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Especial: os cães nada convencionais da praia
O cão Dudu adora andar de skate e passear no mar com o dono
O cão Dudu adora andar de skate e passear no mar com o dono

Região é destaque na formação de cães e instrutores

Por Daniele dos Reis

IFC já produz suas próprias ninhadas, que vão ajudar a formar instrutores em breve

Já podemos nos considerar referência na questão dos cães-guia no país. No mês passado foi inaugurada no Bairro dos Municípios a sede própria da Escola Helen Keller, que vai preparar cães para deficientes visuais. Em Camboriú, o Instituto Federal Catarinense tem desde 2012 o Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia. Apesar de semelhantes, os dois projetos são distintos, mas ainda causam certa confusão.

Na vizinha Camboriú, o foco é formar multiplicadores, futuros especialistas na técnica de treinar cães. No entanto, como ao longo do curso a formação do cão-guia é inevitável, animais também vêm sendo preparados para serem cães-guia, como na Escola Helen Keller. A diferença é que no IFC o projeto é custeado totalmente com recursos do Governo Federal e chega agora a sua segunda turma de alunos.
A primeira turma formou cinco treinadores. Alguns estão atuando como professores e os demais deverão ajudar na perpetuação do projeto em outras unidades do país. Neste primeiro momento as matrículas são reservadas a servidores de institutos para começar a formar esse tipo de especialista, até então preparado apenas no exterior.

Por enquanto, além daqui, apenas o campus de Alegre, no Espírito Santo já tem formação de treinadores em andamento. Segundo o coordenador do curso, Paulo Ricardo Martins o número de vagas é baixo justamente pela estrutura e investimento necessário.

Estrutura

Ele explica que só um terço dos animais se torna guia, por causa de problemas comportamentais ou mesmo de saúde como a displasia. “Se eu preciso de cinco cães para formar um aluno, eu preciso de 15 cães. Se preciso de 15 cães por aluno, preciso de 15 famílias socializadoras”. Essa conta deve ser multiplicada pelo número de alunos, justamente por isso, as turmas são pequenas.

No Centro existe estrutura para acomodar 48 cães. Em caso de turmas maiores, a estrutura e o investimento também precisariam de reforços, possibilidade remota depois das reestruturações e cortes feitos após o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

“Estamos sentindo bastante e na expectativa para que haja um entendimento que o projeto tem um cunho social importante e que venha a ser mantido dentro dos padrões de recursos necessários”, defende o coordenador.

Como funciona o curso

Paulo Ricardo conta que o grande desafio foi implantar um curso que não tinha nada parecido como referência. Desde então a grade e o projeto pedagógico do curso vêm sendo ajustados de acordo com as realidades constatadas no dia a dia.

Ele chegou a visitar a Espanha e o Reino Unido, onde o cão-guia é uma tradição, para conhecer como funciona o sistema fora daqui. Na Espanha, a Organização Nacional dos Cegos Espanhóis tem o direito de explorar loterias, o que ajuda na capitalização de uma rede que vai desde postos de trabalho para deficientes, até a formação dos seus guias. No Reino Unido, o cão-guia é quase uma instituição com mais de 70 anos. Em média são formados cerca de 800 cães-guia ao ano por lá.

Aqui, como o projeto é federal, não pode receber recursos de terceiros e até o voluntariado é complicado. O único voluntariado direto que existe é com as famílias, tanto as acolhedoras como as socializadoras. Estas são responsáveis por mostrar o mundo ao animal, conviver em ambientes e situações diversas.
Além delas existem as famílias acolhedoras. Elas recebem cães que não estão em socialização, por exemplo, o macho e as fêmeas matrizes, designados a procriar novos cães ou mesmo aqueles que não serviram para o trabalho de guia.

O dia a dia do treinamento

O treinador Carlos Eduardo Rebello, que se tornou instrutor na primeira turma de alunos, relatou que além das aulas teóricas, o trabalho com os cães começa cedo. Com dois meses os filhotes vão para a casa dos socializadores, onde ficam até os 15 meses de idade. “Todo esse período é acompanhado por treinadores e alunos também”, pontua Carlos.

Só depois desse tempo, os cães voltam ao Centro para receberem por até seis meses o treinamento para serem guias. O treinamento é intenso para cão e aluno, em uma rotina rígida com comandos e instruções sobre comportamento em locais variados.

O passo final é que esse treinador participe da formação da dupla entre um cão e um deficiente visual cadastrado.

