Jornal Página 3

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Entrevista candidatos: Professor Ozawa (PSOL) e Ana Carolina Christoff (PT)
Marlise Schneider Cezar

Quarta, 7/9/2016 7:52.

Depois de 10 anos militando, cada um seu partido, Ozawa e Ana Carolina resolveram colocar os nomes à disposição na corrida eleitoral à prefeitura de Balneário Camboriú porque acreditam que como eles, muitos não se sintam representados pelas coligações. Luiz Fernando Ozawa é professor na Faculdade Avantis e também atua em seu escritório de advocacia. Ana Carolina é sócia-administradora da Roseli Schroeder Empreendimentos Imobiliários, empresa que traz o nome da mãe, que também já foi candidata a vice em Balneário.

Por Marlise Schneider e Daniele dos Reis

Nome: Luiz Fernando Ozawa

Idade: 34 anos
Formação: Bacharel em Direito, mestre em Gestão de Políticas Públicas
Profissão: Advogado e professor universitário
Estado civil: união estável com Vanessa Moisés
Filhos: Bernardo, de 10 meses
Natural de: Brejo/Maranhão
Em Balneário desde: 1996
Vida político partidária: filiado ao PSOL há 10 anos, terceiro suplente de vereador em 2004.
Cargos que já ocupou: nenhum ainda
Um filme: 12 Anos de Escravidão
Música: Imagine, de John Lennon
Lazer: cozinhar e receber os amigos
Perfil: “Um jovem professor que se preocupa com o futuro e tenta fazer mais do que o mínimo”.

 Nome: Ana Carolina Christoff

Idade: 27 anos
Formação: Ciências Contábeis
Profissão: Empresária e corretora de imóveis
Estado civil: solteira
Filhos: não
Natural de: Cornélio Procópio/Paraná
Em Balneário desde: 1989
Vida político partidária: Filiada ao PT há 10 anos. Em Balneário participa da política nos bastidores, como na última campanha da vereadora Marisa.
Cargos que já ocupou: nenhum ainda
Música: De tudo um pouco
Lazer: Dançar
Perfil: “Uma mulher que trabalha desde os 18 anos na corretagem. Fundei a empresa com meu irmão. Independente”.

Uma das críticas mais contundentes até aqui são as coligações firmadas em convenções. O que levaram em consideração para firmar esta parceria?

Ozawa - Das quatro coligações que fecharam na majoritária, a nossa é a menos contestável. A nossa candidatura é a única que se coloca enquanto candidatura de esquerda, do centro para a esquerda. Para nós do ponto de vista ideológico, foi bem tranquilo fechar a coligação entre o Partido Socialismo e Liberdade e o Partido dos Trabalhadores. Mas não muda, não vou dizer que foi fácil, o pessoal fez oposição ao Governo Dilma durante um bom tempo e isso foi difícil de lidar dentro para a gente conversar. O que acabou facilitando o diálogo foi que o pessoal desde o início, e provavelmente foi o primeiro partido a se manifestar contrário ao processo do impedimento. Estou bem tranquilo em sustentar essa coligação. O Partido dos Trabalhadores em Balneário Camboriú tem uma ótima representação na Câmara de Vereadores, então isso tudo é elemento facilitar. Não vou dizer que o Partido dos Trabalhadores foi o único que eu convidei.Tentei agrupar com outras siglas também progressistas, incluo PDT, PV e PCdoB. Tivemos várias conversas, mas não avançou.

Outro questionamento que o pessoal faz bastante é por que você foi logo para a majoritária e não resolveu ir para o Legislativo?

Ozawa - Ah mas eu fui testado nas urnas no Legislativo. Em 2004 fui candidato a vereador, na época eu era um jovem estudante, tinha 22, 23 anos. 582 votos a gente fez na época.

Mas você chegou a cogitar concorrer a vereador esse ano?

Ozawa - Não cheguei a cogitar ir para a proporcional por uma série de razões, mas acho que era momento do PSOL...O PSOL em Balneário Camboriú tem 10 anos, muito embora nunca teve assim uma organização tal, mas há 10 anos tem comissão provisória então tava na hora de a gente se colocar e o contexto político também favoreceu. Apesar de ser um contexto de crise, acho que é nestes contextos que temos que sair para as ruas.

Ozawa é advogado e professor

E mesmo em meio a esse cenário em que os políticos estão com a imagem em baixa, vocês se despuseram, o que levou vocês a essa decisão?

Ozawa - Essa criminalização da política só é boa para quem está no poder. Esse desestímulo...dentro dos partidos é difícil, não sei como foi dentro dos outros partidos, mas nos nossos foi difícil de encampar uma candidatura e tal. Essa criminalização não é boa para ninguém na minha avaliação, pelo contrário, nesse momento em que as vísceras da política estão abertas e a gente consegue enxergar coisas muito ruins, é que pessoas como eu e a Ana, que não somos políticos profissionais, não vivemos disso. A Ana é uma profissional do ramo da construção civil popular, eu sou advogado e professor. Nesse momento, pessoas como nós, de carne e osso, que não vive da política, é nesse momento que a gente tem que se colocar mesmo. A crise ela deve ser uma mola propulsora, as pessoas devem se candidatar, pessoas comuns como a gente.

E o plano de governo, como vocês estão trabalhando com essa questão?

Ozawa - No momento do registro da candidatura existe um campo de protocolo do plano de governo, propostas, enfim. Eu sou um pouco refratário a essa ideia de plano de governo como se fosse um livro mágico onde todas as respostas estão ali dentro…

Até porque muitas vezes isso fica na teoria...

Ozawa - E você vai escutar o usuário e descobre que sua política pública está totalmente equivocada. Eu assinei uma carta de princípios estabelecendo balizas. Mais sobre visão de cidade, do que soluções para a cidade. Uma das nossas veias mais importantes, e acho que a gente vai bater nessa tecla o tempo todo é ouvir as pessoas sabe. Uma das regras básicas de política pública é ouvir o usuário. As vezes o cara vem, por mais especialista que seja, e eu tenho mestrado em gestão de políticas públicas, mas ao conversar com o usuário você descobre que ele tem outras demandas e estamos falando de saúde, transporte, educação, enfim...Uma das sacadas da nossa campanha é ouvir, mais do que falar. Claro que a gente tem ideias de como resolver algumas coisas, mas quem vai nos dar as respostas mesmo é as pessoas que usam o serviço público.

A Saúde traz uma carga grande de problemas históricos. Temos impasses com o Hospital, filas para consultas, unidades que continuam fechadas e salários baixos dos profissionais. O que vocês veem de propostas palpáveis para esta área?

Ozawa - O primeiro aspecto que sempre tem que se levantar nessa questão, e eu falo arriscando errar, mas provavelmente nenhum dos candidatos que estão se anunciando, incluindo eu e a Ana, não somos usuários do Sistema Público de Saúde.

