Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Eleições
Campanha de Haddad avalia que discurso de Cid coloca em xeque 'frente democrática'

"Não admitir os erros que cometeram é para perder a eleição. Vão perder feio"

Terça, 16/10/2018 13:09.
Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

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MARINA DIAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes da campanha de Fernando Haddad (PT) admitem que o duro discurso que Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, fez contra o PT nesta segunda-feira (15) pode ter colocado um ponto final no plano petista de formar com o ex-adversário uma frente democrática para se contrapor a Jair Bolsonaro (PSL).

Durante evento no Ceará em apoio a Haddad, Cid fez uma fala crítica ao PT, na qual chamou militantes que o vaiavam de "babacas" e disse que a sigla do ex-presidente Lula merece perder a eleição.

"Não admitir os erros que cometeram é para perder a eleição. Vão perder feio", afirmou o ex-governador do Ceará, cobrando um mea culpa dos petistas.

A postura de Cid alarmou ainda mais o QG de Haddad, mas esse não foi o primeiro sinal de que a frente desejada pelo petista está fazendo água a 12 dias do segundo turno.

Em coletiva à imprensa nesta terça-feira (16), em São Paulo, Haddad disse que não comentaria a fala de Cid, porque não tinha assistido ao vídeo na íntegra, mas afirmou que a discussão é "meio acalorada".

"Essa coisa é meio acalorada mas eu não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade pessoal com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa, prefiro sempre olhar o lado positivo", declarou.

Diante da insistência dos jornalistas para que ele falasse sobre os efeitos do discurso de Cid em sua campanha, completou que não comentaria mais o assunto. "Não vi todo o vídeo e, no que me diz respeito, a amizade e o apreço com Cid são os mesmos".

Na semana passada, Haddad ficou bastante preocupado com a viajem de Ciro para a Europa após o partido do cearense, o PDT, anunciar apoio crítico à sua candidatura.

Naquela ocasião, auxiliares do herdeiro de Lula entenderam que seria cada vez mais difícil levar Ciro para o comando da campanha, com uma participação ativa, como era o desejo de Haddad.

O petista, porém, ainda nutria esperanças de que o ex-adversário, terceiro lugar no primeiro turno, pudesse compor a frente democrática. Mas a fala de Cid foi considerada a senha de que o PT não deve esperar mais nada de Ciro.

Publicamente, no entanto, os petistas vão insistir que as conversas continuam.

Articulador político da campanha de Haddad, Jaques Wagner chegou a dizer nesta terça que desconhecia a ideia de formação de uma frente democrática -ecoada pelo candidato e seus aliados desde a semana passada como principal objetivo da candidatura petista- e que a tese é "ampliar com a sociedade".

"A gente conversa com todo mundo", disse Jaques, escalado justamente para tentar compor a frente neste segundo turno.

"O Ciro já declarou que não vota no outro [Bolsonaro], então vota na gente", completou. Jaques disse não saber se haverá um apoio público de Ciro, mas que já deu o recado "para todo mundo".

"Se eles quiserem dar a declaração pública, seria melhor. Nós já mandamos o recado para todo mundo, aí fica na consciência de cada pessoa", finalizou o senador eleito pela Bahia.

Para tentar evitar o desmoronamento completo do plano de formar a frente, Haddad acelerou a aproximação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e telefonou, nesta segunda, para o superintendente do Instituto FHC, Sérgio Fausto.

Em entrevista ao jornal O Estado de S Paulo, o ex-presidente afirmou que havia a possibilidade de uma "porta" de diálogo para Haddad -mas não para Bolsonaro. O tucano e o petista têm boa relação e conversavam diretamente de tempos em tempos antes da campanha.

Após as declarações do tucano na imprensa, Haddad respondeu que iria "abrir a porta" e telefonou a Fausto para tentar uma conversa direta com FHC.

