Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Pandemia impactou fortemente a economia de Balneário Camboriú, mas o verão pode ajudar

Quase 90 lojas fechadas na avenida Brasil, o shopping a céu aberto de Balneário Camboriú

Quinta, 9/7/2020 9:17.

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Waldemar Cezar Neto

Entre primeiro de março e 30 de junho deste ano, milhares de trabalhadores perderam o emprego em Balneário Camboriú e a quantidade de empresas que abriram ou fecharam, em comparação com igual período do ano passado, sofreu significativa variação.

Neste ano, entre março e junho, foram abertas 1.106 empresas (207 das quais MEIs) e fechadas 397 (37 MEIs) enquanto que em 2019 abriram 1.451 (670 MEIs) e fecharam 380 (41 MEIs).

Balneário Camboriú é uma cidade repleta de microempreendedores, eles eram 12.115 em 31 de janeiro deste ano, 35% a mais do que havia em janeiro de 2019.

No entanto, é necessário que a economia aqueça para que esses pequenos empresários, em grande parte da área de serviços, recebam encomendas, o que parece não estar acontecendo neste momento.

O desemprego explodiu durante a pandemia, nos últimos quatro meses houve ingresso de 5.495 pedidos de seguro-desemprego, um aumento de 46% em comparação com igual período do ano passado.

Verão

A recuperação econômica de Balneário Camboriú depende da pandemia na temporada, parece consenso que não haverá turismo aquecido ao nível que a cidade necessita se a medicina não desenvolver tratamento eficaz ou vacina para a covid-19.

Um agravante para o nosso futuro imediato é o calendário escolar, muitas cidades provavelmente não terão férias de verão, inclusive a própria Balneário Camboriú onde isso já foi anunciado. As férias de verão foram antecipadas e estão acontecendo neste mês.

Sem férias, a temporada se concentrará entre Natal e Ano Novo, um bom período de 17 dias e aos finais de semana.


Quase 90 lojas fechadas na avenida Brasil, o ‘shopping a céu aberto’ de Balneário Camboriú

Comerciantes relatam situação econômica e expectativas para o futuro

Renata Rutes

A pandemia afetou fortemente o comércio de Balneário Camboriú que desde março vem colhendo faturamentos em média 50% mais baixos do que no mesmo período em 2019. Outro indicativo é o grande número de lojas vazias espalhadas pela cidade. Quem passa pela avenida Brasil, considerado o ‘shopping a céu aberto’ da cidade, pode constatar essa nova realidade: a reportagem do Página 3 apurou que somente na Avenida Brasil fecharam, desde março, quase 90 lojas.

Por este motivo, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade está lançando uma campanha incentivando a negociação dos aluguéis nesta importante área da cidade, para que os proprietários entendam a situação que os lojistas estão vivendo.

Campanhas de incentivo às vendas, como liquidações especiais, não podem acontecer, estão proibidas por decreto já que podem causar aglomerações. Mas há diversas promoções e condições especiais nos comércios, além de deliverys e vendas online.

Esta semana, a reportagem ouviu comerciantes dos mais diversos segmentos, que relataram suas experiências, os desafios enfrentados diariamente e a expectativa para o segundo semestre. Confira.

“Ainda que lentamente, o consumidor adquire certa confiança para voltar a comprar”

Vilton João Santos, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“Sem dúvida alguma, este tem sido um período desafiador para os empresários do setor. Os segmentos de vestuário, calçados e acessórios têm sido os mais prejudicados pelos efeitos da pandemia no consumo. Ainda assim, temos visto que, a medida que a economia volte ao normal, ainda que lentamente, o consumidor adquire certa confiança para voltar a comprar. É neste tipo de efeito, visto também em outros países do mundo, que temos focado nossos esforços e expectativas. Durante todo este período, a CDL tem buscado dialogar de perto com o poder público municipal para minimizar, ao máximo, os efeitos da pandemia no comércio local. Atualmente, também temos buscado incentivar, através de campanhas específicas, a valorização e o consumo no comércio de Balneário Camboriú. Também estamos dando inicio, nesta semana, à campanha de sensibilização para negociação de valores de aluguéis entre lojistas e proprietários de espaços comerciais. Em uma ação assinada pela Câmara Setorial da Avenida Brasil, a ideia é propor uma conversa franca e aberta para rever valores neste momento difícil para o setor”.

“Meu comércio é diferente por ser de rua”

Luciene Vieira com Lucas de Souza Luiz Shopmasp e Loja Luciene

Luciene Cristine Vieira é proprietária das lojas Luciene, na Avenida Central, e da Shopmasp (antiga Marcelo Sports), além de ser diretora de relações institucionais da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BC)

