Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Prefeito Fabricio Oliveira: "A pandemia mostrou a fragilidade da vida"

Prefeito de Balneário Camboriú considera essa sua principal obra

Quinta, 7/1/2021 10:53.
Márcio Gonçalves
Prefeito empossado no Legislativo

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Marlise Schneider Cezar
O prefeito reeleito Fabrício Oliveira dedicou a primeira semana de sua nova gestão para começar a reorganizar sua equipe. Haverá mudanças na linha de frente do governo, mas algumas pastas não serão mexidas. Com um extenso organograma de obras físicas, o prefeito destacou que sua principal obra será cuidar das pessoas, uma lição que a pandemia trouxe, mostrando sobretudo a fragilidade da vida e esta necessidade de proteção.

No último ano do seu governo, enfrentou o desafio de um vírus agressivo e desconhecido, que exigiu ações urgentes, como a abertura de um centro municipal para pacientes contaminados. O novo governo inicia com mais desafios, a pandemia continua forte e, como responsável por sua população, o prefeito trabalha para alertar sobre esta realidade, já que muitos não querem mais obedecer protocolos e cumprir regras. Ele está convencido que mesmo assim não há espaço para lockdown nem para fechar qualquer segmento da economia local.

Nesta quarta-feira (6), o prefeito concedeu entrevista ao Página3. Acompanhe:

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...Márcio Gonçalves

Prefeito reeleito assina termo de posse

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JP3 - Em seu discurso de posse no primeiro dia de 2021, na Câmara Municipal, o Sr. disse que a nova gestão será marcada por muitas obras e destacou entre elas, o alargamento da praia central. Quando esta obra vai iniciar e qual a estimativa de término?

FO - O começo dela será em janeiro agora. Ela inicia com o canteiro de obras, depois vindo todo o equipamento, a mobilização, preparando tudo para quando a draga chegar iniciar a dragagem. A draga deve entrar em fevereiro, início de março. A obra deve ser finalizada em junho ou julho.

JP3 - Quais serão as outras obras de destaque?

FO - O Elevado da Quarta Avenida que vamos terminar todo o entorno; a obra do novo acesso da BR-101 que liga até o Ariribá. Queremos fazer o mercado público, uma parceria público privada, uma obra muito importante, cultural, turística. Construir a avenida EcoPark, obra de maior impacto social da história de Balneário Camboriú. Essa avenida será no meio do Bairro dos Municípios. A obra de urbanização da avenida Atlântica, muito importante, mas ainda não sabemos quando iniciará, estamos concebendo o projeto ainda. Temos a continuidade do Binário Sul, onde vamos fazer um parque linear na Rua 3700. A continuidade do Binário ponto norte que vai chegar até a divisa com a Osvaldo Reis. Outro projeto que considero muito importante é a Casa da Família, que queremos implementar esse ano, vai ser um projeto que tem um programa em todas as regiões da cidade e por consequência uma sede, que vai fazer além da intermediação não somente de conflitos familiares, mas trabalhar com neurociência dentro das famílias, inteligência emocional, educação financeira familiar e outras situações que vão ajudar no desenvolvimento e na concepção do projeto de família. Estamos agora acabando a metodologia dele e queremos apresentar. Também vamos fazer a Escola do Amanhã, turno integral, na Vila Real, e dar continuidade às pavimentações, praças e demais intervenções. Também daremos continuidade ao nosso programa de ações, vamos anunciar ainda este mês o BC Parque, mais um parque temático na cidade...

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“O turismo foi muito afetado em nossa cidade e por consequência toda a cadeia econômica”.

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JP3 - Em 2020, a pandemia travou o desenvolvimento do plano de ações de muitos governos. Neste sentido, o que o vírus bloqueou em Balneário Camboriú?

