Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
AMÉRICA MISTERIOSA: lendas, mistérios e descobertas arqueológicas

Livro reúne mais de cem crônicas de experiências vividas pelo autor nas diversas viagens que se aventurou

Quarta, 24/6/2020 15:00.
Fotos Arquivo Pessoal
Dalton no Monte Albán, México

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Por Caroline Cezar

"A América me fascina desde criança. Este continente mágico, com seus mistérios seculares, seus tesouros enterrados, cidades perdidas e sua incrível mitologia. Os pré-colombianos nos legaram conhecimentos além de nossa compreensão. Pirâmides, múmias e tecnologia que hoje nos fogem à razão. Por anos, viajei por terras da América Latina, recolhendo informações e coletando dados. Percorri montanhas, desertos e ruínas arqueológicas. Conversei com aymaras e quéchuas. Visitei pontos turísticos e outros, nada turísticos! Dessa forma, esse livro é, na verdade, um pouco das minhas experiências em formato de crônicas. São cem textos, que exploram algumas curiosidades fascinantes de maias, incas, mochicas, paracas, toltecas, e tantos outros povos. Você pode lê-los na ordem que bem entender, e se aproximar desse incrível mundo de lendas, mistérios e descobertas arqueológicas. Minhas crônicas são históricas, sem espaço para teorias fantasiosas, pois a realidade do que acontece na América, já é suficientemente incrível para nos assombrar e seduzir". Dalton Delfini Maziero.

Convento Santo Domingo. Arequipa, Peru. / Monte Albán, México

Dalton Delfini Maziero nasceu em São Paulo, e sempre foi apaixonado por arqueologia, história, literatura, cinema e piratas. Desde cedo se lançou ao mundo em viagens temerárias pelo Peru, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Espanha e Portugal, transformando suas observações em artigos e textos. Em 1997, tornou-se o 1º brasileiro a percorrer sozinho e a pé, o lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca; num percurso de 1300 km em busca de cidades perdidas. É autor de cinco livros -está escrevendo o sexto-; coordena os blogs Arqueologia Americana e Piratas dos Sete Mares e desde 2015 assina a coluna "América Misteriosa" no Página3, que deu título ao quinto livro: mais de cem crônicas, com diversas aventuras e experiências.

Dalton vive em São Paulo e é coordenador do Núcleo de Documentação Histórica do Museu Afro Brasil. Sempre trabalhou em museus e na área da Cultura, e viaja "sempre que pode". Esse ano o destino seria o norte do Peru, cancelado devido ao Covid.

Nazca, Peru - Aqueduto de Cantalloc / Mitla, México

As crônicas que você publica no Página3 estão nesse novo livro, América Misteriosa?

Sim! O livro na verdade é uma coletânea dessas crônicas. Eu escrevi cem delas, preparei uma introdução explicando o motivo de meu interesse no assunto. Mas sim, estão todas lá no livro. Na verdade foi um livro escrito a conta gotas, desde 2015, quando lancei a 1ª crônica no Jornal Página 3.

Lima, Peru - Huaca Pucllana / Cordilheira Real. Bolívia

Percebo que você é um veterano nas viagens e ri quando você chamou algumas de "temerárias". O que você considera uma viagem temerária?

Costumo dizer que existem turistas e viajantes. E existem viajantes e exploradores. Acho que eu estou entre essas duas últimas categorias. Viajo internacionalmente desde meus 17 anos e já estive em lugares onde turistas não vão. Pontos específicos do deserto do Atacama, da Cordilheira dos Andes e principalmente no Altiplano por onde andei sozinho por 3 meses. Em especial posso mencionar os vales termais entre o Altiplano e a floresta Amazônica, nas proximidades do povoado de Aucapata. Uma região muito perigosa e difícil de caminhar, por trilhas beirando precipícios. Os militares bolivianos me aconselharam não ir, pois é uma região de garimpeiros clandestinos e terra sem lei. Realmente lá, você está por sua conta e risco... Isso é uma viagem “temerária”...

