Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Página 3 Entrevista: Armandinho fala sobre novo amor, novas músicas e o que espera de seus 50 anos

"O músico comemora 20 anos de carreira e diz que vive fase de renascimento"

Quinta, 16/1/2020 11:50.
Foto: Ricardo Alves
Armandinho

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Renata Rutes

O músico Armandinho é conhecido na região - e fora dela - por suas clássicas canções como Analua, Desenho de Deus, Ursinho de Dormir, e muitas outras. No próximo dia 22 de janeiro ele completa 50 anos, e 2020 também é o ano que ele celebra seus 20 anos de carreira. Com um novo amor, a bela Carla, de 23 anos, ele analisa nesta entrevista concedida ao Página 3 a carreira, os sucessos e a luta pela preservação da Praia Brava, a sua principal musa inspiradora de tantas músicas. No último sábado (11) Armandinho se apresentou no Belvedere Beach Club, na Brava, em uma noite animada que ele descreveu em suas redes sociais como ‘o melhor show que fez na Brava’. Ele disse ainda que, depois do DVD gravado em 2006 no então Rancho Maria’s, ‘foi a melhor sensação que sentiu nos palcos aqui da área’.

Confira!

Armandinho e sua banda

JP3: Você está completando 50 anos no fim do mês e 20 de carreira neste ano. Como vê seu futuro pessoal e profissional daqui pra frente?

Armandinho: Eu acho que simbolicamente essa data pode significar um renascimento, né, no que geralmente a sociedade impõe que a gente fique velho a cada ano que passa. De repente se a mente da gente não pensa assim, não precisa seguir o que a sociedade quer, então eu acho que o Armando agora, um novo amor, as crianças já cresceram... a vida toda pela frente. Então eu acho que agora é a parte da minha vida mais jovem, porque eu me sinto assim. Acho que todas as coisas acabam vindo junto. 20 anos de carreira também, a banda nova, outra banda, outro amor, as crianças grandes... enfim, época de renascimento, época de recomeço e de se reinventar mais uma vez na vida.

JP3: ‘Amor Vem Cá’, uma de suas músicas novas, traz a sua esposa, Carla, no videoclipe e nas imagens de divulgação. De que forma ela te inspira? Você pode falar um pouco sobre ela e o relacionamento de vocês?

Fotos Arquivo Pessoal

Armandinho: O mais lindo de tudo que eu me separei, em 2014, fui morar no Rio de Janeiro, e em 2017, depois da última noite de Carnaval, eu não fui pular Carnaval, mas fui à praia. Eu estava conversando com uma menina em um quiosque, do Rico, e aí veio a Carla, com um boné no rosto e um óculos, com uma amiga e um cachorrinho na mão, meio esperando eu acabar de falar com a outra menina. Eu parei de falar e disse ‘oi, tudo bom?’, daí ela veio e disse ‘será que poderia tirar uma foto com o meu cachorro?’, e eu disse ‘claro’, peguei o cachorro, tirei uma foto ele, ela me agradeceu, disse que gostava muito das minhas músicas e foi embora. E eu fiquei ‘poxa, tirei foto com o cachorro, mas ela não pediu pra tirar foto com ela’. Vi que ela era bonita, mas não deu pra ver assim bem. Aí a Carla foi pra casa, passaram uns dias, ela postou a minha foto no Instagram do Mufasa, o cachorro, e consegui achar ela. Convidei ela pra pegar uma praia. No início ela resistiu, não quis. Deu mais uns dias eu mandei uma mensagem pra ela ‘tô descendo pra praia, vamos tomar um chimarrão?’, porque eu tinha descoberto que ela é gaúcha e aí sim, a gente foi, tomamos o chimarrão e desde então não desgrudamos mais. Acho que em um mês ela já estava morando comigo e foi uma pessoa que fez eu crescer muito com a sua juventude, mas principalmente com a sua modernidade, a sua informação, o jeito rápido de pensar nas coisas. Isso foi uma coisa muito boa pra mim, eu voltei a escrever, voltei a compor, voltei a enxergar a música de uma forma nova. Foi uma pessoa que caiu do céu pra mim, eu tô muito feliz com a Carla. Às vezes eu até esqueço que a gente tem tanta diferença de idade, ela hoje com 23 e eu com 49.

JP3: Como é o seu contato com o público? Mesmo suas músicas sendo mais antigas, elas se mantêm atuais, nos shows o pessoal demonstra bastante o carinho que sente...