FO - Acho que parou no mundo inteiro... o turismo foi muito afetado em nossa cidade e por consequência toda a cadeia econômica sofreu muito. Eu colocaria estes dois segmentos, turismo e cadeia econômica, como ponto principal de travamento na cidade. É importante dizer que mudaram-se muitos hábitos, a cidade cresceu, recebeu mais pessoas que vieram enfrentar a pandemia e acabaram ficando em Balneário Camboriú, mas ela também teve um crescimento econômico em função disso, porque acabou se projetando, tínhamos várias obras importantes de mobilidade, investimento, como o molhe, o elevado, investimentos no setor privado que, mesmo com a pandemia, acabaram se consolidando.

JP3 - Quanto o município investiu no combate à pandemia até aqui?

FO -No Centro Covid, anexo ao Hospital Ruth Cardoso, que começou a funcionar no dia 20 de março, foram investidos R$ 22.537.629,40. Os gastos com Campanhas de Utilidade Pública/COVID-19; Apoio Emergencial para Emprego e Renda/COVID-19; Concessão de Benefício Emergencial a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade/COVID-19; Prevenção e Mitigação dos Riscos e Agravos Sociais Decorrentes do COVID-19; Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública/COVID-19 alcançaram quase R$ 43 milhões. Tem ainda o investimento feito na fiscalização, que também foi alto.

JP3 - Junto com a pandemia vieram as pressões de todos os lados, social, econômico e de investimentos. Qual foi o pior momento que enfrentou nesta pandemia?

FO - Olha foram vários momentos difíceis, primeiro porque foi uma crise de todos os lados, emocional, econômica, de saúde...mas o momento difícil mesmo sempre foi quando os leitos dos hospitais ficavam lotados. Isso foi muito dificil.

JP3 - Quase 10 meses de pandemia e estamos enfrentando uma temporada sem controle de distanciamento, aglomerações, uso de máscara desprezado, porque uma boa parte da população, em especial os jovens, encheu o saco, não acredita mais. Enquanto isso, outra parte da população continua trancada dentro de casa, com medo de pegar o vírus. Como o governante deve lidar com esta situação?

FO - Ele é uma crise também do ponto de vista emocional. Um dos motivos é esse, a dificuldade de se buscar uma visão única, porque as pessoas têm diferentes opiniões e nós temos que, de uma maneira ou outra, sensibilizar as pessoas. Primeiro, a economia tem que funcionar. Segundo, a economia não pode funcionar em detrimento à vida, isso é algo que a gente precisa também fazer acontecer. Balneário Camboriú tem sua lotação com moradores da cidade bem controlada, a nossa dificuldade é que o hospital atende todas as pessoas. Vou dar um exemplo, 30, 40% só é lotação de moradores de Balneário Camboriú. Temos vários programas e ações funcionando, mas qualquer tipo de ação tem que ter aderência das pessoas e isso hoje, é notório e não é só aqui, é no mundo inteiro, as pessoas já não tem mais os mesmos cuidados e acho que hoje não há mais espaço para se pensar em qualquer tipo de fechamento de uma cidade ou fechamento de qualquer segmento econômico.

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“A economia tem que funcionar, mas não pode funcionar em detrimento à vida, isso é algo que a gente precisa também fazer.acontecer”.

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JP3 - Nestes primeiros dias de janeiro, com os leitos de UTI ocupados e com previsões nada boas dos infectologistas, o que o Sr. pretende fazer para que a situação não fuja do controle?

FO - Estamos fazendo várias ações, entre elas tentando proteger os que têm mais vulnerabilidade, continuamos trabalhando na busca de sintomas em idosos, pessoas que têm diabetes, tratando, levando a medicação, fazendo todo atendimento, sensibilizando, fazendo um trabalho para não ter aglomero…

JP3 - ...continuar insistindo nisso, porque orientações... todo mundo já sabe o que precisa fazer, mas é preciso insistir, ficar alertando, ficar dizendo que a pandemia não acabou…

FO - À medida que as pessoas vão ficando imunizadas é natural que o comportamento destas pessoas vá mudando...então é uma questão psicológica também.

JP3 - Reeleição não quer dizer que tudo vai continuar como está. O que o Sr. pretende mudar neste novo governo que está começando?

