Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Entrevista
Enéas Athanázio premiado pela Academia Catarinense de Letras tem 70 obras publicadas, das quais 55 são livros

Solenidade de entrega será nesta quinta em Florianópolis

Quinta, 12/12/2019 12:10.
Foto: Sinira Ribas
Enéas é um dos escritores mais premiados de Santa Catarina

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O escritor Enéas Athanázio é um dos sete destaques do ano, eleitos pela Academia Catarinense de Letras e Artes (ACLA). Ele foi escolhido na categoria ‘Ensaio’ por sua obra ‘Livro sobre Livros’, publicada este ano. Enéas, promotor de justiça aposentado, reside em Balneário Camboriú e é colunista do jornal Página 3 há mais de duas décadas.

Os outros seis eleitos são Hilton Gorresen (Conto), Waldir José Rampinelli (Crônica), Leandro Serpa (Poesia), Eduardo Sens dos Santos (Romance) e Ricardo Hoffmann (Prêmio Othon D´Eça, pelo conjunto da obra).

A solenidade de premiação e encerramento das atividades 2019 da Academia Catarinense vai acontecer nesta quinta-feira (12), às 19h, no auditório da Casa José Boiteux, em Florianópolis.

Esta semana, assim que soube da notícia, o jornal Página3 que aplaude e orgulha-se pela escolha de Enéas Athanázio, que nesta noite receberá seu 37o. prêmio de sua carreira, entrevistou o escritor. Acompanhe:

JP3 - Quando recebeu a notícia de que foi um dos eleitos como destaque do ano na categoria ensaio?

Enéas Athanázio - No início da semana o presidente Pinheiro Neto, da Academia Catarinense de Letras me ligou informando e dias depois recebi ofício com a comunicação oficial.

JP3 - A seleção indicou um ensaio ou é por todos que já escreveu?

EA - Segundo a comunicação oficial a escolha se deu em virtude do volume “Livro sobre Livros”, publicado neste ano. Creio, porém, que ensaios anteriores pesaram, porque já fui premiado por outros gêneros.

JP3 - Qual foi sua reação ao receber a notícia?

EA - Foi uma grande surpresa que me deixou muito feliz.

JP3 - Qual a importância de um prêmio como este?

EA - É um grande estímulo porque o escritor trabalha quieto no seu canto e tem a impressão de que poucos notam o que está produzindo. O ofício do escritor é o mais solitário que existe. E o prêmio torna público, de forma oficial e solene, que a principal instituição cultural do Estado reconhece o produto de nosso esforço.

JP3 - Quantos prêmios já tem em sua coleção?

EA - Agora são 37 prêmios, maiores ou menores. Todos têm para mim a mesma significação. Foi a quarta vez que a ACL me premiou. Em 2002 recebi o Prêmio Othon D’Eça por ter sido eleito escritor do ano: depois fui premiado pela publicação do “Jornal do Enéas”, tablóide dedicado às letras que consegui manter por dez anos e em 2012 fui premiado pelo livro “Contos Escolhidos.” É curioso notar que não sou acadêmico.

JP3 - Como escritor, quais são os seus estilos preferidos?

EA - Nunca almejei mais que ser um contista e foi com um livro sobre histórias curtas que estreei. Por circunstâncias da vida comecei a escrever sobre outros gêneros e acabei produzindo novelas, crônicas, ensaios, críticas e trabalhos jurídicos. Mas o meu preferido continua sendo o conto. É no conto regionalista que eu me encontro. Sofro com meus personagens, alegro-me com eles, rio e choro, vivo cada instante de suas existências fictícias.

JP3 - O que o senhor gostaria de dizer sobre sua obra literária?

EA - Gostaria de dizer que ela poderia ser melhor. Mas grande parte de minha obra foi produzida em momentos roubados ao descanso, ao sono, ao lazer, ao convívio com a família. Minha carreira de Promotor de Justiça, sempre em comarcas “pesadas”, exigia muito de mim. Mas fiz o melhor que pude.

JP3 - Quantos livros, quantas publicações?

EA - Tenho agora 55 livros publicados. A eles se somam 15 opúsculos, ou sejam, livretos, totalizando 70 obras individuais em volumes. Sou colunista da revista “Blumenau em Cadernos”, editada pela Fundação Cultural daquela cidade, há mais de 40 anos e do “Jornal Página 3” há mais de 20. Além disso, tenho trabalhos publicados em revistas, coletâneas, jornais e sites dos mais diversos pontos do país. Perdi a conta da quantidade deles.

JP3 - Algum destaque especial por uma das obras?

EA - Não. Todas são minhas “filhas” e tenho por elas o mesmo carinho.

JP3 - O que mais vem por aí?

EA - Creio que o 54 e o 55, publicados neste ano, encerram a série. Pelo menos, no momento, não tenho qualquer plano em mente. Mas pretendo manter as colunas e eventuais colaborações para outras publicações.

JP3 - Quais os temas preferidos?

