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Entrevista Ester Menegasso: Diretora do Cesfi/Udesc que deixa o cargo e uma história de 15 anos de dedicação
Karin Vanelli
Estre em frente ao prédio da UDESC/BC

Sexta, 31/5/2019 10:39.

Por Marlise Schneider Cezar

O reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Marcus Tomasi e a diretora geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (CESFI), sediado em Balneário Camboriú, convidam a comunidade para participar da solenidade de posse do novo diretor-geral eleito do CESFI, professor José Carlos de Souza, nesta sexta-feira (31), às 17h30, na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú.


A historia da Udesc em Balneário Camboriú nasceu de uma ideia, ganhou o reforço de uma comunidade, foi abraçada por lideranças políticas e progrediu com o aval do comando da universidade e de seus profissionais, entre eles, a professora Maria Ester Menegasso.

Esta semana, Maria Ester falou um pouco desta historia que ajudou a escrever em Balneário Camboriú. Acompanhe:

JP3 - Nesta sexta-feira (31) será empossado o novo diretor do Cesfi, que acaba de completar 9 anos. A senhora acompanhou desde o início a história da Udesc em Balneário Camboriú. Como tudo começou aqui e quais momentos, bons e ruíns, gostaria de relembrar?

Tudo começou pela mobilização da comunidade local que soube envolver diferentes lideranças políticas e que foi somado ao momento que a Udesc vivenciava nos anos de 2003 e 2004. A comunidade estava mobilizada por meio do Movimento pela Universidade Pública (MoVup), liderado pelo Dr. Hélvion Ribeiro. O MoVup recolheu mais de 15 mil assinaturas que solicitavam a vinda de uma universidade pública para Balneário Camboriú, levando em conta certas características e potencialidades da cidade e da região. Além de mobilizar a comunidade, o MoVup também envolveu as lideranças políticas locais, de diversos grupos partidários. Aqui é importante destacar que o movimento começou e permanece sem ter uma bandeira partidária, mas sempre buscou envolver diferentes lideranças na busca pela universidade pública. Uma dessas lideranças foi o então deputado estadual, Dado Cherem, que era relator de uma Comissão Parlamentar e Investigação sobre a Udesc. Era um momento delicado que a universidade vivia, uma vez que estava sob intervenção do governo estadual. Com o apoio do deputado e das diferentes lideranças políticas locais, o MoVup pôde abrir um diálogo com a Udesc, apresentando as milhares de assinaturas coletadas e reivindicando a instalação de um campus da universidade em Balneário Camboriú. Naquele momento, eu e outros professores da Udesc finalizávamos um projeto de criação de um novo curso para a Udesc. Era um curso de Administração Pública - que inicialmente se chamava Administração de Serviços Públicos. Assim, a solicitação comunitária e política de Balneário Camboriú encontrou no Projeto Político Pedagógico do Curso de Administração Pública a oportunidade que precisava. Ficou decidido que o curso seria oferecido pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (ESAG) da Udesc, em Balneário Camboriú. Em seguida, a universidade também decidiu que desde o início este curso seria oferecido também em Florianópolis, além de Balneário Camboriú. Para viabilizar essa ideia, a Udesc fez uma parceria com a prefeitura de Balneário Camboriú por meio de um convênio. Por conta disso, no dia 2 de agosto de 2004, a Udesc de Balneário Camboriú recebeu sua primeira turma, com alunos aprovados no primeiro vestibular que contemplava a cidade. Foi então que o MoVup e a comunidade de Balneário Camboriú passaram a contar com novos e decisivos parceiros na luta pela consolidação da Udesc na cidade: os alunos e o Centro Acadêmico do Curso de Administração Pública (CAAP). A estrutura curricular do curso de Administração Pública que nós criamos possibilitava aos alunos o acesso a conhecimentos, valores e ferramentas democráticas de mobilização comunitária para resolver problemas públicos e desenvolver a comunidade. Perante as dificuldades iniciais para a própria Udesc prestar seus serviços de ensino superior, os alunos fizeram da causa levantada pelo Movup o seu laboratório de experiências e de articulação comunitária para consolidar a Udesc na cidade.

