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Suplente de filho de Bolsonaro no RJ é suspeito de ocultar patrimônio

Domingo, 16/9/2018 8:03.

ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O empresário Paulo Marinho (PSL), primeiro-suplente na chapa do candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é suspeito na Justiça de ocultar um patrimônio milionário em nome de parentes.

A Justiça determinou a indisponibilidade de dois imóveis cuja propriedade é atribuída à mulher e à filha dele para quitar dívidas com empresa de Nelson Tanure.

O credor também busca nos Estados Unidos o bloqueio de bens atribuídos a Marinho, como quatro imóveis.

Marinho e Tanure travam uma briga milionária nos tribunais desde 2007. Apesar disso, o candidato a primeiro-suplente do filho do presidenciável Jair Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 752,7 mil -pouco diante dos valores envolvidos.

O nome do PSL é um conhecido empresário do "high society" carioca. Destacou-se quando grampeado junto com Tanure numa disputa empresarial com o banqueiro Daniel Dantas. Também ficou conhecido por ter se casado com a atriz Maitê Proença, com quem tem uma filha.

Atualmente é conselheiro informal do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e participa do consórcio que instalará uma roda gigante na região portuária da cidade.

Quando o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) almejava candidatar-se à Presidência, organizou um jantar em sua casa para o tucano.

Marinho entrou na chapa do filho de Jair Bolsonaro indicado pelo presidente do PSL, Gustavo Bebianno. Os dois compuseram a cúpula do Jornal do Brasil, quando a publicação estava sob controle de Tanure -Marinho era vice-presidente e Bebianno, diretor jurídico.

Flávio Bolsonaro, deputado estadual, aceitou a contragosto a indicação de Marinho para sua suplência. O primogênito do presidenciável e Bebianno vêm apresentando divergências desde a decisão de abandonar o partido Patriota -projeto de Flávio- para ingressar no PSL, em março.

A dívida de Marinho é resultado de disputa por recursos ligados ao estaleiro Verolme. O agora candidato acusou o ex-parceiro de não lhe repassar valores de cerca de R$ 100 milhões devidos no negócio.

A querela foi parar em uma câmara arbitral da FGV (Fundação Getulio Vargas). Marinho perdeu a disputa e orientado a pagar R$ 1 milhão a Tanure, o que não ocorreu.

Tanure, através da empresa Sequip, passou a cobrar o valor judicialmente.

Após não encontrar bens suficientes em nome do devedor, ela passou a apontar suspeitas de que Marinho ocultou dois imóveis, avaliados em R$ 12,5 milhões, em nome da mulher e da filha.

Também chamou a atenção o fato de uma empresa de consultoria de Marinho ter recebido R$ 43 milhões em 2005, mas não apresentar qualquer patrimônio, bem como não ter declarado pagamento de dividendos ao empresário.

"Pode-se verificar que, apesar de ter recebido quantia significativa, nem a sociedade, nem seu sócio controlador possuíam qualquer patrimônio ou valor em seu nome", escreveu em 2017 a juíza Maria Lima, da 2ª Vara Empresarial.

"O executado, apesar de sustentar que os bens são de terceiros, não trouxe aos autos qualquer comprovação de que sua esposa e filha menor tivessem rendimentos próprios e suficientes para aquisição do referido patrimônio", escreveu a magistrada.

A Sequip também o acionou na Flórida, alegando que Marinho possui quatro imóveis em Miami, uma conta bancária da cidade, além de ser membro de praia privativa e um clube de golfe e tênis.

À Justiça Eleitoral, o candidato declarou que a maior parte do seu patrimônio refere-se a empréstimos, sem identificação do beneficiário. Afirmou também ser proprietário de dois títulos de clubes no valor de R$ 30 mil.

A Vara Empresarial já determinou a venda de seu título do Gavea Golf and Country Club. Os advogados da Sequip agora querem que o empresário entregue os R$ 150 mil em espécie que ele declarou à Justiça Eleitoral possuir.

OUTRO LADO

O empresário Paulo Marinho afirma que nunca teve patrimônio registrado em seu nome.

"Como fui diretor estatutário das empresas dele [Tanure], e elas tinham muitas dívidas trabalhistas, obviamente que eu nunca tive patrimônio em meu nome", disse.

O empresário, no entanto, refutou as acusações de ocultação de bens, como aponta a Justiça. Marinho afirmou que é casado há 22 anos com separação total de bens, o que desvincula o patrimônio da mulher do seu.

Além disso, o candidato do PSL disse que a promessa de compra e venda feita pela sua mulher para adquirir um dos imóveis indisponibilizados pela Justiça foi desfeito.

"Esse imóvel é de outro proprietário e está inclusive à venda", disse o empresário.

Em relação ao imóvel em nome da filha, diz que foi comprado do irmão, atualmente usufrutuário do apartamento.

Marinho disse também que sua empresa recebeu R$ 43 milhões em 2005, valor que foi consumido por suas despesas familiares ao longo de 13 anos.

"Esse dinheiro é meu. Se eu quiser rasgar, ninguém tem nada a ver com isso", afirmou.

O empresário também negou ser proprietário de imóveis na Flórida -teve um em 1995, mas que já foi vendido. Há, diz ele, uma casa em nome da mulher em Miami.

Marinho diz que está recorrendo da decisão judicial que determinou a indisponibilidade dos imóveis. Afirmou ainda que, em outro processo já vencido em segunda instância, é credor de Tanure em R$ 61 milhões. O empresário pretende oferecer esse crédito para quitar a dívida apontada.

"Estou litigando com pessoa que é profissional nessa atividade", afirma sobre Tanure. 