Armandinho: As músicas novas não têm muito espaço, porque as antigas marcaram muita gente. As novas podem até marcar novas pessoas, mas elas não conseguem entrar porque não tem muito espaço no show. Têm clássicos que eu não posso deixar de tocar e eu vou continuar tocando pra sempre. Eu lembro quando eu ia em shows de alguns cantores esperando escutar aquela música e ele não tocava, ele tocava as músicas do álbum novo inteiro, show novo, nova turnê. Acho que quando a gente é fã do cantor a gente meio que se frustra. E eu resolvi fazer o inverso, eu acho que com o tempo as músicas antigas se reinventaram. É outra banda, elas são tocadas de uma forma mais madura, acompanhando a idade do meu público, que em 2006 tinha 18, 20 anos. Eu acompanhei esses anos todos, e hoje eles estão na faixa dos 30, 35 anos, e as músicas acompanharam essa evolução deles. Vou continuar tocando as antigas sempre, e as novas elas têm que provar, elas têm que conquistar o espaço delas, assim como ‘Sol Loiro’ e ‘Eu Sou do Mar’. Essas duas aí conquistaram um espaço e agora ‘Amor Vem Cá’ e mais outras que estão vindo precisam fazer o mesmo. É assim que funciona o meu repertório e a forma de fazer o show.

Fotos: Ricardo Alves
"Foi o melhor show na Brava”.Público cantou com seu ídolo.

JP3: O que você espera desse ano? Pode nos contar algum projeto ou novidade que pretende concretizar?

Armandinho: Ah, 2020... eu não lanço mais um álbum, um conjunto de músicas, desde 2012. E aí vão oito anos já sem lançar nenhum trabalho novo. Esse ano é o ano do meu trabalho novo. Já estou esquentando com algumas canções novas nas rádios, e no meio do ano, entre julho e agosto, a gente lança e no verão que vem a gente vai estar tocando a turnê desse novo trabalho. As músicas novas já estão esquentando muito bem nas rádios e alguns programas de televisão, mesmo que eu segure um pouco. Eu acho que fazer um mega sucesso de novo com muita mídia não é o que eu quero. Eu já passei por isso e hoje eu escolho um voo cruzeiro, né. A gente dá uma subida, fica naquela linha intermediária, depois volta pra linha do meio e depois sobe até a intermediária. Planta e colhe, planta e colhe, em um voo cruzeiro longo, sempre com o meu público fiel. A superexposição ela cansa, não é essa mais a intenção.

JP3: Você é um grande defensor da Praia Brava, que sempre foi sua grande inspiração, lutando para manter sua natureza preservada... como vê ela hoje?

Armandinho: Cara, incrível essa luta, né? Mas, cara, a gente só quer a lei, né. Só quer o que é certo fazer. Ninguém não quer prédio aqui na Brava. Não adianta, vai ter, é muito dinheiro rolando. Vai ter prédio. Agora, poxa, vamos usar o bom senso, né? E não o exagero. O problema está no exagero, de querer fazer um prédio do tamanho dos prédios de Balneário aqui na primeira rua. Cara, a gente não merece viver na sombra. A gente ama a praia porque ela é uma praia, e praia tem sol. É isso. E o esgoto também. Como é que a gente vai fazer com esse monte de gente? E entrada e saída da praia, como é que a gente vai se locomover? Será que não querem aterrar a Praia Brava também? Já estão com isso na cabeça, porque Balneário vai aterrar. Já estão fazendo porque daqui um tempo já sabem que vão aterrar pra fazer mais uma rua. Eu não quero a Praia Brava aterrada. Gente, pelo amor de Deus, vamos preservar o que está e o que é lindo, o cartão-postal de Santa Catarina. Meia dúzia de pessoas não podem alterar o que foi escrito por Deus, pela natureza ou pelos dois; não pode alterar isso que fez o Estado. No Estado de Santa Catarina, o turismo é pela natureza, é pelos jovens, é pelo surf. Então poxa, vamos fazer só o que está na lei. Pode fazer prédio a vontade, sei que vai ter, eu moro em um prédio também, mas não ali, cara, não tira o sol, cara. Não dá, isso não dá, é inadmissível.


ARMANDINHO - AMOR VEM CÁ

VÍDEO OFICIAL

Assista ao novo clipe de "Amor Vem Cá" rodado no Peru no segundo semestre de 2019.