Não sabem como é na prática…

Ozawa - Posto essa premissa, a gente vive de experimentações de outras pessoas. Por exemplo, foi uma coincidência, não é de campanha, mas no domingo levei meu filhote para o antigo hospital Santa Inês, porque meu filho é conveniado no plano de saúde. Não tinha pediatra lá, eu tive que reclamar, mas ao chegar lá vimos os leitos vazios, uma baita de uma estrutura e ociosa. Mais de 80% da estrutura fechada. E ao mesmo tempo a gente foi agora durante semana, o meu sogro passou mal e ele sim é usuário do Sistema Único de Saúde, ele é safenado. Primeiro ligamos para o 193 e deu no Batalhão de Itajaí, mesmo ligando do fixo, na Rua Venezuela. O 193 disse, olha a gente não tem como atender, liga para o 192, o SAMU. Eles disseram que só tinha duas ambulâncias em operação e que elas estavam na rua, com fila no chamado. Enfim, eu levei ele ao Hospital Ruth Cardoso e chegando lá ele foi triado, mas tinha uma fila estabelecida desde às 9h da manhã e aquilo era uma e meia da tarde. O Hospital Ruth Cardoso, não adianta taparmos o sol com a peneira, ele atende uma demanda microrregional. É um hospital metropolitano e é tratado como hospital municipal quando ele não é. Foi colocado em uma zona limítrofe, entre três cidades e isso facilita a ele atender essa demanda. E outra, o (antigo) hospital Santa Inês precisa ter a estrutura revista, porque é consolidada e ociosa, enquanto temos o Ruth Cardoso, com gente saindo pelo ladrão. Então palpável, concreto, a gente já tem um hospital construído e ocioso, precisa ser reaparelhado, tem que ver concurso público, habitar com funcionário público. Descentralizar as UPAS, farmácias populares, pequenas ações que podem mudar uma realidade completamente. Além disso, a gente tem que conversar com Governo do Estado e União para incrementar outros lados do atendimento do SUS em si.

Ana e a mãe, Roseli

Não são tão pequenas assim, porque o pronto socorro do Ruth Cardoso, por exemplo, está pronto e fechado há mais de três anos, não são coisas tão pequenas assim com tanta gente precisando.

Ozawa - O diagnóstico é muito simples, a saúde pública de Balneário está deficitária e está em processo de caos, está caótico o sistema. Eu sinceramente não tinha a dimensão de quão caótico estava, está muito ruim mesmo e vou insistir nessa tecla, a gente saiu do hospital Santa Inês, que hoje tem outro nome, é uma estrutura consolidada e ociosa e é um absurdo não atender a rede pública, aquilo pode e deve ser reativado para o atendimento público com urgência. Por exemplo, o Santa Inês está no limite entre bairros altamente (densos, populosos, povoados) como são os bairros das Nações, Pioneiros e o Centro da Cidade. E a pessoa precisa atravessar a cidade inteira para chegar ao Ruth Cardoso.

Ana - Mesmo o PA que fica na Barra, tem que atender toda a cidade. Hoje temos uma unidade na Rua Israel que está fechada, porque tem muita coisa que se resolve no pronto atendimento e hoje as pessoas precisam atravessar a cidade e a BR para conseguir atendimento emergencial.

Ozawa - A gente que avançar na medicina pública, no Brasil a gente costuma atender demandas de emergência. Mas o grande segredo é prevenção né, um sistema honesto, verdadeiro, de atendimento da saúde da família em casa, é essencial. Em São Paulo, minha vó de 93 anos é atendida 3, 4 vezes ao ano por um grupo que vai colher material em casa. É absolutamente necessário. Balneário é uma cidade que quer ser, sonha ser cidade de primeiro mundo, mas tem sistema público de terceiro.

Da saúde vamos para a Segurança, que outra área preocupante com o avanço da criminalidade, deficiência no efetivo das polícias, um trânsito cada vez mais complicado, impunidade porque não temos um centro de internamento de adolescentes e falta de políticas para prevenção. Vocês estão trabalhando com que tipo de proposta para esse assunto?

Ozawa- Primeiro o diagnóstico. Essa falsa riqueza que Balneário vende...e falsa porque o morador, aquele que fica residindo 12 meses ao ano não é o mesmo morador que vem dois, três meses ao ano. E pelo nível de escolaridade do eleitorado, a gente vê que é uma falsa riqueza. Não somos ricos no sentido de desenvolvimento humano, muito embora o nosso IDH seja muito alto nos índices oficiais. Isso acaba atraindo, claro. E aí temos outro problema grave, de diagnóstico ainda, que a drogadição. O grande flagelo social de Balneário é a drogadição. Não só do ponto de vista criminal, mas de saúde pública.

E que diga-se de passagem é sempre associado com pobreza, mas ontem viramos notícia nacional por causa de uma classe alta que frequenta baladas…

Ozawa - A indústria do entretenimento também vende essa questão do entretenimento também, nesse lado né, do entorpecente, do psicotrópico, enfim. E quando a gente não trata isso, acaba afetando públicos mais frágeis como crianças e adolescentes e aqueles que não são atendidos pelo serviço público e dai temos uma alta criminalidade infanto-juvenil em Balneário Camboriú. Eu trabalhei na área, e na época o maior índice de Santa Catarina era o nosso. Nem tinha na época um sistema de acompanhamento das medidas socioeducativas aplicadas. Tem que criar sistema sério sobre isso, preventivo de droga, na questão do efetivo da Polícia Militar precisamos sentar sério com o Governo do Estado. A Guarda armada foi uma boa iniciativa, mas precisamos definir melhor quais são as funções desse efetivo, por exemplo: as saídas das escolas, porque uma de nossas ideias é abrir as escolas aos finais de semana.

A Comissão de Educação da Câmara revelou um quadro crítico da estrutura nas nossas unidades, trabalho liderado pela vereadora Marisa, que revelou desde falta de vagas até falta de manutenção. O que vocês já pensaram para esse setor?

Ozawa - A gente tem discutido, até uma ideia que não é exatamente nossa, é antiga, do PDT, me encanta a ideia da escola em período integral. Eu sei que não é algo que vai acontecer da noite para o dia, porque precisamos estruturar e provavelmente não temos carga horária para isso tudo, não temos nem estrutura da escola com cantina e cozinha, tudo tem que ser pensado e escutar especialistas da área e usuários também. Mas pensando do começo primeiro zerar a fila de creches, essa demanda é histórica no município. O gestor público é engraçado que parece que ele não enxerga o óbvio: o comércio trabalha praticamente 24 horas, o turismo não tem dia nem hora, nas férias é que bomba. Então quando mais as trabalhadoras precisam, menos tem. Já chegou o caso de empurrar as crianças para o primeiro ano, antes da idade correta, para tentar zerar o déficit de creche. O governo diz que tem vaga de creche, mas lá no Estaleirinho. Não faz sentido uma mãe do Centro ter uma creche lá e vice e versa.

Ana- Hoje a demanda está em seis meses a fila de espera das creches. Eu como mulher, é inadmissível aceitar que só até os três anos é período integral. Que com quatro anos você só vai ter condições de trabalhar meio período, porque o seu filho só pode ter meio período. Em um tempo de inclusão da mulher, na política e no mercado de trabalho, é uma tarefa praticamente impossível se a educação que é a base, para a mãe ir poder trabalhar e que o filho está em boas condições. Porque esse trabalho da Marisa revelou que foram reformadas creches no último governo, mas não foi criada nenhuma nova creche. Continuou o estado precário de a colaboradora ter que trocar o bebê no chão, por falta de condições.

