Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Como não levar o Coronavírus para dentro de casa? Especialistas falam sobre o assunto

Quinta, 2/4/2020 7:38.
Foto Divulgação/Ministério da Saúde

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Apesar de ser o assunto mais comentado no planeta nos últimos meses, ainda restam dúvidas sobre medidas para evitar o contágio, principalmente no caso de famílias que contam com pessoas que foram contaminadas e estão fazendo isolamento social dentro de casa. Também pessoas isoladas socialmente sem qualquer contato fora do domicílio têm dúvidas. Pensando nisso, o Página 3 conversou com duas especialistas, a farmacêutica Ruth Meri da Silva e a médica infectologista Regina Valim para perguntar: Como não levar o Coronavírus para dentro de casa?

A farmacêutica Ruth Meri Lucinda da Silva, Mestre em Ciências Farmacêuticas, Doutora em Ciências Farmacêuticas e PHD em Tecnologia Farmacêutica, é professora no curso de graduação em Farmácia e no Doutorado em Ciências Farmacêuticas e Mestrado em Ciências Farmacêuticas da Univali.

A médica infectologista Regina Célia Santos Valim, mestre em Medicina Tropical, é professora do curso de Medicina da Univali.

CONFIRA ABAIXO AS DICAS:

Isolamento social é a melhor prevenção

Ruth: A recomendação global de isolamento social visa reduzir a taxa de contaminação. Por ser um vírus novo, embora muitos estudos já tenham sido publicados nestes poucos meses de contágio, muitas dúvidas ainda existem. O que tem sido observado é que indivíduos sem sintomas (febre, tosse seca, dificuldades de respirar, fraqueza, entre outras) tem transmitido também o vírus. Enquanto a contaminação era a partir de um indivíduo que tinha ido viajar ou tido contato com alguém que estava contaminado, era possível fazer o isolamento dos mesmos e fazer acompanhamento da evolução. Porém, duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, já temos contaminação comunitária, não sendo mais possível rastrear o indivíduo que transmitiu. Por isto a recomendação neste momento é de ficar em casa, sair somente para necessidades essenciais, como ir ao mercado e farmácia, de preferência sozinho, não em grupo. Também antes de procurar a unidade de saúde, busque ajuda usando os meios tecnológicos que as prefeituras têm disponibilizado, como aplicativos em smartphone.

Regina: Hoje o que temos de melhor prevenção ao Coronavírus é o que chamamos de isolamento social, ou seja, as pessoas ficarem em seu domicílio. É claro que a gente sabe que existem pessoas que precisam sair para trabalhar, mas se eu tenho poucas pessoas saindo porque necessitam realmente trabalhar e a grande maioria permanecer em casa vamos ter uma grande desaceleração na transmissão do vírus e isso é importante para não impactar no sistema de saúde, porque se tivermos uma circulação viral muito alta vamos ter uma demanda de pessoas doentes também muito alta. Provavelmente não teremos condição de atendimento para todas essas pessoas que irão precisar procurar hospitalização, com utilização de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), então por isso que a gente recomenda a questão do isolamento social.

Cuidados ao sair e voltar para casa

Ruth: Se precisar sair de casa, primeiro cuide para evitar tocar o rosto com as mãos antes de lavar ou passar álcool gel. Evitar tocar em corrimãos, botões de elevador (usar as escadas quando possível), abrir portas, ou seja, em superfícies de locais públicos que possam ser fonte de contaminação. O vírus permanece viável em superfícies como papel, plástico, aço inoxidável, vidro e outros. Por isto também o cuidado com dinheiro em cédulas ou moedas, assim como cartões usados no pagamento. Lembrando que o não tocar é para evitar a contaminação ou transmissão, pois podemos estar servindo de vetor de contaminação. Ao retornar para casa, é necessário retirar o calçado ante de entrar, trocar e retirar as roupas, lavar as mãos e, de preferência, tomar um banho. Cuidar também o que estamos trazendo para casa, como sacolas de mercado, chaves de carro, aparelho celular, entre outros. Se possível, borrife álcool 70% nestes itens. As frutas, hortaliças e verduras, devem ser lavadas com água corrente, assim como, para os alimentos que serão ingeridos crus, deixar de molho em água com vinagre ou hipoclorito antes do consumo. Tem sido comprovado que limpeza com água e sabão é uma medida efetiva no combate à transmissão, por isto precisamos ter ou criar o hábito de lavar as mãos com água e sabão/sabonete várias vezes ao dia. Sabemos que estamos com dificuldades de encontrar álcool em gel. E este é um produto importante principalmente quando não conseguimos lavar as mãos. Por isto em casa, dê preferência para lavar as mãos e guarde o álcool em gel para quando precisar sair. Na falta do álcool gel, também podemos usar o álcool líquido, porém sempre na concentração de 70%, pois esta é a concentração necessária para eliminar o vírus. Se o usar o álcool líquido, borrifar mais de uma vez, pode ser necessário devido a rápida evaporação do produto. Cuidar com o álcool líquido devido a inflamabilidade e a irritação de mucosas, como o olho.