“A Loja Luciene está com 53 anos e a Shopmasp, antiga Marcelo Sports, com 40. A crise está sendo muito impactante. Parecido com agora talvez só no Plano Collor, mas esta está sendo muito marcante, porque é a nível mundial. Balneário Camboriú sempre tem um movimento diferente no verão, então ainda em março, antes da pandemia, fizemos um ajuste em nosso quadro de funcionários e fizemos algumas demissões. Com a pandemia, reajustamos as cargas horárias de acordo com o decreto federal. Também vamos dar a aposentadoria para três colaboradores em agosto, mas até agora conseguimos segurar e não demitimos ninguém. Em março e abril fechamos com queda de vendas nas duas lojas, na Luciente mensalmente a queda chega a cerca de 60%. Vendemos sapatos, vestidos de festa e ternos, e esse mercado está muito retraído. As pessoas têm saído muito pouco, e esse tipo de traje acaba sendo pouco procurado, sapatos menos ainda. A maioria do público segue fazendo home-office e está na pegada das roupas confortáveis. O que tínhamos de malha e moletom, roupas de sair mas com conforto, não temos mais quase nada. Jeans, roupas que precisam passar realmente estão com pouca procura. Já estamos vivendo o estresse por tudo que vem acontecendo, então as roupas precisam nos aquecer e trazer conforto. Já entre os sapatos, as pessoas estão procurando muito tênis, por isso na Shopmasp tivemos um aquecimento nas vendas. Por exemplo, em maio, o Mês das Mães, vendemos 20% a mais do que em 2019. Percebemos que as pessoas estão procurando muito calçado para esporte individual, como corrida e caminhada, yoga, pedal. Sapatos de esportes coletivos, como chuteiras e itens para vôlei, estocamos tudo. Antes o mercado do futebol era um dos nossos maiores e hoje não existe venda nenhuma. Meu comércio é diferente por ser de rua, normalmente temos um bom movimento até metade de cada mês, dias de chuva interferem também, fim de semana com muito sol as pessoas vão para outros lugares. Antes não tínhamos delivery, agora entregamos em casa ou a pessoa também pode comprar pelo site e retirar na loja, e tem feito muita diferença. Apesar de nossos clientes serem muitos moradores de Balneário, vejo que não podemos ficar sem temporada de verão. Quem é daqui vive de turismo, aluguel, transporte, restaurantes... então precisamos muito do verão. Esperamos que a situação melhore a partir de setembro, mas não controlamos a pandemia. O 7 de Setembro é normalmente muito bom, assim como as Festas de Outubro, mas sabemos que esse ano o turismo será mais regional. Como diretora da CDL vejo que há uma demanda muito grande de lojistas na Avenida Brasil que precisam negociar seus aluguéis, e muitos proprietários não estão aceitando. Muitas lojas estão fechando, já são cerca de 86 somente na Brasil. Em cima disso, a CDL está com a campanha incentivando uma conversa entre os lojistas e proprietários para negociar seus aluguéis. A Avenida Brasil é a vitrine do comércio, as pessoas vem para Balneário Camboriú para ir na praia e fazer compras, nosso comércio é muito rico, dinâmico, e agora a Avenida Brasil está muito insegura também, com as lojas fechadas, luzes apagadas. Balneário é famosa também pela segurança, e através da CDL estamos pedindo esse apoio dos proprietários e do poder público, que todo mundo olhe para a nossa Brasil com carinho. É o centro da cidade e não pode fechar. Os lojistas não querem sair, mas agora muitos não estão conseguindo o valor, aí entra a negociação, o aluguel reduzido por um tempo. Queremos sensibilizar o mercado e as pessoas quanto a isso. A pandemia mostrou ainda mais o nosso valor, falou-se muito do comércio não parar, somos o elo que liga a indústria, o mercado, com a comunidade. Acredito muito em Balneário, sempre estivemos na frente, com uma recuperação rápida, espero que consigamos mostrar adaptabilidade e a garra que sempre tivemos”.

“Esse medo trava as compras”

Sirlei Gallon, consultora de vendas da Carmem Confecções

“Nossas vendas caíram em 50, fomos bastante atingidos, assim como boa parte dos comerciantes. Fizemos duas demissões e o plano de redução da jornada do Governo Federal. Percebemos que aos poucos os clientes estão voltando, mas estão apreensivos, ainda há muito medo de sair por conta do vírus, e as pessoas estão ‘se virando’ com as roupas que têm. Esse medo trava as compras, assim como a parte financeira. Se as pessoas não ganham, elas não podem comprar. As peças mais procuradas neste momento têm sido as quentes, como lã, casacos, nada supérfluo, somente o que atende a necessidade do momento. Parcelamos em 10x no cartão de crédito, que antes não fazíamos, temos promoções em toda a coleção de inverno (de 15 a 50%), venda online e delivery também. Já estamos pensando no verão e acreditamos que até lá tudo vai estar melhor, o frio está deixando as pessoas mais apreensivas, mas a temporada tende a ser menor, já que não haverá férias, e há menos linhas aéreas. Acreditamos que os turistas virão de perto, e precisa haver um apoio do governo nesse aspecto, um incentivo. Estamos começando tudo de novo, de grão em grão. No momento ainda estamos ‘no escuro’. Participamos também do grupo da Avenida Brasil da CDL e realmente a realidade é preocupante. Se há mais concorrência (lojas funcionando) há mais movimento, e hoje há poucas pessoas andando pela Brasil. Chega o fim da tarde, com muitas salas fechadas, as pessoas ficam com medo. E acaba sendo preocupante, porque a segurança acaba sendo mais uma questão. Estamos vivendo um cenário muito tenso, um dia de cada vez. Há insegurança e incerteza, mas estamos caminhando”.

“Está difícil para nós a venda local e o fornecimento de mercadoria”

Cláudia Roberta Coelho Dagnoni, proprietária da loja de beachwear e fitness Mar Rio