Nunca se falou tanto na necessidade de cuidar do meio ambiente, mesmo assim continuam despejando esgoto na nossa praia, que está em desiquilíbrio ambiental, estamos com o Rio Camboriú em uma situação periclitante também, sem falar nos termos de ajustamento de conduta, que vem tornando criminosos da natureza em benfeitores com as compensações.

Ozawa - E que compensações, as vezes é revoltante. Vou fazer uma crítica dos partidos de esquerda, durante muito tempo os partidos trataram esse assunto “meio ambiente” genericamente falando como não prioritário, mas ultimamente isso tem sido muito revisto porque é até um tempo bonito, meio antrópico, que na verdade são as alterações que a gente faz e acaba voltando para o próprio ser humano. Falar de meio ambiente em Balneário é falar de política metropolitana, podemos fazer uma varredura de todos os prédios e casas se estão ligados à rede, contudo aqui estamos na foz do rio então temos que subir o rio e falar com Camboriú para ver como vamos tratar essa política de uma forma geral. O Sinduscon provocou uma pergunta que para tratar a poluição do mar eu tenho que fazer o engordamento da areia e para nós são dois assuntos independentes. E também existem outros elementos de poluição, como a visual, e em Balneário caminhamos para um caos nesse sentido. E o pior, o nosso abastecimento de água potável, estamos chegando perto dos limites e continuamos inviabilizando o rio Camboriú. Por último a questão das nascentes: eu moro no Bairro das Nações e não sabia, mas tem cachoeiras, riachos e rios, tudo subterrâneo. E por último é pensar em resíduo sólido.

Ozawa, a vereadora Marisa e Ana em campanha

Nós temos uma campanha que era para estar bombando, que é a coleta seletiva. Temos 1,5 mil condomínios na cidade e 100 participando.

Ozawa - Como prefeito dependeria também da Câmara de Vereadores, contudo uma coisa que eu penso e qualquer cidade evoluída deve incentivar se não o Lixo Zero, pelo menos a coleta seletiva, incentivar as pessoas e como é que se incentiva em âmbito municipal: fiscal, isenção ou descontos. E reduzir lixo porque é demais, o nosso consumo não é consciente e Balneário pede favor a outro município para despejar se resíduo sólido e se esse município diz ‘não quero mais’? Vamos construir uma ilha no meio do mar para colocar resíduo sólido? Ouvi dizer que a coleta seletiva não beneficia, a gente precisa começar em pensar em uma fábrica de beneficiamento de resíduos sólidos.

O Turismo é uma pasta que ficou parada no tempo, é uma das que tem menos verba, mesmo com a concorrência crescente com vizinhas como Itapema, Bombinhas, etc. O que vocês sugerem para dar uma alavancada neste setor?

Ozawa - Há anos a gente fala sobre sazonalidade do turismo. Quando eu pisei aqui a primeira vez como morador, lembro que vários mercados fechavam no inverno. O grande desafio de pensar na indústria do turismo como o grande arrecadador é tentar diluir de alguma forma esse movimento. Acho que a pasta está subjugada, subestimada, o Turismo ficou nessa coisa de fazer propaganda da praia e Balneário não se resume mais à praia, há tempos. Temos uma rede de restaurantes que poucas cidades do Brasil têm, proporcionalmente. A gente tem restaurantes maravilhosos, e está vindo aí o Centro de Eventos, turismo de eventos é elementar, como turismo cultural. A gente pode aprender com outros municípios, por exemplo Gramado e Parati. Parati tem festival literário internacional e Gramado conseguiu diversificar sua veia turística. Balneário tem capacidade, rede hoteleira, gastronomia, capacidade de fazer turismo decente…

A diferença é que aqui parece que cada um pensa muito em si, e em Gramado isso é diferente.

Ozawa - Sim eles pensam de forma mais coletiva. A construção civil tem uma pauta muito clara, mas o pessoal do comércio também, assim como os prestadores de serviço e eles parecem não dialogar entre si. Está todo mundo nessa visão imediatista de cidade, mas e o futuro? Pensar no desenvolvimento econômico, que é pensar multimodal, em todos ao mesmo tempo e dessazonalizar o Turismo é o grande segredo do próximo gestor.

A gente acha que a Cultura foi dos setores que avançou com a inauguração do Teatro e a Lei de Incentivo à Cultura, mas a área por sua vez, teve uma demanda crescente com todas essas inovações…

Ozawa - Concordo, acho que a Cultura foi a pasta que com menos grana fez muita coisa e graças à aprovação da Lei de Incentivo à Cultura. Eu mesmo fui beneficiado e consegui publicar um livro. Um dos entusiastas da Cultura e eu já citei no Diarinho, é o Anderson Belluzo, cara que eu aplaudo também. A gente pode transformar a Cultura em dois aspectos: de um lado o incentivo das pessoas e do outro do ponto de vista mercadológico, nada obsta de você incentivar as pessoas aqui, locais, a escrever uma peça, mas não precisa fechar as portas para o circuito nacional. Por que a gente ainda não inseriu Balneário no circuito nacional de teatro? Tem uma meninada aí que está no Cinerama, tentando fazer o festival acontecer e aí mais uma vez vou citar Gramado, que tem um festival de cinema ou mesmo Cannes, que acontece em uma praia tal qual Balneário. As pessoas subjugam, não acreditam no potencial da cidade. Em Balneário Camboriú o céu é o limite só para os arranha-céus, não para o material humano.

As vezes o pessoal critica muito, mas o CineramaBC está na sexta edição e não tem apoio da prefeitura, mas está decolando.

Ozawa - Penso que o circuito de festivais é acertado até mesmo para o turismo, claro que temos que pensar na sazonalidade. Eventos, desde acadêmicos, congressos de ciências até festival gastronômico. Tem que ser multiplicado porque mesmo com pouco investimento é retorno certo. Todo mundo quer vir para Balneário, e quer ter um bom motivo para vir, além da praia, porque convenhamos já não é mais um grande atrativo. Temos o comércio, a prestação de serviço, o Teatro, outras possibilidades.

Na área do Planejamento tem bastante coisa em andamento, outras atravancadas, como o prolongamento da Quarta Avenida, um viaduto dos bombeiros que nem saiu do papel e diversos outros problemas de mobilidade. O que vocês pretendem para este setor?

Ozawa - Falar de Planejamento nos últimos anos em Balneário, é falar de corrupção e não quero fazer mau juízo ou prejulgamento, mas o pouco que chegou às capas dos jornais já é uma coisa absurda. Balneário conseguiu pisar forte na lama. Algumas notícias dessas que a gente nunca imaginou que Balneário pudesse, até pelo tamanho do município, pudesse acontecer. Quando passo na frente da Passarela o primeiro sentimento que dá é uma pena do povo da Barra, porque não combina com a Barra. Chega a ser ofensivo e não estou falando nem da questão da corrupção. Chegamos ao fundo do poço naquilo que se fala em planejar a cidade.

Ozawa com o filho Bernardo

Que é uma das áreas mais importantes da cidade e trocou quantas vezes de comandante?

