Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
A bióloga que cuida dos habitantes do Zoo Cyro Gevaerd há 38 anos

Quinta, 3/12/2020 8:34.

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Por Marlise Schneider Cezar
.
Nesta terça-feira (1), o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (popularmente conhecido como Zoológico da Santur) comemorou 39 anos. A bióloga Márcia Regina do Nascimento Gonçalves Achutti, 61, catarinense de Blumenau, que reside em Balneário Camboriú desde 1982 e acompanha todas as fases de desenvolvimento, maus e bons momentos, há exatos 38 anos.
Casada com Wilson Achutti, mãe de Francisco e Maria Carolina e avó de Maria Antônia, Márcia é graduada em Biologia com Mestrado em Educação.
Ela conta que conheceu o zoo assim que inaugurou em dezembro de 1981 e ficou encantada. Como estava recém formada, candidatou-se à vaga de bióloga e hoje comemorou quase quatro décadas de trabalho no local.
Atualmente ela preside o Instituto Catarinense de Conservação da Fauna e Flora (ICCO), ONG que administra o Complexo Ambiental.
Nesta entrevista, Márcia conta um pouco desta trajetória. Acompanhe:

.

JP3 - Como era o zoo no começo?

Márcia - No começo somente existia 40 recintos de aves pequenos, o aquário e o museu. Com o passar do tempo foram ampliadas as áreas e novos recintos foram construídos.

JP3 - Ao longo dos anos, foram muitas dificuldades. Quais foram as piores fases de sobrevivência que o zoo enfrentou?

Márcia - Uma grande dificuldade foi com relação a alimentação dos animais. Uma época onde o animal quase não tinha importância, diferente dos dias de hoje, onde algumas pessoas achavam que eles poderiam ser alimentados com restos de mercados e verdureiras. Mas, com muita conversa e diálogo conseguimos mudar essa mentalidade. Outra grande dificuldade foi numa época que fomos deixados de lado, ou seja, praticamente abandonados. Sofremos muito, mas com muito esforço e dedicação e com a mudança para uma ONG e com as parcerias que fizemos, nos sentimos muito orgulhosos de ter conseguido mostrar a importância da conservação, da educação ambiental assim como o objetivo principal, que é o bem estar dos animais.

P3 - É um dos mais antigos de SC. Quais foram as principais conquistas ao longo destes 39 anos?

Márcia - Ele é o 2º de Santa Catarina. As conquistas foram muitas: as mudanças que ocorreram nos ambientes dos animais proporcionando um ambiente onde eles possam se sentir bem com vegetação e pontos de fuga, a ampliação do setor onde são preparados alimentos equipado com câmaras frigoríficas para armazenamento de carnes e uma resfriada para frutas e verduras; no setor veterinário com aquisição de aparelhos específicos para a área; uma sala específica para preparar os enriquecimentos ambientais, que consiste em inserir estímulos dentro dos recintos dos animais para que eles tenham a oportunidade de exibir comportamentos mais próximos do natural e um berçário onde são atendidos os filhotes rejeitados pelos pais e aqueles que recebemos provenientes de resgate.

JP3 - Quais os programas desenvolvidos?

Márcia - Programa ‘Segunda Chance’, em parceria com a Semam e PMBC; participamos do ‘Abraço Animal’, onde recebemos animais silvestres atropelados, órfãos, vítimas de tráfico e maus tratos que são trazidos pela Guarda Municipal Ambiental, como também de órgãos fiscalizatórios do Estado, onde realizamos o atendimento biológico e veterinário. Após são reabilitados e os que tiverem condições de soltura são devolvidos ao ambiente de origem, porém os que infelizmente apresentam algumas sequelas permanecem no Parque sob nossos cuidados. Através desses animais, desenvolvemos o ‘Programa de Educação Ambiental’ com placas onde informamos o porque estes animais estão aqui e assim o público pode conhecer um pouco da sua história. Também é desenvolvido aqui o ‘Programa de Plano de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção’, onde o objetivo é manter a população geneticamente saudável e bem representada para futuras reintrodução. Fazem parte: lobo guará, ararajuba, tamanduá-bandeira, papagaio-peito-roxo, entre outros.