FO - Já mudamos algumas pastas, hoje a cidade tem necessidades um pouco diferentes do que tinha no passado, hoje temos uma necessidade maior por exemplo de, além das nossas obras e programas, temos uma grande necessidade de proteção às pessoas. A pandemia mostrou a fragilidade da vida e a fragilidade é psicológica, fisica, de saúde. Estou cada vez mais determinado e consciente de que precisamos investir em pessoas, com programas que vão ajudar desde o emocional até o cuidado com a saúde.

JP3 - A nova composição do secretariado, diretores, coordenadores quando será anunciada?

FO - Estamos anunciando algumas, amanhã (7) por exemplo, anunciaremos a secretária da educação e também a BC Investimentos que vai receber uma pessoa para fazer a gestão. Vamos avançando, evoluindo nas conversas, tratativas.

JP3 - Tem algumas pastas que não vão ser mexidas?

FO - Sim, tem. Por exemplo, a Secretaria da Fazenda, não vou mexer, o secretário está fazendo um belo trabalho e quer continuar. Tem outras secretarias na mesma situação. Tem também a questão pessoal de cada um, as necessidades do governo, avaliação dos resultados, estamos investindo bastante em tecnologia e governança, justamente para ter indicadores que nos permitem avaliar melhor os resultados da própria equipe de trabalho.

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Celso Peixoto
“A burocracia, sem qualquer dúvida, é o fator que mais atrapalha e atrasa muita coisa”.

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JP3 - Quais foram suas maiores alegrias na primeira gestão? E as maiores tristezas ou frustrações?

FO - Dificuldades? A burocracia, sem qualquer dúvida, é o fator que mais atrapalha e atrasa muita coisa. Acho que o Brasil precisa mudar muito em relação a isso. A burocracia demora, muitas vezes o munícipe não tem o retorno, a resposta como deveria dos seus impostos, no tempo que ele precisa ter esse retorno, isso me incomoda muito. Uma das alegrias é justamente ver como Balneário Camboriú, diante de tantas dificuldades, conseguiu sair, passar, consegue crescer principalmente do ponto de vista da auto estima, o que é para mim um aprendizado e uma motivação incrível.

JP3 - Na campanha eleitoral, o Sr. foi muito cobrado, no sentido de que governaria somente dois anos e depois iria concorrer a uma vaga na Assembléia ou na Câmara Federal. Essa ‘cobrança’ procede?

FO - Não, até que não fui cobrado muito sobre isso... Não tenho intenção nenhuma de concorrer a cargo de deputado…

JP3 - ...não?

FO - ...não. Sério! Não tenho esse desejo, tem tanta coisa boa para acontecer na cidade, estou mais focado aqui agora...

JP3 - ...mas isso é uma tendência, pode acontecer depois dos 4 anos, mas é real, ou o senhor pretende encerrar a carreira política?

FO - Não, não, eu pretendo seguir carreira né?

JP3 - O jornal recebeu a informação de que o Sr. enviará a Planta de Valores para a Câmara. Esta informação procede? Quando será?

FO - Estamos fazendo os últimos ajustes e todo o alinhamento para mandar e já tem um plano definido, audiência pública, estamos estudando a melhor forma de enviar sim e fazer a discussão com a sociedade sobre isso.

JP3 - Alguns vereadores reeleitos anunciaram que irão ‘cobrar’ a Reforma Administrativa que não aconteceu. Fazer a reforma da Planta de Valores sem fazer antes a Reforma Administrativa é prudente?

FO - Acho que tem espaço para fazer as duas. A Reforma Administrativa até por obrigatoriedade ela tem que dividir despesas, até pelas imposições da própria legislação, isso vai acontecer e agora vamos adaptar algumas necessidades que temos de colocar alguns projetos de pé, precisamos dar algumas mexidas no organograma, vamos fazer isso logo no início, nos primeiros meses.

JP3 - De um modo geral a pandemia trouxe um freio nas contas de todo mundo. O Sr. pensa em colocar um freio nas contas públicas também e de que forma seria feito isso?