“Como as mercadorias não podem ser provadas, por mais que a pessoa volte para a academia, que queira novidade, ela não vai comprar sem provar. A gente até tem vendido para clientes que já eram clientes e sabem seu tamanho em determinada marca, mas há outro problema: não recebemos nenhuma novidade. Recebemos mercadoria de inverno entre março e abril e estávamos fechados. Quando reabrimos, a fábrica, que fica no interior do Rio de Janeiro fechou. Só começamos a receber novas mercadorias agora. Está difícil para nós a venda local e o fornecimento de mercadoria, e calculo que essa invertida de estações, esse negócio de fábrica poder trabalhar só 50% vai acarretar em um atraso de entregas, até da coleção em si. Creio que as coleções de verão só sairão em outubro, antes recebíamos em junho, julho; em setembro já estávamos quase com a coleção completa de verão. Ano passado tivemos a greve dos caminhoneiros, a ausência dos argentinos que também causou um problema econômico, a gente já sofre com a sazonalidade, mas esse ano está ainda mais atípico. As datas comemorativas, Dia das Mães, Dia dos Namorados, não foram o que esperávamos. Várias amigas, de vários setores, também sofreram na Páscoa. Sempre contávamos com férias de julho, Oktober, toda a perspectiva de anos anteriores, de faturamento e compras, foi de água abaixo. Acredito que não só eu, mas todos os empresários da cidade, estão começando do zero, revendo todo o planejamento da empresa. Balneário Camboriú possui um público bem exigente, os melhores comércios estão aqui, e sempre inovamos muito, com vitrines e lojas lindas, mas o que vem ajudando muito agora são as redes sociais. Nosso público são jovens senhoras e bem ligadas nas redes sociais, temos às vezes compra online, mas as redes são uma vitrine, elas já chegam na loja sabendo o que querem. Acredito que essa está sendo a pior crise econômica dos últimos tempos porque não é algo localizado, é mundial. Quem trabalha com importados está sofrendo, com produtos nacionais também. Estamos sendo muito castigados, todos os setores, e por isso paira a insegurança, a instabilidade, tem hora que a gente pensa ‘planejar como? Se nem o fornecedor sabe se vai fornecer?’. Sempre temos esperança que no fim do segundo semestre teremos uma temporada, mas esse ano não temos essa certeza. Graças a Deus temos a praia, o calor, muitas pessoas que tem apartamento aqui e são de outras cidades e estados. Acredito que o segundo semestre será melhor, mas não tão bom quanto os anteriores. A gente não pode perder a esperança nunca, eu amo o comércio, gosto de lidar com o público – que agora está bem restrito. Tenho muitas clientes que passavam pra gente bater um papo, e esse contato faz muita falta, acredito que logo isso tudo vai passar. Para mim a temporada, o sol, está logo aí, assim como a nossa esperança”.

“Esperamos sair desta crise ainda mais fortes”

Tania Mirian Mounic, propriétaria da Loja Du Rio Cosméticos

“Como para todo o setor varejista que ficou fechado por 26 dias, desde 18 de março até 13 de abril de 2020, a pandemia nos colocou frente a uma terrível queda de faturamento nos meses de março e abril. A partir do mês de maio o faturamento começou a retornar, sendo que esperamos já no mês de julho começar a trabalhar o objetivo de atingir valores próximos aos anteriores à pandemia. Acreditamos que a recuperação está acontecendo graças a reabertura da economia e as políticas de sustentação de renda e emprego adotadas pelo governo federal. Para o enfrentamento desta crise contamos com o forte entendimento com fornecedores e a colaboração e engajamento dos nossos colaboradores. O Dia das Mães e o Dia dos Namorados incrementaram um pouco as vendas, mas ainda não atingindo os valores de 2019. Notamos que está acontecendo uma mudança no mix de vendas. Produtos de higiene pessoal, cabelos (principalmente tinturas), unhas, maquiagem de olhos e tratamento facial estão cada vez mais em alta. No período de proibição de vendas presenciais decidimos tentar delivery e entregas a domicílio. Isso nos ensinou a importância da utilização das redes sociais. Hoje estamos mais ativos fazendo divulgação das novidades e distribuição de brindes através do Instagram e da utilização do WhatsApp para atendimento online dos clientes. Nossa empresa já está em atividade há mais de 20 anos, sempre no mesmo endereço na Avenida Brasil. Sem dúvidas esta tem sido a maior crise enfrentada em toda a história da empresa; mesmo assim com a experiência acumulada no enfrentamento de crises anteriores esperamos sair desta ainda mais fortes. Percebemos que muitas empresas da Avenida Brasil encerraram suas atividades neste período de pandemia. Isso é triste porque uma das atrações turísticas de Balneário Camboriú é, sem dúvida alguma, o comércio da Avenida Brasil. A maioria do comércio mais tradicional ainda resiste à crise e acredito que os que conseguirem equacionar problemas de aluguéis e manutenção do fluxo de compras com os fornecedores devem sair fortalecidos da crise. Participamos de diversas entidades de classe de empresários como CDL, CDL Mulher, Empresários da Avenida Brasil, entre outras, isso nos fornece a possibilidade de troca de experiências, motivação e até mesmo cuidado e vigilância mútua. Esperamos que a pandemia traga para a pauta política a necessidade do incremento do trabalho formal com políticas de incentivo através da diminuição dos custos tributários da folha salarial e desburocratização dos contratos. Também é fundamental a reforma tributária com vistas à equalização da carga de impostos retirando o peso que hoje exerce sobre o consumo”.

“Percebemos uma demanda reprimida, e tivemos um faturamento bem melhor do que 2019”

Rosemari Tomazoni, proprietária da loja Leo Cama, Mesa e Banho e vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Atacadista (Sindilojas)

“Em 18 de março fechamos a loja. Estávamos vendendo bem, porque estávamos com turistas da terceira idade na cidade, e acabamos fechando com 50% abaixo das vendas em relação a 2019. Abril foi praticamente inexistente e em maio atingimos o mesmo número de vendas do ano passado. Em junho percebemos uma demanda reprimida, e tivemos um faturamento bem melhor do que 2019, 23% acima, o que consideramos ótimo. Em função de muitas pessoas estarem em casa, vendo o que precisavam, querendo artigos novos. Julho, até o momento, está com os mesmos números. Nosso diferencial são as vendas pelo WhatsApp e Instagram, estamos procurando inovar, divulgando online, e isso está resultando em vendas melhoras. Estamos há mais de 30 anos na Avenida Brasil e isso tudo foi um susto, e como em julho não teremos as férias, o que vier é lucro (risos). Realmente está faltando negociação com os proprietários, em relação aos aluguéis, muitas lojas já haviam ficado abaixo do esperado desde a temporada de verão, que não foi a melhor dos últimos anos, então os lojistas já estavam insatisfeitos, mas existe um percentual de fechamento pela pandemia também. A renegociação tem sido difícil, e isso também acaba frustrando. Sou muito realista, mas também sou otimista, acredito que novos investidores virão para a nossa cidade, inclusive pontos que antes eram de outros lojistas estão abrindo com novas lojas. Se fosse em outra situação, teríamos números e metas alcançadas, mas somos otimistas pelo trabalho e tradição que prezamos na Leo. Esperamos seguir de portas abertas e estamos vibrando e otimistas para que Balneário passe por isso logo”.

