Jornal Página 3

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"Adversários e parceiros se entrelaçam rumo ao palco do poder, sem escrúpulos" , diz Spernau
Arquivo JP3.
Spernau falando algumas verdades.

Segunda, 15/8/2016 8:19.

Texto enviado ao Página 3 pelo ex-prefeito Rubens Spernau: 

REFLEXÕES

Rubens Spernau

"Uma legislação perversa, feita para atender à conveniência de maus políticos, onde o eleitor tem o dever de votar sem o direito de registrar seu descontentamento. Como nossos congressistas são incapazes de promover uma reforma política profunda, poderiam criar um simples artigo que resolveria em grande parte os absurdos a que os eleitores são submetidos a cada eleição: “É vedada a coligação de partidos políticos em eleições no primeiro turno”.

Em meio a este cenário, vi com tristeza e perplexidade o desfecho das convenções partidárias em nosso município, que demandou num cardápio político indigesto e mal temperado. Vejo como único e grande vencedor o atual prefeito, que colocou suas “penas verdes” em duas chapas de oposição e fez seu partido apresentar a candidatura mais coerente, que de ruim, além do seu apoio, tem o fato de representar a proposta de continuidade de um péssimo governo.

O mais nocivo da atual política em nosso país, onde siglas se multiplicam atendendo ao interesse de alguns, é que os políticos perdem sua identidade. Hoje assisto estarrecido, meu amigo e ex-companheiro de chapa das últimas eleições, Fabrício, abraçado a integrantes do atual governo. E, não diverso disto, o meu parceiro histórico Leonel. E como ficam os mais de 22 mil eleitores, que nas últimas eleições demonstraram nas urnas que não queriam mais o atual governo? Será que se sentiram representados por alguma chapa?

Estou cada dia mais convicto, de que a natural descrença dos eleitores pelos políticos é a sua conduta. A política no Brasil é a arte de confundir sem explicar. Adversários e parceiros se entrelaçam rumo ao palco do poder, sem escrúpulos, coerência ou afinidade. Tudo vale, tudo pode para alcançar o trono. Os eleitores são peça de manobra necessária para que se atinja o poder. Infelizmente a frase “do povo, pelo povo e para o povo” é mera figura de linguagem.

Em 2004 tive oportunidade de ser candidato a reeleição sem adversário, bastando para tal que aceitasse como vice o indicado pelo PMDB, Aristo Pereira. Após refletir, encontrei dentro de meus princípios democráticos, a certeza de que seria uma agressão aos eleitores. Uma eleição sem adversários, sem a possibilidade de discutir os rumos do município com seus moradores. Vejo no processo eleitoral sadio um momento único, que só a democracia nos permite. Exercitá-lo com respeito e sabedoria faz com que todos ganhem.

Por fim, quero declarar com enorme desconforto e tristeza que não me sinto representado, como eleitor, por nenhuma das chapas apresentadas. Todas estão contaminadas por terem digitais e DNA de um governo cujos malefícios se estenderão por vários outros.

Não torno o meu sentimento público para agradar ou desagradar a quem quer que seja. É um desabafo sincero de alguém que nas últimas eleições representou aqueles que queriam mudança de governo, que naquele momento não eram maioria. Quem irá representá-los agora? Espero que no futuro nossos legisladores tenham um momento de lucidez e produzam uma reforma política, sob pena de, em não o fazendo, nos condenem a descrença total da democracia representativa. Me farei presente como eleitor e votarei com coerência, todavia, não transformarei em adversário quem sempre foi meu aliado político ou vice versa. Portanto, estarei ausente na campanha política.

Havia me licenciado da função de assessor da Prefeitura de Bombinhas para participar de forma ativa no processo eleitoral de Balneário Camboriú. Lá, para completar minha indignação política, meu partido participa de uma coligação que tem o PT na chapa.

Assim não dá pra ser feliz..."