FO - Precisamos na verdade estabelecer...a pandemia nos trouxe um gasto muito grande, hoje temos um hospital que tem mais de 300 funcionários que lida com o coronavírus, além do hospital Ruth Cardoso. Balneário faz todo esse trabalho de atendimento regional, atendimento além do município, os gastos com a saúde estão muito altos e eu quero colocar uma gestão para que possamos atender somente Balneário Camboriú.

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“Hoje não há espaço para se pensar em.fechamento de uma cidade ou fechamento de qualquer segmento econômico”.

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JP3 - Quanto está custando para Balneário Camboriú o Ruth Cardoso e o Centro Municipal Covid?

FO - O Hospital Municipal Ruth Cardoso custou no ano passado R$ 83.425.191,58 (média mensal 6.952.099,30) e o Centro Covid que iniciou em março recebeu investimentos no valor de R$ 22.537.629,40 (média mensal 1.878.135,78).

JP3 - O Sr. acha mais fácil governar a primeira gestão ou a segunda?

FO - A segunda gestão, porque as coisas estão andando, a gente tem mais experiência, mais maturidade. A maturidade vence desafios, não tem como sair de um coronavírus, e não sair mais experiente, mais solidário, mais humano e com mais capacidade de enfrentamento.

JP3 - Para fechar, quero retornar a primeira pergunta, quer dizer que esta pode ser a última temporada com a praia central do jeito que ela está hoje? Na próxima temporada vai estar tudo diferente?

FO - É certo que sim. É isso mesmo. Vai ver diferente sim.

JP3 - Vai estar alargada, mas é possível que a urbanização da nova Atlântica não esteja concluída até o verão…

FO - Na sua totalidade é possível que não esteja. Mas uma parte dela poderá estar. Aí depende muito de como vamos trabalhar o projeto arquitetônico, executivo, a parte estrutural dele, porque precisa melhorar a estrutura de drenagem, melhorar a estrutura da iluminação, toda parte que não aparece mas é essencial, tudo isso vai ser um projeto que, conjugado com o projeto de urbanização, vai fazer parte de nosso escopo.


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Página 3
Márcio Gonçalves
Prefeito empossado no Legislativo
Prefeito empossado no Legislativo

Prefeito Fabricio Oliveira: "A pandemia mostrou a fragilidade da vida"

Prefeito de Balneário Camboriú considera essa sua principal obra

Quinta, 7/1/2021 10:53.
Marlise Schneider Cezar
O prefeito reeleito Fabrício Oliveira dedicou a primeira semana de sua nova gestão para começar a reorganizar sua equipe. Haverá mudanças na linha de frente do governo, mas algumas pastas não serão mexidas. Com um extenso organograma de obras físicas, o prefeito destacou que sua principal obra será cuidar das pessoas, uma lição que a pandemia trouxe, mostrando sobretudo a fragilidade da vida e esta necessidade de proteção.

No último ano do seu governo, enfrentou o desafio de um vírus agressivo e desconhecido, que exigiu ações urgentes, como a abertura de um centro municipal para pacientes contaminados. O novo governo inicia com mais desafios, a pandemia continua forte e, como responsável por sua população, o prefeito trabalha para alertar sobre esta realidade, já que muitos não querem mais obedecer protocolos e cumprir regras. Ele está convencido que mesmo assim não há espaço para lockdown nem para fechar qualquer segmento da economia local.

Nesta quarta-feira (6), o prefeito concedeu entrevista ao Página3. Acompanhe:

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...Márcio Gonçalves

Prefeito reeleito assina termo de posse

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JP3 - Em seu discurso de posse no primeiro dia de 2021, na Câmara Municipal, o Sr. disse que a nova gestão será marcada por muitas obras e destacou entre elas, o alargamento da praia central. Quando esta obra vai iniciar e qual a estimativa de término?

FO - O começo dela será em janeiro agora. Ela inicia com o canteiro de obras, depois vindo todo o equipamento, a mobilização, preparando tudo para quando a draga chegar iniciar a dragagem. A draga deve entrar em fevereiro, início de março. A obra deve ser finalizada em junho ou julho.