“Foi a crise que mais atingiu a minha empresa”

Eunice Jose Mariano, proprietária da Artezanalle Móveis

“Maio e junho foram meses bem expressivos em venda, superou minhas expectativas. Foram dentro da média, como se fosse um ano que não tivesse acontecido nada. A única coisa que mudou foram mais vendas por telefone, os clientes fecharam várias vendas assim; e quem está indo até a loja é um público que está indo sem arquiteto. Geralmente vendemos mais com arquitetos, então acabamos mudando o nosso público com a pandemia. O cliente que está nos procurando já buscando algo específico. O meu produto não é algo que procuram para presentear, por isso não sentimos tanto as datas comemorativas, já que são produtos para casa. Tenho loja há 22 anos e realmente essa foi a crise que mais deu impacto. Não está fácil trabalhar o mercado, foi a crise que mais atingiu a minha empresa. As crises antigamente no quinto mês já estávamos decolando, e agora já estamos há dois anos em crise e agora piorou muito. O governo diz que está fazendo, que está dando crédito para as empresas, mas nada acontece, não conseguimos nenhuma ajuda, a não ser colocar os funcionários em suspensão, mas isso também não resolve o problema em si. O governo deveria facilitar, dar um crédito em banco, mas quando você procura na prática é bem diferente. Essa é a parte que está mais difícil”.

“Desde a reabertura nosso movimento tem aumentado”

Alini Faqueti, gestora do Armazém do Colono

“Aqui no Armazém do Colono percebemos duas mudanças interessantes: o aumento da procura por produtos que fortalecem o sistema imunológico, como própolis, chás e suplementos alimentares; e uma oscilação na venda de determinados produtos de acordo com o isolamento social. No início da pandemia, onde o isolamento social foi mais intenso, os produtos mais procurados eram farinhas, cereais, leguminosas e temperos, já que as pessoas tinham mais tempo de cozinhar. Com a reabertura do comércio, porém, os alimentos prontos para o consumo e congelados voltaram a ganhar espaço na rotina alimentar de nossos clientes. E falando em clientes, os nossos continuam super fiéis! Felizmente o momento tem propiciado que, além de nossos habituais clientes, novas pessoas procurem uma alimentação saudável e venham até nós. Nossa loja ficou fechada por duas semanas, logo no inicio da pandemia, mas desde a reabertura nosso movimento tem aumentado e muito! Tivemos obviamente um prejuízo no período que ficamos fechados, mas agora já está tudo normalizado. Para melhorar as vendas e conseguir manter as regras necessárias, temos incentivado os pedidos pelo WhatsApp, tanto para entregas como para retirada na loja. Já nossas promoções têm sido direcionadas ao fortalecimento do sistema imunológico, tão importante nesse momento! Nesse mês de julho, por exemplo, temos um suplemento alimentar específico para esse fim, a base de zinco, vitamina C e vitamina D! Para reduzir os impactos econômicos da crise, optamos por fazer a redução de jornada de trabalho e dividir a equipe de vendas em dois turnos. Felizmente precisamos desse recurso por apenas dois meses e agora já estamos com a equipe toda em jornada íntegra. Para o segundo semestre pretendemos ampliar as vendas online com o lançamento do nosso e-commerce! A ideia é que possamos atender com mais conforto e agilidade aos queridos e fieis clientes, bem como nos aproximar daqueles que buscam saúde e qualidade de vida por meio da alimentação”.

“Considero a pior crise que já vivi como lojista”

Juliana Jaques Vidotto, proprietária da Cacau Show do Balneário Shopping

“Está bem complicado o cenário, pois mesmo inovando com atendimentos por diversos canais como WhatsApp, iFood e e-commerce as vendas estão 50% abaixo do ano passado. Para nossa operação já estamos sofrendo desde a Páscoa, onde estávamos com o shopping fechado. Depois Dia das Mães ficamos quase 70% abaixo e Dia dos Namorados foi um pouco melhor, chegando a 50% do faturamento de 2019. Inovar é imprescindível para este momento. O auxílio dos locadores também, porque não temos como manter todas as despesas com metade do faturamento. Na Páscoa fizemos o drive-thru junto com o Balneário Shopping e foi muito importante para o nosso faturamento. No período de campanha de Páscoa fiz 20% da minha meta, mas tive que repassar muita coisa para outras lojas que estavam abertas e ainda tenho ovos na promoção hoje (compre um e leve dois), coisa que em 12 anos que sou lojista nunca aconteceu. Considero a pior crise que já vivi como lojista, mas temos uma expectativa de melhora, sim! Mas com o agravo do número de casos na cidade acho que isso deve acontecer mais para o fim do semestre. Nossa próxima grande campanha será o Natal e já penso que 60-70% da campanha vendida já será um grande resultado. O Balneário Shopping vem demonstrando simpatia em atender o lojista e analisando o cenário para que juntos possamos passar por este momento, CDL e Acibalc tem tido importantes papéis junto a atual administração pública, tentando de alguma forma amenizar o cenário”.