Ozawa - Nem sei, deve ter alguém figurando como chefe da pasta...e vou dizer, a gente tem problemas de mobilidade urbana, mas me preocupa essas grandes intervenções na cidade, sei que já tem projetos aprovados, orçados, enfim, estão bloqueados porque gato escaldado tem medo de água fria. Todo mundo está com medo de vender coisa para a prefeitura e a prefeitura está com medo de comprar. Tudo passou para a próxima gestão, estamos praticamente há um ano parados, do ponto de vista de grandes obras e investimentos e isso é lamentável para todo mundo agora querer botar a culpa em um processo judicial anticorrupção não dá né. Planejar a cidade é dialogar, não são com as pessoas, mas com especialistas, funcionários. Sei que algumas atitudes foram inteligentes, que nem era atitudes vindas dele, porque já tinham algumas coisas planejadas do governo anterior. Algumas ações eles foram inteligentes e eles correram o risco de serem impopulares e vou citar um exemplo que foi tirar o estacionamento da Avenida Atlântica. Antes até da ciclovia. Nunca me convenci que no metro mais privilegiado da cidade tivesse estacionado um carro e que as pessoas andando de carro devagarzinho, olhasse o horizonte e visse uma fila de carros…

Apesar de ter um orçamento de cidade rica, Balneário tem questões sociais graves como invasões, ocupações irregulares nos morros do Nações, aumento de andarilhos e catadores de recicláveis que estavam semiorganizados e agora está tudo atrapalhado. O que vocês estão planejando a respeito de Inclusão Social?

Ozawa - Vamos falar de habitação. Porque você mesmo mencionou que houve contrapartidas dessas grandes edificações que rompem a lei e constroem mais do que poderiam. Por outro lado, a mesma Câmara que aprova uma grande edificação dessas, desaprovou um conjunto habitacional popular de 380 unidades na Barra há dois anos. E qual foi a justificativa dos vereadores? “Ah a gente vai ter que construir creches, transporte público, água e esgoto”. Então Balneário negou habitação popular. Na prática isso incentiva as pessoas a morarem nas zonas periféricas, e Camboriú também acaba sofrendo com isso. Camboriú tem hoje uma população que vive aqui, de serviço público inclusive, e mora lá. Essas invasões são consequência da falta de planejamento de habitação. Balneário há muito tempo atrás teve um programa que era no Bairro dos Estados e me parece que temos que repensar isso, incentivar construções populares. Qual o problema de construir creche e tal? Muitas pessoas estão migrando para a zona sul da cidade, São Judas, Nova Esperança e até nas praias agrestes está acontecendo processo de favelização. O problema não é a favela em si, mas as pessoas que estão nessas condições. Pensar em Inclusão Social é pensar sobre habitação popular exatamente onde, quando, como. Tem que mudar toda uma cultura. O desestímulo das pessoas de baixa renda morar em Balneário, tem que ser rompido isso, de alguma forma.

Na sua carta de compromisso você propõe acabar com a “higienização das ruas”...

Ozawa - A gente usou esse termo porque, sem querer fazer crítica, mas os comerciantes estavam questionando a questão do índio. Na temporada, convenhamos, vem pessoas para cá de toda natureza, claro que vem população de baixa renda, incluindo a comunidade indígena e os comerciantes estavam bravos porque eles ocupam as calçadas, enfim. Tornar a cidade humana não quer dizer privilegiar o concreto, é também pensar em todos os seres humanos que aqui vivem. E aí o que vamos fazer? A política de inclusão de antigamente, bota todo mundo na Kombi, vai na rodoviária e paga passagem e volta para onde veio? Vi um vereador falando na tribuna da Câmara que por ele a pessoa que chegasse tinha que ter um agente da prefeitura para perguntar “onde você vai morar, o que está querendo fazer aqui?” Isso é típico de uma sociedade não inclusiva e de incentivo a uma xenofobia idiota, porque Balneário é absolutamente cosmopolita. Meu filho é nascido em Balneário, mas eu não sou, nós estamos construindo uma sociedade, uma cidade. Pensar em inclusão é recuar um pouco dessa ideia de limpar as ruas dessas pessoas. Limpar de que forma? O bonito é só para os bonitos? Quem é bonito e quem é feio?

Todo governo se preocupa em fazer uma obra para marcar sua passagem pela prefeitura. Você já pensou qual vai ser a sua?

Ozawa - A minha grande obra será a transparência e como fazer transparência? A primeira delas é a Controladoria permanente e independente, inclusive com o Ministério Público com assento nessa Controladoria. Se eu vou deixar alguma marca é isso. Outra: nos primeiros dias de mandato, uma auditoria completa nos contratos de terceirização. Me parece que tem muita gente ganhando muito dinheiro com terceirização de serviço público elementar. Acho eu que a gente tenha capacidade para absorver essa demanda. Balneário Camboriú tem bastante funcionário público por habitante, muitos terceirizados, muitos temporários, me preocupa isso. Outro lance é o orçamento participativo, nenhum outro candidato está dizendo, e é tão elementar porque chama as pessoas para o convívio e não isola o prefeito como se fosse um rei mágico.

- Matriz econômica

Um turismo repensado.

- Passarela da Barra

Um embuste, um elefante branco, uma ofensa ao povo da Barra. Um monumento à corrupção.

- Ciclovias/Mobilidade/integração

Pensar futuro, transporte multimodal. Para mim a solução da mobilidade urbana em Balneário é o VLT (veículo leve sobre trilhos).

- Estacionamento rotativo

Tem que ser repensado. Não sei se sou totalmente favorável, mas o governo deveria incentivar edifícios garagem.

- Ocupação do espaço público

Qual espaço público? O que menos tem é espaço público. A praia não serve para todas as coisas. Abrir as escolas nos finais de semana.

- Canal do Marambaia

Reflexo do descaso. Retrato da omissão.

- Esgotos clandestinos

Preocupante de como vai ser essa gestão. Qual é a participação do município na gestão do centro de eventos? Porque se for distante das demandas da cidade, de pouco servirá.

Por que vocês acham que as pessoas devem votar na chapa de vocês?

Ozawa - Primeiro que é a chapa mais jovem. quando a gente fala em renovação, ela não pode ficar só no discurso. Então as outras candidaturas que estão postas, são pessoas que estão na política há muitos anos, são políticos profissionais eu diria, vivem disso. Eu e a Ana Carolina temos nossa profissão. A gente está entrando nessa não para tornar uma profissão, entramos justamente porque mesmo nessa nossa pouca idade, a gente acha que pode contribuir com novas visões, novas janelas, para compensar a cidade e dar ouvidos as pessoas que ainda são invisíveis ao poder público. as pessoas devem votar na gente porque nossa candidatura é de carne e osso. Pessoas normais, com sentimento e experiências. Não somos candidatos produzidos, artificiais, Não nos criaram para este momento, nós estamos aí, vivendo e sobrevivendo em uma cidade que todos nós achamos que tem coisas erradas e precisam melhorar.

A próxima entrevista será com os candidatos Fabrício e Carlos Humberto, nas bancas, a partir de sábado (10).