De acordo com Paulo, cada animal trabalha aproximadamente 10 anos, depois começa a dar sinais de que deve ser aposentado. Como o projeto daqui é novo, teoricamente, depois que se aposentar, se a família não quiser mantê-lo, o cão retornará ao Centro para buscar uma família acolhedora. Em último caso deverá ficar no canil do próprio Centro.

A realidade

Na maioria dos casos, a dupla dá certo e o cão se torna imprescindível para o deficiente, entretanto, apesar de o cão-guia ser um sonho para milhares de pessoas, a realidade nem sempre é positiva. O coordenador Paulo afirma que já houve devoluções, pois o cão-guia significa independência e - para alguns – isso é sair da zona de conforto.

“Existem deficientes que são protegidos. Tivemos uma devolução porque a pessoa passou a ter que pegar ônibus, ela demorava 15 minutos para ir e agora demora uma hora e meia. A pessoa saía de dentro de casa e era deixada dentro do serviço, ela não sabia o que era chuva”, relata o coordenador.

Também há deficientes que percebem que não gostam de animais ou não estavam preparados para o trabalho que é manter, alimentar, brincar e cuidar de um cão-guia.

Para saber mais acesse www.camboriu.ifc.edu.br.

Ice: primeiro salva-vidas do país

Por Renata Rutes

O 7º Batalhão de Bombeiros Militares (BBM), de Itajaí tem hoje dois labradores, a Laika e o Ice. Esse segundo é super premiado, tem seis anos e está sendo treinado para ser o primeiro cão salva-vidas do Brasil. Ele atuará nas praias da região já neste verão. Ice faz parte da Equipe de Busca, Resgate e Salvamento com Cães do batalhão, comandada pelo sargento Evandro Amorim. Diferente da Polícia Militar, não há canil no BBM e os cães ficam com os seus comandantes, no caso, Ice mora com Amorim.

Amorim conta que Ice é considerado um cão precoce, porque normalmente eles começam a ser treinados com no mínimo um ano e meio e ele já estava preparado para começar um mês antes. Em maio de 2011 ele fez o primeiro teste em Itajaí e obteve a melhor pontuação na prova de busca rural na América do Sul.

Desde que começou a atuar, Ice já participou de diversas ocorrências, entre buscas rurais (pessoas que se perdem em trilhas ou podem ser localizadas em matas), buscas subaquáticas, atendimentos em desabamentos de edificações e desmoronamentos em morros (ele inclusive participou de buscas de pessoas no desastre de Mariana, em Minas Gerais), prestação de apoio à polícia, entre outras atividades. Ele é reconhecido em todo o Estado e já possui oito certificações mundiais.

Ice encara o trabalho como uma brincadeira. Como nos treinos ele costuma ser recompensado com presentes, agrados e comida ele fica esperando a pessoa encontrada o presentear. “É uma brincadeira na qual ele tem que localizar uma pessoa viva ou morta. Quando ele encontra ele fica latindo, pensando que essa pessoa dará um presente para ele. Sempre trabalhamos com a raça Labrador porque eles são brincalhões e dóceis, e jamais vai agredir ou atacar alguém”, salienta.

É pelo seu excelente trabalho que Ice foi escolhido para ser o primeiro cão salva-vidas do Brasil. O projeto-piloto é inspirado em um modelo italiano que usa cachorros em salvamentos marítimos. Os treinos têm acontecido principalmente na Praia de Cabeçudas, em Itajaí, onde ele provavelmente irá atuar. A função dele é levar um flutuador (boia) a uma vítima.

Por exemplo, se há três pessoas sendo arrastadas no mar e somente dois guarda-vidas em atendimento, Ice entra na água e entrega a boia para ela. Segundo o sargento Amorim não há perigo para o cão, pois ele vai chegar a no máximo um metro de distância da pessoa. “Então não vai ter como a vítima agarrá-lo e os dois afundarem juntos. O cabo que ele carrega, que estará amarrado na coleira, é que vai levar a boia. Ele vai dar a volta ao redor da pessoa, e essa vítima poderá então pegar”, afirma.

PM tem quatro cães farejadores

O canil do K-9 do 12º Batalhão de Polícia Militar de Balneário Camboriú é a casa de quatro cães: três pastores e um labrador. Eles farejam drogas e atuam como guarda e proteção. Porém, apenas o pastor belga de mallinois Yankee é que sai para as ocorrências. O outro pastor macho, Adolf, foi doado pela Polícia Federal e não pode ser utilizado porque é medroso. A única fêmea pastora, Atenas, está em treinamento e futuramente atuará nas ruas da cidade. O único labrador é o filhote Boris que ainda precisa crescer e ser muito treinado.