Ana Cristina - Precisão Formaturas


JP3- Quais foram as maiores dificuldades que encontrou nesse início, quando a Udesc funcionava em duas salinhas de uma escola municipal?

As principais dificuldades eram relacionadas a infraestrutura para atender aos alunos e aos professores. O convênio firmado pela Udesc e pela prefeitura de Balneário Camboriú estabelecia que a universidade se responsabilizava pelas atividades de ensino e a prefeitura se encarregava de proporcionar a infraestrutura adequada. Buscando cumprir com suas obrigações nesta parceria, a prefeitura disponibilizou algumas salas de aula na Escola Municipal Antônio Lúcio. A Udesc permaneceu nesta escola até o final do ano de 2005. As principais dificuldades estavam relacionadas a conciliar as rotinas de alunos de educação básica com as de alunos de ensino superior. As limitações físicas também impediam que oferecêssemos aos alunos de Administração Pública um acesso a uma biblioteca adequada às demandas acadêmicas. Foi um momento difícil e os alunos percebiam as dificuldades. Neste momento, viram que precisavam se articular para ajudar a Udesc a se manter em Balneário Camboriú. Foi então que os alunos criaram o CAAP e nos ajudaram a sensibilizar a prefeitura de Balneário Camboriú a alugar um prédio exclusivo para a Udesc na Rua 3020.


JP3 - Depois dessa escola, foi alugado um prédio na Rua 3020, quanto tempo ficou lá?

A Udesc ficou no prédio da Rua 3020 até o primeiro semestre de 2011. Este prédio possuía 8 salas de aula, 1 sala de informática, 1 sala para a biblioteca e 1 sala que abrigava a secretaria, o CAAP e os professores. Ainda não era a infraestrutura ideal para uma universidade, mas se mostrou suficiente para concluir a formação das 7 primeiras turmas do curso de Administração Pública e iniciar a de outras 8 turmas. Devido a continuidade do vestibular e a formação das primeiras turmas, este prédio da Rua 3020 foi um passo muito importante para a consolidação da Udesc em Balneário Camboriú. Após diversas reuniões e da mobilização contínua da comunidade e dos alunos, conseguimos sensibilizar o governo do Estado de Santa Catarina a respeito da importância de transformar a Udesc de Balneário Camboriú em um Centro de Ensino. Isso significava que a Udesc poderia oferecer outros cursos na cidade, contendo um quadro de professores, servidores técnico-administrativos e direção neste novo centro, inclusive, com orçamento próprio. Para que o leitor compreenda a relevância disso, cabe lembrar que muitas vezes eu e outros professores precisamos tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar a comprar materiais necessários ao funcionamento das aulas e para abrigar melhor os alunos e professores. Além disso, também recordo que os professores não eram lotados aqui em Balneário Camboriú, mas sim em Florianópolis. Deste modo, eles vinham todos os dias pela manhã e retornavam ao meio dia para Florianópolis. Essas e outras dificuldades somente poderiam ser superadas por meio da criação do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (CESFI), pelo decreto assinado no dia 20 de maio de 2010 pelo então Governador do Estado, Leonel Pavan.

Ana Cristina - Precisão Formaturas


JP3 - Dali para uma sede na avenida Central, quando foi fundado o Cesfi, correto?