Arequipa, Peru - Região dos Vulcões / Vulcão Totumo. Colômbia

Você conta que desde criança esses temas te interessam, lembra de alguma referência? Um parente, um filme, algo que o tenha feito despertar nesse sentido?

Eu falo um pouco sobre isso, de minhas influências literárias de criança, na introdução do livro América Misteriosa. Mas é muito mais que isso. Não foram apenas os livros clássicos de “romance da arqueologia” que me motivaram. Foram também as viagens que fiz com minha família desde criança. Meu pai tinha uma perua Kombi, e adaptou nela uns estrados de madeira, que viraram camas tipo beliche. Levamos um fogareiro e minha mãe cozinhava no caminho. E assim viajamos meio como ciganos por todo sul do país, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sudeste e Brasília. Isso foi lá pelos anos finais de 1970. Foi uma época que ainda era possível encostar o carro em um posto de gasolina e dormir sem muitas preocupações. Lembro que dormimos em um dos mirantes do Corcovado, no Rio de Janeiro. Quando acordei, vi o sol nascendo sobre a cidade, e aquela floresta toda ao nosso lado. Coisa mais linda! Hoje seria impossível fazer tal coisa. Certamente seríamos assaltados. Então, eu tive essa bagagem de infância das viagens, que me criou um espírito meio nômade; tive as influências literárias – minha mãe era uma leitora irrefreável – e tive também um filme em especial que mudou minha vida: Caçadores da Arca Perdida, de 1981. Na época era adolescente e aquilo foi um soco no estômago! Assisti 4 vezes em uma semana. Hoje certamente já vi esse filme por mais de 30 vezes. Era aquilo que eu queria ser! Um misto de aventura e arqueologia. Não cheguei a tanto, mas tive minhas aventuras! Hoje me considero um historiador da arqueologia. Na verdade estou preparando um livro de ensaios arqueológicos e um deles faz um paralelo entre Indiana Jones e as técnicas reais usadas na arqueologia. Está ficando muito bacana!

Tanka Tanka. Peru / Sepultura Sillustani, Peru

Você pode falar um pouco dos outros livros que escreveu?

Sim. O “América Misteriosa” é meu 5º livro. Antes dele escrevi:

- Titicaca – Em busca dos antigos mistérios pré-colombianos (este é o diário da Expedição Titicaca, realizada em 1997. Nela, contornei sozinho o Lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, em uma altitude média de 4 mil metros. Foram 3 meses de caminhada e mais de 1300 km percorridos.)

- Portugal – Terras de além-mar (Este é o 1º volume da série Memórias de um Andarilho. Nele, descrevo em detalhes minha viagem a Portugal, com dicas de viagem e muitas informações sobre história, arqueologia, gastronomia, cultura e sociedade)

- Colômbia – Tudo é questão de despertar a alma (Este é o 2º volume da série Memórias de um Andarilho. Nele, descrevo em detalhes minha viagem a Colômbia, com dicas de viagem e muitas informações sobre história, arqueologia, gastronomia, cultura e sociedade)

- Sacralizando o Solo – o uso simbólico e prático dos Geoglifos Sul-Americanos (Neste, eu percorri o litoral sul do Peru para estudar os geoglifos – enormes desenhos pré-colombianos feitos no solo – feitos pelo povo Nasca. É o mais acadêmico dos livros, resultado de um estudo de pós-graduação, no qual relaciono três grandes conjuntos de geoglifos: do Peru, do Chile e do Brasil)

No momento estou finalizando meu 6º livro (ainda sem título definido), mas que fala da saga dos primeiros mergulhadores em busca de tesouros submersos. A história começa da época dos gregos e avança até meados do século XIX. Nele, descrevo em especial as invenções e equipamentos criados para tentativa de resgates submersos em naufrágios. Pretendo lançá-lo até o final deste ano.