O comandante Evaldo Hoffmann, explica que o canil foi reativado quando ele assumiu o Batalhão. Antes disso, o local estava abandonado e tinha até focos do mosquito Aedes aegypti. “Usamos os cães nas barreiras, em operações e também nas ruas. Eles agilizam muito o nosso serviço, porque identificam rapidamente a presença de drogas. Para eles o trabalho é uma brincadeira, porque são treinados e quando encontram a droga são premiados, e para a sociedade é um ganho”, explica.

Um dos treinadores é o 1º sargento Rodolfo Bröering. Ele explica que o trabalho mais difícil no treinamento é a fase que a fêmea Atenas está: o de aprender a reconhecer o cheiro da droga. Ela está com um ano de idade e é somente nessa hora que pode ser apresentada a esses cheiros. Todo o trabalho que os cães realizam é recompensado, seja com petiscos como também com brinquedos e afeto humano. “É um mito o fato de que viciamos os cachorros nas drogas. Eles são treinados com o cheiro dela somente, não há nenhum contato físico deles com elas”, destaca.

Outro serviço feito pelos cães é o de guarda e proteção. Por exemplo, um policial vai abordar um suspeito e o cão fica de guarda. “Quando notamos que há resistência damos o comando que o cão lata. Eles são treinados em outros idiomas, até para que o bandido não tente comandá-lo. Se houver algum movimento brusco ou reação, o cão o ataca com uma mordida de imobilização. Pode machucar, por isso esse é o último estágio”, acrescenta.

Assim como o cão Adolf, que em breve será doado, nem todos os cachorros são aptos para trabalharem com a polícia. “Por isso que preferimos adquirir o cão. Aceitamos doações, mas quando vamos adquirir podemos ver qual é o filhote alfa da ninhada (podendo ser macho ou fêmea). O alfa se comporta de forma diferente, é o primeiro a tentar mamar, não se importa com ruídos externos...”, diz. Os cães policiais se aposentam com 10 anos de idade ou oito de serviço.

Vizinho do Batalhão

Uma situação curiosa acontece com frequência na Rua México, no Bairro das Nações, onde fica o batalhão da PM. Em uma casa do local vive um cachorro chamado Teddy. Apesar de ter dono, ele consegue escalar e pular o muro da residência e gosta de passear pela região, inclusive na Polícia Militar. Um dos treinamentos dos policiais é correr até o Morro do Careca e Teddy os acompanha. Ele faz amizade facilmente com as pessoas e até já acompanhou a assessora da polícia, Thayná Barretto, que mora na Praia Brava de Itajaí, até em casa. “Eu fiquei assustada porque achava que ele não ia conseguir voltar, mas ele foi comigo até em casa, brincou com os meus cachorros, comeu, bebeu água e foi embora. No outro dia ele estava na casa dele”, conta.

Cães maratonistas de Bombinhas

O corredor Giliard Altair Pinheiro foi o vencedor, pela sétima vez, da prova dos 42km da Indomit Bombinhas, no último dia 13. Junto com ele correm dois cães, o Negão (que correu todas edições da prova) e o Marley, que participou pela segunda vez. Negão é veterano, vive na praia de Bombinhas, onde Giliard costuma treinar. “Todos cuidam dele, inclusive eu, mas ele não tem um dono oficial. Muitas pessoas acham que ele é meu, mas não é (risos). No começo ele apenas latia, até que começou a me seguir e passamos a correr juntos. Ele vai perto de mim ou na minha frente, mas faz isso com todo mundo que corre lá... se você for correr em Bombinhas pode ter certeza que vai ter um cãopanheiro (risos)”, conta.

No último sábado Negão correu, segundo Giliard, cerca de 17 km. “Já o Marley é meu mesmo. Ele também sempre acompanhou os meus treinos, ia para a praia comigo e corria junto. Algumas pessoas diziam ‘ah, coitado do bichinho, ele vai cansar muito... mas ele gosta!’”, diz.

Marley já correu duas Indomits, mas nessa última foi, como Giliard mesmo diz, ‘esperto’. “Ele correu só os últimos 5 km. Minha esposa o levou para a última praia, perto da chegada final da corrida, e ele começou a correr a partir daí. Por isso ele atravessou a linha de chegada comigo”, comenta.