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Pandemia impactou fortemente a economia de Balneário Camboriú, mas o verão pode ajudar

Quase 90 lojas fechadas na avenida Brasil, o shopping a céu aberto de Balneário Camboriú

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Quinta, 9/7/2020 9:17.
Waldemar Cezar Neto

Entre primeiro de março e 30 de junho deste ano, milhares de trabalhadores perderam o emprego em Balneário Camboriú e a quantidade de empresas que abriram ou fecharam, em comparação com igual período do ano passado, sofreu significativa variação.

Neste ano, entre março e junho, foram abertas 1.106 empresas (207 das quais MEIs) e fechadas 397 (37 MEIs) enquanto que em 2019 abriram 1.451 (670 MEIs) e fecharam 380 (41 MEIs).

Balneário Camboriú é uma cidade repleta de microempreendedores, eles eram 12.115 em 31 de janeiro deste ano, 35% a mais do que havia em janeiro de 2019.

No entanto, é necessário que a economia aqueça para que esses pequenos empresários, em grande parte da área de serviços, recebam encomendas, o que parece não estar acontecendo neste momento.

O desemprego explodiu durante a pandemia, nos últimos quatro meses houve ingresso de 5.495 pedidos de seguro-desemprego, um aumento de 46% em comparação com igual período do ano passado.

Verão

A recuperação econômica de Balneário Camboriú depende da pandemia na temporada, parece consenso que não haverá turismo aquecido ao nível que a cidade necessita se a medicina não desenvolver tratamento eficaz ou vacina para a covid-19.

Um agravante para o nosso futuro imediato é o calendário escolar, muitas cidades provavelmente não terão férias de verão, inclusive a própria Balneário Camboriú onde isso já foi anunciado. As férias de verão foram antecipadas e estão acontecendo neste mês.

Sem férias, a temporada se concentrará entre Natal e Ano Novo, um bom período de 17 dias e aos finais de semana.


Quase 90 lojas fechadas na avenida Brasil, o ‘shopping a céu aberto’ de Balneário Camboriú

Comerciantes relatam situação econômica e expectativas para o futuro

Renata Rutes

A pandemia afetou fortemente o comércio de Balneário Camboriú que desde março vem colhendo faturamentos em média 50% mais baixos do que no mesmo período em 2019. Outro indicativo é o grande número de lojas vazias espalhadas pela cidade. Quem passa pela avenida Brasil, considerado o ‘shopping a céu aberto’ da cidade, pode constatar essa nova realidade: a reportagem do Página 3 apurou que somente na Avenida Brasil fecharam, desde março, quase 90 lojas.

Por este motivo, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade está lançando uma campanha incentivando a negociação dos aluguéis nesta importante área da cidade, para que os proprietários entendam a situação que os lojistas estão vivendo.

Campanhas de incentivo às vendas, como liquidações especiais, não podem acontecer, estão proibidas por decreto já que podem causar aglomerações. Mas há diversas promoções e condições especiais nos comércios, além de deliverys e vendas online.

Esta semana, a reportagem ouviu comerciantes dos mais diversos segmentos, que relataram suas experiências, os desafios enfrentados diariamente e a expectativa para o segundo semestre. Confira.

“Ainda que lentamente, o consumidor adquire certa confiança para voltar a comprar”

Vilton João Santos, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Balneário Camboriú

“Sem dúvida alguma, este tem sido um período desafiador para os empresários do setor. Os segmentos de vestuário, calçados e acessórios têm sido os mais prejudicados pelos efeitos da pandemia no consumo. Ainda assim, temos visto que, a medida que a economia volte ao normal, ainda que lentamente, o consumidor adquire certa confiança para voltar a comprar. É neste tipo de efeito, visto também em outros países do mundo, que temos focado nossos esforços e expectativas. Durante todo este período, a CDL tem buscado dialogar de perto com o poder público municipal para minimizar, ao máximo, os efeitos da pandemia no comércio local. Atualmente, também temos buscado incentivar, através de campanhas específicas, a valorização e o consumo no comércio de Balneário Camboriú. Também estamos dando inicio, nesta semana, à campanha de sensibilização para negociação de valores de aluguéis entre lojistas e proprietários de espaços comerciais. Em uma ação assinada pela Câmara Setorial da Avenida Brasil, a ideia é propor uma conversa franca e aberta para rever valores neste momento difícil para o setor”.

“Meu comércio é diferente por ser de rua”

Luciene Vieira com Lucas de Souza Luiz Shopmasp e Loja Luciene

Luciene Cristine Vieira é proprietária das lojas Luciene, na Avenida Central, e da Shopmasp (antiga Marcelo Sports), além de ser diretora de relações institucionais da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BC)