Regina: É importante nesse momento a intensificação dos hábitos de higiene, ou seja, lavagem das mãos ou uso do álcool em gel. Se a pessoa não tem álcool em gel, intensifique a lavagem das mãos com água e sabão. As duas maneiras têm a mesma efetividade, então não precisa ficar angustiado se você não estiver encontrando o álcool em gel. Se você estiver lavando bem as mãos com água e sabão já é suficiente. Etiqueta da tosse: qualquer pessoa que tiver sintoma de tosse, espirro, que use lenço de papel descartável cobrindo nariz e boca ou então use o ângulo do cotovelo para espirrar ou tossir. Evite aglomerações, não compartilhe talheres, pratos, copos, também é outra medida preventiva importante.

Devo usar máscara e luvas?

Ruth: Os recentes estudos sobre a contaminação pelo vírus e o desenvolvimento dele no organismo tem mostrado que pessoas não sintomáticas podem transmitir o vírus, por isto muitos países, incluindo o Brasil, tem recomendado o uso de máscaras para evitar a propagação do vírus. Então ao sairmos de casa, devemos proteger o nariz e boca com uma máscara.
Devido à falta de máscaras cirúrgicas, a recomendação é que as pessoas utilizem máscaras de tecido, que podem ser feitas a partir de lenços e elásticos, por exemplo, ou confeccionadas usando tecidos. É importante destacar que estas máscaras devem ser trocadas quando estiverem úmidas ou a cada 2 h. Cuidar para não tocar na parte externa da máscara e lavar a máscara com água, sabão e produto desinfectante como hipoclorito de sódio, secar e depois reutilizar.

O uso de luvas pode trazer uma falsa sensação de proteção e levar a uma maior contaminação. Pois podemos tocar o rosto e o cabelo com as luvas, assim como superfícies, e, pela sensação de proteção, transmitiremos de uma superfície para outra. Além disso, é necessário saber calçar e retirar as luvas de forma segura, pois pelo contrário servirão como fonte de auto-contaminação. Por isto, deixamos estes EPIs para os profissionais de saúde e para os pacientes em que se tem a recomendação de isolamento por terem confirmada a contaminação ou serem casos suspeitos.
Além disso precisamos contribuir para evitar que estes EPIs faltem para os profissionais e pacientes que realmente precisam.

Regina: Ainda estamos indicando o uso de equipamentos de proteção individual para aquelas pessoas que realmente têm necessidade (que estão com sintomas respiratórios – máscaras, e luvas para quem vai atender essas pessoas). É claro que vamos ter que flexibilizar um pouco mais a questão das máscaras. Elas podem funcionar principalmente se há um risco de aglomeração no local onde essa pessoa está se dirigindo, onde há uma chance de entrar em contato ou mesmo essa pessoa ser uma portadora assintomática do vírus. Ou seja, a máscara é eficiente para evitar a transmissão da pessoa para o meio ambiente em consequência para outra pessoa que está muito próximo dela. O uso de luvas na prática se eu tenho a minha mão bem higienizada, lavo bem as mãos, não levo minhas mãos no rosto, não toco mucosa, não coço nariz e nem os olhos, não há necessidade. A luva é importante para o profissional de saúde quando vai examinar o paciente, mas não para ser utilizada pela população geral, até porque ocorre o risco da pessoa se contaminar pelo uso da luva porque nem todo mundo sabe utilizar da forma adequada esse equipamento. A luva pode ser contaminada e contaminar a pessoa. A máscara também precisa ser utilizada com muitos critérios, sabendo que ela tem um período de duração de uso, se eu começar a tossir e espirrar eu vou umedecer essa máscara, o que não é interessante.

