Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Sem dividendos, ações mais negociadas da Petrobras caem quase 5% na Bolsa

Sexta, 16/3/2018 5:47.

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DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A perspectiva de mais um ano sem pagamento de dividendos -parte do lucro distribuída aos acionistas- fez com que os papéis mais negociados da Petrobras caíssem mais do que o dobro dos papéis com direito a voto nesta quinta-feira (15), dia em que a estatal divulgou prejuízo pelo quarto ano.

Os papéis mais negociados da petrolífera caíram 4,78%, para R$ 21,31. As ações ordinárias recuaram 2,08%, para R$ 23,12. O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, caiu 1,3%, para 84.928 pontos.

A queda das ações preferenciais foi mais intensa do que a das ordinárias porque essas ações dão direito à preferência no recebimento de dividendos. Com o prejuízo, a estatal não vai distribuir parte de seu lucro aos acionistas novamente.

Desde 2014 a Petrobras não paga dividendos, por causa dos sucessivos prejuízos.

Para mostrar que a saúde financeira da empresa está melhorando e evitar que as ações preferenciais sofram mais, a empresa informou que seu conselho de administração determinou a realização de estudos para alterar o Estatuto Social da companhia. O objetivo é estabelecer o pagamento trimestral de dividendos e juros sobre capital próprio de acionistas.

O mercado já precificava o resultado ruim em 2017. "A gente já esperava números mais fracos, por causa da ação coletiva nos EUA, que sabíamos que ia impactar o resultado", diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. "O balanço foi camuflado por efeitos não recorrentes do acordo nos Estados Unidos, do Repetro [programa de regularização de débitos federais] e por alguns impairments [reavaliações de ativos] realizados no período."

PIORA

Alguns indicadores considerados relevantes para as finanças da estatal, porém, pioraram. O principal foi a relação dívida líquida/ebitda ajustado, que mede a capacidade da empresa de pagar suas dívidas com a geração de caixa atual. O indicador subiu de 3,16 vezes no final de setembro para 3,67 vezes em dezembro. A meta da empresa é levar a relação para abaixo de 2,5 vezes.

"O indicador, que era para estar caindo, voltou a subir por causa do acordo nos EUA, uma questão pontual. Mas é um indicador que deveria estar consistentemente melhorando, e essa alta é algo que não deveria ter acontecido", avalia Marco Saravalle, Analista da XP Investimentos.

As perspectivas para a estatal são positivas, avalia Adeodato Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial.

"Nossa visão para as ações é de geração de valor estrutural de médio prazo. Não há como dissociar a Petrobras do passado recente, muito menos de seu controlador", afirma, em relatório.

Saravalle, da XP, concorda. "Do lado operacional, o resultado tem vindo consistentemente bom, com receitas crescentes. Todos os objetivos do planejamento de longo prazo estão sendo cumpridos", diz.

"É natural o mercado não receber bem o prejuízo, mas, no longo prazo, a empresa continua fazendo a lição de casa", afirma Saravalle.
O dólar comercial subiu 0,91%, para R$ 3,291.


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Página 3

Sem dividendos, ações mais negociadas da Petrobras caem quase 5% na Bolsa

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Sexta, 16/3/2018 5:47.

DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A perspectiva de mais um ano sem pagamento de dividendos -parte do lucro distribuída aos acionistas- fez com que os papéis mais negociados da Petrobras caíssem mais do que o dobro dos papéis com direito a voto nesta quinta-feira (15), dia em que a estatal divulgou prejuízo pelo quarto ano.

Os papéis mais negociados da petrolífera caíram 4,78%, para R$ 21,31. As ações ordinárias recuaram 2,08%, para R$ 23,12. O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, caiu 1,3%, para 84.928 pontos.

A queda das ações preferenciais foi mais intensa do que a das ordinárias porque essas ações dão direito à preferência no recebimento de dividendos. Com o prejuízo, a estatal não vai distribuir parte de seu lucro aos acionistas novamente.

Desde 2014 a Petrobras não paga dividendos, por causa dos sucessivos prejuízos.

Para mostrar que a saúde financeira da empresa está melhorando e evitar que as ações preferenciais sofram mais, a empresa informou que seu conselho de administração determinou a realização de estudos para alterar o Estatuto Social da companhia. O objetivo é estabelecer o pagamento trimestral de dividendos e juros sobre capital próprio de acionistas.

O mercado já precificava o resultado ruim em 2017. "A gente já esperava números mais fracos, por causa da ação coletiva nos EUA, que sabíamos que ia impactar o resultado", diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. "O balanço foi camuflado por efeitos não recorrentes do acordo nos Estados Unidos, do Repetro [programa de regularização de débitos federais] e por alguns impairments [reavaliações de ativos] realizados no período."

PIORA

Alguns indicadores considerados relevantes para as finanças da estatal, porém, pioraram. O principal foi a relação dívida líquida/ebitda ajustado, que mede a capacidade da empresa de pagar suas dívidas com a geração de caixa atual. O indicador subiu de 3,16 vezes no final de setembro para 3,67 vezes em dezembro. A meta da empresa é levar a relação para abaixo de 2,5 vezes.

"O indicador, que era para estar caindo, voltou a subir por causa do acordo nos EUA, uma questão pontual. Mas é um indicador que deveria estar consistentemente melhorando, e essa alta é algo que não deveria ter acontecido", avalia Marco Saravalle, Analista da XP Investimentos.

As perspectivas para a estatal são positivas, avalia Adeodato Netto, estrategista-chefe da Eleven Financial.

"Nossa visão para as ações é de geração de valor estrutural de médio prazo. Não há como dissociar a Petrobras do passado recente, muito menos de seu controlador", afirma, em relatório.

Saravalle, da XP, concorda. "Do lado operacional, o resultado tem vindo consistentemente bom, com receitas crescentes. Todos os objetivos do planejamento de longo prazo estão sendo cumpridos", diz.

"É natural o mercado não receber bem o prejuízo, mas, no longo prazo, a empresa continua fazendo a lição de casa", afirma Saravalle.
O dólar comercial subiu 0,91%, para R$ 3,291.


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