Ester - Não exatamente. O CESFI foi criado no dia 20 de maio de 2010, mas só foi instalado de fato em 2011, após serem realizados os estudos de vocacionamento e de ser criado o curso de Engenharia de Petróleo no final de 2010, com vestibular para o segundo semestre de 2011. Portanto, a Udesc passou a funcionar no Edifício Magila na Avenida Central a partir do segundo semestre de 2011, com o ingresso da primeira turma do Curso de Engenharia de Petróleo. Este período marcou a paralisação do vestibular para o Curso de Administração Pública, que era ofertado em Balneário Camboriú por um outro Centro da Udesc, a ESAG. Aqui é importante abrir um parênteses em relação a sua pergunta para esclarecer que devido aos trâmites burocráticos da universidade, o curso de Administração Pública ofertado pela ESAG precisou ter o vestibular interrompido neste período. A Reitoria e a direção da ESAG alegavam que o CESFI precisaria criar um novo curso de Administração Pública, pertencente a este novo Centro. Quando começamos a tramitar a criação deste novo curso de Administração Pública a ser oferecido, agora pelo CESFI, percebeu-se uma forte resistência da direção da ESAG daquela época. Talvez em outro momento possamos discorrer mais sobre este momento difícil que só conseguimos superar no ano de 2013, com a aprovação da criação do curso no CESFI pelo Conselho Universitário da Udesc.


JP3 - O que representa para BC essa extensão da universidade?

A Udesc em Balneário Camboriú representa um passo importante para o desenvolvimento de toda a Região da Foz do Itajaí. Atualmente, atendemos nos cursos de Administração Pública e Engenharia de Petróleo alunos de diversas cidades da região. O CESFI atende atualmente 526 alunos, por meio de 41 professores e 16 servidores técnico-administrativos. Atualmente a nossa Biblioteca, que já foi muito tímida nos tempos em que a Udesc se situava na Escola Antônio Lúcio, é um de nossos destaques ao conter um grande acervo de diversos tipos de obras e promover diversas atividades para envolver alunos, servidores e a comunidade local em suas atividades de promoção literária. Além das atividades de Ensino, o CESFI também vem ampliando as suas atividades de extensão, implementando diversos projetos como o Pré-Vestibular Comunitário, cursos Gratuitos de Idiomas, cursos de Tecnologia da Informação para a Terceira Idade, entre outros projetos. A estrutura proporcionada pela criação do CESFI também possibilitou o avanço da Udesc de Balneário Camboriú na área da pesquisa. Além de dezenas de publicações em periódicos nacionais, internacionais e em eventos científicos, estamos promovendo diversos projetos de pesquisa. Há pesquisas como a que busca levantar o Capital Social e a Governança Pública na Região da AMFRI, que podem colaborar diretamente para o desenvolvimento regional.


JP3 - Tudo começou com um curso de Administração, mais tarde veio o Engenharia do Petróleo. Qual é a resposta para esses cursos hoje?

O curso de Administração Pública vem formando pessoas com conhecimento e habilidades para trabalhar em áreas de gestão relacionadas ao setor público. Não simplesmente em cargos públicos municipais, estaduais e federais, mas também em organizações não governamentais e em empresas que prestam serviços ao poder público, como a área de consultoria, por exemplo. Já o curso de Engenharia de Petróleo contou por um bom tempo com a existência de uma sede da Petrobrás em Itajaí e vem adaptando as suas atividades às novas demandas do mercado de petróleo e derivados. Após serem criados num Centro de Ensino como o CESFI, estes cursos levam de 6 a 7 anos para estarem devidamente estruturados em relação ao seu corpo docente a laboratórios, como é o caso do curso de Engenharia de Petróleo.


JP3 - Qual foi o período crítico da extensão em BC?

As dificuldades foram inúmeras e em cada momento há novos desafios que se mostram cruciais para que a Udesc de Balneário Camboriú siga se desenvolvendo. Mas acredito que os momentos mais críticos para a Udesc foram aqueles que antecederam a criação do CESFI. A Udesc corria o risco de ficar estagnada como um simples curso fora de sede da ESAG/Udesc e até mesmo de encerrar o vestibular para o curso de Administração Pública. Se o CESFI não tivesse sido criado em 2010, provavelmente a Udesc sairia da cidade nos próximos anos.


JP3 - Desde o ano passado a Udesc funciona em prédio próprio, no Bairro Nova Esperança. Como estão as instalações?