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Página 3
Foto: Ricardo Alves
Armandinho
Armandinho

Página 3 Entrevista: Armandinho fala sobre novo amor, novas músicas e o que espera de seus 50 anos

"O músico comemora 20 anos de carreira e diz que vive fase de renascimento"

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Quinta, 16/1/2020 11:50.

Renata Rutes

O músico Armandinho é conhecido na região - e fora dela - por suas clássicas canções como Analua, Desenho de Deus, Ursinho de Dormir, e muitas outras. No próximo dia 22 de janeiro ele completa 50 anos, e 2020 também é o ano que ele celebra seus 20 anos de carreira. Com um novo amor, a bela Carla, de 23 anos, ele analisa nesta entrevista concedida ao Página 3 a carreira, os sucessos e a luta pela preservação da Praia Brava, a sua principal musa inspiradora de tantas músicas. No último sábado (11) Armandinho se apresentou no Belvedere Beach Club, na Brava, em uma noite animada que ele descreveu em suas redes sociais como ‘o melhor show que fez na Brava’. Ele disse ainda que, depois do DVD gravado em 2006 no então Rancho Maria’s, ‘foi a melhor sensação que sentiu nos palcos aqui da área’.

Confira!

Armandinho e sua banda

JP3: Você está completando 50 anos no fim do mês e 20 de carreira neste ano. Como vê seu futuro pessoal e profissional daqui pra frente?

Armandinho: Eu acho que simbolicamente essa data pode significar um renascimento, né, no que geralmente a sociedade impõe que a gente fique velho a cada ano que passa. De repente se a mente da gente não pensa assim, não precisa seguir o que a sociedade quer, então eu acho que o Armando agora, um novo amor, as crianças já cresceram... a vida toda pela frente. Então eu acho que agora é a parte da minha vida mais jovem, porque eu me sinto assim. Acho que todas as coisas acabam vindo junto. 20 anos de carreira também, a banda nova, outra banda, outro amor, as crianças grandes... enfim, época de renascimento, época de recomeço e de se reinventar mais uma vez na vida.

JP3: ‘Amor Vem Cá’, uma de suas músicas novas, traz a sua esposa, Carla, no videoclipe e nas imagens de divulgação. De que forma ela te inspira? Você pode falar um pouco sobre ela e o relacionamento de vocês?

Fotos Arquivo Pessoal

Armandinho: O mais lindo de tudo que eu me separei, em 2014, fui morar no Rio de Janeiro, e em 2017, depois da última noite de Carnaval, eu não fui pular Carnaval, mas fui à praia. Eu estava conversando com uma menina em um quiosque, do Rico, e aí veio a Carla, com um boné no rosto e um óculos, com uma amiga e um cachorrinho na mão, meio esperando eu acabar de falar com a outra menina. Eu parei de falar e disse ‘oi, tudo bom?’, daí ela veio e disse ‘será que poderia tirar uma foto com o meu cachorro?’, e eu disse ‘claro’, peguei o cachorro, tirei uma foto ele, ela me agradeceu, disse que gostava muito das minhas músicas e foi embora. E eu fiquei ‘poxa, tirei foto com o cachorro, mas ela não pediu pra tirar foto com ela’. Vi que ela era bonita, mas não deu pra ver assim bem. Aí a Carla foi pra casa, passaram uns dias, ela postou a minha foto no Instagram do Mufasa, o cachorro, e consegui achar ela. Convidei ela pra pegar uma praia. No início ela resistiu, não quis. Deu mais uns dias eu mandei uma mensagem pra ela ‘tô descendo pra praia, vamos tomar um chimarrão?’, porque eu tinha descoberto que ela é gaúcha e aí sim, a gente foi, tomamos o chimarrão e desde então não desgrudamos mais. Acho que em um mês ela já estava morando comigo e foi uma pessoa que fez eu crescer muito com a sua juventude, mas principalmente com a sua modernidade, a sua informação, o jeito rápido de pensar nas coisas. Isso foi uma coisa muito boa pra mim, eu voltei a escrever, voltei a compor, voltei a enxergar a música de uma forma nova. Foi uma pessoa que caiu do céu pra mim, eu tô muito feliz com a Carla. Às vezes eu até esqueço que a gente tem tanta diferença de idade, ela hoje com 23 e eu com 49.

