider Cezar (assinou Mulher, Nossa Gente (entrevistas) e hoje assina Arquivo JP3 – 20 Anos Atrás e a Coluna Falando Nisso (Página 3 Online)
*Universo do Vinho (Batista Dilda)

Quem foram os anunciates da primeira edição JP3 

*Camvel
*Câmara Vereadores
*Contrutora Basualdo
*Di Domênico Imóveis
*Amoaras Auto Posto
*Imobiliária Bom Pastor
*Imóveis Ruben Sixto Sperati Franco
*Claudete Imóveis
*Motel OK
*Art´Vision Vídeo Locadora
*Restaurante Sinhá Maria
*Lavação AF
*Mercol Motos
*Burato Imóveis
*Floricultura Realce
*Fábrica Móveis Veit
*Latoaria e Pintura 1100
*Mãe Diana de Iemanjá
*Comp-Hotel – Informática para Hotelaria
*Menina FM
*Equipesca

Mais em fotos


Segunda, 25/7/2016 8:16.


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