  Arquivo Pessoal
Vivemos o melhor momento da história da Udesc em relação às instalações. Nestes 15 anos de Udesc em Balneário Camboriú, jamais a universidade esteve numa sede própria como agora. Então, se olharmos por este ângulo, as instalações são muito boas! As instalações atuais da Udesc estão localizadas na Rua Lourival Cesário Pereira, no Bairro Nova Esperança. É uma área construída de 2.400 m², que ocupa uma pequena parte dos terrenos que foram doados pelo Município de Balneário Camboriú. Contudo, as universidades sempre estão se planejando para seguir se desenvolvendo e melhorando os serviços prestados para a comunidade, assim como a sua estrutura física. E sob este ângulo, ainda não estamos contentes. Por isso, já criamos dois projetos de construção para novas instalações físicas.


JP3 - Seria a segunda etapa da obra, está em andamento ou o que está faltando?

Um destes projetos é o de criação da área de convivência que está em processo de licitação. Se tudo ocorrer dentro do previsto, a obra será iniciada no segundo semestre deste ano. O outro projeto que criamos e demos prosseguimento é o de criação de um segundo prédio para abrigar salas de aula, auditório e com um novo espaço para a biblioteca. Este projeto está tramitando nos órgãos competentes para autorizar a obra. A previsão é de que seja realizada a sua licitação já no segundo semestre deste ano.


JP3 - A atual situação das universidades preocupa quem trabalhou tantos anos nesse meio?

Sim, devido ao momento de incertezas e de instabilidade em relação ao futuro da sociedade. Ao mesmo tempo, também há uma preocupação quanto às estratégias que serão adotadas em relação ao ensino superior no Brasil.


JP3 - Os cursos da Udesc foram afetados pelo 'contingenciamento'?

Não, o contingenciamento de gastos foi em relação às universidades federais, vinculadas ao governo federal. Logo, a Udesc não foi afetada pelo contingenciamento, uma vez que é uma fundação pública do Estado de Santa Catarina. Contudo, o Governo do Estado de Santa Catarina propôs um corte de 10% no valor total que é repassado à Udesc por ano. Se isso ocorrer, os cursos da Udesc serão afetados, principalmente os de Centros novos ou ainda, em implantação, como é o caso da Udesc/Balneário Camboriú, uma vez que recebem uma parcela menor do orçamento total da Udesc.


JP3 - Com tanta experiência no meio como vê o futuro das universidades no país?

Em poucos momentos de nossa história estivemos frente a problemas da magnitude destes que temos presentes em nossos dias. A desconstrução de nossos sistemas de saúde e de educação; a agressão à natureza; o questionamento sobre o funcionamento de nossas instituições e a dúvida sobre a continuidade na prestação de seus serviços à coletividade são desafios visíveis em nosso dia a dia. Estes são apenas alguns dos problemas destes tempos sombrios. As universidades têm um papel importante no que diz respeito ao desenvolvimento do país e, também, em relação a inovação tecnológica. Sabemos muito bem que as crises institucionais fazem parte da própria história, mas as universidades não deixam de ser instituições perenes. Ela tem a capacidade de realização e superação dos desafios.


JP3 - A senhora está entrando em licença prêmio?

Sim. Posso dizer que é um ciclo que se fecha. Longo foi o trajeto, marcado por contínua luta, enfrentamento e superação de dificuldades. Nestes últimos 15 anos servi e dediquei o melhor dos meus esforços à Udesc e à comunidade de Balneário Camboriú. Então é um momento de parar para descansar, aproveitar a família e planejar o futuro. Sinto que ainda tenho um caminho a ser percorrido. Ao finalizar, também, não posso deixar reconhecer que o desempenho da gestão é fruto da dedicação de um grande número de pessoas que comigo tiveram um olhar visionário aliado à extrema capacidade de realização. A todos, neste momento, eu faço a minha homenagem de reconhecimento e gratidão! Muito obrigada! 