JP3: Como é o seu contato com o público? Mesmo suas músicas sendo mais antigas, elas se mantêm atuais, nos shows o pessoal demonstra bastante o carinho que sente...

Armandinho: As músicas novas não têm muito espaço, porque as antigas marcaram muita gente. As novas podem até marcar novas pessoas, mas elas não conseguem entrar porque não tem muito espaço no show. Têm clássicos que eu não posso deixar de tocar e eu vou continuar tocando pra sempre. Eu lembro quando eu ia em shows de alguns cantores esperando escutar aquela música e ele não tocava, ele tocava as músicas do álbum novo inteiro, show novo, nova turnê. Acho que quando a gente é fã do cantor a gente meio que se frustra. E eu resolvi fazer o inverso, eu acho que com o tempo as músicas antigas se reinventaram. É outra banda, elas são tocadas de uma forma mais madura, acompanhando a idade do meu público, que em 2006 tinha 18, 20 anos. Eu acompanhei esses anos todos, e hoje eles estão na faixa dos 30, 35 anos, e as músicas acompanharam essa evolução deles. Vou continuar tocando as antigas sempre, e as novas elas têm que provar, elas têm que conquistar o espaço delas, assim como ‘Sol Loiro’ e ‘Eu Sou do Mar’. Essas duas aí conquistaram um espaço e agora ‘Amor Vem Cá’ e mais outras que estão vindo precisam fazer o mesmo. É assim que funciona o meu repertório e a forma de fazer o show.

Fotos: Ricardo Alves
"Foi o melhor show na Brava”.Público cantou com seu ídolo.

JP3: O que você espera desse ano? Pode nos contar algum projeto ou novidade que pretende concretizar?

Armandinho: Ah, 2020... eu não lanço mais um álbum, um conjunto de músicas, desde 2012. E aí vão oito anos já sem lançar nenhum trabalho novo. Esse ano é o ano do meu trabalho novo. Já estou esquentando com algumas canções novas nas rádios, e no meio do ano, entre julho e agosto, a gente lança e no verão que vem a gente vai estar tocando a turnê desse novo trabalho. As músicas novas já estão esquentando muito bem nas rádios e alguns programas de televisão, mesmo que eu segure um pouco. Eu acho que fazer um mega sucesso de novo com muita mídia não é o que eu quero. Eu já passei por isso e hoje eu escolho um voo cruzeiro, né. A gente dá uma subida, fica naquela linha intermediária, depois volta pra linha do meio e depois sobe até a intermediária. Planta e colhe, planta e colhe, em um voo cruzeiro longo, sempre com o meu público fiel. A superexposição ela cansa, não é essa mais a intenção.

JP3: Você é um grande defensor da Praia Brava, que sempre foi sua grande inspiração, lutando para manter sua natureza preservada... como vê ela hoje?

Armandinho: Cara, incrível essa luta, né? Mas, cara, a gente só quer a lei, né. Só quer o que é certo fazer. Ninguém não quer prédio aqui na Brava. Não adianta, vai ter, é muito dinheiro rolando. Vai ter prédio. Agora, poxa, vamos usar o bom senso, né? E não o exagero. O problema está no exagero, de querer fazer um prédio do tamanho dos prédios de Balneário aqui na primeira rua. Cara, a gente não merece viver na sombra. A gente ama a praia porque ela é uma praia, e praia tem sol. É isso. E o esgoto também. Como é que a gente vai fazer com esse monte de gente? E entrada e saída da praia, como é que a gente vai se locomover? Será que não querem aterrar a Praia Brava também? Já estão com isso na cabeça, porque Balneário vai aterrar. Já estão fazendo porque daqui um tempo já sabem que vão aterrar pra fazer mais uma rua. Eu não quero a Praia Brava aterrada. Gente, pelo amor de Deus, vamos preservar o que está e o que é lindo, o cartão-postal de Santa Catarina. Meia dúzia de pessoas não podem alterar o que foi escrito por Deus, pela natureza ou pelos dois; não pode alterar isso que fez o Estado. No Estado de Santa Catarina, o turismo é pela natureza, é pelos jovens, é pelo surf. Então poxa, vamos fazer só o que está na lei. Pode fazer prédio a vontade, sei que vai ter, eu moro em um prédio também, mas não ali, cara, não tira o sol, cara. Não dá, isso não dá, é inadmissível.


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