Cão skatista e maratonista

O atleta Tarso Gonçalves Soares, proprietário da Bootcamp Brasil, também tem um mascote que faz sucesso em Balneário Camboriú. O Eduardo, mais conhecido como Dudu, anda de skate e é super atleta: já correu 39km junto do dono! Tudo começou em 2013, quando Tarso estava treinando um grupo de pessoas (ele dá aula de treinamento funcional ao ar livre) na Beira Rio de Itajaí e viu o Dudu filhote circulando por lá.

“Todos os meus alunos ficaram tocados com a chegada dele e no final da aula eu acabei sendo convencido de levar ele para a Viva Bicho. Ele estava com anemia e muitas pulgas. Alguns alunos até me deram dinheiro pra comprar remédio e ração”, relembra. Tarso encontrou com a então namorada, Claudinha, e os dois decidiram que não tinham como ficar com o cãozinho, já que viviam em um apartamento e trabalhavam o dia todo. Porém, o Dudu encantou a todos e acabou adotado!

Ele é uma mistura de Jack Russel Terrier (raça inglesa que deu origem aos Fox Paulitinhas) com o popular “Linguicinha”. O casal conseguiu convencer os vizinhos de deixar Dudu no pátio do prédio onde viviam, mas acabou que isso nunca aconteceu: ele sempre acompanhou Tarso no trabalho. “Briguei muito com ele para ensinar a não atravessar a rua, não fazer xixi e cocô em lugares indevidos, etc. Fui bem firme e descobri que levo jeito pra adestrar cães. Nas primeiras passeadas na rua, já praticava deixá-lo sem coleira e ensinava alguns comandos”, conta.

Logo começou a vida esportista de Dudu. Na época Tarso estava praticando treinos leves e corria por pouco tempo e sempre levava o cachorro junto, cuidando sempre para que ele não passasse mal e não desenvolvesse algum problema cardíaco, por exemplo. “As distâncias foram, aos poucos, aumentando. Quando ia fazer algo pertinho de casa de bicicleta, o Dudu ia correndo pelas calçadas. Quando ele tinha uns oito meses relaxei e comecei a levá-lo para corridas mais longas. O destaque é que ele sabia voltar para casa sozinho”, explica. Por exemplo, certa vez Tarso foi dar uma aula na academia de um hotel da cidade, que fica no último andar do prédio. Ele deixou Dudu na portaria do local, e quando voltou, uma hora depois, notou que ele havia ido embora. Quando ele chegou em casa, encontrou o cão parado na porta do apartamento o esperando.

Dudu já correu uma prova de 39km no asfalto, ao lado de Tarso. Ele nunca usa coleira. Outro destaque é a vida de skatista dele: quando o dono anda de longboard pelas ciclovias de BC o Dudu embarca junto. “Ele coloca a patinha de trás próximas aos meus pés, enquanto seguro suas patinhas dianteiras. Ele fica em pezinho, admirando a paisagem e olhando pras pessoas”, diz. Há um vídeo na internet de Dudu andando de skate que já conta com mais de 20 mil visualizações. Os dois também costumam ir de caiaque até a Ilha das Cabras, mas nesses passeios é só Tarso que faz força, enquanto Dudu descansa.

Frida adora surfar e nadar

A empresária Maryá Dobner foi presenteada com a Frida há quatro anos. Ela havia perdido um labrador recentemente e a cadelinha veio para curar essa dor. Apesar de sempre ter tido cachorro, ela afirma que Frida é especial. A raça golden retriever tem tendência a gostar de água, e a cadelinha dela faz parte desse grupo.

A família de Maryá tem uma pousada de frente para o mar, em Penha, então Frida cresceu tendo a liberdade de entrar na água sempre que quisesse – e por livre e espontânea vontade. “Nós nunca forçamos nada, foi uma coisa natural. Ela é muito dócil e gosta de brincar. Todo mundo na praia conhece ela. Tenho vizinhos que são surfistas e ela os acompanhava na praia... eu comprei uma prancha de stand up e sempre que eu ia pro mar ela ia atrás e tentava subir. Foi assim que começou”, conta. Tem piscina na pousada, apesar de Frida não entrar nela, ela bebe água no local.

No primeiro ano ela fugia para ir pra praia, mas hoje Maryá consegue a controlar melhor e ela não entra mais no mar todos os dias. “Ela surfa muito bem! Ela fica em pé, tem total noção de equilíbrio. Às vezes eu caio e ela não (risos). Ela pega jacaré... ela é muito engraçada na água (risos). Geralmente ela fica sentada ou deita na prancha, ou em pé quando ela acha que vai cair... mas ela nunca cai”, explica.