 

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Entrevista Ester Menegasso: Diretora do Cesfi/Udesc que deixa o cargo e uma história de 15 anos de dedicação

Karin Vanelli
Estre em frente ao prédio da UDESC/BC
Estre em frente ao prédio da UDESC/BC

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Sexta, 31/5/2019 10:39.

Por Marlise Schneider Cezar

O reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Marcus Tomasi e a diretora geral do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (CESFI), sediado em Balneário Camboriú, convidam a comunidade para participar da solenidade de posse do novo diretor-geral eleito do CESFI, professor José Carlos de Souza, nesta sexta-feira (31), às 17h30, na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú.


A historia da Udesc em Balneário Camboriú nasceu de uma ideia, ganhou o reforço de uma comunidade, foi abraçada por lideranças políticas e progrediu com o aval do comando da universidade e de seus profissionais, entre eles, a professora Maria Ester Menegasso.

Esta semana, Maria Ester falou um pouco desta historia que ajudou a escrever em Balneário Camboriú. Acompanhe:

JP3 - Nesta sexta-feira (31) será empossado o novo diretor do Cesfi, que acaba de completar 9 anos. A senhora acompanhou desde o início a história da Udesc em Balneário Camboriú. Como tudo começou aqui e quais momentos, bons e ruíns, gostaria de relembrar?

Tudo começou pela mobilização da comunidade local que soube envolver diferentes lideranças políticas e que foi somado ao momento que a Udesc vivenciava nos anos de 2003 e 2004. A comunidade estava mobilizada por meio do Movimento pela Universidade Pública (MoVup), liderado pelo Dr. Hélvion Ribeiro. O MoVup recolheu mais de 15 mil assinaturas que solicitavam a vinda de uma universidade pública para Balneário Camboriú, levando em conta certas características e potencialidades da cidade e da região. Além de mobilizar a comunidade, o MoVup também envolveu as lideranças políticas locais, de diversos grupos partidários. Aqui é importante destacar que o movimento começou e permanece sem ter uma bandeira partidária, mas sempre buscou envolver diferentes lideranças na busca pela universidade pública. Uma dessas lideranças foi o então deputado estadual, Dado Cherem, que era relator de uma Comissão Parlamentar e Investigação sobre a Udesc. Era um momento delicado que a universidade vivia, uma vez que estava sob intervenção do governo estadual. Com o apoio do deputado e das diferentes lideranças políticas locais, o MoVup pôde abrir um diálogo com a Udesc, apresentando as milhares de assinaturas coletadas e reivindicando a instalação de um campus da universidade em Balneário Camboriú. Naquele momento, eu e outros professores da Udesc finalizávamos um projeto de criação de um novo curso para a Udesc. Era um curso de Administração Pública - que inicialmente se chamava Administração de Serviços Públicos. Assim, a solicitação comunitária e política de Balneário Camboriú encontrou no Projeto Político Pedagógico do Curso de Administração Pública a oportunidade que precisava. Ficou decidido que o curso seria oferecido pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (ESAG) da Udesc, em Balneário Camboriú. Em seguida, a universidade também decidiu que desde o início este curso seria oferecido também em Florianópolis, além de Balneário Camboriú. Para viabilizar essa ideia, a Udesc fez uma parceria com a prefeitura de Balneário Camboriú por meio de um convênio. Por conta disso, no dia 2 de agosto de 2004, a Udesc de Balneário Camboriú recebeu sua primeira turma, com alunos aprovados no primeiro vestibular que contemplava a cidade. Foi então que o MoVup e a comunidade de Balneário Camboriú passaram a contar com novos e decisivos parceiros na luta pela consolidação da Udesc na cidade: os alunos e o Centro Acadêmico do Curso de Administração Pública (CAAP). A estrutura curricular do curso de Administração Pública que nós criamos possibilitava aos alunos o acesso a conhecimentos, valores e ferramentas democráticas de mobilização comunitária para resolver problemas públicos e desenvolver a comunidade. Perante as dificuldades iniciais para a própria Udesc prestar seus serviços de ensino superior, os alunos fizeram da causa levantada pelo Movup o seu laboratório de experiências e de articulação comunitária para consolidar a Udesc na cidade.