JP3 - Quais serão as outras obras de destaque?

FO - O Elevado da Quarta Avenida que vamos terminar todo o entorno; a obra do novo acesso da BR-101 que liga até o Ariribá. Queremos fazer o mercado público, uma parceria público privada, uma obra muito importante, cultural, turística. Construir a avenida EcoPark, obra de maior impacto social da história de Balneário Camboriú. Essa avenida será no meio do Bairro dos Municípios. A obra de urbanização da avenida Atlântica, muito importante, mas ainda não sabemos quando iniciará, estamos concebendo o projeto ainda. Temos a continuidade do Binário Sul, onde vamos fazer um parque linear na Rua 3700. A continuidade do Binário ponto norte que vai chegar até a divisa com a Osvaldo Reis. Outro projeto que considero muito importante é a Casa da Família, que queremos implementar esse ano, vai ser um projeto que tem um programa em todas as regiões da cidade e por consequência uma sede, que vai fazer além da intermediação não somente de conflitos familiares, mas trabalhar com neurociência dentro das famílias, inteligência emocional, educação financeira familiar e outras situações que vão ajudar no desenvolvimento e na concepção do projeto de família. Estamos agora acabando a metodologia dele e queremos apresentar. Também vamos fazer a Escola do Amanhã, turno integral, na Vila Real, e dar continuidade às pavimentações, praças e demais intervenções. Também daremos continuidade ao nosso programa de ações, vamos anunciar ainda este mês o BC Parque, mais um parque temático na cidade...

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“O turismo foi muito afetado em nossa cidade e por consequência toda a cadeia econômica”.

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JP3 - Em 2020, a pandemia travou o desenvolvimento do plano de ações de muitos governos. Neste sentido, o que o vírus bloqueou em Balneário Camboriú?

FO - Acho que parou no mundo inteiro... o turismo foi muito afetado em nossa cidade e por consequência toda a cadeia econômica sofreu muito. Eu colocaria estes dois segmentos, turismo e cadeia econômica, como ponto principal de travamento na cidade. É importante dizer que mudaram-se muitos hábitos, a cidade cresceu, recebeu mais pessoas que vieram enfrentar a pandemia e acabaram ficando em Balneário Camboriú, mas ela também teve um crescimento econômico em função disso, porque acabou se projetando, tínhamos várias obras importantes de mobilidade, investimento, como o molhe, o elevado, investimentos no setor privado que, mesmo com a pandemia, acabaram se consolidando.

JP3 - Quanto o município investiu no combate à pandemia até aqui?

FO -No Centro Covid, anexo ao Hospital Ruth Cardoso, que começou a funcionar no dia 20 de março, foram investidos R$ 22.537.629,40. Os gastos com Campanhas de Utilidade Pública/COVID-19; Apoio Emergencial para Emprego e Renda/COVID-19; Concessão de Benefício Emergencial a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade/COVID-19; Prevenção e Mitigação dos Riscos e Agravos Sociais Decorrentes do COVID-19; Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública/COVID-19 alcançaram quase R$ 43 milhões. Tem ainda o investimento feito na fiscalização, que também foi alto.

JP3 - Junto com a pandemia vieram as pressões de todos os lados, social, econômico e de investimentos. Qual foi o pior momento que enfrentou nesta pandemia?

FO - Olha foram vários momentos difíceis, primeiro porque foi uma crise de todos os lados, emocional, econômica, de saúde...mas o momento difícil mesmo sempre foi quando os leitos dos hospitais ficavam lotados. Isso foi muito dificil.

JP3 - Quase 10 meses de pandemia e estamos enfrentando uma temporada sem controle de distanciamento, aglomerações, uso de máscara desprezado, porque uma boa parte da população, em especial os jovens, encheu o saco, não acredita mais. Enquanto isso, outra parte da população continua trancada dentro de casa, com medo de pegar o vírus. Como o governante deve lidar com esta situação?