Os livros só existiam em formato digital e agora serão lançados em papel, pela Editora Clube de Autores: clique aqui
Piratas dos Sete Mares: clique aqui
Arqueologia Americana: clique aqui


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Página 3
Fotos Arquivo Pessoal
Dalton no Monte Albán, México
Dalton no Monte Albán, México

AMÉRICA MISTERIOSA: lendas, mistérios e descobertas arqueológicas

Livro reúne mais de cem crônicas de experiências vividas pelo autor nas diversas viagens que se aventurou

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Quarta, 24/6/2020 15:00.
Por Caroline Cezar

"A América me fascina desde criança. Este continente mágico, com seus mistérios seculares, seus tesouros enterrados, cidades perdidas e sua incrível mitologia. Os pré-colombianos nos legaram conhecimentos além de nossa compreensão. Pirâmides, múmias e tecnologia que hoje nos fogem à razão. Por anos, viajei por terras da América Latina, recolhendo informações e coletando dados. Percorri montanhas, desertos e ruínas arqueológicas. Conversei com aymaras e quéchuas. Visitei pontos turísticos e outros, nada turísticos! Dessa forma, esse livro é, na verdade, um pouco das minhas experiências em formato de crônicas. São cem textos, que exploram algumas curiosidades fascinantes de maias, incas, mochicas, paracas, toltecas, e tantos outros povos. Você pode lê-los na ordem que bem entender, e se aproximar desse incrível mundo de lendas, mistérios e descobertas arqueológicas. Minhas crônicas são históricas, sem espaço para teorias fantasiosas, pois a realidade do que acontece na América, já é suficientemente incrível para nos assombrar e seduzir". Dalton Delfini Maziero.

Convento Santo Domingo. Arequipa, Peru. / Monte Albán, México

Dalton Delfini Maziero nasceu em São Paulo, e sempre foi apaixonado por arqueologia, história, literatura, cinema e piratas. Desde cedo se lançou ao mundo em viagens temerárias pelo Peru, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Espanha e Portugal, transformando suas observações em artigos e textos. Em 1997, tornou-se o 1º brasileiro a percorrer sozinho e a pé, o lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca; num percurso de 1300 km em busca de cidades perdidas. É autor de cinco livros -está escrevendo o sexto-; coordena os blogs Arqueologia Americana e Piratas dos Sete Mares e desde 2015 assina a coluna "América Misteriosa" no Página3, que deu título ao quinto livro: mais de cem crônicas, com diversas aventuras e experiências.

Dalton vive em São Paulo e é coordenador do Núcleo de Documentação Histórica do Museu Afro Brasil. Sempre trabalhou em museus e na área da Cultura, e viaja "sempre que pode". Esse ano o destino seria o norte do Peru, cancelado devido ao Covid.

Nazca, Peru - Aqueduto de Cantalloc / Mitla, México

As crônicas que você publica no Página3 estão nesse novo livro, América Misteriosa?

Sim! O livro na verdade é uma coletânea dessas crônicas. Eu escrevi cem delas, preparei uma introdução explicando o motivo de meu interesse no assunto. Mas sim, estão todas lá no livro. Na verdade foi um livro escrito a conta gotas, desde 2015, quando lancei a 1ª crônica no Jornal Página 3.

Lima, Peru - Huaca Pucllana / Cordilheira Real. Bolívia

Percebo que você é um veterano nas viagens e ri quando você chamou algumas de "temerárias". O que você considera uma viagem temerária?

Costumo dizer que existem turistas e viajantes. E existem viajantes e exploradores. Acho que eu estou entre essas duas últimas categorias. Viajo internacionalmente desde meus 17 anos e já estive em lugares onde turistas não vão. Pontos específicos do deserto do Atacama, da Cordilheira dos Andes e principalmente no Altiplano por onde andei sozinho por 3 meses. Em especial posso mencionar os vales termais entre o Altiplano e a floresta Amazônica, nas proximidades do povoado de Aucapata. Uma região muito perigosa e difícil de caminhar, por trilhas beirando precipícios. Os militares bolivianos me aconselharam não ir, pois é uma região de garimpeiros clandestinos e terra sem lei. Realmente lá, você está por sua conta e risco... Isso é uma viagem “temerária”...

