Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Educação
Enem tem menor número de ausentes desde 2009; 25% não fizeram a prova

Primeiro dia teve questões sobre feminismo e ditadura

Segunda, 5/11/2018 6:52.
EBC.

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ANGELA BOLDRINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) teve o menor índice de ausências desde 2009. Faltaram à aplicação de provas neste domingo (4) 1,3 milhão de candidatos, representando 25% do total de inscritos.

Os dados foram apresentados pelo Inep e o MEC (Ministério da Educação) após o final do primeiro dia do exame, em Brasília. Em 2017, não compareceram à prova 2 milhões de candidatos.

Se inscreveram no Enem 2018 5,5 milhões de pessoas. Destes, 4,1 fizeram a primeira parte da prova, que conteve questões de linguagem, ciências humanas e também a redação.

"O número ainda pode diminuir, porque só é considerado ausente o que faltar nos dois dias", afirmou o ministro da Educação, Rossieli Soares.

O estado com maior percentual de ausentes foi o Amazonas, onde 32% dos candidatos não compareceram. Já o menor índice foi constatado no estado do Piauí, onde apenas 18,5% deixaram de fazer o exame.

O MEC atribuiu a queda na ausência em parte ao novo sistema que exige que aqueles que faltem à prova tenham que se justificar, caso tenham se inscrito com gratuidade e queiram pleitear novamente o benefício no ano seguinte.

Além disso, foram registradas 71 eliminações no Enem de 2018. Duas pessoas foram detidas em Montes Claros (MG) utilizando pontos eletrônicos. Segundo a Polícia Federal, ambas as pessoas já estavam sendo monitoradas antes da prova.

Além dessas ocorrências, outros 67 inscritos foram eliminados por descumprimento de regras do edital, e dois por revista no detector de metais.

Em dois locais de prova, em Franca (SP) e Porto Nacional (TO), a falta de energia elétrica interrompeu a prova. Segundo o ministro, os estudantes devem fazer a segunda parte da prova no próximo domingo (11) normalmente e reporão o primeiro dia de prova em dezembro.

Cerca de 1.300 alunos foram prejudicados. Além destes, 30 locais de prova tiveram interrupção parcial de fornecimento de energia, mas a aplicação foi concluída.

A segunda parte do Enem, com 90 questões de matemática, biologia, química e física, será realizada no próximo domingo (11).

Primeiro dia do Enem tem questões sobre feminismo e ditadura

O primeiro dia de provas do Enem 2018 trouxe questões que abordaram temas como o papel da mulher na sociedade, feminicídio e democracia.

Neste primeiro domingo, o aluno teve de responder 45 questões da área de linguagens, que engloba conhecimentos de língua portuguesa, literatura e língua estrangeira (inglês ou espanhol), mais 45 questões distribuídas entre geografia e história, além de uma redação no gênero disssertativo-argumentativo. Neste ano, o tema da redação foi sobre o uso de dados virtuais para manipulação do usuário da internet.

Após duas horas de prova, os primeiros estudantes começaram a deixar as salas. Na Uninove da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, Igor Lacerda Pena, 21 anos, foi o primeiro a sair da prova do Enem. "De 0 a 10 em dificuldade, acho que a prova foi uns 7", conta. Segundo ele, as questões abordaram temas como feminicídio e violência doméstica. Ele já cursa a faculdade e fez a prova para tentar uma bolsa em outro curso.

A estudante Rafaela Santos,17, fez a prova pela primeira vez. Algumas das questões que lhe chamaram a atenção abordaram temas como feminismo e democracia. "O tema da redação foi interessante, mas muito difícil. Acho que semana que vem vai ser mais tranquilo, porque sou mais de exatas", conta.

Ricardo Silva, estudante de 20 anos, fez a prova pela primeira vez. Para ele, o tema da redação foi fácil: "Como foi sobre internet, que é uma coisa que temos bastante contato, foi bem tranquilo". Ele conta que os textos de apoio foram compostos por uma imagem com dados e um texto que questionava se os algoritmos priorizavam notícias com determinado ponto de vista. Ele disse que o tema que mais lhe chamou a atenção nas questões foi feminismo e o papel da mulher na sociedade. "Tinha umas nove questões sobre isso".

O professor Cláudio Hanse, do Descomplica, disse que as questões de geografia do Enem deste ano trouxeram maior grau de dificuldade do que nos anos anteriores. "Todo ano se vê um bom número de perguntas muito fáceis, equilibradas com outras não tão fáceis. Neste ano, houve uma queda no número de questões que podem ser consideradas muito fáceis", analisa.