Como proceder com alguém que está contaminado com o Coronavírus e está em isolamento social?

Ruth: Para os pacientes com suspeita ou confirmação de contaminação por coronavírus, a recomendação é o isolamento dentro da residência, atendendo a todas as recomendações das equipes médicas. Isto inclui, se possível isolamento com uso exclusivo de quarto e banheiro. Manter o ambiente arejado com abertura de janelas e portas, não compartilhar itens de higiene pessoal, talheres e louças. Lavar com frequência toalhas e lençóis, além de lavar separadamente das peças de roupa usadas pelos outros moradores da residência. Lavar as mãos com frequência com água e sabão. Usar máscara, limpar as superfícies com produto desinfectante, como álcool 70% ou hipoclorito de sódio 0,5%, com maior frequência, e usar solução de hipoclorito de sódio também para limpeza de pisos e banheiros. Evitar contato direto com outras pessoas da família, manter distância, se possível de 1 a 2 metros, se alimentar adequadamente, se manter hidratado e, a qualquer piora dos sintomas, principalmente do desconforto respiratório, entrar em contato com a equipe de saúde mais próxima, para encaminhamentos para atendimento hospitalar. E não sair de casa, se não for necessário. Isto é fundamental. As pessoas residentes na mesma casa também devem cumprir quarentena de 14 dias..

Regina: As pessoas que estão diagnosticadas ou suspeitas de Coronavírus, mas que são quadros leves e ficam em domicílio devem ficar isoladas dentro do domicílio por 14 dias. Então os outros membros da família tem que cuidar dessa pessoa, mas cuidar sabendo que essa pessoa terá que ficar totalmente isolada, com intensificação da higiene do ambiente e própria, tanto da pessoa doente como de seus familiares.

Pessoa totalmente isolada dentro de casa, precisa fazer tudo isso? Lavar mãos toda hora com água e sabão e todas as outras medidas, como desinfetar as torneiras e os trincos das portas antes e depois de usar? Precisa lavar a roupa que usam todo dia?

Ruth:Se a pessoa não está tendo contato com outras, não é necessário desinfetar torneiras, trincos a cada vez que os utilizar e não precisa lavar as mãos várias vezes como quem tem convívio com familiares, por exemplo. Mas ela deve manter a rotina de limpeza e lavagem das roupas normalmente, assim como das mãos. Deve-se ter cuidado ao receber encomendas ou alimentos entregues por outras pessoas e limpá-los antes de guardar.

Recado final

Ruth: Gostaria ainda de chamar atenção para os cuidados com as falsas notícias de remédios caseiros ou alimentos que evitam a contaminação ou evitam que o vírus se distribua pelo corpo. Fazer uso de misturas a base de vinagre, por exemplo, por levar a lesões da mucosa bucal e da garganta. Consumir alimentos extremamente ácidos, como suco puro de limão, somente para matar o vírus, não é eficaz. Também não se automedique buscando evitar a contaminação. O uso de medicamentos com sérios efeitos adversos e que ainda não possuem eficácia comprovada, como a cloroquina, se não acompanhado por um médico, além de prejuízos à saúde, vai fazer falta para aqueles pacientes que realmente precisam destes medicamentos. A recomendação é manter uma alimentação saudável com o consumo de frutas e verduras ricas em vitaminas C, A, do complexo B e, sem sair de casa, tomar sol, pois precisamos de vitamina D, além de se hidratar.

Viver uma pandemia de um vírus com uma taxa de transmissão tão alta, que ainda não temos uma vacina e, que olhando os relatos de outros países, é uma situação que possivelmente durará algumas semanas, certamente o impacto depende também de fazermos a nossa parte. Vamos amenizar ao máximo e evitarmos uma taxa de contaminação muito acelerada a ponto de inviabilizarmos o nosso sistema de saúde, principalmente no tratamento dos que mais precisarem. E, cuidar muito de nossos idosos. Vamos usar a tecnologia para matar um pouco da saudade que o distanciamento nos impõe, mas garantir, que após tudo isto passar, poderemos estar com nossos familiares e amigos!