Arequipa, Peru - Região dos Vulcões / Vulcão Totumo. Colômbia

Você conta que desde criança esses temas te interessam, lembra de alguma referência? Um parente, um filme, algo que o tenha feito despertar nesse sentido?

Eu falo um pouco sobre isso, de minhas influências literárias de criança, na introdução do livro América Misteriosa. Mas é muito mais que isso. Não foram apenas os livros clássicos de “romance da arqueologia” que me motivaram. Foram também as viagens que fiz com minha família desde criança. Meu pai tinha uma perua Kombi, e adaptou nela uns estrados de madeira, que viraram camas tipo beliche. Levamos um fogareiro e minha mãe cozinhava no caminho. E assim viajamos meio como ciganos por todo sul do país, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sudeste e Brasília. Isso foi lá pelos anos finais de 1970. Foi uma época que ainda era possível encostar o carro em um posto de gasolina e dormir sem muitas preocupações. Lembro que dormimos em um dos mirantes do Corcovado, no Rio de Janeiro. Quando acordei, vi o sol nascendo sobre a cidade, e aquela floresta toda ao nosso lado. Coisa mais linda! Hoje seria impossível fazer tal coisa. Certamente seríamos assaltados. Então, eu tive essa bagagem de infância das viagens, que me criou um espírito meio nômade; tive as influências literárias – minha mãe era uma leitora irrefreável – e tive também um filme em especial que mudou minha vida: Caçadores da Arca Perdida, de 1981. Na época era adolescente e aquilo foi um soco no estômago! Assisti 4 vezes em uma semana. Hoje certamente já vi esse filme por mais de 30 vezes. Era aquilo que eu queria ser! Um misto de aventura e arqueologia. Não cheguei a tanto, mas tive minhas aventuras! Hoje me considero um historiador da arqueologia. Na verdade estou preparando um livro de ensaios arqueológicos e um deles faz um paralelo entre Indiana Jones e as técnicas reais usadas na arqueologia. Está ficando muito bacana!

Tanka Tanka. Peru / Sepultura Sillustani, Peru

Você pode falar um pouco dos outros livros que escreveu?

Sim. O “América Misteriosa” é meu 5º livro. Antes dele escrevi:

- Titicaca – Em busca dos antigos mistérios pré-colombianos (este é o diário da Expedição Titicaca, realizada em 1997. Nela, contornei sozinho o Lago Titicaca, entre Peru e Bolívia, em uma altitude média de 4 mil metros. Foram 3 meses de caminhada e mais de 1300 km percorridos.)

- Portugal – Terras de além-mar (Este é o 1º volume da série Memórias de um Andarilho. Nele, descrevo em detalhes minha viagem a Portugal, com dicas de viagem e muitas informações sobre história, arqueologia, gastronomia, cultura e sociedade)

- Colômbia – Tudo é questão de despertar a alma (Este é o 2º volume da série Memórias de um Andarilho. Nele, descrevo em detalhes minha viagem a Colômbia, com dicas de viagem e muitas informações sobre história, arqueologia, gastronomia, cultura e sociedade)

- Sacralizando o Solo – o uso simbólico e prático dos Geoglifos Sul-Americanos (Neste, eu percorri o litoral sul do Peru para estudar os geoglifos – enormes desenhos pré-colombianos feitos no solo – feitos pelo povo Nasca. É o mais acadêmico dos livros, resultado de um estudo de pós-graduação, no qual relaciono três grandes conjuntos de geoglifos: do Peru, do Chile e do Brasil)

No momento estou finalizando meu 6º livro (ainda sem título definido), mas que fala da saga dos primeiros mergulhadores em busca de tesouros submersos. A história começa da época dos gregos e avança até meados do século XIX. Nele, descrevo em especial as invenções e equipamentos criados para tentativa de resgates submersos em naufrágios. Pretendo lançá-lo até o final deste ano.

Os livros só existiam em formato digital e agora serão lançados em papel, pela Editora Clube de Autores: clique aqui
Piratas dos Sete Mares: clique aqui
Arqueologia Americana: clique aqui


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