Rubens Spernau é ex-prefeito de Balneário Camboriú 

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Página 3

"Adversários e parceiros se entrelaçam rumo ao palco do poder, sem escrúpulos" , diz Spernau

Arquivo JP3.
Spernau falando algumas verdades.
Spernau falando algumas verdades.
Segunda, 15/8/2016 8:19.

Texto enviado ao Página 3 pelo ex-prefeito Rubens Spernau: 

REFLEXÕES

Rubens Spernau

"Uma legislação perversa, feita para atender à conveniência de maus políticos, onde o eleitor tem o dever de votar sem o direito de registrar seu descontentamento. Como nossos congressistas são incapazes de promover uma reforma política profunda, poderiam criar um simples artigo que resolveria em grande parte os absurdos a que os eleitores são submetidos a cada eleição: “É vedada a coligação de partidos políticos em eleições no primeiro turno”.

Em meio a este cenário, vi com tristeza e perplexidade o desfecho das convenções partidárias em nosso município, que demandou num cardápio político indigesto e mal temperado. Vejo como único e grande vencedor o atual prefeito, que colocou suas “penas verdes” em duas chapas de oposição e fez seu partido apresentar a candidatura mais coerente, que de ruim, além do seu apoio, tem o fato de representar a proposta de continuidade de um péssimo governo.

O mais nocivo da atual política em nosso país, onde siglas se multiplicam atendendo ao interesse de alguns, é que os políticos perdem sua identidade. Hoje assisto estarrecido, meu amigo e ex-companheiro de chapa das últimas eleições, Fabrício, abraçado a integrantes do atual governo. E, não diverso disto, o meu parceiro histórico Leonel. E como ficam os mais de 22 mil eleitores, que nas últimas eleições demonstraram nas urnas que não queriam mais o atual governo? Será que se sentiram representados por alguma chapa?

Estou cada dia mais convicto, de que a natural descrença dos eleitores pelos políticos é a sua conduta. A política no Brasil é a arte de confundir sem explicar. Adversários e parceiros se entrelaçam rumo ao palco do poder, sem escrúpulos, coerência ou afinidade. Tudo vale, tudo pode para alcançar o trono. Os eleitores são peça de manobra necessária para que se atinja o poder. Infelizmente a frase “do povo, pelo povo e para o povo” é mera figura de linguagem.

Em 2004 tive oportunidade de ser candidato a reeleição sem adversário, bastando para tal que aceitasse como vice o indicado pelo PMDB, Aristo Pereira. Após refletir, encontrei dentro de meus princípios democráticos, a certeza de que seria uma agressão aos eleitores. Uma eleição sem adversários, sem a possibilidade de discutir os rumos do município com seus moradores. Vejo no processo eleitoral sadio um momento único, que só a democracia nos permite. Exercitá-lo com respeito e sabedoria faz com que todos ganhem.

Por fim, quero declarar com enorme desconforto e tristeza que não me sinto representado, como eleitor, por nenhuma das chapas apresentadas. Todas estão contaminadas por terem digitais e DNA de um governo cujos malefícios se estenderão por vários outros.

Não torno o meu sentimento público para agradar ou desagradar a quem quer que seja. É um desabafo sincero de alguém que nas últimas eleições representou aqueles que queriam mudança de governo, que naquele momento não eram maioria. Quem irá representá-los agora? Espero que no futuro nossos legisladores tenham um momento de lucidez e produzam uma reforma política, sob pena de, em não o fazendo, nos condenem a descrença total da democracia representativa. Me farei presente como eleitor e votarei com coerência, todavia, não transformarei em adversário quem sempre foi meu aliado político ou vice versa. Portanto, estarei ausente na campanha política.

Havia me licenciado da função de assessor da Prefeitura de Bombinhas para participar de forma ativa no processo eleitoral de Balneário Camboriú. Lá, para completar minha indignação política, meu partido participa de uma coligação que tem o PT na chapa.

Assim não dá pra ser feliz..."

Rubens Spernau é ex-prefeito de Balneário Camboriú 

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