JP3 - Quantos animais vivem no zoo hoje?

Márcia - Atualmente vivem em torno de 1000 animais, entre aves, mamíferos, répteis e peixes, num total de 216 espécies, lembrando que 80 % deles são de resgate, vindos de órgãos fiscalizatórios, os outros são nascidos no Parque e oriundos de permutas entre instituições.

JP3 - Quantas pessoas trabalham para cuidar deles?

Márcia - Para cuidar dos animais temos seis tratadores, uma médica veterinária, uma bióloga, um assistente de bióloga, estagiários e voluntários. Além da equipe de manutenção e administração que num total somam 27 funcionários.

JP3 - Quais são os animais mais comilões e quanto eles?

Márcia - Os mais comilões são os felinos, os tigres se alimentam com 8k, enquanto os leões comem 5k diariamente de carnes e miúdos variados (bovina, ave, suína). De curiosidade os tamanduás recebem uma ração específica (somente existe uma fábrica no Brasil que fabrica) além de uma papa com vários ingredientes, como também os flamingos e guarás-vermelhos necessitam de uma ração específica para manter a sua coloração.

JP3 - E os que comem menos?

Márcia - É o Serelepe (esquilo) que se alimenta de sementes e o Macaco-da-noite, que na parte de manhã recebe verduras cozidas e ração para macaco e à tarde, frutas variadas.

JP3 - Quais são os animais mais ferozes?

Márcia - Entre as aves, o Casuar, considerado a ave mais perigosa do mundo, devido aos seus mecanismos de defesa nas patas e asas; e entre os mamíferos são os tigres e leões.

JP3 - Quais são os mais dóceis?

Márcia - Os mais dóceis são os Lóris-arco-iris, uma espécie de Psitacídeos, as Lhamas, as Suricatas que recém-chegaram no Parque e as cobras-do-milho.

JP3 - Quais são os preferidos do público?

Márcia - Os leões, por ainda serem considerados o Rei da Selva, os tigres pelo seu porte e os macacos por serem divertidos.

JP3 - Quais são os teus xodós? Por quê?

Márcia - O meu xodó são os Lóris-arco-iris, porque são bem curiosos e como sou eu que preparo a sua alimentação interagem bastante comigo.

JP3 - Quais foram as melhores experiências no trabalho?

Márcia - Minha maior experiência é quando depois de ter se dedicado por algum tempo a um animal, acontecer a reprodução, isso nos dá muita satisfação e mostra que nosso trabalho está dando certo.

JP3 - E as piores?

Márcia - Quando vão a óbito, porque cuidamos de todos como se fossem da nossa família.

JP3 - Como funciona a reprodução?

Márcia - Naturalmente, geralmente nos recintos existem casais ocorrendo o acasalamento e consequentemente a reprodução.

JP3 - Quem são os mais ativos na reprodução?

Márcia - Os Macacos-caranguejeiros, as Lhamas, os Cervos-Dama, as jiboias (no ano passado nasceram 14 filhotes).

JP3 - Qual é a frequência de público? E o perfil?

Márcia - Maior no final de semana e estudantes durante a semana (antes da pandemia). Porém, atualmente estamos recebendo um público durante a semana de famílias com crianças, como também nos finais de semana.

JP3 - Curiosidades que você vivenciou?

Márcia - Quando são colocados os enriquecimentos ambientais nos recintos, como caixas, cordas, bambus, etc com algum alimento diferente do cotidiano, é muito curioso observar o comportamento do animal com esse novo objeto introduzido, a forma de como ele interage. É muito gratificante.

JP3 - Em tempos de pandemia o que mudou no zoo?

Márcia - Após quatro meses fechado, abrimos seguindo todos os protocolos solicitados. Vemos que as pessoas já não querem mais ficar em casa e vem passear aqui por ser um ambiente aberto, onde podem conhecer toda a beleza dos animais e da vegetação.