“A Loja Luciene está com 53 anos e a Shopmasp, antiga Marcelo Sports, com 40. A crise está sendo muito impactante. Parecido com agora talvez só no Plano Collor, mas esta está sendo muito marcante, porque é a nível mundial. Balneário Camboriú sempre tem um movimento diferente no verão, então ainda em março, antes da pandemia, fizemos um ajuste em nosso quadro de funcionários e fizemos algumas demissões. Com a pandemia, reajustamos as cargas horárias de acordo com o decreto federal. Também vamos dar a aposentadoria para três colaboradores em agosto, mas até agora conseguimos segurar e não demitimos ninguém. Em março e abril fechamos com queda de vendas nas duas lojas, na Luciente mensalmente a queda chega a cerca de 60%. Vendemos sapatos, vestidos de festa e ternos, e esse mercado está muito retraído. As pessoas têm saído muito pouco, e esse tipo de traje acaba sendo pouco procurado, sapatos menos ainda. A maioria do público segue fazendo home-office e está na pegada das roupas confortáveis. O que tínhamos de malha e moletom, roupas de sair mas com conforto, não temos mais quase nada. Jeans, roupas que precisam passar realmente estão com pouca procura. Já estamos vivendo o estresse por tudo que vem acontecendo, então as roupas precisam nos aquecer e trazer conforto. Já entre os sapatos, as pessoas estão procurando muito tênis, por isso na Shopmasp tivemos um aquecimento nas vendas. Por exemplo, em maio, o Mês das Mães, vendemos 20% a mais do que em 2019. Percebemos que as pessoas estão procurando muito calçado para esporte individual, como corrida e caminhada, yoga, pedal. Sapatos de esportes coletivos, como chuteiras e itens para vôlei, estocamos tudo. Antes o mercado do futebol era um dos nossos maiores e hoje não existe venda nenhuma. Meu comércio é diferente por ser de rua, normalmente temos um bom movimento até metade de cada mês, dias de chuva interferem também, fim de semana com muito sol as pessoas vão para outros lugares. Antes não tínhamos delivery, agora entregamos em casa ou a pessoa também pode comprar pelo site e retirar na loja, e tem feito muita diferença. Apesar de nossos clientes serem muitos moradores de Balneário, vejo que não podemos ficar sem temporada de verão. Quem é daqui vive de turismo, aluguel, transporte, restaurantes... então precisamos muito do verão. Esperamos que a situação melhore a partir de setembro, mas não controlamos a pandemia. O 7 de Setembro é normalmente muito bom, assim como as Festas de Outubro, mas sabemos que esse ano o turismo será mais regional. Como diretora da CDL vejo que há uma demanda muito grande de lojistas na Avenida Brasil que precisam negociar seus aluguéis, e muitos proprietários não estão aceitando. Muitas lojas estão fechando, já são cerca de 86 somente na Brasil. Em cima disso, a CDL está com a campanha incentivando uma conversa entre os lojistas e proprietários para negociar seus aluguéis. A Avenida Brasil é a vitrine do comércio, as pessoas vem para Balneário Camboriú para ir na praia e fazer compras, nosso comércio é muito rico, dinâmico, e agora a Avenida Brasil está muito insegura também, com as lojas fechadas, luzes apagadas. Balneário é famosa também pela segurança, e através da CDL estamos pedindo esse apoio dos proprietários e do poder público, que todo mundo olhe para a nossa Brasil com carinho. É o centro da cidade e não pode fechar. Os lojistas não querem sair, mas agora muitos não estão conseguindo o valor, aí entra a negociação, o aluguel reduzido por um tempo. Queremos sensibilizar o mercado e as pessoas quanto a isso. A pandemia mostrou ainda mais o nosso valor, falou-se muito do comércio não parar, somos o elo que liga a indústria, o mercado, com a comunidade. Acredito muito em Balneário, sempre estivemos na frente, com uma recuperação rápida, espero que consigamos mostrar adaptabilidade e a garra que sempre tivemos”.

“Esse medo trava as compras”

Sirlei Gallon, consultora de vendas da Carmem Confecções

“Nossas vendas caíram em 50, fomos bastante atingidos, assim como boa parte dos comerciantes. Fizemos duas demissões e o plano de redução da jornada do Governo Federal. Percebemos que aos poucos os clientes estão voltando, mas estão apreensivos, ainda há muito medo de sair por conta do vírus, e as pessoas estão ‘se virando’ com as roupas que têm. Esse medo trava as compras, assim como a parte financeira. Se as pessoas não ganham, elas não podem comprar. As peças mais procuradas neste momento têm sido as quentes, como lã, casacos, nada supérfluo, somente o que atende a necessidade do momento. Parcelamos em 10x no cartão de crédito, que antes não fazíamos, temos promoções em toda a coleção de inverno (de 15 a 50%), venda online e delivery também. Já estamos pensando no verão e acreditamos que até lá tudo vai estar melhor, o frio está deixando as pessoas mais apreensivas, mas a temporada tende a ser menor, já que não haverá férias, e há menos linhas aéreas. Acreditamos que os turistas virão de perto, e precisa haver um apoio do governo nesse aspecto, um incentivo. Estamos começando tudo de novo, de grão em grão. No momento ainda estamos ‘no escuro’. Participamos também do grupo da Avenida Brasil da CDL e realmente a realidade é preocupante. Se há mais concorrência (lojas funcionando) há mais movimento, e hoje há poucas pessoas andando pela Brasil. Chega o fim da tarde, com muitas salas fechadas, as pessoas ficam com medo. E acaba sendo preocupante, porque a segurança acaba sendo mais uma questão. Estamos vivendo um cenário muito tenso, um dia de cada vez. Há insegurança e incerteza, mas estamos caminhando”.

“Está difícil para nós a venda local e o fornecimento de mercadoria”

Cláudia Roberta Coelho Dagnoni, proprietária da loja de beachwear e fitness Mar Rio