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Página 3
Foto Divulgação/Ministério da Saúde

Como não levar o Coronavírus para dentro de casa? Especialistas falam sobre o assunto

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Quinta, 2/4/2020 7:38.

Apesar de ser o assunto mais comentado no planeta nos últimos meses, ainda restam dúvidas sobre medidas para evitar o contágio, principalmente no caso de famílias que contam com pessoas que foram contaminadas e estão fazendo isolamento social dentro de casa. Também pessoas isoladas socialmente sem qualquer contato fora do domicílio têm dúvidas. Pensando nisso, o Página 3 conversou com duas especialistas, a farmacêutica Ruth Meri da Silva e a médica infectologista Regina Valim para perguntar: Como não levar o Coronavírus para dentro de casa?

A farmacêutica Ruth Meri Lucinda da Silva, Mestre em Ciências Farmacêuticas, Doutora em Ciências Farmacêuticas e PHD em Tecnologia Farmacêutica, é professora no curso de graduação em Farmácia e no Doutorado em Ciências Farmacêuticas e Mestrado em Ciências Farmacêuticas da Univali.

A médica infectologista Regina Célia Santos Valim, mestre em Medicina Tropical, é professora do curso de Medicina da Univali.

CONFIRA ABAIXO AS DICAS:

Isolamento social é a melhor prevenção

Ruth: A recomendação global de isolamento social visa reduzir a taxa de contaminação. Por ser um vírus novo, embora muitos estudos já tenham sido publicados nestes poucos meses de contágio, muitas dúvidas ainda existem. O que tem sido observado é que indivíduos sem sintomas (febre, tosse seca, dificuldades de respirar, fraqueza, entre outras) tem transmitido também o vírus. Enquanto a contaminação era a partir de um indivíduo que tinha ido viajar ou tido contato com alguém que estava contaminado, era possível fazer o isolamento dos mesmos e fazer acompanhamento da evolução. Porém, duas semanas após a confirmação dos primeiros casos, já temos contaminação comunitária, não sendo mais possível rastrear o indivíduo que transmitiu. Por isto a recomendação neste momento é de ficar em casa, sair somente para necessidades essenciais, como ir ao mercado e farmácia, de preferência sozinho, não em grupo. Também antes de procurar a unidade de saúde, busque ajuda usando os meios tecnológicos que as prefeituras têm disponibilizado, como aplicativos em smartphone.

Regina: Hoje o que temos de melhor prevenção ao Coronavírus é o que chamamos de isolamento social, ou seja, as pessoas ficarem em seu domicílio. É claro que a gente sabe que existem pessoas que precisam sair para trabalhar, mas se eu tenho poucas pessoas saindo porque necessitam realmente trabalhar e a grande maioria permanecer em casa vamos ter uma grande desaceleração na transmissão do vírus e isso é importante para não impactar no sistema de saúde, porque se tivermos uma circulação viral muito alta vamos ter uma demanda de pessoas doentes também muito alta. Provavelmente não teremos condição de atendimento para todas essas pessoas que irão precisar procurar hospitalização, com utilização de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), então por isso que a gente recomenda a questão do isolamento social.

Cuidados ao sair e voltar para casa

Ruth: Se precisar sair de casa, primeiro cuide para evitar tocar o rosto com as mãos antes de lavar ou passar álcool gel. Evitar tocar em corrimãos, botões de elevador (usar as escadas quando possível), abrir portas, ou seja, em superfícies de locais públicos que possam ser fonte de contaminação. O vírus permanece viável em superfícies como papel, plástico, aço inoxidável, vidro e outros. Por isto também o cuidado com dinheiro em cédulas ou moedas, assim como cartões usados no pagamento. Lembrando que o não tocar é para evitar a contaminação ou transmissão, pois podemos estar servindo de vetor de contaminação. Ao retornar para casa, é necessário retirar o calçado ante de entrar, trocar e retirar as roupas, lavar as mãos e, de preferência, tomar um banho. Cuidar também o que estamos trazendo para casa, como sacolas de mercado, chaves de carro, aparelho celular, entre outros. Se possível, borrife álcool 70% nestes itens. As frutas, hortaliças e verduras, devem ser lavadas com água corrente, assim como, para os alimentos que serão ingeridos crus, deixar de molho em água com vinagre ou hipoclorito antes do consumo. Tem sido comprovado que limpeza com água e sabão é uma medida efetiva no combate à transmissão, por isto precisamos ter ou criar o hábito de lavar as mãos com água e sabão/sabonete várias vezes ao dia. Sabemos que estamos com dificuldades de encontrar álcool em gel. E este é um produto importante principalmente quando não conseguimos lavar as mãos. Por isto em casa, dê preferência para lavar as mãos e guarde o álcool em gel para quando precisar sair. Na falta do álcool gel, também podemos usar o álcool líquido, porém sempre na concentração de 70%, pois esta é a concentração necessária para eliminar o vírus. Se o usar o álcool líquido, borrifar mais de uma vez, pode ser necessário devido a rápida evaporação do produto. Cuidar com o álcool líquido devido a inflamabilidade e a irritação de mucosas, como o olho.

