Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Educação
Balneário Camboriú debate inclusão de crianças com autismo nas escolas

Terça, 1/10/2019 9:24.
Lino Franzoi, presidente da AMA Litoral, o prefeito e a Cátia Franzoi.

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As escolas devem estar preparadas para atender as crianças com autismo nas salas de aula e o professor consciente do seu papel de auxiliar na integração desta criança ao ambiente escolar. Essa foi a principal mensagem do Seminário Autismo na Escola: Aspectos Neurocomportamentais e Condições Didático-pedagógicas, realizado nesta segunda-feira (30), na Univali, Campus Balneário Camboriú, com a presença de mais de 450 pessoas, entre pais, profissionais da área da educação, da saúde e da assistência social.

De iniciativa da Assembleia Legislativa, por intermédio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e em parceria com a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, o evento proporcionou uma reflexão sobre os desafios da inclusão escolar e os processos envolvidos no ensino e aprendizagem dos educandos.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), destacou na abertura do evento que o Poder Legislativo moderno não é mais aquele que apenas atua fiscalizando as ações do Executivo ou legislando. Na nova visão, explicou, o parlamento moderno é envolvido com todos os segmentos da sociedade. Lembrou que o envolvimento da Casa com as pessoas com deficiência vem desde 2005, por isso que, em diversos campos de atuação, os parlamentares trabalham na direção de apoiar esses movimentos.

Marcos Petry e Julio Garcia

Para Julio Garcia, o parlamento deve ter os olhos voltados para esse segmento e a capacitação de profissionais para atender esse público é fundamental para a sociedade

“A escola que trata com alunos com deficiência não é igual a escolas sem esses alunos. Todos eles precisam de atenção e as pessoas que trabalham nesse segmento tem que ser preparadas, daí vem a razão da Assembleia de promover esses eventos de capacitação e seminários regionais.”

O deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e proponente do seminário, enfatizou a importância do evento lembrando que no autismo não há uma regra geral, onde cada criança, cada adulto, é uma história diferente, e há toda uma dificuldade de diagnóstico e de manejo. Disse que cada um deles tem seu potencial.

“Então é extremamente importante que a Alesc promova esses eventos que ajudam no melhor entendimento deste transtorno. O trabalho da comissão da Alesc é para inclusão destas pessoas e preparar os professores para atuarem com o autismo.”

Caropreso salientou que o parlamento, por meio da comissão, vem contribuindo para esse debate, ressaltando que a capacitação proposta durante o seminário proporciona uma troca de conhecimentos referentes à inclusão e à garantia dos direitos da pessoa com deficiência.

A presidente da Associação Catarinense de Autismo (Asca), Cátia Franzoi, enfatizou a importância do evento em capacitar os professores e profissionais no atendimento às crianças com autismo. Para ela, todas as pessoas, ao terem um maior conhecimento em lidar com o autista, facilitarão a sua inserção tanto na escola como na sociedade e no mercado de trabalho. Por meio do seminário haverá uma maior disseminação da informação para os professores e pais na busca da inclusão do autista. Disse ainda que existe o desafio de adaptação de materiais, curricular, por isso a importância destes eventos.

Solenidade

A cerimônia de abertura do seminário foi prestigiada pelo deputado Julio Garcia; pelo prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (PSB); pela presidente da Asca, Cátia Franzoi, e pela diretora do Departamento da Educação Especial da Secretaria da Educação de Balneário Camboriú, Sandra Hoffmann.

Também estiveram presentes o presidente da Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA Litoral), Lino Carlos Franzoi, e o palestrante e youtuber, Marcos Petry, pós-graduando em Transtorno do Espectro Autista pelo Instituto de Comportamento Infantil de Miami (EUA), todos homenageados com o troféu “Amigos da Asca”.

A homenagem também foi entregue à diretoria de Comunicação Social da Alesc, Lúcia Helena Vieira, representada pelo jornalista João Guedes, e aos representantes da Ama de Navegantes, Brusque, Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú e Criciúma e a solenidade contou com a apresentação artística de alunos autistas da Ama de Balneário Camboriú, Caminhos que Levam ao Coração. A assessora da Comissão da Alesc, Janice Krasniak, também foi homenageada com flores pelo seu trabalho em prol das pessoas com deficiência.