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Página 3

A bióloga que cuida dos habitantes do Zoo Cyro Gevaerd há 38 anos

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Quinta, 3/12/2020 8:34.
Por Marlise Schneider Cezar
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Nesta terça-feira (1), o Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (popularmente conhecido como Zoológico da Santur) comemorou 39 anos. A bióloga Márcia Regina do Nascimento Gonçalves Achutti, 61, catarinense de Blumenau, que reside em Balneário Camboriú desde 1982 e acompanha todas as fases de desenvolvimento, maus e bons momentos, há exatos 38 anos.
Casada com Wilson Achutti, mãe de Francisco e Maria Carolina e avó de Maria Antônia, Márcia é graduada em Biologia com Mestrado em Educação.
Ela conta que conheceu o zoo assim que inaugurou em dezembro de 1981 e ficou encantada. Como estava recém formada, candidatou-se à vaga de bióloga e hoje comemorou quase quatro décadas de trabalho no local.
Atualmente ela preside o Instituto Catarinense de Conservação da Fauna e Flora (ICCO), ONG que administra o Complexo Ambiental.
Nesta entrevista, Márcia conta um pouco desta trajetória. Acompanhe:

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JP3 - Como era o zoo no começo?

Márcia - No começo somente existia 40 recintos de aves pequenos, o aquário e o museu. Com o passar do tempo foram ampliadas as áreas e novos recintos foram construídos.

JP3 - Ao longo dos anos, foram muitas dificuldades. Quais foram as piores fases de sobrevivência que o zoo enfrentou?

Márcia - Uma grande dificuldade foi com relação a alimentação dos animais. Uma época onde o animal quase não tinha importância, diferente dos dias de hoje, onde algumas pessoas achavam que eles poderiam ser alimentados com restos de mercados e verdureiras. Mas, com muita conversa e diálogo conseguimos mudar essa mentalidade. Outra grande dificuldade foi numa época que fomos deixados de lado, ou seja, praticamente abandonados. Sofremos muito, mas com muito esforço e dedicação e com a mudança para uma ONG e com as parcerias que fizemos, nos sentimos muito orgulhosos de ter conseguido mostrar a importância da conservação, da educação ambiental assim como o objetivo principal, que é o bem estar dos animais.

P3 - É um dos mais antigos de SC. Quais foram as principais conquistas ao longo destes 39 anos?

Márcia - Ele é o 2º de Santa Catarina. As conquistas foram muitas: as mudanças que ocorreram nos ambientes dos animais proporcionando um ambiente onde eles possam se sentir bem com vegetação e pontos de fuga, a ampliação do setor onde são preparados alimentos equipado com câmaras frigoríficas para armazenamento de carnes e uma resfriada para frutas e verduras; no setor veterinário com aquisição de aparelhos específicos para a área; uma sala específica para preparar os enriquecimentos ambientais, que consiste em inserir estímulos dentro dos recintos dos animais para que eles tenham a oportunidade de exibir comportamentos mais próximos do natural e um berçário onde são atendidos os filhotes rejeitados pelos pais e aqueles que recebemos provenientes de resgate.

JP3 - Quais os programas desenvolvidos?

Márcia - Programa ‘Segunda Chance’, em parceria com a Semam e PMBC; participamos do ‘Abraço Animal’, onde recebemos animais silvestres atropelados, órfãos, vítimas de tráfico e maus tratos que são trazidos pela Guarda Municipal Ambiental, como também de órgãos fiscalizatórios do Estado, onde realizamos o atendimento biológico e veterinário. Após são reabilitados e os que tiverem condições de soltura são devolvidos ao ambiente de origem, porém os que infelizmente apresentam algumas sequelas permanecem no Parque sob nossos cuidados. Através desses animais, desenvolvemos o ‘Programa de Educação Ambiental’ com placas onde informamos o porque estes animais estão aqui e assim o público pode conhecer um pouco da sua história. Também é desenvolvido aqui o ‘Programa de Plano de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção’, onde o objetivo é manter a população geneticamente saudável e bem representada para futuras reintrodução. Fazem parte: lobo guará, ararajuba, tamanduá-bandeira, papagaio-peito-roxo, entre outros.