FO - Ele é uma crise também do ponto de vista emocional. Um dos motivos é esse, a dificuldade de se buscar uma visão única, porque as pessoas têm diferentes opiniões e nós temos que, de uma maneira ou outra, sensibilizar as pessoas. Primeiro, a economia tem que funcionar. Segundo, a economia não pode funcionar em detrimento à vida, isso é algo que a gente precisa também fazer acontecer. Balneário Camboriú tem sua lotação com moradores da cidade bem controlada, a nossa dificuldade é que o hospital atende todas as pessoas. Vou dar um exemplo, 30, 40% só é lotação de moradores de Balneário Camboriú. Temos vários programas e ações funcionando, mas qualquer tipo de ação tem que ter aderência das pessoas e isso hoje, é notório e não é só aqui, é no mundo inteiro, as pessoas já não tem mais os mesmos cuidados e acho que hoje não há mais espaço para se pensar em qualquer tipo de fechamento de uma cidade ou fechamento de qualquer segmento econômico.

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“A economia tem que funcionar, mas não pode funcionar em detrimento à vida, isso é algo que a gente precisa também fazer.acontecer”.

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JP3 - Nestes primeiros dias de janeiro, com os leitos de UTI ocupados e com previsões nada boas dos infectologistas, o que o Sr. pretende fazer para que a situação não fuja do controle?

FO - Estamos fazendo várias ações, entre elas tentando proteger os que têm mais vulnerabilidade, continuamos trabalhando na busca de sintomas em idosos, pessoas que têm diabetes, tratando, levando a medicação, fazendo todo atendimento, sensibilizando, fazendo um trabalho para não ter aglomero…

JP3 - ...continuar insistindo nisso, porque orientações... todo mundo já sabe o que precisa fazer, mas é preciso insistir, ficar alertando, ficar dizendo que a pandemia não acabou…

FO - À medida que as pessoas vão ficando imunizadas é natural que o comportamento destas pessoas vá mudando...então é uma questão psicológica também.

JP3 - Reeleição não quer dizer que tudo vai continuar como está. O que o Sr. pretende mudar neste novo governo que está começando?

FO - Já mudamos algumas pastas, hoje a cidade tem necessidades um pouco diferentes do que tinha no passado, hoje temos uma necessidade maior por exemplo de, além das nossas obras e programas, temos uma grande necessidade de proteção às pessoas. A pandemia mostrou a fragilidade da vida e a fragilidade é psicológica, fisica, de saúde. Estou cada vez mais determinado e consciente de que precisamos investir em pessoas, com programas que vão ajudar desde o emocional até o cuidado com a saúde.

JP3 - A nova composição do secretariado, diretores, coordenadores quando será anunciada?

FO - Estamos anunciando algumas, amanhã (7) por exemplo, anunciaremos a secretária da educação e também a BC Investimentos que vai receber uma pessoa para fazer a gestão. Vamos avançando, evoluindo nas conversas, tratativas.

JP3 - Tem algumas pastas que não vão ser mexidas?

FO - Sim, tem. Por exemplo, a Secretaria da Fazenda, não vou mexer, o secretário está fazendo um belo trabalho e quer continuar. Tem outras secretarias na mesma situação. Tem também a questão pessoal de cada um, as necessidades do governo, avaliação dos resultados, estamos investindo bastante em tecnologia e governança, justamente para ter indicadores que nos permitem avaliar melhor os resultados da própria equipe de trabalho.

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Celso Peixoto
“A burocracia, sem qualquer dúvida, é o fator que mais atrapalha e atrasa muita coisa”.

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JP3 - Quais foram suas maiores alegrias na primeira gestão? E as maiores tristezas ou frustrações?

FO - Dificuldades? A burocracia, sem qualquer dúvida, é o fator que mais atrapalha e atrasa muita coisa. Acho que o Brasil precisa mudar muito em relação a isso. A burocracia demora, muitas vezes o munícipe não tem o retorno, a resposta como deveria dos seus impostos, no tempo que ele precisa ter esse retorno, isso me incomoda muito. Uma das alegrias é justamente ver como Balneário Camboriú, diante de tantas dificuldades, conseguiu sair, passar, consegue crescer principalmente do ponto de vista da auto estima, o que é para mim um aprendizado e uma motivação incrível.