Regina: É importante nesse momento a intensificação dos hábitos de higiene, ou seja, lavagem das mãos ou uso do álcool em gel. Se a pessoa não tem álcool em gel, intensifique a lavagem das mãos com água e sabão. As duas maneiras têm a mesma efetividade, então não precisa ficar angustiado se você não estiver encontrando o álcool em gel. Se você estiver lavando bem as mãos com água e sabão já é suficiente. Etiqueta da tosse: qualquer pessoa que tiver sintoma de tosse, espirro, que use lenço de papel descartável cobrindo nariz e boca ou então use o ângulo do cotovelo para espirrar ou tossir. Evite aglomerações, não compartilhe talheres, pratos, copos, também é outra medida preventiva importante.

Devo usar máscara e luvas?

Ruth: Os recentes estudos sobre a contaminação pelo vírus e o desenvolvimento dele no organismo tem mostrado que pessoas não sintomáticas podem transmitir o vírus, por isto muitos países, incluindo o Brasil, tem recomendado o uso de máscaras para evitar a propagação do vírus. Então ao sairmos de casa, devemos proteger o nariz e boca com uma máscara.
Devido à falta de máscaras cirúrgicas, a recomendação é que as pessoas utilizem máscaras de tecido, que podem ser feitas a partir de lenços e elásticos, por exemplo, ou confeccionadas usando tecidos. É importante destacar que estas máscaras devem ser trocadas quando estiverem úmidas ou a cada 2 h. Cuidar para não tocar na parte externa da máscara e lavar a máscara com água, sabão e produto desinfectante como hipoclorito de sódio, secar e depois reutilizar.

O uso de luvas pode trazer uma falsa sensação de proteção e levar a uma maior contaminação. Pois podemos tocar o rosto e o cabelo com as luvas, assim como superfícies, e, pela sensação de proteção, transmitiremos de uma superfície para outra. Além disso, é necessário saber calçar e retirar as luvas de forma segura, pois pelo contrário servirão como fonte de auto-contaminação. Por isto, deixamos estes EPIs para os profissionais de saúde e para os pacientes em que se tem a recomendação de isolamento por terem confirmada a contaminação ou serem casos suspeitos.
Além disso precisamos contribuir para evitar que estes EPIs faltem para os profissionais e pacientes que realmente precisam.

Regina: Ainda estamos indicando o uso de equipamentos de proteção individual para aquelas pessoas que realmente têm necessidade (que estão com sintomas respiratórios – máscaras, e luvas para quem vai atender essas pessoas). É claro que vamos ter que flexibilizar um pouco mais a questão das máscaras. Elas podem funcionar principalmente se há um risco de aglomeração no local onde essa pessoa está se dirigindo, onde há uma chance de entrar em contato ou mesmo essa pessoa ser uma portadora assintomática do vírus. Ou seja, a máscara é eficiente para evitar a transmissão da pessoa para o meio ambiente em consequência para outra pessoa que está muito próximo dela. O uso de luvas na prática se eu tenho a minha mão bem higienizada, lavo bem as mãos, não levo minhas mãos no rosto, não toco mucosa, não coço nariz e nem os olhos, não há necessidade. A luva é importante para o profissional de saúde quando vai examinar o paciente, mas não para ser utilizada pela população geral, até porque ocorre o risco da pessoa se contaminar pelo uso da luva porque nem todo mundo sabe utilizar da forma adequada esse equipamento. A luva pode ser contaminada e contaminar a pessoa. A máscara também precisa ser utilizada com muitos critérios, sabendo que ela tem um período de duração de uso, se eu começar a tossir e espirrar eu vou umedecer essa máscara, o que não é interessante.