EA - Nos contos e novelas, predominantes na minha produção, a vida campeira está sempre presente. Fui rotulado pela crítica como um regionalista dos Campos Gerais. Mas existem outros temas que me fascinam, como viagens, memórias, Canudos, o Contestado, o cangaço, a crença no Padre Cícero Romão Batista. as obras de Monteiro Lobato, Godofredo Rangel, Lima Barreto, Gilberto Amado, Guimarães Rosa, Crispim Mira, Jorge Amado, Pablo Neruda, Mario Vargas Llosa, Hemingway e muitos outros sobre os quais tenho escrito. Também acompanho com interesse e escrevo sobre o que se produz em Santa Catarina. Nada impede, porém, que de repente aborde tema completamente diferente.

JP3 - Como é feita essa seleção?

EA - Sem nenhum plano. Vou escrevendo ao sabor da vida. Agora, por exemplo, escrevi sobre Jorge Amado porque li uma imensa biografia dele, a primeira que o pinta de corpo inteiro. Quanto aos meus “monstros sagrados”, bate-me a saudade e afundo na obra deles. Já em Santa Catarina, creio que tenho comentado tudo que sai, salvo aquilo de que não tomei conhecimento.

JP3 - Tem algum tema que gostaria, mas ainda não escreveu?

EA - O Contestado ainda não encontrou seu Euclides. Há muita confusão, muita imprecisão, muito “chute.” O assunto está se tornando uma balbúrdia. Gostaria de escrever a obra definitiva sobre a chamada guerra do novo mundo. Mas essa seria uma tarefa hercúlea, exigindo leituras sem fim, viagens, entrevistas, pesquisas “in loco”, discussões etc. E na minha “provecta idade” não teria tempo e nem energia para tanto.

JP3 - Sua opinião sobre as mudanças tecnológicas e a influência na leitura de modo geral?

EA - Nada tenho contra essas mudanças. Não me agrada ler nas telas, em especial textos longos, mas há quem goste. O importante é que as pessoas leiam. Ao que parece, no entanto, o Brasil lê cada vez menos e isso é lamentável. Povo que não lê se torna massa de manobra. No entanto, os meus livros têm sido bem aceitos e consumidos, sinal de que pelo menos uma pequena parcela continua lendo o que escrevo.

JP3 - Como incentivar os jovens a ler mais livros?

EA - Creio que não existe uma receita para isso. Tenho notado que quando os pais são bons leitores os filhos irão na mesma linha. Deixar livros, revistas e jornais à mão, espalhados pela sala, é um bom método. Comentar livros nas reuniões familiares também chama a atenção, desde que todos não estejam no celular... (rs).



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Página 3
Foto: Sinira Ribas
Enéas é um dos escritores mais premiados de Santa Catarina
Enéas é um dos escritores mais premiados de Santa Catarina

Enéas Athanázio premiado pela Academia Catarinense de Letras tem 70 obras publicadas, das quais 55 são livros

Solenidade de entrega será nesta quinta em Florianópolis

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Quinta, 12/12/2019 12:10.

O escritor Enéas Athanázio é um dos sete destaques do ano, eleitos pela Academia Catarinense de Letras e Artes (ACLA). Ele foi escolhido na categoria ‘Ensaio’ por sua obra ‘Livro sobre Livros’, publicada este ano. Enéas, promotor de justiça aposentado, reside em Balneário Camboriú e é colunista do jornal Página 3 há mais de duas décadas.

Os outros seis eleitos são Hilton Gorresen (Conto), Waldir José Rampinelli (Crônica), Leandro Serpa (Poesia), Eduardo Sens dos Santos (Romance) e Ricardo Hoffmann (Prêmio Othon D´Eça, pelo conjunto da obra).

A solenidade de premiação e encerramento das atividades 2019 da Academia Catarinense vai acontecer nesta quinta-feira (12), às 19h, no auditório da Casa José Boiteux, em Florianópolis.

Esta semana, assim que soube da notícia, o jornal Página3 que aplaude e orgulha-se pela escolha de Enéas Athanázio, que nesta noite receberá seu 37o. prêmio de sua carreira, entrevistou o escritor. Acompanhe:

JP3 - Quando recebeu a notícia de que foi um dos eleitos como destaque do ano na categoria ensaio?

Enéas Athanázio - No início da semana o presidente Pinheiro Neto, da Academia Catarinense de Letras me ligou informando e dias depois recebi ofício com a comunicação oficial.

JP3 - A seleção indicou um ensaio ou é por todos que já escreveu?

EA - Segundo a comunicação oficial a escolha se deu em virtude do volume “Livro sobre Livros”, publicado neste ano. Creio, porém, que ensaios anteriores pesaram, porque já fui premiado por outros gêneros.

JP3 - Qual foi sua reação ao receber a notícia?

EA - Foi uma grande surpresa que me deixou muito feliz.

JP3 - Qual a importância de um prêmio como este?

EA - É um grande estímulo porque o escritor trabalha quieto no seu canto e tem a impressão de que poucos notam o que está produzindo. O ofício do escritor é o mais solitário que existe. E o prêmio torna público, de forma oficial e solene, que a principal instituição cultural do Estado reconhece o produto de nosso esforço.

