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Governo erra ao rebaixar filosofia e sociologia, diz professor de direita
Reprodução.
Sorbonne, França: aqui ensinam ciências humanas.

Sábado, 27/4/2019 7:08.

FÁBIO ZANINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que pretende reduzir as verbas para cursos de sociologia e filosofia foi, previsivelmente, bombardeado pela esquerda, dominante nessas áreas acadêmicas.

Mas há críticas também entre os raros professores universitários que se dizem abertamente de direita na área de ciências humanas.

Um deles, Rodrigo Jungmann, que leciona Filosofia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e não esconde sua simpatia pelo governo Bolsonaro, considera a medida um equívoco, inclusive do ponto de vista estratégico.

"Os conservadores se queixam com razão de que a esquerda domina a cultura precisamente em função de sua presença acachapante nos cursos de humanas, que, de fato, com considerável frequência servem a um proselitismo político raso. Mas a supressão de cursos jamais será a solução", disse Jungmann à reportagem, sobre a diminuição de investimentos nas áreas.

Uma reclamação comum na direita é estar perdendo para a esquerda a batalha das ideias na academia. Diminuir o peso de disciplinas de humanas não ajuda a combater o que é chamado por conservadores de "marxismo cultural".

"A única maneira pela qual os conservadores podem se contrapor ao domínio da esquerda no mundo da cultura reside numa inserção própria nesse mundo. A direita não deve abolir cursos de humanas. Deve entrar neles, assim como no direito, na imprensa e todas as demais instâncias de formação e circulação de ideias", afirma Jungmann.

Na opinião do professor, há uma lógica na decisão do governo de investir em áreas de aplicação prática, mas isso não deve ser feito às custas das demais.

"É fora de dúvida que o Brasil pode e deve priorizar a alocação de recursos para áreas de aplicabilidade prática imediata. A nossa carência de engenheiros, por exemplo, é notória. No entanto, daí a preconizar a completa supressão de cursos de humanas já existentes e atuantes vai uma longa distância", afirma ele, que ressalva que ainda está esperando detalhes sobre a medida anunciada por Bolsonaro.

Para Jungmann, que costuma ser perseguido por estudantes de esquerda na universidade, o ser humano não pode viver exclusivamente para o mundo das coisas práticas. "Pessoas desejam lidar também com ideias e as produzirão e consumirão de uma forma ou de outra", declara. 

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Governo erra ao rebaixar filosofia e sociologia, diz professor de direita

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Sábado, 27/4/2019 7:08.

FÁBIO ZANINI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que pretende reduzir as verbas para cursos de sociologia e filosofia foi, previsivelmente, bombardeado pela esquerda, dominante nessas áreas acadêmicas.

Mas há críticas também entre os raros professores universitários que se dizem abertamente de direita na área de ciências humanas.

Um deles, Rodrigo Jungmann, que leciona Filosofia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e não esconde sua simpatia pelo governo Bolsonaro, considera a medida um equívoco, inclusive do ponto de vista estratégico.

"Os conservadores se queixam com razão de que a esquerda domina a cultura precisamente em função de sua presença acachapante nos cursos de humanas, que, de fato, com considerável frequência servem a um proselitismo político raso. Mas a supressão de cursos jamais será a solução", disse Jungmann à reportagem, sobre a diminuição de investimentos nas áreas.

Uma reclamação comum na direita é estar perdendo para a esquerda a batalha das ideias na academia. Diminuir o peso de disciplinas de humanas não ajuda a combater o que é chamado por conservadores de "marxismo cultural".

"A única maneira pela qual os conservadores podem se contrapor ao domínio da esquerda no mundo da cultura reside numa inserção própria nesse mundo. A direita não deve abolir cursos de humanas. Deve entrar neles, assim como no direito, na imprensa e todas as demais instâncias de formação e circulação de ideias", afirma Jungmann.

Na opinião do professor, há uma lógica na decisão do governo de investir em áreas de aplicação prática, mas isso não deve ser feito às custas das demais.

"É fora de dúvida que o Brasil pode e deve priorizar a alocação de recursos para áreas de aplicabilidade prática imediata. A nossa carência de engenheiros, por exemplo, é notória. No entanto, daí a preconizar a completa supressão de cursos de humanas já existentes e atuantes vai uma longa distância", afirma ele, que ressalva que ainda está esperando detalhes sobre a medida anunciada por Bolsonaro.

Para Jungmann, que costuma ser perseguido por estudantes de esquerda na universidade, o ser humano não pode viver exclusivamente para o mundo das coisas práticas. "Pessoas desejam lidar também com ideias e as produzirão e consumirão de uma forma ou de outra", declara. 

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