Ana Cristina - Precisão Formaturas


JP3- Quais foram as maiores dificuldades que encontrou nesse início, quando a Udesc funcionava em duas salinhas de uma escola municipal?

As principais dificuldades eram relacionadas a infraestrutura para atender aos alunos e aos professores. O convênio firmado pela Udesc e pela prefeitura de Balneário Camboriú estabelecia que a universidade se responsabilizava pelas atividades de ensino e a prefeitura se encarregava de proporcionar a infraestrutura adequada. Buscando cumprir com suas obrigações nesta parceria, a prefeitura disponibilizou algumas salas de aula na Escola Municipal Antônio Lúcio. A Udesc permaneceu nesta escola até o final do ano de 2005. As principais dificuldades estavam relacionadas a conciliar as rotinas de alunos de educação básica com as de alunos de ensino superior. As limitações físicas também impediam que oferecêssemos aos alunos de Administração Pública um acesso a uma biblioteca adequada às demandas acadêmicas. Foi um momento difícil e os alunos percebiam as dificuldades. Neste momento, viram que precisavam se articular para ajudar a Udesc a se manter em Balneário Camboriú. Foi então que os alunos criaram o CAAP e nos ajudaram a sensibilizar a prefeitura de Balneário Camboriú a alugar um prédio exclusivo para a Udesc na Rua 3020.


JP3 - Depois dessa escola, foi alugado um prédio na Rua 3020, quanto tempo ficou lá?

A Udesc ficou no prédio da Rua 3020 até o primeiro semestre de 2011. Este prédio possuía 8 salas de aula, 1 sala de informática, 1 sala para a biblioteca e 1 sala que abrigava a secretaria, o CAAP e os professores. Ainda não era a infraestrutura ideal para uma universidade, mas se mostrou suficiente para concluir a formação das 7 primeiras turmas do curso de Administração Pública e iniciar a de outras 8 turmas. Devido a continuidade do vestibular e a formação das primeiras turmas, este prédio da Rua 3020 foi um passo muito importante para a consolidação da Udesc em Balneário Camboriú. Após diversas reuniões e da mobilização contínua da comunidade e dos alunos, conseguimos sensibilizar o governo do Estado de Santa Catarina a respeito da importância de transformar a Udesc de Balneário Camboriú em um Centro de Ensino. Isso significava que a Udesc poderia oferecer outros cursos na cidade, contendo um quadro de professores, servidores técnico-administrativos e direção neste novo centro, inclusive, com orçamento próprio. Para que o leitor compreenda a relevância disso, cabe lembrar que muitas vezes eu e outros professores precisamos tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar a comprar materiais necessários ao funcionamento das aulas e para abrigar melhor os alunos e professores. Além disso, também recordo que os professores não eram lotados aqui em Balneário Camboriú, mas sim em Florianópolis. Deste modo, eles vinham todos os dias pela manhã e retornavam ao meio dia para Florianópolis. Essas e outras dificuldades somente poderiam ser superadas por meio da criação do Centro de Educação Superior da Foz do Itajaí (CESFI), pelo decreto assinado no dia 20 de maio de 2010 pelo então Governador do Estado, Leonel Pavan.

Ana Cristina - Precisão Formaturas


JP3 - Dali para uma sede na avenida Central, quando foi fundado o Cesfi, correto?