JP3 - Quantos animais vivem no zoo hoje?

Márcia - Atualmente vivem em torno de 1000 animais, entre aves, mamíferos, répteis e peixes, num total de 216 espécies, lembrando que 80 % deles são de resgate, vindos de órgãos fiscalizatórios, os outros são nascidos no Parque e oriundos de permutas entre instituições.

JP3 - Quantas pessoas trabalham para cuidar deles?

Márcia - Para cuidar dos animais temos seis tratadores, uma médica veterinária, uma bióloga, um assistente de bióloga, estagiários e voluntários. Além da equipe de manutenção e administração que num total somam 27 funcionários.

JP3 - Quais são os animais mais comilões e quanto eles?

Márcia - Os mais comilões são os felinos, os tigres se alimentam com 8k, enquanto os leões comem 5k diariamente de carnes e miúdos variados (bovina, ave, suína). De curiosidade os tamanduás recebem uma ração específica (somente existe uma fábrica no Brasil que fabrica) além de uma papa com vários ingredientes, como também os flamingos e guarás-vermelhos necessitam de uma ração específica para manter a sua coloração.

JP3 - E os que comem menos?

Márcia - É o Serelepe (esquilo) que se alimenta de sementes e o Macaco-da-noite, que na parte de manhã recebe verduras cozidas e ração para macaco e à tarde, frutas variadas.

JP3 - Quais são os animais mais ferozes?

Márcia - Entre as aves, o Casuar, considerado a ave mais perigosa do mundo, devido aos seus mecanismos de defesa nas patas e asas; e entre os mamíferos são os tigres e leões.

JP3 - Quais são os mais dóceis?

Márcia - Os mais dóceis são os Lóris-arco-iris, uma espécie de Psitacídeos, as Lhamas, as Suricatas que recém-chegaram no Parque e as cobras-do-milho.

JP3 - Quais são os preferidos do público?

Márcia - Os leões, por ainda serem considerados o Rei da Selva, os tigres pelo seu porte e os macacos por serem divertidos.

JP3 - Quais são os teus xodós? Por quê?

Márcia - O meu xodó são os Lóris-arco-iris, porque são bem curiosos e como sou eu que preparo a sua alimentação interagem bastante comigo.

JP3 - Quais foram as melhores experiências no trabalho?

Márcia - Minha maior experiência é quando depois de ter se dedicado por algum tempo a um animal, acontecer a reprodução, isso nos dá muita satisfação e mostra que nosso trabalho está dando certo.

JP3 - E as piores?

Márcia - Quando vão a óbito, porque cuidamos de todos como se fossem da nossa família.

JP3 - Como funciona a reprodução?

Márcia - Naturalmente, geralmente nos recintos existem casais ocorrendo o acasalamento e consequentemente a reprodução.

JP3 - Quem são os mais ativos na reprodução?

Márcia - Os Macacos-caranguejeiros, as Lhamas, os Cervos-Dama, as jiboias (no ano passado nasceram 14 filhotes).

JP3 - Qual é a frequência de público? E o perfil?

Márcia - Maior no final de semana e estudantes durante a semana (antes da pandemia). Porém, atualmente estamos recebendo um público durante a semana de famílias com crianças, como também nos finais de semana.

JP3 - Curiosidades que você vivenciou?

Márcia - Quando são colocados os enriquecimentos ambientais nos recintos, como caixas, cordas, bambus, etc com algum alimento diferente do cotidiano, é muito curioso observar o comportamento do animal com esse novo objeto introduzido, a forma de como ele interage. É muito gratificante.

JP3 - Em tempos de pandemia o que mudou no zoo?

Márcia - Após quatro meses fechado, abrimos seguindo todos os protocolos solicitados. Vemos que as pessoas já não querem mais ficar em casa e vem passear aqui por ser um ambiente aberto, onde podem conhecer toda a beleza dos animais e da vegetação.



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