O petista nunca acreditou em uma declaração de apoio público à sua candidatura por parte do ex-presidente, mas avalia que o tucano, ao rechaçar Bolsonaro, pode participar de uma plataforma em defesa dos valores democráticos.

FHC é a tentativa de peso para o projeto de Haddad após o petista ver, além de Ciro, outros atores políticos, como Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB), declararem neutralidade no segundo turno.

Jaques Wagner foi escalado para tentar uma aproximação com Ciro, Marina, FHC e, no fim, até Meirelles foi cogitado por auxiliares do petista para compor a frente.

Mas a maioria das tratativas acabou ficando pelo caminho já na primeira semana do segundo turno.

Haddad conversou também com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa na semana passada mas, segundo relatos, a conversa foi pouco assertiva em relação a um apoio declarado.

Barbosa, que poderia ser ministro da Justiça de um eventual governo Haddad, de acordo com aliados do candidato, declarou estar preocupado com o país. Mas não deu ainda nenhum sinal de que vai firmar acordo publicamente com o petista.

Relator do mensalão e algoz de petistas como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, Barbosa poderia ser, na visão de aliados de Haddad, o trunfo contra o discurso da corrupção que atinge o PT.

A ideia inicial de Haddad era, depois de fechar uma aliança com partidos da centro-esquerda, como PSOL, PDT e PSB, abrir o leque para a frente democrática, com atores políticos de todos os partidos e integrantes da sociedade civil.

A campanha do PT, porém, não conseguiu avançar nessa seara. O apoio público foi declarado somente pelo PSOL de Guilherme Boulos, que acabou com 1% dos votos no primeiro turno, enquanto PSB e PDT fecharam apoio com condicionais.

O PSB liberou São Paulo e Distrito Federal -onde há candidatos ao governo- para neutralidade e o PDT declarou o apoio crítico, que desencadeou o balde de água fria em relação a Ciro.


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Página 3
Fábio Vieira/FotoRua/Folhapress

Campanha de Haddad avalia que discurso de Cid coloca em xeque 'frente democrática'

"Não admitir os erros que cometeram é para perder a eleição. Vão perder feio"

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Terça, 16/10/2018 13:09.

MARINA DIAS
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Integrantes da campanha de Fernando Haddad (PT) admitem que o duro discurso que Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro Gomes, fez contra o PT nesta segunda-feira (15) pode ter colocado um ponto final no plano petista de formar com o ex-adversário uma frente democrática para se contrapor a Jair Bolsonaro (PSL).

Durante evento no Ceará em apoio a Haddad, Cid fez uma fala crítica ao PT, na qual chamou militantes que o vaiavam de "babacas" e disse que a sigla do ex-presidente Lula merece perder a eleição.

"Não admitir os erros que cometeram é para perder a eleição. Vão perder feio", afirmou o ex-governador do Ceará, cobrando um mea culpa dos petistas.

A postura de Cid alarmou ainda mais o QG de Haddad, mas esse não foi o primeiro sinal de que a frente desejada pelo petista está fazendo água a 12 dias do segundo turno.

Em coletiva à imprensa nesta terça-feira (16), em São Paulo, Haddad disse que não comentaria a fala de Cid, porque não tinha assistido ao vídeo na íntegra, mas afirmou que a discussão é "meio acalorada".

"Essa coisa é meio acalorada mas eu não vou ficar comentando isso até porque eu tenho uma amizade pessoal com o Cid, ele fez elogios à minha pessoa, prefiro sempre olhar o lado positivo", declarou.

Diante da insistência dos jornalistas para que ele falasse sobre os efeitos do discurso de Cid em sua campanha, completou que não comentaria mais o assunto. "Não vi todo o vídeo e, no que me diz respeito, a amizade e o apreço com Cid são os mesmos".

Na semana passada, Haddad ficou bastante preocupado com a viajem de Ciro para a Europa após o partido do cearense, o PDT, anunciar apoio crítico à sua candidatura.