Ester - Não exatamente. O CESFI foi criado no dia 20 de maio de 2010, mas só foi instalado de fato em 2011, após serem realizados os estudos de vocacionamento e de ser criado o curso de Engenharia de Petróleo no final de 2010, com vestibular para o segundo semestre de 2011. Portanto, a Udesc passou a funcionar no Edifício Magila na Avenida Central a partir do segundo semestre de 2011, com o ingresso da primeira turma do Curso de Engenharia de Petróleo. Este período marcou a paralisação do vestibular para o Curso de Administração Pública, que era ofertado em Balneário Camboriú por um outro Centro da Udesc, a ESAG. Aqui é importante abrir um parênteses em relação a sua pergunta para esclarecer que devido aos trâmites burocráticos da universidade, o curso de Administração Pública ofertado pela ESAG precisou ter o vestibular interrompido neste período. A Reitoria e a direção da ESAG alegavam que o CESFI precisaria criar um novo curso de Administração Pública, pertencente a este novo Centro. Quando começamos a tramitar a criação deste novo curso de Administração Pública a ser oferecido, agora pelo CESFI, percebeu-se uma forte resistência da direção da ESAG daquela época. Talvez em outro momento possamos discorrer mais sobre este momento difícil que só conseguimos superar no ano de 2013, com a aprovação da criação do curso no CESFI pelo Conselho Universitário da Udesc.


JP3 - O que representa para BC essa extensão da universidade?

A Udesc em Balneário Camboriú representa um passo importante para o desenvolvimento de toda a Região da Foz do Itajaí. Atualmente, atendemos nos cursos de Administração Pública e Engenharia de Petróleo alunos de diversas cidades da região. O CESFI atende atualmente 526 alunos, por meio de 41 professores e 16 servidores técnico-administrativos. Atualmente a nossa Biblioteca, que já foi muito tímida nos tempos em que a Udesc se situava na Escola Antônio Lúcio, é um de nossos destaques ao conter um grande acervo de diversos tipos de obras e promover diversas atividades para envolver alunos, servidores e a comunidade local em suas atividades de promoção literária. Além das atividades de Ensino, o CESFI também vem ampliando as suas atividades de extensão, implementando diversos projetos como o Pré-Vestibular Comunitário, cursos Gratuitos de Idiomas, cursos de Tecnologia da Informação para a Terceira Idade, entre outros projetos. A estrutura proporcionada pela criação do CESFI também possibilitou o avanço da Udesc de Balneário Camboriú na área da pesquisa. Além de dezenas de publicações em periódicos nacionais, internacionais e em eventos científicos, estamos promovendo diversos projetos de pesquisa. Há pesquisas como a que busca levantar o Capital Social e a Governança Pública na Região da AMFRI, que podem colaborar diretamente para o desenvolvimento regional.


JP3 - Tudo começou com um curso de Administração, mais tarde veio o Engenharia do Petróleo. Qual é a resposta para esses cursos hoje?

O curso de Administração Pública vem formando pessoas com conhecimento e habilidades para trabalhar em áreas de gestão relacionadas ao setor público. Não simplesmente em cargos públicos municipais, estaduais e federais, mas também em organizações não governamentais e em empresas que prestam serviços ao poder público, como a área de consultoria, por exemplo. Já o curso de Engenharia de Petróleo contou por um bom tempo com a existência de uma sede da Petrobrás em Itajaí e vem adaptando as suas atividades às novas demandas do mercado de petróleo e derivados. Após serem criados num Centro de Ensino como o CESFI, estes cursos levam de 6 a 7 anos para estarem devidamente estruturados em relação ao seu corpo docente a laboratórios, como é o caso do curso de Engenharia de Petróleo.


JP3 - Qual foi o período crítico da extensão em BC?

As dificuldades foram inúmeras e em cada momento há novos desafios que se mostram cruciais para que a Udesc de Balneário Camboriú siga se desenvolvendo. Mas acredito que os momentos mais críticos para a Udesc foram aqueles que antecederam a criação do CESFI. A Udesc corria o risco de ficar estagnada como um simples curso fora de sede da ESAG/Udesc e até mesmo de encerrar o vestibular para o curso de Administração Pública. Se o CESFI não tivesse sido criado em 2010, provavelmente a Udesc sairia da cidade nos próximos anos.


JP3 - Desde o ano passado a Udesc funciona em prédio próprio, no Bairro Nova Esperança. Como estão as instalações?