JP3 - Na campanha eleitoral, o Sr. foi muito cobrado, no sentido de que governaria somente dois anos e depois iria concorrer a uma vaga na Assembléia ou na Câmara Federal. Essa ‘cobrança’ procede?

FO - Não, até que não fui cobrado muito sobre isso... Não tenho intenção nenhuma de concorrer a cargo de deputado…

JP3 - ...não?

FO - ...não. Sério! Não tenho esse desejo, tem tanta coisa boa para acontecer na cidade, estou mais focado aqui agora...

JP3 - ...mas isso é uma tendência, pode acontecer depois dos 4 anos, mas é real, ou o senhor pretende encerrar a carreira política?

FO - Não, não, eu pretendo seguir carreira né?

JP3 - O jornal recebeu a informação de que o Sr. enviará a Planta de Valores para a Câmara. Esta informação procede? Quando será?

FO - Estamos fazendo os últimos ajustes e todo o alinhamento para mandar e já tem um plano definido, audiência pública, estamos estudando a melhor forma de enviar sim e fazer a discussão com a sociedade sobre isso.

JP3 - Alguns vereadores reeleitos anunciaram que irão ‘cobrar’ a Reforma Administrativa que não aconteceu. Fazer a reforma da Planta de Valores sem fazer antes a Reforma Administrativa é prudente?

FO - Acho que tem espaço para fazer as duas. A Reforma Administrativa até por obrigatoriedade ela tem que dividir despesas, até pelas imposições da própria legislação, isso vai acontecer e agora vamos adaptar algumas necessidades que temos de colocar alguns projetos de pé, precisamos dar algumas mexidas no organograma, vamos fazer isso logo no início, nos primeiros meses.

JP3 - De um modo geral a pandemia trouxe um freio nas contas de todo mundo. O Sr. pensa em colocar um freio nas contas públicas também e de que forma seria feito isso?

FO - Precisamos na verdade estabelecer...a pandemia nos trouxe um gasto muito grande, hoje temos um hospital que tem mais de 300 funcionários que lida com o coronavírus, além do hospital Ruth Cardoso. Balneário faz todo esse trabalho de atendimento regional, atendimento além do município, os gastos com a saúde estão muito altos e eu quero colocar uma gestão para que possamos atender somente Balneário Camboriú.

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“Hoje não há espaço para se pensar em.fechamento de uma cidade ou fechamento de qualquer segmento econômico”.

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JP3 - Quanto está custando para Balneário Camboriú o Ruth Cardoso e o Centro Municipal Covid?

FO - O Hospital Municipal Ruth Cardoso custou no ano passado R$ 83.425.191,58 (média mensal 6.952.099,30) e o Centro Covid que iniciou em março recebeu investimentos no valor de R$ 22.537.629,40 (média mensal 1.878.135,78).

JP3 - O Sr. acha mais fácil governar a primeira gestão ou a segunda?

FO - A segunda gestão, porque as coisas estão andando, a gente tem mais experiência, mais maturidade. A maturidade vence desafios, não tem como sair de um coronavírus, e não sair mais experiente, mais solidário, mais humano e com mais capacidade de enfrentamento.

JP3 - Para fechar, quero retornar a primeira pergunta, quer dizer que esta pode ser a última temporada com a praia central do jeito que ela está hoje? Na próxima temporada vai estar tudo diferente?

FO - É certo que sim. É isso mesmo. Vai ver diferente sim.

JP3 - Vai estar alargada, mas é possível que a urbanização da nova Atlântica não esteja concluída até o verão…

FO - Na sua totalidade é possível que não esteja. Mas uma parte dela poderá estar. Aí depende muito de como vamos trabalhar o projeto arquitetônico, executivo, a parte estrutural dele, porque precisa melhorar a estrutura de drenagem, melhorar a estrutura da iluminação, toda parte que não aparece mas é essencial, tudo isso vai ser um projeto que, conjugado com o projeto de urbanização, vai fazer parte de nosso escopo.


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