Quem vai até a pousada já sabe da presença dela, que anda livremente pelo local. A família até brinca que ela é a ‘recepcionista’, porque interage com os hóspedes e vive atrás dos funcionários – inclusive os ajuda a pegar folhas do quintal. “Nunca a trancamos. Quando tem alguém que não gosta ou tem medo nós levamos ela para o nosso quarto. Não só ela, mas todos os hóspedes são liberados trazerem seus cães”, ressalta.

Negão Samuel: há nove meses mora no Hospital Ruth Cardoso

A história do vira-latas que mora no Hospital Municipal Ruth Cardoso desde que o dono dele (um morador de rua) faleceu, viralizou e foi até notícia nacional. Negão Samuel (nome dado por funcionários do SAMU e do hospital) está há nove meses pelas redondezas do hospital. Após a divulgação do caso, ele chegou a ser pego por uma família, mas fugiu e voltou para o pátio do Ruth Cardoso.

Uma das pessoas que está cuidando de Negão é o socorrista do SAMU Renaldo Marquatto, ele conta que tudo começou em novembro do ano passado, quando o morador de rua e dono de Negão acabou falecendo devido a uma infecção generalizada. O cão acompanhou todo o trajeto até o Hospital Ruth Cardoso, correndo ao lado da ambulância. O homem faleceu, mas o cachorro continua lá, esperando por ele. Ele associou o som da ambulância a possível chegada do dono, e cada vez que o veículo chega ele vai perto para conferir se é ele. “Uma pessoa chegou a levá-lo forçadamente para casa. A casa dele é o hospital, ele escolheu. A PM e a Guarda Municipal conseguiu encontrar o endereço onde ele estava e assim que abrimos o portão da residência ele saiu correndo e voltou para o Ruth sozinho”, informa.

Hoje Negão tem até um espaço próprio no hospital, com uma casinha, edredom e ração. Ele ganhou roupinhas para o frio também, já que a pelagem dele é curta. A ONG Viva Bicho também está cuidando do cão. Ele foi castrado e vai para o banho em um pet shop toda semana. “Ele está ótimo, muito bem cuidado. Ele é um cachorro que não vai com qualquer um, só com pessoas que ele conhece. Agora o Ruth é o território dele e isso não vai mudar”, afirma.

Olga: dogmodel e instagrammer

A cachorrinha Olga, da raça pug é diferente. Desfilando com seus looks e lacinhos ela é uma dogmodel e modela para quatro grifes caninas. Tudo isso é registrado no Instagram dela: @olgapugdog. A dona de Olga é Andressa Orthmann, que é casada com Danilo. O casal até então não tinha filhos e decidiu comprar a cachorrinha, porém, há um mês

Andressa descobriu que está grávida. Andressa e o marido sempre gostaram de cães, e sentiam que fazia falta uma presença além dos dois em casa. “Como os planos de termos filhos humanos ainda eram futuros, um dia cheguei e falei a ele que eu iria atrás de um pet, e nesse mesmo dia a Olga apareceu em nossas vidas. Eu já havia pesquisado sobre essa raça com carinha amassada e achava a coisa mais fofa do mundo (risos)”, conta.

A tutora da dogmodel conta que a ideia de fazer um Instagram para postar fotos do dia a dia de Olga, seus looks e até dar dicas de moda pet surgiu rapidamente. “Para nossa surpresa em pouco tempo ela já acumulava mais de 12 mil seguidores. O público interage e demonstra muito carinho. Ganhamos amizades verdadeiras que fizemos através do aplicativo e também patrocínios de grifes pet. Hoje ela modela para quatro”, explica.

Quem faz as fotos é Andressa, que teve que comprar uma câmeraprofissional especialmente para as sessões. “A fotografamos com os produtos e indicamos aos seguidores dela. A Olga já estáacostumada e interage bem com a câmera. Normalmente temos facilidade em fazer as fotos... às vezes ela até dorme, fica paradinha”, conta.

Porém, os donos tomam cuidado para não estressá-la e por sessão fazem fotos com no máximo dois looks. Ela é sempre recompensada com petiscos. Segundo Andressa, Olga não é ciumenta e isso tranquiliza ela e o marido, por conta da chegada do futuro ‘ irmãozinho’ da cadelinha. “Claro que talvez ela sinta ciúmes, mas temos certeza que igual a nós ela irá proteger e amar
muito esse bebê. A Olga é membro da nossa família e não vivemos mais sem ela”, afirma

 


Quinta, 25/8/2016 11:15.


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