Naquela ocasião, auxiliares do herdeiro de Lula entenderam que seria cada vez mais difícil levar Ciro para o comando da campanha, com uma participação ativa, como era o desejo de Haddad.

O petista, porém, ainda nutria esperanças de que o ex-adversário, terceiro lugar no primeiro turno, pudesse compor a frente democrática. Mas a fala de Cid foi considerada a senha de que o PT não deve esperar mais nada de Ciro.

Publicamente, no entanto, os petistas vão insistir que as conversas continuam.

Articulador político da campanha de Haddad, Jaques Wagner chegou a dizer nesta terça que desconhecia a ideia de formação de uma frente democrática -ecoada pelo candidato e seus aliados desde a semana passada como principal objetivo da candidatura petista- e que a tese é "ampliar com a sociedade".

"A gente conversa com todo mundo", disse Jaques, escalado justamente para tentar compor a frente neste segundo turno.

"O Ciro já declarou que não vota no outro [Bolsonaro], então vota na gente", completou. Jaques disse não saber se haverá um apoio público de Ciro, mas que já deu o recado "para todo mundo".

"Se eles quiserem dar a declaração pública, seria melhor. Nós já mandamos o recado para todo mundo, aí fica na consciência de cada pessoa", finalizou o senador eleito pela Bahia.

Para tentar evitar o desmoronamento completo do plano de formar a frente, Haddad acelerou a aproximação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e telefonou, nesta segunda, para o superintendente do Instituto FHC, Sérgio Fausto.

Em entrevista ao jornal O Estado de S Paulo, o ex-presidente afirmou que havia a possibilidade de uma "porta" de diálogo para Haddad -mas não para Bolsonaro. O tucano e o petista têm boa relação e conversavam diretamente de tempos em tempos antes da campanha.

Após as declarações do tucano na imprensa, Haddad respondeu que iria "abrir a porta" e telefonou a Fausto para tentar uma conversa direta com FHC.

O petista nunca acreditou em uma declaração de apoio público à sua candidatura por parte do ex-presidente, mas avalia que o tucano, ao rechaçar Bolsonaro, pode participar de uma plataforma em defesa dos valores democráticos.

FHC é a tentativa de peso para o projeto de Haddad após o petista ver, além de Ciro, outros atores políticos, como Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB), declararem neutralidade no segundo turno.

Jaques Wagner foi escalado para tentar uma aproximação com Ciro, Marina, FHC e, no fim, até Meirelles foi cogitado por auxiliares do petista para compor a frente.

Mas a maioria das tratativas acabou ficando pelo caminho já na primeira semana do segundo turno.

Haddad conversou também com o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa na semana passada mas, segundo relatos, a conversa foi pouco assertiva em relação a um apoio declarado.

Barbosa, que poderia ser ministro da Justiça de um eventual governo Haddad, de acordo com aliados do candidato, declarou estar preocupado com o país. Mas não deu ainda nenhum sinal de que vai firmar acordo publicamente com o petista.

Relator do mensalão e algoz de petistas como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha, Barbosa poderia ser, na visão de aliados de Haddad, o trunfo contra o discurso da corrupção que atinge o PT.

A ideia inicial de Haddad era, depois de fechar uma aliança com partidos da centro-esquerda, como PSOL, PDT e PSB, abrir o leque para a frente democrática, com atores políticos de todos os partidos e integrantes da sociedade civil.

A campanha do PT, porém, não conseguiu avançar nessa seara. O apoio público foi declarado somente pelo PSOL de Guilherme Boulos, que acabou com 1% dos votos no primeiro turno, enquanto PSB e PDT fecharam apoio com condicionais.

O PSB liberou São Paulo e Distrito Federal -onde há candidatos ao governo- para neutralidade e o PDT declarou o apoio crítico, que desencadeou o balde de água fria em relação a Ciro.


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