Como proceder com alguém que está contaminado com o Coronavírus e está em isolamento social?

Ruth: Para os pacientes com suspeita ou confirmação de contaminação por coronavírus, a recomendação é o isolamento dentro da residência, atendendo a todas as recomendações das equipes médicas. Isto inclui, se possível isolamento com uso exclusivo de quarto e banheiro. Manter o ambiente arejado com abertura de janelas e portas, não compartilhar itens de higiene pessoal, talheres e louças. Lavar com frequência toalhas e lençóis, além de lavar separadamente das peças de roupa usadas pelos outros moradores da residência. Lavar as mãos com frequência com água e sabão. Usar máscara, limpar as superfícies com produto desinfectante, como álcool 70% ou hipoclorito de sódio 0,5%, com maior frequência, e usar solução de hipoclorito de sódio também para limpeza de pisos e banheiros. Evitar contato direto com outras pessoas da família, manter distância, se possível de 1 a 2 metros, se alimentar adequadamente, se manter hidratado e, a qualquer piora dos sintomas, principalmente do desconforto respiratório, entrar em contato com a equipe de saúde mais próxima, para encaminhamentos para atendimento hospitalar. E não sair de casa, se não for necessário. Isto é fundamental. As pessoas residentes na mesma casa também devem cumprir quarentena de 14 dias..

Regina: As pessoas que estão diagnosticadas ou suspeitas de Coronavírus, mas que são quadros leves e ficam em domicílio devem ficar isoladas dentro do domicílio por 14 dias. Então os outros membros da família tem que cuidar dessa pessoa, mas cuidar sabendo que essa pessoa terá que ficar totalmente isolada, com intensificação da higiene do ambiente e própria, tanto da pessoa doente como de seus familiares.

Pessoa totalmente isolada dentro de casa, precisa fazer tudo isso? Lavar mãos toda hora com água e sabão e todas as outras medidas, como desinfetar as torneiras e os trincos das portas antes e depois de usar? Precisa lavar a roupa que usam todo dia?

Ruth:Se a pessoa não está tendo contato com outras, não é necessário desinfetar torneiras, trincos a cada vez que os utilizar e não precisa lavar as mãos várias vezes como quem tem convívio com familiares, por exemplo. Mas ela deve manter a rotina de limpeza e lavagem das roupas normalmente, assim como das mãos. Deve-se ter cuidado ao receber encomendas ou alimentos entregues por outras pessoas e limpá-los antes de guardar.

Recado final

Ruth: Gostaria ainda de chamar atenção para os cuidados com as falsas notícias de remédios caseiros ou alimentos que evitam a contaminação ou evitam que o vírus se distribua pelo corpo. Fazer uso de misturas a base de vinagre, por exemplo, por levar a lesões da mucosa bucal e da garganta. Consumir alimentos extremamente ácidos, como suco puro de limão, somente para matar o vírus, não é eficaz. Também não se automedique buscando evitar a contaminação. O uso de medicamentos com sérios efeitos adversos e que ainda não possuem eficácia comprovada, como a cloroquina, se não acompanhado por um médico, além de prejuízos à saúde, vai fazer falta para aqueles pacientes que realmente precisam destes medicamentos. A recomendação é manter uma alimentação saudável com o consumo de frutas e verduras ricas em vitaminas C, A, do complexo B e, sem sair de casa, tomar sol, pois precisamos de vitamina D, além de se hidratar.

Viver uma pandemia de um vírus com uma taxa de transmissão tão alta, que ainda não temos uma vacina e, que olhando os relatos de outros países, é uma situação que possivelmente durará algumas semanas, certamente o impacto depende também de fazermos a nossa parte. Vamos amenizar ao máximo e evitarmos uma taxa de contaminação muito acelerada a ponto de inviabilizarmos o nosso sistema de saúde, principalmente no tratamento dos que mais precisarem. E, cuidar muito de nossos idosos. Vamos usar a tecnologia para matar um pouco da saudade que o distanciamento nos impõe, mas garantir, que após tudo isto passar, poderemos estar com nossos familiares e amigos!



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