“Como as mercadorias não podem ser provadas, por mais que a pessoa volte para a academia, que queira novidade, ela não vai comprar sem provar. A gente até tem vendido para clientes que já eram clientes e sabem seu tamanho em determinada marca, mas há outro problema: não recebemos nenhuma novidade. Recebemos mercadoria de inverno entre março e abril e estávamos fechados. Quando reabrimos, a fábrica, que fica no interior do Rio de Janeiro fechou. Só começamos a receber novas mercadorias agora. Está difícil para nós a venda local e o fornecimento de mercadoria, e calculo que essa invertida de estações, esse negócio de fábrica poder trabalhar só 50% vai acarretar em um atraso de entregas, até da coleção em si. Creio que as coleções de verão só sairão em outubro, antes recebíamos em junho, julho; em setembro já estávamos quase com a coleção completa de verão. Ano passado tivemos a greve dos caminhoneiros, a ausência dos argentinos que também causou um problema econômico, a gente já sofre com a sazonalidade, mas esse ano está ainda mais atípico. As datas comemorativas, Dia das Mães, Dia dos Namorados, não foram o que esperávamos. Várias amigas, de vários setores, também sofreram na Páscoa. Sempre contávamos com férias de julho, Oktober, toda a perspectiva de anos anteriores, de faturamento e compras, foi de água abaixo. Acredito que não só eu, mas todos os empresários da cidade, estão começando do zero, revendo todo o planejamento da empresa. Balneário Camboriú possui um público bem exigente, os melhores comércios estão aqui, e sempre inovamos muito, com vitrines e lojas lindas, mas o que vem ajudando muito agora são as redes sociais. Nosso público são jovens senhoras e bem ligadas nas redes sociais, temos às vezes compra online, mas as redes são uma vitrine, elas já chegam na loja sabendo o que querem. Acredito que essa está sendo a pior crise econômica dos últimos tempos porque não é algo localizado, é mundial. Quem trabalha com importados está sofrendo, com produtos nacionais também. Estamos sendo muito castigados, todos os setores, e por isso paira a insegurança, a instabilidade, tem hora que a gente pensa ‘planejar como? Se nem o fornecedor sabe se vai fornecer?’. Sempre temos esperança que no fim do segundo semestre teremos uma temporada, mas esse ano não temos essa certeza. Graças a Deus temos a praia, o calor, muitas pessoas que tem apartamento aqui e são de outras cidades e estados. Acredito que o segundo semestre será melhor, mas não tão bom quanto os anteriores. A gente não pode perder a esperança nunca, eu amo o comércio, gosto de lidar com o público – que agora está bem restrito. Tenho muitas clientes que passavam pra gente bater um papo, e esse contato faz muita falta, acredito que logo isso tudo vai passar. Para mim a temporada, o sol, está logo aí, assim como a nossa esperança”.

“Esperamos sair desta crise ainda mais fortes”

Tania Mirian Mounic, propriétaria da Loja Du Rio Cosméticos

“Como para todo o setor varejista que ficou fechado por 26 dias, desde 18 de março até 13 de abril de 2020, a pandemia nos colocou frente a uma terrível queda de faturamento nos meses de março e abril. A partir do mês de maio o faturamento começou a retornar, sendo que esperamos já no mês de julho começar a trabalhar o objetivo de atingir valores próximos aos anteriores à pandemia. Acreditamos que a recuperação está acontecendo graças a reabertura da economia e as políticas de sustentação de renda e emprego adotadas pelo governo federal. Para o enfrentamento desta crise contamos com o forte entendimento com fornecedores e a colaboração e engajamento dos nossos colaboradores. O Dia das Mães e o Dia dos Namorados incrementaram um pouco as vendas, mas ainda não atingindo os valores de 2019. Notamos que está acontecendo uma mudança no mix de vendas. Produtos de higiene pessoal, cabelos (principalmente tinturas), unhas, maquiagem de olhos e tratamento facial estão cada vez mais em alta. No período de proibição de vendas presenciais decidimos tentar delivery e entregas a domicílio. Isso nos ensinou a importância da utilização das redes sociais. Hoje estamos mais ativos fazendo divulgação das novidades e distribuição de brindes através do Instagram e da utilização do WhatsApp para atendimento online dos clientes. Nossa empresa já está em atividade há mais de 20 anos, sempre no mesmo endereço na Avenida Brasil. Sem dúvidas esta tem sido a maior crise enfrentada em toda a história da empresa; mesmo assim com a experiência acumulada no enfrentamento de crises anteriores esperamos sair desta ainda mais fortes. Percebemos que muitas empresas da Avenida Brasil encerraram suas atividades neste período de pandemia. Isso é triste porque uma das atrações turísticas de Balneário Camboriú é, sem dúvida alguma, o comércio da Avenida Brasil. A maioria do comércio mais tradicional ainda resiste à crise e acredito que os que conseguirem equacionar problemas de aluguéis e manutenção do fluxo de compras com os fornecedores devem sair fortalecidos da crise. Participamos de diversas entidades de classe de empresários como CDL, CDL Mulher, Empresários da Avenida Brasil, entre outras, isso nos fornece a possibilidade de troca de experiências, motivação e até mesmo cuidado e vigilância mútua. Esperamos que a pandemia traga para a pauta política a necessidade do incremento do trabalho formal com políticas de incentivo através da diminuição dos custos tributários da folha salarial e desburocratização dos contratos. Também é fundamental a reforma tributária com vistas à equalização da carga de impostos retirando o peso que hoje exerce sobre o consumo”.

“Percebemos uma demanda reprimida, e tivemos um faturamento bem melhor do que 2019”

Rosemari Tomazoni, proprietária da loja Leo Cama, Mesa e Banho e vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Atacadista (Sindilojas)

“Em 18 de março fechamos a loja. Estávamos vendendo bem, porque estávamos com turistas da terceira idade na cidade, e acabamos fechando com 50% abaixo das vendas em relação a 2019. Abril foi praticamente inexistente e em maio atingimos o mesmo número de vendas do ano passado. Em junho percebemos uma demanda reprimida, e tivemos um faturamento bem melhor do que 2019, 23% acima, o que consideramos ótimo. Em função de muitas pessoas estarem em casa, vendo o que precisavam, querendo artigos novos. Julho, até o momento, está com os mesmos números. Nosso diferencial são as vendas pelo WhatsApp e Instagram, estamos procurando inovar, divulgando online, e isso está resultando em vendas melhoras. Estamos há mais de 30 anos na Avenida Brasil e isso tudo foi um susto, e como em julho não teremos as férias, o que vier é lucro (risos). Realmente está faltando negociação com os proprietários, em relação aos aluguéis, muitas lojas já haviam ficado abaixo do esperado desde a temporada de verão, que não foi a melhor dos últimos anos, então os lojistas já estavam insatisfeitos, mas existe um percentual de fechamento pela pandemia também. A renegociação tem sido difícil, e isso também acaba frustrando. Sou muito realista, mas também sou otimista, acredito que novos investidores virão para a nossa cidade, inclusive pontos que antes eram de outros lojistas estão abrindo com novas lojas. Se fosse em outra situação, teríamos números e metas alcançadas, mas somos otimistas pelo trabalho e tradição que prezamos na Leo. Esperamos seguir de portas abertas e estamos vibrando e otimistas para que Balneário passe por isso logo”.