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade



Cidade

Temporada de cruzeiros para nós começará no dia 28 de novembro


Cidade

Medida que “engessa” o governo é cautelar até apresentação de explicações


Educação

Intenção é expandir o sistema no futuro


Policia

Ele disse que foi humilhado e teve os direitos cerceados


Publicidade


Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Página 3

Entrevista candidatos: Professor Ozawa (PSOL) e Ana Carolina Christoff (PT)

Marlise Schneider Cezar
Quarta, 7/9/2016 7:52.

Depois de 10 anos militando, cada um seu partido, Ozawa e Ana Carolina resolveram colocar os nomes à disposição na corrida eleitoral à prefeitura de Balneário Camboriú porque acreditam que como eles, muitos não se sintam representados pelas coligações. Luiz Fernando Ozawa é professor na Faculdade Avantis e também atua em seu escritório de advocacia. Ana Carolina é sócia-administradora da Roseli Schroeder Empreendimentos Imobiliários, empresa que traz o nome da mãe, que também já foi candidata a vice em Balneário.

Por Marlise Schneider e Daniele dos Reis

Nome: Luiz Fernando Ozawa

Idade: 34 anos
Formação: Bacharel em Direito, mestre em Gestão de Políticas Públicas
Profissão: Advogado e professor universitário
Estado civil: união estável com Vanessa Moisés
Filhos: Bernardo, de 10 meses
Natural de: Brejo/Maranhão
Em Balneário desde: 1996
Vida político partidária: filiado ao PSOL há 10 anos, terceiro suplente de vereador em 2004.
Cargos que já ocupou: nenhum ainda
Um filme: 12 Anos de Escravidão
Música: Imagine, de John Lennon
Lazer: cozinhar e receber os amigos
Perfil: “Um jovem professor que se preocupa com o futuro e tenta fazer mais do que o mínimo”.

 Nome: Ana Carolina Christoff

Idade: 27 anos
Formação: Ciências Contábeis
Profissão: Empresária e corretora de imóveis
Estado civil: solteira
Filhos: não
Natural de: Cornélio Procópio/Paraná
Em Balneário desde: 1989
Vida político partidária: Filiada ao PT há 10 anos. Em Balneário participa da política nos bastidores, como na última campanha da vereadora Marisa.
Cargos que já ocupou: nenhum ainda
Música: De tudo um pouco
Lazer: Dançar
Perfil: “Uma mulher que trabalha desde os 18 anos na corretagem. Fundei a empresa com meu irmão. Independente”.

Uma das críticas mais contundentes até aqui são as coligações firmadas em convenções. O que levaram em consideração para firmar esta parceria?

Ozawa - Das quatro coligações que fecharam na majoritária, a nossa é a menos contestável. A nossa candidatura é a única que se coloca enquanto candidatura de esquerda, do centro para a esquerda. Para nós do ponto de vista ideológico, foi bem tranquilo fechar a coligação entre o Partido Socialismo e Liberdade e o Partido dos Trabalhadores. Mas não muda, não vou dizer que foi fácil, o pessoal fez oposição ao Governo Dilma durante um bom tempo e isso foi difícil de lidar dentro para a gente conversar. O que acabou facilitando o diálogo foi que o pessoal desde o início, e provavelmente foi o primeiro partido a se manifestar contrário ao processo do impedimento. Estou bem tranquilo em sustentar essa coligação. O Partido dos Trabalhadores em Balneário Camboriú tem uma ótima representação na Câmara de Vereadores, então isso tudo é elemento facilitar. Não vou dizer que o Partido dos Trabalhadores foi o único que eu convidei.Tentei agrupar com outras siglas também progressistas, incluo PDT, PV e PCdoB. Tivemos várias conversas, mas não avançou.

Outro questionamento que o pessoal faz bastante é por que você foi logo para a majoritária e não resolveu ir para o Legislativo?

Ozawa - Ah mas eu fui testado nas urnas no Legislativo. Em 2004 fui candidato a vereador, na época eu era um jovem estudante, tinha 22, 23 anos. 582 votos a gente fez na época.

Mas você chegou a cogitar concorrer a vereador esse ano?

Ozawa - Não cheguei a cogitar ir para a proporcional por uma série de razões, mas acho que era momento do PSOL...O PSOL em Balneário Camboriú tem 10 anos, muito embora nunca teve assim uma organização tal, mas há 10 anos tem comissão provisória então tava na hora de a gente se colocar e o contexto político também favoreceu. Apesar de ser um contexto de crise, acho que é nestes contextos que temos que sair para as ruas.

Ozawa é advogado e professor

E mesmo em meio a esse cenário em que os políticos estão com a imagem em baixa, vocês se despuseram, o que levou vocês a essa decisão?

Ozawa - Essa criminalização da política só é boa para quem está no poder. Esse desestímulo...dentro dos partidos é difícil, não sei como foi dentro dos outros partidos, mas nos nossos foi difícil de encampar uma candidatura e tal. Essa criminalização não é boa para ninguém na minha avaliação, pelo contrário, nesse momento em que as vísceras da política estão abertas e a gente consegue enxergar coisas muito ruins, é que pessoas como eu e a Ana, que não somos políticos profissionais, não vivemos disso. A Ana é uma profissional do ramo da construção civil popular, eu sou advogado e professor. Nesse momento, pessoas como nós, de carne e osso, que não vive da política, é nesse momento que a gente tem que se colocar mesmo. A crise ela deve ser uma mola propulsora, as pessoas devem se candidatar, pessoas comuns como a gente.

E o plano de governo, como vocês estão trabalhando com essa questão?

Ozawa - No momento do registro da candidatura existe um campo de protocolo do plano de governo, propostas, enfim. Eu sou um pouco refratário a essa ideia de plano de governo como se fosse um livro mágico onde todas as respostas estão ali dentro…

Até porque muitas vezes isso fica na teoria...

Ozawa - E você vai escutar o usuário e descobre que sua política pública está totalmente equivocada. Eu assinei uma carta de princípios estabelecendo balizas. Mais sobre visão de cidade, do que soluções para a cidade. Uma das nossas veias mais importantes, e acho que a gente vai bater nessa tecla o tempo todo é ouvir as pessoas sabe. Uma das regras básicas de política pública é ouvir o usuário. As vezes o cara vem, por mais especialista que seja, e eu tenho mestrado em gestão de políticas públicas, mas ao conversar com o usuário você descobre que ele tem outras demandas e estamos falando de saúde, transporte, educação, enfim...Uma das sacadas da nossa campanha é ouvir, mais do que falar. Claro que a gente tem ideias de como resolver algumas coisas, mas quem vai nos dar as respostas mesmo é as pessoas que usam o serviço público.

A Saúde traz uma carga grande de problemas históricos. Temos impasses com o Hospital, filas para consultas, unidades que continuam fechadas e salários baixos dos profissionais. O que vocês veem de propostas palpáveis para esta área?

Ozawa - O primeiro aspecto que sempre tem que se levantar nessa questão, e eu falo arriscando errar, mas provavelmente nenhum dos candidatos que estão se anunciando, incluindo eu e a Ana, não somos usuários do Sistema Público de Saúde.