JP3 - Quantos prêmios já tem em sua coleção?

EA - Agora são 37 prêmios, maiores ou menores. Todos têm para mim a mesma significação. Foi a quarta vez que a ACL me premiou. Em 2002 recebi o Prêmio Othon D’Eça por ter sido eleito escritor do ano: depois fui premiado pela publicação do “Jornal do Enéas”, tablóide dedicado às letras que consegui manter por dez anos e em 2012 fui premiado pelo livro “Contos Escolhidos.” É curioso notar que não sou acadêmico.

JP3 - Como escritor, quais são os seus estilos preferidos?

EA - Nunca almejei mais que ser um contista e foi com um livro sobre histórias curtas que estreei. Por circunstâncias da vida comecei a escrever sobre outros gêneros e acabei produzindo novelas, crônicas, ensaios, críticas e trabalhos jurídicos. Mas o meu preferido continua sendo o conto. É no conto regionalista que eu me encontro. Sofro com meus personagens, alegro-me com eles, rio e choro, vivo cada instante de suas existências fictícias.

JP3 - O que o senhor gostaria de dizer sobre sua obra literária?

EA - Gostaria de dizer que ela poderia ser melhor. Mas grande parte de minha obra foi produzida em momentos roubados ao descanso, ao sono, ao lazer, ao convívio com a família. Minha carreira de Promotor de Justiça, sempre em comarcas “pesadas”, exigia muito de mim. Mas fiz o melhor que pude.

JP3 - Quantos livros, quantas publicações?

EA - Tenho agora 55 livros publicados. A eles se somam 15 opúsculos, ou sejam, livretos, totalizando 70 obras individuais em volumes. Sou colunista da revista “Blumenau em Cadernos”, editada pela Fundação Cultural daquela cidade, há mais de 40 anos e do “Jornal Página 3” há mais de 20. Além disso, tenho trabalhos publicados em revistas, coletâneas, jornais e sites dos mais diversos pontos do país. Perdi a conta da quantidade deles.

JP3 - Algum destaque especial por uma das obras?

EA - Não. Todas são minhas “filhas” e tenho por elas o mesmo carinho.

JP3 - O que mais vem por aí?

EA - Creio que o 54 e o 55, publicados neste ano, encerram a série. Pelo menos, no momento, não tenho qualquer plano em mente. Mas pretendo manter as colunas e eventuais colaborações para outras publicações.

JP3 - Quais os temas preferidos?

EA - Nos contos e novelas, predominantes na minha produção, a vida campeira está sempre presente. Fui rotulado pela crítica como um regionalista dos Campos Gerais. Mas existem outros temas que me fascinam, como viagens, memórias, Canudos, o Contestado, o cangaço, a crença no Padre Cícero Romão Batista. as obras de Monteiro Lobato, Godofredo Rangel, Lima Barreto, Gilberto Amado, Guimarães Rosa, Crispim Mira, Jorge Amado, Pablo Neruda, Mario Vargas Llosa, Hemingway e muitos outros sobre os quais tenho escrito. Também acompanho com interesse e escrevo sobre o que se produz em Santa Catarina. Nada impede, porém, que de repente aborde tema completamente diferente.

JP3 - Como é feita essa seleção?

EA - Sem nenhum plano. Vou escrevendo ao sabor da vida. Agora, por exemplo, escrevi sobre Jorge Amado porque li uma imensa biografia dele, a primeira que o pinta de corpo inteiro. Quanto aos meus “monstros sagrados”, bate-me a saudade e afundo na obra deles. Já em Santa Catarina, creio que tenho comentado tudo que sai, salvo aquilo de que não tomei conhecimento.

JP3 - Tem algum tema que gostaria, mas ainda não escreveu?

EA - O Contestado ainda não encontrou seu Euclides. Há muita confusão, muita imprecisão, muito “chute.” O assunto está se tornando uma balbúrdia. Gostaria de escrever a obra definitiva sobre a chamada guerra do novo mundo. Mas essa seria uma tarefa hercúlea, exigindo leituras sem fim, viagens, entrevistas, pesquisas “in loco”, discussões etc. E na minha “provecta idade” não teria tempo e nem energia para tanto.

JP3 - Sua opinião sobre as mudanças tecnológicas e a influência na leitura de modo geral?

EA - Nada tenho contra essas mudanças. Não me agrada ler nas telas, em especial textos longos, mas há quem goste. O importante é que as pessoas leiam. Ao que parece, no entanto, o Brasil lê cada vez menos e isso é lamentável. Povo que não lê se torna massa de manobra. No entanto, os meus livros têm sido bem aceitos e consumidos, sinal de que pelo menos uma pequena parcela continua lendo o que escrevo.

JP3 - Como incentivar os jovens a ler mais livros?

EA - Creio que não existe uma receita para isso. Tenho notado que quando os pais são bons leitores os filhos irão na mesma linha. Deixar livros, revistas e jornais à mão, espalhados pela sala, é um bom método. Comentar livros nas reuniões familiares também chama a atenção, desde que todos não estejam no celular... (rs).



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