Segundo ele, os textos de apoio, as perguntas e as respostas também eram mais densos do que nos anos anteriores, exigindo uma leitura atenta do aluno. Para ele, a abordagem de temas como democracia, ditadura e feminismo voltam a aproximar o Enem de discussões atuais da sociedade, diferente do que teria ocorrido na prova de 2017.

Já o professor Eduardo Valladares, também do Descomplica, diz que a prova manteve o nível elevado e um amplo número de estilos de textos diferentes: crônica, poesia, propagandas etc. "Nas questões de linguagem, foi exigido do aluno a habilidade do domínio do texto de maneira geral, e não tópicos e conceitos específicos da linguagem", diz.

Sobre este aspecto, o professor Claudio Caus, do Cursinho da Poli concorda. "Houve uma exigência menor de conteudismo, regras gramaticais específicas". Caus ressalta que o aluno tinha que estar pronto para entender diferentes variações do uso da língua portuguesa.

"Caiu questões até sobre o pajubá, que é uma variação da língua muito usada entre gays e que foi alçado ao status de dialeto. Portanto, era uma questão de linguística, mas que trazia conceitos de sociologia", comenta.

O professor de sociologia e filosofia Rafael Lancellote, do Cursinho da Poli, reforça essa ligação entre os conteúdos de sociologia e de linguagem. "Temas como racismo, questões de gênero e democracia estavam inseridos na prova de linguagem. Então, o aluno precisou ter uma capacidade de articulação entre os dois mundos".

Lancellote destaca ainda a questão de linguagem que trazia o eu-lírico negro usando discursos de opressão racial. Em outra questão, se tratou da importância dos direitos humanos para a construção de uma sociedade.

Já a prova de filosofia, para Lancellote, cobrou menos a capacidade de articular diferentes pensamentos e mais os conceitos de pensadores específicos. "Foram questões de história da filosofia. Quem dominasse um manual de filosofia poderia se sair bem".

Para José Maurício Mazzucco, professor e coordenador geografia, filosofia e sociologia do cursinho Objetivo, a prova deste domingo trouxe um bom equilíbrio entre as perguntas fáceis, médias e difíceis, o que facilita na avaliação do conhecimento dos candidatos.

Ele destaca as perguntas feitas sobre filosofia medieval, especificamente de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, temas que não são muito comuns em provas do tipo.

A segunda parte do Enem, com 90 questões de matemática, biologia, química e física, será realizada no próximo domingo (11).


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EBC.

Enem tem menor número de ausentes desde 2009; 25% não fizeram a prova

Primeiro dia teve questões sobre feminismo e ditadura

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Segunda, 5/11/2018 6:52.

ANGELA BOLDRINI
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) teve o menor índice de ausências desde 2009. Faltaram à aplicação de provas neste domingo (4) 1,3 milhão de candidatos, representando 25% do total de inscritos.

Os dados foram apresentados pelo Inep e o MEC (Ministério da Educação) após o final do primeiro dia do exame, em Brasília. Em 2017, não compareceram à prova 2 milhões de candidatos.

Se inscreveram no Enem 2018 5,5 milhões de pessoas. Destes, 4,1 fizeram a primeira parte da prova, que conteve questões de linguagem, ciências humanas e também a redação.

"O número ainda pode diminuir, porque só é considerado ausente o que faltar nos dois dias", afirmou o ministro da Educação, Rossieli Soares.

O estado com maior percentual de ausentes foi o Amazonas, onde 32% dos candidatos não compareceram. Já o menor índice foi constatado no estado do Piauí, onde apenas 18,5% deixaram de fazer o exame.

O MEC atribuiu a queda na ausência em parte ao novo sistema que exige que aqueles que faltem à prova tenham que se justificar, caso tenham se inscrito com gratuidade e queiram pleitear novamente o benefício no ano seguinte.

Além disso, foram registradas 71 eliminações no Enem de 2018. Duas pessoas foram detidas em Montes Claros (MG) utilizando pontos eletrônicos. Segundo a Polícia Federal, ambas as pessoas já estavam sendo monitoradas antes da prova.

Além dessas ocorrências, outros 67 inscritos foram eliminados por descumprimento de regras do edital, e dois por revista no detector de metais.

Em dois locais de prova, em Franca (SP) e Porto Nacional (TO), a falta de energia elétrica interrompeu a prova. Segundo o ministro, os estudantes devem fazer a segunda parte da prova no próximo domingo (11) normalmente e reporão o primeiro dia de prova em dezembro.

Cerca de 1.300 alunos foram prejudicados. Além destes, 30 locais de prova tiveram interrupção parcial de fornecimento de energia, mas a aplicação foi concluída.

A segunda parte do Enem, com 90 questões de matemática, biologia, química e física, será realizada no próximo domingo (11).