Palestras

Ao longo do dia, a atividade de capacitação dos educadores contou com quatro palestras. No período da manhã, o neuropediatra Clay Brites falou sobre o transtorno do espectro autista: aspectos neurocomportamentais, depois abordou o tema os aspectos clínicos e meios diagnósticos. No período da tarde, ministrou sobre a inclusão, abordagem terapêutica e a condição didático-pedagógica e, por final, o suporte interdisciplinar para o educando com transtorno do espectro autista.

Clay Brites (foto acima) é pediatra e neurologista infantil do Instituto Neurosaber, doutor em Ciências Médicas e Neurologia pela Unicamp e autor de dezenas de capítulos de livros, artigos científicos e obras literárias sobre autismo e outros transtornos de neurodesenvolvimento, atuando principalmente nos seguintes temas: TDAH, TEA, Transtornos de Desenvolvimento, neurodesenvolvimento, neurologia da aprendizagem, multidisciplinaridade e dificuldades escolares.

Ele afirmou que o principal desafio para atender as crianças com autismo nas salas de aula é o diagnóstico estar bem firmado e que essa criança precisa estar em acompanhamento, não só pela escola como também por uma equipe de profissionais que direcionem intervenções individuais.

“A escola tem que dar suporte, fazer adaptações curriculares, utilizar materiais com recursos didáticos diferenciados e, em conjunto com os pais, a escola tem que saber o que está sendo feito em termos de intervenções com psicólogos, com o fonoaudiólogo, com o clinico geral ou médico, que medicações ela toma, que complicações ela tem em relação ao autismo.”

O professor lembrou que há autista que não fala, outros que falam melhor que os professores, enquanto que outros possuem deficiência intelectual e há os que tem níveis intelectuais normais, além de existirem autistas que apresentam transtornos específicos sensoriais ou motores que o impedem de, por exemplo, escrever.

“Então, é importante que a escola saiba trabalhar junto com os recursos clínicos e ao mesmo tempo ter no ambiente escolar condições de fazer adaptações que muitas vezes serão necessárias.”

Para o neurologista, o professor preparado consegue contribuir para a integração das crianças com autismo de várias formas.

“O professor ajuda essa criança se sentir bem no ambiente social, e esse é o grande desafio, fazer com que esse aluno permaneça na sala de aula, ficar junto com os amigos, tolerar certos estímulos que as escolas têm e o autista não tolera, como barulho. Então o papel do professor é ajudar este aluno a se sentir bem no ambiente social, em segundo, ajudar esse aluno a adquirir requisitos e habilidades básicas para um dia ter autonomia.”

O palestrante destacou em suas palestras que considera fundamental que, se o professor tiver um conhecimento profundo de autismo, ajude a família a lidar com essa criança no dia a dia e ao mesmo tempo dê tranquilidade à família de estar conduzindo o autista dentro da escola com profissionalismo, porque muitos pais têm medo de colocar essa criança com autismo na escola por achar que a escola não vai saber conduzir.

Ele lembrou que a escolas ainda estão se preparando para receber o aluno com autismo, mas em ritmo não satisfatório, em parte porque as escolas ainda não estão preparadas para atender crianças que não têm autismo.

“Ainda há professores que estão buscando conhecimento, se formando, melhorando e incluindo na sua prática determinados coisas que há 15 anos não eram disponibilizados na graduação do pedagogo, por exemplo. Essa atualização profissional é um dos grandes desafios, mas há ainda o desafio dos gestores de educação não estarem preparados para darem vazão às necessidades atuais e de implementar o que deveria estar implementado e que não foi por falta de conhecimento", observou o palestrante.


Ney Bueno/AGÊNCIA AL


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Lino Franzoi, presidente da AMA Litoral, o prefeito e a Cátia Franzoi.
Lino Franzoi, presidente da AMA Litoral, o prefeito e a Cátia Franzoi.