Não sabem como é na prática…

Ozawa - Posto essa premissa, a gente vive de experimentações de outras pessoas. Por exemplo, foi uma coincidência, não é de campanha, mas no domingo levei meu filhote para o antigo hospital Santa Inês, porque meu filho é conveniado no plano de saúde. Não tinha pediatra lá, eu tive que reclamar, mas ao chegar lá vimos os leitos vazios, uma baita de uma estrutura e ociosa. Mais de 80% da estrutura fechada. E ao mesmo tempo a gente foi agora durante semana, o meu sogro passou mal e ele sim é usuário do Sistema Único de Saúde, ele é safenado. Primeiro ligamos para o 193 e deu no Batalhão de Itajaí, mesmo ligando do fixo, na Rua Venezuela. O 193 disse, olha a gente não tem como atender, liga para o 192, o SAMU. Eles disseram que só tinha duas ambulâncias em operação e que elas estavam na rua, com fila no chamado. Enfim, eu levei ele ao Hospital Ruth Cardoso e chegando lá ele foi triado, mas tinha uma fila estabelecida desde às 9h da manhã e aquilo era uma e meia da tarde. O Hospital Ruth Cardoso, não adianta taparmos o sol com a peneira, ele atende uma demanda microrregional. É um hospital metropolitano e é tratado como hospital municipal quando ele não é. Foi colocado em uma zona limítrofe, entre três cidades e isso facilita a ele atender essa demanda. E outra, o (antigo) hospital Santa Inês precisa ter a estrutura revista, porque é consolidada e ociosa, enquanto temos o Ruth Cardoso, com gente saindo pelo ladrão. Então palpável, concreto, a gente já tem um hospital construído e ocioso, precisa ser reaparelhado, tem que ver concurso público, habitar com funcionário público. Descentralizar as UPAS, farmácias populares, pequenas ações que podem mudar uma realidade completamente. Além disso, a gente tem que conversar com Governo do Estado e União para incrementar outros lados do atendimento do SUS em si.

Ana e a mãe, Roseli

Não são tão pequenas assim, porque o pronto socorro do Ruth Cardoso, por exemplo, está pronto e fechado há mais de três anos, não são coisas tão pequenas assim com tanta gente precisando.

Ozawa - O diagnóstico é muito simples, a saúde pública de Balneário está deficitária e está em processo de caos, está caótico o sistema. Eu sinceramente não tinha a dimensão de quão caótico estava, está muito ruim mesmo e vou insistir nessa tecla, a gente saiu do hospital Santa Inês, que hoje tem outro nome, é uma estrutura consolidada e ociosa e é um absurdo não atender a rede pública, aquilo pode e deve ser reativado para o atendimento público com urgência. Por exemplo, o Santa Inês está no limite entre bairros altamente (densos, populosos, povoados) como são os bairros das Nações, Pioneiros e o Centro da Cidade. E a pessoa precisa atravessar a cidade inteira para chegar ao Ruth Cardoso.

Ana - Mesmo o PA que fica na Barra, tem que atender toda a cidade. Hoje temos uma unidade na Rua Israel que está fechada, porque tem muita coisa que se resolve no pronto atendimento e hoje as pessoas precisam atravessar a cidade e a BR para conseguir atendimento emergencial.

Ozawa - A gente que avançar na medicina pública, no Brasil a gente costuma atender demandas de emergência. Mas o grande segredo é prevenção né, um sistema honesto, verdadeiro, de atendimento da saúde da família em casa, é essencial. Em São Paulo, minha vó de 93 anos é atendida 3, 4 vezes ao ano por um grupo que vai colher material em casa. É absolutamente necessário. Balneário é uma cidade que quer ser, sonha ser cidade de primeiro mundo, mas tem sistema público de terceiro.

Da saúde vamos para a Segurança, que outra área preocupante com o avanço da criminalidade, deficiência no efetivo das polícias, um trânsito cada vez mais complicado, impunidade porque não temos um centro de internamento de adolescentes e falta de políticas para prevenção. Vocês estão trabalhando com que tipo de proposta para esse assunto?

Ozawa- Primeiro o diagnóstico. Essa falsa riqueza que Balneário vende...e falsa porque o morador, aquele que fica residindo 12 meses ao ano não é o mesmo morador que vem dois, três meses ao ano. E pelo nível de escolaridade do eleitorado, a gente vê que é uma falsa riqueza. Não somos ricos no sentido de desenvolvimento humano, muito embora o nosso IDH seja muito alto nos índices oficiais. Isso acaba atraindo, claro. E aí temos outro problema grave, de diagnóstico ainda, que a drogadição. O grande flagelo social de Balneário é a drogadição. Não só do ponto de vista criminal, mas de saúde pública.

E que diga-se de passagem é sempre associado com pobreza, mas ontem viramos notícia nacional por causa de uma classe alta que frequenta baladas…

Ozawa - A indústria do entretenimento também vende essa questão do entretenimento também, nesse lado né, do entorpecente, do psicotrópico, enfim. E quando a gente não trata isso, acaba afetando públicos mais frágeis como crianças e adolescentes e aqueles que não são atendidos pelo serviço público e dai temos uma alta criminalidade infanto-juvenil em Balneário Camboriú. Eu trabalhei na área, e na época o maior índice de Santa Catarina era o nosso. Nem tinha na época um sistema de acompanhamento das medidas socioeducativas aplicadas. Tem que criar sistema sério sobre isso, preventivo de droga, na questão do efetivo da Polícia Militar precisamos sentar sério com o Governo do Estado. A Guarda armada foi uma boa iniciativa, mas precisamos definir melhor quais são as funções desse efetivo, por exemplo: as saídas das escolas, porque uma de nossas ideias é abrir as escolas aos finais de semana.

A Comissão de Educação da Câmara revelou um quadro crítico da estrutura nas nossas unidades, trabalho liderado pela vereadora Marisa, que revelou desde falta de vagas até falta de manutenção. O que vocês já pensaram para esse setor?

Ozawa - A gente tem discutido, até uma ideia que não é exatamente nossa, é antiga, do PDT, me encanta a ideia da escola em período integral. Eu sei que não é algo que vai acontecer da noite para o dia, porque precisamos estruturar e provavelmente não temos carga horária para isso tudo, não temos nem estrutura da escola com cantina e cozinha, tudo tem que ser pensado e escutar especialistas da área e usuários também. Mas pensando do começo primeiro zerar a fila de creches, essa demanda é histórica no município. O gestor público é engraçado que parece que ele não enxerga o óbvio: o comércio trabalha praticamente 24 horas, o turismo não tem dia nem hora, nas férias é que bomba. Então quando mais as trabalhadoras precisam, menos tem. Já chegou o caso de empurrar as crianças para o primeiro ano, antes da idade correta, para tentar zerar o déficit de creche. O governo diz que tem vaga de creche, mas lá no Estaleirinho. Não faz sentido uma mãe do Centro ter uma creche lá e vice e versa.

Ana- Hoje a demanda está em seis meses a fila de espera das creches. Eu como mulher, é inadmissível aceitar que só até os três anos é período integral. Que com quatro anos você só vai ter condições de trabalhar meio período, porque o seu filho só pode ter meio período. Em um tempo de inclusão da mulher, na política e no mercado de trabalho, é uma tarefa praticamente impossível se a educação que é a base, para a mãe ir poder trabalhar e que o filho está em boas condições. Porque esse trabalho da Marisa revelou que foram reformadas creches no último governo, mas não foi criada nenhuma nova creche. Continuou o estado precário de a colaboradora ter que trocar o bebê no chão, por falta de condições.