“Foi a crise que mais atingiu a minha empresa”

Eunice Jose Mariano, proprietária da Artezanalle Móveis

“Maio e junho foram meses bem expressivos em venda, superou minhas expectativas. Foram dentro da média, como se fosse um ano que não tivesse acontecido nada. A única coisa que mudou foram mais vendas por telefone, os clientes fecharam várias vendas assim; e quem está indo até a loja é um público que está indo sem arquiteto. Geralmente vendemos mais com arquitetos, então acabamos mudando o nosso público com a pandemia. O cliente que está nos procurando já buscando algo específico. O meu produto não é algo que procuram para presentear, por isso não sentimos tanto as datas comemorativas, já que são produtos para casa. Tenho loja há 22 anos e realmente essa foi a crise que mais deu impacto. Não está fácil trabalhar o mercado, foi a crise que mais atingiu a minha empresa. As crises antigamente no quinto mês já estávamos decolando, e agora já estamos há dois anos em crise e agora piorou muito. O governo diz que está fazendo, que está dando crédito para as empresas, mas nada acontece, não conseguimos nenhuma ajuda, a não ser colocar os funcionários em suspensão, mas isso também não resolve o problema em si. O governo deveria facilitar, dar um crédito em banco, mas quando você procura na prática é bem diferente. Essa é a parte que está mais difícil”.

“Desde a reabertura nosso movimento tem aumentado”

Alini Faqueti, gestora do Armazém do Colono

“Aqui no Armazém do Colono percebemos duas mudanças interessantes: o aumento da procura por produtos que fortalecem o sistema imunológico, como própolis, chás e suplementos alimentares; e uma oscilação na venda de determinados produtos de acordo com o isolamento social. No início da pandemia, onde o isolamento social foi mais intenso, os produtos mais procurados eram farinhas, cereais, leguminosas e temperos, já que as pessoas tinham mais tempo de cozinhar. Com a reabertura do comércio, porém, os alimentos prontos para o consumo e congelados voltaram a ganhar espaço na rotina alimentar de nossos clientes. E falando em clientes, os nossos continuam super fiéis! Felizmente o momento tem propiciado que, além de nossos habituais clientes, novas pessoas procurem uma alimentação saudável e venham até nós. Nossa loja ficou fechada por duas semanas, logo no inicio da pandemia, mas desde a reabertura nosso movimento tem aumentado e muito! Tivemos obviamente um prejuízo no período que ficamos fechados, mas agora já está tudo normalizado. Para melhorar as vendas e conseguir manter as regras necessárias, temos incentivado os pedidos pelo WhatsApp, tanto para entregas como para retirada na loja. Já nossas promoções têm sido direcionadas ao fortalecimento do sistema imunológico, tão importante nesse momento! Nesse mês de julho, por exemplo, temos um suplemento alimentar específico para esse fim, a base de zinco, vitamina C e vitamina D! Para reduzir os impactos econômicos da crise, optamos por fazer a redução de jornada de trabalho e dividir a equipe de vendas em dois turnos. Felizmente precisamos desse recurso por apenas dois meses e agora já estamos com a equipe toda em jornada íntegra. Para o segundo semestre pretendemos ampliar as vendas online com o lançamento do nosso e-commerce! A ideia é que possamos atender com mais conforto e agilidade aos queridos e fieis clientes, bem como nos aproximar daqueles que buscam saúde e qualidade de vida por meio da alimentação”.

“Considero a pior crise que já vivi como lojista”

Juliana Jaques Vidotto, proprietária da Cacau Show do Balneário Shopping

“Está bem complicado o cenário, pois mesmo inovando com atendimentos por diversos canais como WhatsApp, iFood e e-commerce as vendas estão 50% abaixo do ano passado. Para nossa operação já estamos sofrendo desde a Páscoa, onde estávamos com o shopping fechado. Depois Dia das Mães ficamos quase 70% abaixo e Dia dos Namorados foi um pouco melhor, chegando a 50% do faturamento de 2019. Inovar é imprescindível para este momento. O auxílio dos locadores também, porque não temos como manter todas as despesas com metade do faturamento. Na Páscoa fizemos o drive-thru junto com o Balneário Shopping e foi muito importante para o nosso faturamento. No período de campanha de Páscoa fiz 20% da minha meta, mas tive que repassar muita coisa para outras lojas que estavam abertas e ainda tenho ovos na promoção hoje (compre um e leve dois), coisa que em 12 anos que sou lojista nunca aconteceu. Considero a pior crise que já vivi como lojista, mas temos uma expectativa de melhora, sim! Mas com o agravo do número de casos na cidade acho que isso deve acontecer mais para o fim do semestre. Nossa próxima grande campanha será o Natal e já penso que 60-70% da campanha vendida já será um grande resultado. O Balneário Shopping vem demonstrando simpatia em atender o lojista e analisando o cenário para que juntos possamos passar por este momento, CDL e Acibalc tem tido importantes papéis junto a atual administração pública, tentando de alguma forma amenizar o cenário”.



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