Balneário Camboriú debate inclusão de crianças com autismo nas escolas

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Terça, 1/10/2019 9:24.

As escolas devem estar preparadas para atender as crianças com autismo nas salas de aula e o professor consciente do seu papel de auxiliar na integração desta criança ao ambiente escolar. Essa foi a principal mensagem do Seminário Autismo na Escola: Aspectos Neurocomportamentais e Condições Didático-pedagógicas, realizado nesta segunda-feira (30), na Univali, Campus Balneário Camboriú, com a presença de mais de 450 pessoas, entre pais, profissionais da área da educação, da saúde e da assistência social.

De iniciativa da Assembleia Legislativa, por intermédio da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e em parceria com a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, o evento proporcionou uma reflexão sobre os desafios da inclusão escolar e os processos envolvidos no ensino e aprendizagem dos educandos.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), destacou na abertura do evento que o Poder Legislativo moderno não é mais aquele que apenas atua fiscalizando as ações do Executivo ou legislando. Na nova visão, explicou, o parlamento moderno é envolvido com todos os segmentos da sociedade. Lembrou que o envolvimento da Casa com as pessoas com deficiência vem desde 2005, por isso que, em diversos campos de atuação, os parlamentares trabalham na direção de apoiar esses movimentos.

Marcos Petry e Julio Garcia

Para Julio Garcia, o parlamento deve ter os olhos voltados para esse segmento e a capacitação de profissionais para atender esse público é fundamental para a sociedade

“A escola que trata com alunos com deficiência não é igual a escolas sem esses alunos. Todos eles precisam de atenção e as pessoas que trabalham nesse segmento tem que ser preparadas, daí vem a razão da Assembleia de promover esses eventos de capacitação e seminários regionais.”

O deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e proponente do seminário, enfatizou a importância do evento lembrando que no autismo não há uma regra geral, onde cada criança, cada adulto, é uma história diferente, e há toda uma dificuldade de diagnóstico e de manejo. Disse que cada um deles tem seu potencial.

“Então é extremamente importante que a Alesc promova esses eventos que ajudam no melhor entendimento deste transtorno. O trabalho da comissão da Alesc é para inclusão destas pessoas e preparar os professores para atuarem com o autismo.”

Caropreso salientou que o parlamento, por meio da comissão, vem contribuindo para esse debate, ressaltando que a capacitação proposta durante o seminário proporciona uma troca de conhecimentos referentes à inclusão e à garantia dos direitos da pessoa com deficiência.

A presidente da Associação Catarinense de Autismo (Asca), Cátia Franzoi, enfatizou a importância do evento em capacitar os professores e profissionais no atendimento às crianças com autismo. Para ela, todas as pessoas, ao terem um maior conhecimento em lidar com o autista, facilitarão a sua inserção tanto na escola como na sociedade e no mercado de trabalho. Por meio do seminário haverá uma maior disseminação da informação para os professores e pais na busca da inclusão do autista. Disse ainda que existe o desafio de adaptação de materiais, curricular, por isso a importância destes eventos.

Solenidade

A cerimônia de abertura do seminário foi prestigiada pelo deputado Julio Garcia; pelo prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira (PSB); pela presidente da Asca, Cátia Franzoi, e pela diretora do Departamento da Educação Especial da Secretaria da Educação de Balneário Camboriú, Sandra Hoffmann.

Também estiveram presentes o presidente da Associação de Pais e Amigos do Autista (AMA Litoral), Lino Carlos Franzoi, e o palestrante e youtuber, Marcos Petry, pós-graduando em Transtorno do Espectro Autista pelo Instituto de Comportamento Infantil de Miami (EUA), todos homenageados com o troféu “Amigos da Asca”.