Nunca se falou tanto na necessidade de cuidar do meio ambiente, mesmo assim continuam despejando esgoto na nossa praia, que está em desiquilíbrio ambiental, estamos com o Rio Camboriú em uma situação periclitante também, sem falar nos termos de ajustamento de conduta, que vem tornando criminosos da natureza em benfeitores com as compensações.

Ozawa - E que compensações, as vezes é revoltante. Vou fazer uma crítica dos partidos de esquerda, durante muito tempo os partidos trataram esse assunto “meio ambiente” genericamente falando como não prioritário, mas ultimamente isso tem sido muito revisto porque é até um tempo bonito, meio antrópico, que na verdade são as alterações que a gente faz e acaba voltando para o próprio ser humano. Falar de meio ambiente em Balneário é falar de política metropolitana, podemos fazer uma varredura de todos os prédios e casas se estão ligados à rede, contudo aqui estamos na foz do rio então temos que subir o rio e falar com Camboriú para ver como vamos tratar essa política de uma forma geral. O Sinduscon provocou uma pergunta que para tratar a poluição do mar eu tenho que fazer o engordamento da areia e para nós são dois assuntos independentes. E também existem outros elementos de poluição, como a visual, e em Balneário caminhamos para um caos nesse sentido. E o pior, o nosso abastecimento de água potável, estamos chegando perto dos limites e continuamos inviabilizando o rio Camboriú. Por último a questão das nascentes: eu moro no Bairro das Nações e não sabia, mas tem cachoeiras, riachos e rios, tudo subterrâneo. E por último é pensar em resíduo sólido.

Ozawa, a vereadora Marisa e Ana em campanha

Nós temos uma campanha que era para estar bombando, que é a coleta seletiva. Temos 1,5 mil condomínios na cidade e 100 participando.

Ozawa - Como prefeito dependeria também da Câmara de Vereadores, contudo uma coisa que eu penso e qualquer cidade evoluída deve incentivar se não o Lixo Zero, pelo menos a coleta seletiva, incentivar as pessoas e como é que se incentiva em âmbito municipal: fiscal, isenção ou descontos. E reduzir lixo porque é demais, o nosso consumo não é consciente e Balneário pede favor a outro município para despejar se resíduo sólido e se esse município diz ‘não quero mais’? Vamos construir uma ilha no meio do mar para colocar resíduo sólido? Ouvi dizer que a coleta seletiva não beneficia, a gente precisa começar em pensar em uma fábrica de beneficiamento de resíduos sólidos.

O Turismo é uma pasta que ficou parada no tempo, é uma das que tem menos verba, mesmo com a concorrência crescente com vizinhas como Itapema, Bombinhas, etc. O que vocês sugerem para dar uma alavancada neste setor?

Ozawa - Há anos a gente fala sobre sazonalidade do turismo. Quando eu pisei aqui a primeira vez como morador, lembro que vários mercados fechavam no inverno. O grande desafio de pensar na indústria do turismo como o grande arrecadador é tentar diluir de alguma forma esse movimento. Acho que a pasta está subjugada, subestimada, o Turismo ficou nessa coisa de fazer propaganda da praia e Balneário não se resume mais à praia, há tempos. Temos uma rede de restaurantes que poucas cidades do Brasil têm, proporcionalmente. A gente tem restaurantes maravilhosos, e está vindo aí o Centro de Eventos, turismo de eventos é elementar, como turismo cultural. A gente pode aprender com outros municípios, por exemplo Gramado e Parati. Parati tem festival literário internacional e Gramado conseguiu diversificar sua veia turística. Balneário tem capacidade, rede hoteleira, gastronomia, capacidade de fazer turismo decente…

A diferença é que aqui parece que cada um pensa muito em si, e em Gramado isso é diferente.

Ozawa - Sim eles pensam de forma mais coletiva. A construção civil tem uma pauta muito clara, mas o pessoal do comércio também, assim como os prestadores de serviço e eles parecem não dialogar entre si. Está todo mundo nessa visão imediatista de cidade, mas e o futuro? Pensar no desenvolvimento econômico, que é pensar multimodal, em todos ao mesmo tempo e dessazonalizar o Turismo é o grande segredo do próximo gestor.

A gente acha que a Cultura foi dos setores que avançou com a inauguração do Teatro e a Lei de Incentivo à Cultura, mas a área por sua vez, teve uma demanda crescente com todas essas inovações…

Ozawa - Concordo, acho que a Cultura foi a pasta que com menos grana fez muita coisa e graças à aprovação da Lei de Incentivo à Cultura. Eu mesmo fui beneficiado e consegui publicar um livro. Um dos entusiastas da Cultura e eu já citei no Diarinho, é o Anderson Belluzo, cara que eu aplaudo também. A gente pode transformar a Cultura em dois aspectos: de um lado o incentivo das pessoas e do outro do ponto de vista mercadológico, nada obsta de você incentivar as pessoas aqui, locais, a escrever uma peça, mas não precisa fechar as portas para o circuito nacional. Por que a gente ainda não inseriu Balneário no circuito nacional de teatro? Tem uma meninada aí que está no Cinerama, tentando fazer o festival acontecer e aí mais uma vez vou citar Gramado, que tem um festival de cinema ou mesmo Cannes, que acontece em uma praia tal qual Balneário. As pessoas subjugam, não acreditam no potencial da cidade. Em Balneário Camboriú o céu é o limite só para os arranha-céus, não para o material humano.

As vezes o pessoal critica muito, mas o CineramaBC está na sexta edição e não tem apoio da prefeitura, mas está decolando.

Ozawa - Penso que o circuito de festivais é acertado até mesmo para o turismo, claro que temos que pensar na sazonalidade. Eventos, desde acadêmicos, congressos de ciências até festival gastronômico. Tem que ser multiplicado porque mesmo com pouco investimento é retorno certo. Todo mundo quer vir para Balneário, e quer ter um bom motivo para vir, além da praia, porque convenhamos já não é mais um grande atrativo. Temos o comércio, a prestação de serviço, o Teatro, outras possibilidades.

Na área do Planejamento tem bastante coisa em andamento, outras atravancadas, como o prolongamento da Quarta Avenida, um viaduto dos bombeiros que nem saiu do papel e diversos outros problemas de mobilidade. O que vocês pretendem para este setor?

Ozawa - Falar de Planejamento nos últimos anos em Balneário, é falar de corrupção e não quero fazer mau juízo ou prejulgamento, mas o pouco que chegou às capas dos jornais já é uma coisa absurda. Balneário conseguiu pisar forte na lama. Algumas notícias dessas que a gente nunca imaginou que Balneário pudesse, até pelo tamanho do município, pudesse acontecer. Quando passo na frente da Passarela o primeiro sentimento que dá é uma pena do povo da Barra, porque não combina com a Barra. Chega a ser ofensivo e não estou falando nem da questão da corrupção. Chegamos ao fundo do poço naquilo que se fala em planejar a cidade.