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Suplente de filho de Bolsonaro no RJ é suspeito de ocultar patrimônio

Domingo, 16/9/2018 8:03.

ITALO NOGUEIRA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O empresário Paulo Marinho (PSL), primeiro-suplente na chapa do candidato ao Senado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é suspeito na Justiça de ocultar um patrimônio milionário em nome de parentes.

A Justiça determinou a indisponibilidade de dois imóveis cuja propriedade é atribuída à mulher e à filha dele para quitar dívidas com empresa de Nelson Tanure.

O credor também busca nos Estados Unidos o bloqueio de bens atribuídos a Marinho, como quatro imóveis.

Marinho e Tanure travam uma briga milionária nos tribunais desde 2007. Apesar disso, o candidato a primeiro-suplente do filho do presidenciável Jair Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 752,7 mil -pouco diante dos valores envolvidos.

O nome do PSL é um conhecido empresário do "high society" carioca. Destacou-se quando grampeado junto com Tanure numa disputa empresarial com o banqueiro Daniel Dantas. Também ficou conhecido por ter se casado com a atriz Maitê Proença, com quem tem uma filha.

Atualmente é conselheiro informal do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), e participa do consórcio que instalará uma roda gigante na região portuária da cidade.

Quando o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) almejava candidatar-se à Presidência, organizou um jantar em sua casa para o tucano.

Marinho entrou na chapa do filho de Jair Bolsonaro indicado pelo presidente do PSL, Gustavo Bebianno. Os dois compuseram a cúpula do Jornal do Brasil, quando a publicação estava sob controle de Tanure -Marinho era vice-presidente e Bebianno, diretor jurídico.

Flávio Bolsonaro, deputado estadual, aceitou a contragosto a indicação de Marinho para sua suplência. O primogênito do presidenciável e Bebianno vêm apresentando divergências desde a decisão de abandonar o partido Patriota -projeto de Flávio- para ingressar no PSL, em março.

A dívida de Marinho é resultado de disputa por recursos ligados ao estaleiro Verolme. O agora candidato acusou o ex-parceiro de não lhe repassar valores de cerca de R$ 100 milhões devidos no negócio.

A querela foi parar em uma câmara arbitral da FGV (Fundação Getulio Vargas). Marinho perdeu a disputa e orientado a pagar R$ 1 milhão a Tanure, o que não ocorreu.

Tanure, através da empresa Sequip, passou a cobrar o valor judicialmente.

Após não encontrar bens suficientes em nome do devedor, ela passou a apontar suspeitas de que Marinho ocultou dois imóveis, avaliados em R$ 12,5 milhões, em nome da mulher e da filha.

Também chamou a atenção o fato de uma empresa de consultoria de Marinho ter recebido R$ 43 milhões em 2005, mas não apresentar qualquer patrimônio, bem como não ter declarado pagamento de dividendos ao empresário.

"Pode-se verificar que, apesar de ter recebido quantia significativa, nem a sociedade, nem seu sócio controlador possuíam qualquer patrimônio ou valor em seu nome", escreveu em 2017 a juíza Maria Lima, da 2ª Vara Empresarial.

"O executado, apesar de sustentar que os bens são de terceiros, não trouxe aos autos qualquer comprovação de que sua esposa e filha menor tivessem rendimentos próprios e suficientes para aquisição do referido patrimônio", escreveu a magistrada.

A Sequip também o acionou na Flórida, alegando que Marinho possui quatro imóveis em Miami, uma conta bancária da cidade, além de ser membro de praia privativa e um clube de golfe e tênis.

À Justiça Eleitoral, o candidato declarou que a maior parte do seu patrimônio refere-se a empréstimos, sem identificação do beneficiário. Afirmou também ser proprietário de dois títulos de clubes no valor de R$ 30 mil.

A Vara Empresarial já determinou a venda de seu título do Gavea Golf and Country Club. Os advogados da Sequip agora querem que o empresário entregue os R$ 150 mil em espécie que ele declarou à Justiça Eleitoral possuir.

OUTRO LADO

O empresário Paulo Marinho afirma que nunca teve patrimônio registrado em seu nome.

"Como fui diretor estatutário das empresas dele [Tanure], e elas tinham muitas dívidas trabalhistas, obviamente que eu nunca tive patrimônio em meu nome", disse.

O empresário, no entanto, refutou as acusações de ocultação de bens, como aponta a Justiça. Marinho afirmou que é casado há 22 anos com separação total de bens, o que desvincula o patrimônio da mulher do seu.

Além disso, o candidato do PSL disse que a promessa de compra e venda feita pela sua mulher para adquirir um dos imóveis indisponibilizados pela Justiça foi desfeito.

"Esse imóvel é de outro proprietário e está inclusive à venda", disse o empresário.

Em relação ao imóvel em nome da filha, diz que foi comprado do irmão, atualmente usufrutuário do apartamento.

Marinho disse também que sua empresa recebeu R$ 43 milhões em 2005, valor que foi consumido por suas despesas familiares ao longo de 13 anos.

"Esse dinheiro é meu. Se eu quiser rasgar, ninguém tem nada a ver com isso", afirmou.

O empresário também negou ser proprietário de imóveis na Flórida -teve um em 1995, mas que já foi vendido. Há, diz ele, uma casa em nome da mulher em Miami.

Marinho diz que está recorrendo da decisão judicial que determinou a indisponibilidade dos imóveis. Afirmou ainda que, em outro processo já vencido em segunda instância, é credor de Tanure em R$ 61 milhões. O empresário pretende oferecer esse crédito para quitar a dívida apontada.

"Estou litigando com pessoa que é profissional nessa atividade", afirma sobre Tanure. 

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