A homenagem também foi entregue à diretoria de Comunicação Social da Alesc, Lúcia Helena Vieira, representada pelo jornalista João Guedes, e aos representantes da Ama de Navegantes, Brusque, Itajaí, Balneário Camboriú, Camboriú e Criciúma e a solenidade contou com a apresentação artística de alunos autistas da Ama de Balneário Camboriú, Caminhos que Levam ao Coração. A assessora da Comissão da Alesc, Janice Krasniak, também foi homenageada com flores pelo seu trabalho em prol das pessoas com deficiência.

Palestras

Ao longo do dia, a atividade de capacitação dos educadores contou com quatro palestras. No período da manhã, o neuropediatra Clay Brites falou sobre o transtorno do espectro autista: aspectos neurocomportamentais, depois abordou o tema os aspectos clínicos e meios diagnósticos. No período da tarde, ministrou sobre a inclusão, abordagem terapêutica e a condição didático-pedagógica e, por final, o suporte interdisciplinar para o educando com transtorno do espectro autista.

Clay Brites (foto acima) é pediatra e neurologista infantil do Instituto Neurosaber, doutor em Ciências Médicas e Neurologia pela Unicamp e autor de dezenas de capítulos de livros, artigos científicos e obras literárias sobre autismo e outros transtornos de neurodesenvolvimento, atuando principalmente nos seguintes temas: TDAH, TEA, Transtornos de Desenvolvimento, neurodesenvolvimento, neurologia da aprendizagem, multidisciplinaridade e dificuldades escolares.

Ele afirmou que o principal desafio para atender as crianças com autismo nas salas de aula é o diagnóstico estar bem firmado e que essa criança precisa estar em acompanhamento, não só pela escola como também por uma equipe de profissionais que direcionem intervenções individuais.

“A escola tem que dar suporte, fazer adaptações curriculares, utilizar materiais com recursos didáticos diferenciados e, em conjunto com os pais, a escola tem que saber o que está sendo feito em termos de intervenções com psicólogos, com o fonoaudiólogo, com o clinico geral ou médico, que medicações ela toma, que complicações ela tem em relação ao autismo.”

O professor lembrou que há autista que não fala, outros que falam melhor que os professores, enquanto que outros possuem deficiência intelectual e há os que tem níveis intelectuais normais, além de existirem autistas que apresentam transtornos específicos sensoriais ou motores que o impedem de, por exemplo, escrever.

“Então, é importante que a escola saiba trabalhar junto com os recursos clínicos e ao mesmo tempo ter no ambiente escolar condições de fazer adaptações que muitas vezes serão necessárias.”

Para o neurologista, o professor preparado consegue contribuir para a integração das crianças com autismo de várias formas.

“O professor ajuda essa criança se sentir bem no ambiente social, e esse é o grande desafio, fazer com que esse aluno permaneça na sala de aula, ficar junto com os amigos, tolerar certos estímulos que as escolas têm e o autista não tolera, como barulho. Então o papel do professor é ajudar este aluno a se sentir bem no ambiente social, em segundo, ajudar esse aluno a adquirir requisitos e habilidades básicas para um dia ter autonomia.”

O palestrante destacou em suas palestras que considera fundamental que, se o professor tiver um conhecimento profundo de autismo, ajude a família a lidar com essa criança no dia a dia e ao mesmo tempo dê tranquilidade à família de estar conduzindo o autista dentro da escola com profissionalismo, porque muitos pais têm medo de colocar essa criança com autismo na escola por achar que a escola não vai saber conduzir.

Ele lembrou que a escolas ainda estão se preparando para receber o aluno com autismo, mas em ritmo não satisfatório, em parte porque as escolas ainda não estão preparadas para atender crianças que não têm autismo.

“Ainda há professores que estão buscando conhecimento, se formando, melhorando e incluindo na sua prática determinados coisas que há 15 anos não eram disponibilizados na graduação do pedagogo, por exemplo. Essa atualização profissional é um dos grandes desafios, mas há ainda o desafio dos gestores de educação não estarem preparados para darem vazão às necessidades atuais e de implementar o que deveria estar implementado e que não foi por falta de conhecimento", observou o palestrante.


Ney Bueno/AGÊNCIA AL


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