Primeiro dia do Enem tem questões sobre feminismo e ditadura

O primeiro dia de provas do Enem 2018 trouxe questões que abordaram temas como o papel da mulher na sociedade, feminicídio e democracia.

Neste primeiro domingo, o aluno teve de responder 45 questões da área de linguagens, que engloba conhecimentos de língua portuguesa, literatura e língua estrangeira (inglês ou espanhol), mais 45 questões distribuídas entre geografia e história, além de uma redação no gênero disssertativo-argumentativo. Neste ano, o tema da redação foi sobre o uso de dados virtuais para manipulação do usuário da internet.

Após duas horas de prova, os primeiros estudantes começaram a deixar as salas. Na Uninove da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, Igor Lacerda Pena, 21 anos, foi o primeiro a sair da prova do Enem. "De 0 a 10 em dificuldade, acho que a prova foi uns 7", conta. Segundo ele, as questões abordaram temas como feminicídio e violência doméstica. Ele já cursa a faculdade e fez a prova para tentar uma bolsa em outro curso.

A estudante Rafaela Santos,17, fez a prova pela primeira vez. Algumas das questões que lhe chamaram a atenção abordaram temas como feminismo e democracia. "O tema da redação foi interessante, mas muito difícil. Acho que semana que vem vai ser mais tranquilo, porque sou mais de exatas", conta.

Ricardo Silva, estudante de 20 anos, fez a prova pela primeira vez. Para ele, o tema da redação foi fácil: "Como foi sobre internet, que é uma coisa que temos bastante contato, foi bem tranquilo". Ele conta que os textos de apoio foram compostos por uma imagem com dados e um texto que questionava se os algoritmos priorizavam notícias com determinado ponto de vista. Ele disse que o tema que mais lhe chamou a atenção nas questões foi feminismo e o papel da mulher na sociedade. "Tinha umas nove questões sobre isso".

O professor Cláudio Hanse, do Descomplica, disse que as questões de geografia do Enem deste ano trouxeram maior grau de dificuldade do que nos anos anteriores. "Todo ano se vê um bom número de perguntas muito fáceis, equilibradas com outras não tão fáceis. Neste ano, houve uma queda no número de questões que podem ser consideradas muito fáceis", analisa.

Segundo ele, os textos de apoio, as perguntas e as respostas também eram mais densos do que nos anos anteriores, exigindo uma leitura atenta do aluno. Para ele, a abordagem de temas como democracia, ditadura e feminismo voltam a aproximar o Enem de discussões atuais da sociedade, diferente do que teria ocorrido na prova de 2017.

Já o professor Eduardo Valladares, também do Descomplica, diz que a prova manteve o nível elevado e um amplo número de estilos de textos diferentes: crônica, poesia, propagandas etc. "Nas questões de linguagem, foi exigido do aluno a habilidade do domínio do texto de maneira geral, e não tópicos e conceitos específicos da linguagem", diz.

Sobre este aspecto, o professor Claudio Caus, do Cursinho da Poli concorda. "Houve uma exigência menor de conteudismo, regras gramaticais específicas". Caus ressalta que o aluno tinha que estar pronto para entender diferentes variações do uso da língua portuguesa.

"Caiu questões até sobre o pajubá, que é uma variação da língua muito usada entre gays e que foi alçado ao status de dialeto. Portanto, era uma questão de linguística, mas que trazia conceitos de sociologia", comenta.

O professor de sociologia e filosofia Rafael Lancellote, do Cursinho da Poli, reforça essa ligação entre os conteúdos de sociologia e de linguagem. "Temas como racismo, questões de gênero e democracia estavam inseridos na prova de linguagem. Então, o aluno precisou ter uma capacidade de articulação entre os dois mundos".

Lancellote destaca ainda a questão de linguagem que trazia o eu-lírico negro usando discursos de opressão racial. Em outra questão, se tratou da importância dos direitos humanos para a construção de uma sociedade.

Já a prova de filosofia, para Lancellote, cobrou menos a capacidade de articular diferentes pensamentos e mais os conceitos de pensadores específicos. "Foram questões de história da filosofia. Quem dominasse um manual de filosofia poderia se sair bem".

Para José Maurício Mazzucco, professor e coordenador geografia, filosofia e sociologia do cursinho Objetivo, a prova deste domingo trouxe um bom equilíbrio entre as perguntas fáceis, médias e difíceis, o que facilita na avaliação do conhecimento dos candidatos.

Ele destaca as perguntas feitas sobre filosofia medieval, especificamente de São Tomás de Aquino e Santo Agostinho, temas que não são muito comuns em provas do tipo.

A segunda parte do Enem, com 90 questões de matemática, biologia, química e física, será realizada no próximo domingo (11).


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