Ozawa com o filho Bernardo

Que é uma das áreas mais importantes da cidade e trocou quantas vezes de comandante?

Ozawa - Nem sei, deve ter alguém figurando como chefe da pasta...e vou dizer, a gente tem problemas de mobilidade urbana, mas me preocupa essas grandes intervenções na cidade, sei que já tem projetos aprovados, orçados, enfim, estão bloqueados porque gato escaldado tem medo de água fria. Todo mundo está com medo de vender coisa para a prefeitura e a prefeitura está com medo de comprar. Tudo passou para a próxima gestão, estamos praticamente há um ano parados, do ponto de vista de grandes obras e investimentos e isso é lamentável para todo mundo agora querer botar a culpa em um processo judicial anticorrupção não dá né. Planejar a cidade é dialogar, não são com as pessoas, mas com especialistas, funcionários. Sei que algumas atitudes foram inteligentes, que nem era atitudes vindas dele, porque já tinham algumas coisas planejadas do governo anterior. Algumas ações eles foram inteligentes e eles correram o risco de serem impopulares e vou citar um exemplo que foi tirar o estacionamento da Avenida Atlântica. Antes até da ciclovia. Nunca me convenci que no metro mais privilegiado da cidade tivesse estacionado um carro e que as pessoas andando de carro devagarzinho, olhasse o horizonte e visse uma fila de carros…

Apesar de ter um orçamento de cidade rica, Balneário tem questões sociais graves como invasões, ocupações irregulares nos morros do Nações, aumento de andarilhos e catadores de recicláveis que estavam semiorganizados e agora está tudo atrapalhado. O que vocês estão planejando a respeito de Inclusão Social?

Ozawa - Vamos falar de habitação. Porque você mesmo mencionou que houve contrapartidas dessas grandes edificações que rompem a lei e constroem mais do que poderiam. Por outro lado, a mesma Câmara que aprova uma grande edificação dessas, desaprovou um conjunto habitacional popular de 380 unidades na Barra há dois anos. E qual foi a justificativa dos vereadores? “Ah a gente vai ter que construir creches, transporte público, água e esgoto”. Então Balneário negou habitação popular. Na prática isso incentiva as pessoas a morarem nas zonas periféricas, e Camboriú também acaba sofrendo com isso. Camboriú tem hoje uma população que vive aqui, de serviço público inclusive, e mora lá. Essas invasões são consequência da falta de planejamento de habitação. Balneário há muito tempo atrás teve um programa que era no Bairro dos Estados e me parece que temos que repensar isso, incentivar construções populares. Qual o problema de construir creche e tal? Muitas pessoas estão migrando para a zona sul da cidade, São Judas, Nova Esperança e até nas praias agrestes está acontecendo processo de favelização. O problema não é a favela em si, mas as pessoas que estão nessas condições. Pensar em Inclusão Social é pensar sobre habitação popular exatamente onde, quando, como. Tem que mudar toda uma cultura. O desestímulo das pessoas de baixa renda morar em Balneário, tem que ser rompido isso, de alguma forma.

Na sua carta de compromisso você propõe acabar com a “higienização das ruas”...

Ozawa - A gente usou esse termo porque, sem querer fazer crítica, mas os comerciantes estavam questionando a questão do índio. Na temporada, convenhamos, vem pessoas para cá de toda natureza, claro que vem população de baixa renda, incluindo a comunidade indígena e os comerciantes estavam bravos porque eles ocupam as calçadas, enfim. Tornar a cidade humana não quer dizer privilegiar o concreto, é também pensar em todos os seres humanos que aqui vivem. E aí o que vamos fazer? A política de inclusão de antigamente, bota todo mundo na Kombi, vai na rodoviária e paga passagem e volta para onde veio? Vi um vereador falando na tribuna da Câmara que por ele a pessoa que chegasse tinha que ter um agente da prefeitura para perguntar “onde você vai morar, o que está querendo fazer aqui?” Isso é típico de uma sociedade não inclusiva e de incentivo a uma xenofobia idiota, porque Balneário é absolutamente cosmopolita. Meu filho é nascido em Balneário, mas eu não sou, nós estamos construindo uma sociedade, uma cidade. Pensar em inclusão é recuar um pouco dessa ideia de limpar as ruas dessas pessoas. Limpar de que forma? O bonito é só para os bonitos? Quem é bonito e quem é feio?

Todo governo se preocupa em fazer uma obra para marcar sua passagem pela prefeitura. Você já pensou qual vai ser a sua?

Ozawa - A minha grande obra será a transparência e como fazer transparência? A primeira delas é a Controladoria permanente e independente, inclusive com o Ministério Público com assento nessa Controladoria. Se eu vou deixar alguma marca é isso. Outra: nos primeiros dias de mandato, uma auditoria completa nos contratos de terceirização. Me parece que tem muita gente ganhando muito dinheiro com terceirização de serviço público elementar. Acho eu que a gente tenha capacidade para absorver essa demanda. Balneário Camboriú tem bastante funcionário público por habitante, muitos terceirizados, muitos temporários, me preocupa isso. Outro lance é o orçamento participativo, nenhum outro candidato está dizendo, e é tão elementar porque chama as pessoas para o convívio e não isola o prefeito como se fosse um rei mágico.

- Matriz econômica

Um turismo repensado.

- Passarela da Barra

Um embuste, um elefante branco, uma ofensa ao povo da Barra. Um monumento à corrupção.

- Ciclovias/Mobilidade/integração

Pensar futuro, transporte multimodal. Para mim a solução da mobilidade urbana em Balneário é o VLT (veículo leve sobre trilhos).

- Estacionamento rotativo

Tem que ser repensado. Não sei se sou totalmente favorável, mas o governo deveria incentivar edifícios garagem.

- Ocupação do espaço público

Qual espaço público? O que menos tem é espaço público. A praia não serve para todas as coisas. Abrir as escolas nos finais de semana.

- Canal do Marambaia

Reflexo do descaso. Retrato da omissão.

- Esgotos clandestinos

Preocupante de como vai ser essa gestão. Qual é a participação do município na gestão do centro de eventos? Porque se for distante das demandas da cidade, de pouco servirá.

Por que vocês acham que as pessoas devem votar na chapa de vocês?

Ozawa - Primeiro que é a chapa mais jovem. quando a gente fala em renovação, ela não pode ficar só no discurso. Então as outras candidaturas que estão postas, são pessoas que estão na política há muitos anos, são políticos profissionais eu diria, vivem disso. Eu e a Ana Carolina temos nossa profissão. A gente está entrando nessa não para tornar uma profissão, entramos justamente porque mesmo nessa nossa pouca idade, a gente acha que pode contribuir com novas visões, novas janelas, para compensar a cidade e dar ouvidos as pessoas que ainda são invisíveis ao poder público. as pessoas devem votar na gente porque nossa candidatura é de carne e osso. Pessoas normais, com sentimento e experiências. Não somos candidatos produzidos, artificiais, Não nos criaram para este momento, nós estamos aí, vivendo e sobrevivendo em uma cidade que todos nós achamos que tem coisas erradas e precisam melhorar.

A próxima entrevista será com os candidatos Fabrício e Carlos Humberto, nas bancas, a partir de sábado (10).

Publicidade

Publicidade