  Arquivo Pessoal
Vivemos o melhor momento da história da Udesc em relação às instalações. Nestes 15 anos de Udesc em Balneário Camboriú, jamais a universidade esteve numa sede própria como agora. Então, se olharmos por este ângulo, as instalações são muito boas! As instalações atuais da Udesc estão localizadas na Rua Lourival Cesário Pereira, no Bairro Nova Esperança. É uma área construída de 2.400 m², que ocupa uma pequena parte dos terrenos que foram doados pelo Município de Balneário Camboriú. Contudo, as universidades sempre estão se planejando para seguir se desenvolvendo e melhorando os serviços prestados para a comunidade, assim como a sua estrutura física. E sob este ângulo, ainda não estamos contentes. Por isso, já criamos dois projetos de construção para novas instalações físicas.


JP3 - Seria a segunda etapa da obra, está em andamento ou o que está faltando?

Um destes projetos é o de criação da área de convivência que está em processo de licitação. Se tudo ocorrer dentro do previsto, a obra será iniciada no segundo semestre deste ano. O outro projeto que criamos e demos prosseguimento é o de criação de um segundo prédio para abrigar salas de aula, auditório e com um novo espaço para a biblioteca. Este projeto está tramitando nos órgãos competentes para autorizar a obra. A previsão é de que seja realizada a sua licitação já no segundo semestre deste ano.


JP3 - A atual situação das universidades preocupa quem trabalhou tantos anos nesse meio?

Sim, devido ao momento de incertezas e de instabilidade em relação ao futuro da sociedade. Ao mesmo tempo, também há uma preocupação quanto às estratégias que serão adotadas em relação ao ensino superior no Brasil.


JP3 - Os cursos da Udesc foram afetados pelo 'contingenciamento'?

Não, o contingenciamento de gastos foi em relação às universidades federais, vinculadas ao governo federal. Logo, a Udesc não foi afetada pelo contingenciamento, uma vez que é uma fundação pública do Estado de Santa Catarina. Contudo, o Governo do Estado de Santa Catarina propôs um corte de 10% no valor total que é repassado à Udesc por ano. Se isso ocorrer, os cursos da Udesc serão afetados, principalmente os de Centros novos ou ainda, em implantação, como é o caso da Udesc/Balneário Camboriú, uma vez que recebem uma parcela menor do orçamento total da Udesc.


JP3 - Com tanta experiência no meio como vê o futuro das universidades no país?

Em poucos momentos de nossa história estivemos frente a problemas da magnitude destes que temos presentes em nossos dias. A desconstrução de nossos sistemas de saúde e de educação; a agressão à natureza; o questionamento sobre o funcionamento de nossas instituições e a dúvida sobre a continuidade na prestação de seus serviços à coletividade são desafios visíveis em nosso dia a dia. Estes são apenas alguns dos problemas destes tempos sombrios. As universidades têm um papel importante no que diz respeito ao desenvolvimento do país e, também, em relação a inovação tecnológica. Sabemos muito bem que as crises institucionais fazem parte da própria história, mas as universidades não deixam de ser instituições perenes. Ela tem a capacidade de realização e superação dos desafios.


JP3 - A senhora está entrando em licença prêmio?

Sim. Posso dizer que é um ciclo que se fecha. Longo foi o trajeto, marcado por contínua luta, enfrentamento e superação de dificuldades. Nestes últimos 15 anos servi e dediquei o melhor dos meus esforços à Udesc e à comunidade de Balneário Camboriú. Então é um momento de parar para descansar, aproveitar a família e planejar o futuro. Sinto que ainda tenho um caminho a ser percorrido. Ao finalizar, também, não posso deixar reconhecer que o desempenho da gestão é fruto da dedicação de um grande número de pessoas que comigo tiveram um olhar visionário aliado à extrema capacidade de realização. A todos, neste momento, eu faço a minha homenagem de reconhecimento e gratidão! Muito obrigada! 

 

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