Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Petrobras sobe, devolve perdas e puxa a Bolsa; dólar avança para R$ 3,74

Quarta, 30/5/2018 8:11.

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ANAÏS FERNANDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cair mais de 4% na segunda (28), a Bolsa brasileira voltou a subir nesta terça (29), interrompendo quatro sessões seguidas de perdas, impulsionada pela recuperação da Petrobras.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, avançou 0,95%, para 76.071 pontos.

No dia, o indicador chegou a subir mais de 2%, mas o índice foi barrado em parte pelo mau humor no exterior -Bolsas dos Estados Unidos e da Europa fecharam em queda forte com temores sobre o futuro político na Itália.

Apesar da alta, o Ibovespa não conseguiu recuperar ganhos e fechar o acumulado do ano no azul: cai 0,43% em 2018.

"Hoje começamos o dia dando uma respirada, mas o problema na Europa arrastou o mercado europeu e levou o americano. Com isso, o Ibovespa não conseguiu se recuperar tanto", diz Christian Lupinacci, analista de investimentos Terra Investimentos.

Para Leandro Martins, da corretora Modalmais, a alta no índice foi um movimento técnico, apoiado em parte em buscas por papéis que caíram muito nos últimos dias. "É um movimento com viés mais especulativo", afirmou.

As ações da Petrobras subiram 14,13% (preferenciais) e 12,38% (ordinárias), praticamente repondo as perdas do dia anterior, com a paralisação dos caminhoneiros dados sinais de dispersão.

Pela segunda vez em menos de uma semana, o presidente da estatal, Pedro Parente, convocou analistas para tentar acalmar o mercado com relação ao risco de ingerência do governo nos negócios da companhia.

Ele admitiu que a fórmula de cálculo do preço do diesel poderá mudar, mas disse confiar que a companhia manterá liberdade para definir margens de lucro e que as mudanças se restringirão ao óleo diesel.

O governo prometeu aos caminhoneiros que, após congelamento de 60 dias, o preço do diesel será reajustado mensalmente, e não mais diariamente, como prevê a política atual da Petrobras.

Na segunda (28), dia seguinte ao anúncio, as ações da estatal despencaram mais de 14,6%.

Os analistas que participaram da conferência demonstraram preocupação com o aumento da interferência do governo na gestão da empresa.
"O governo sempre ressaltou que não estava demandando mudança nas questões essenciais da política de preços. No entanto, não é segredo para ninguém que essa é uma empresa de controle e estatal e que eleições têm enorme influência", disse Parente.

GREVE

Preocupa também o mercado a paralisação de petroleiros, anunciada para começar nesta quarta (30).

"O mercado corrigiu hoje o exagero da queda de ontem. O cenário interno não mudou tanto, ainda se fala em paralisação dos petroleiros, em possível greve dos metroviários", aponta Marco Tulli, da Coinvalores.

A AGU (Advocacia-Geral da União) e a Petrobras apresentaram nesta terça ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) uma ação com pedido de liminar para evitar a greve.

Parente disse confiar que os empregados da Petrobras entendam o momento e não participem do movimento, que pede a redução dos preços dos combustíveis e a troca no comando da empresa.

Apesar dos sinais de que os protestos dos caminhoneiros caminham para um fim, o mercado deve continuar volátil nos próximos dias, aponta Martins, dada a piora na percepção do cenário político doméstico combinada com a avaliação de um efeito negativo da paralisação na econômica e nas contas públicas.

A agência de classificação de risco Moody's afirmou também nesta terça que o corte de impostos e o subsídio do governo são fatores negativos para a avaliação de risco soberano do Brasil e enfraquecem as perspectivas fiscais de curto e médio prazo.

O CDS (credit default swap, termômetro do risco-país) disparou 9,25%, para 210,808 pontos.

"A greve em si está reduzindo bem, só que ela vai deixar um rombo nas contas públicas, e isso o mercado enxerga com preocupação", afirma Lupinacci.

DÓLAR

O dólar subiu pela quarta sessão consecutiva influenciado não só pelos impactos da crise nacional, mas também pela aversão geral a risco no exterior.

O dólar comercial avançou 0,29%, para R$ 3,74. O à vista subiu 0,44%, cotado a R$ 3,737.

"O mercado está muito arisco nos últimos dias. E o feriado nos Estados Unidos na véspera deixa o mercado normalmente sem rumo. O tumulto externo e interno precificam o dólar com mais força", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

"A preocupação do investidor é garantir que ele não terá prejuízo. O investidor começa a se questionar se o governo teve a habilidade do trato necessária para lidar com a greve por aqui, se os caminhoneiros querem só o que pediram ou se tem algo a mais. As suspeições acabam deixando o investidor preocupado", completa.

No exterior, o dólar tinha forte alta ante outras moedas, e subiu para a máxima contra o euro desde julho de 2017, com a liquidação no mercado de títulos na Itália devido ao aumento das preocupações políticas.

Em meio ao nervosismo recente do mercado, o Banco Central anunciou na véspera que pretende continuar a fazer leilões de novos contratos de swap no fim de maio e também em junho, quando também vai rolar os vencimentos em julho.

Nesta manhã, o BC vendeu toda a oferta de até 15 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, totalizando US$ 6,5 bilhões desde a semana retrasada, quando vendia por dia até 5 mil contratos.

Para Lupinacci, os swaps tem efeitos pontuais. "A história mostra pra gente que o Banco Central não consegue influenciar na moeda por muito tempo".

"O patamar do dólar segue alto no exterior e não vejo sinal de reversão por aqui", afirma.

AÇÕES

Das 67 ações do Ibovespa, 35 caíram e 32 subiram.

Além da Petrobras, avançaram 6,04% as ações da Ultrapar, dona da distribuidora de combustíveis Ipiranga e da Ultragaz, setores fortemente impactos pela paralisação dos caminhoneiros.

Está no radar também a aprovação que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deu nesta terça para cooperação logística entre as três maiores distribuidoras de combustíveis do país -Raízen, que opera a marca Shell, Ipiranga e BR Distribuidora- para tentar agilizar a regularização do abastecimento no país.

As siderúrgicas, que haviam sido castigadas no pregão anterior, registraram alta. A CSN subiu 4,22%, a Usiminas subiu 2,51% e a Gerdau avançou 1,48%. A Vale foi a exceção: caiu 1,78%.


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Petrobras sobe, devolve perdas e puxa a Bolsa; dólar avança para R$ 3,74

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Quarta, 30/5/2018 8:11.

ANAÏS FERNANDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após cair mais de 4% na segunda (28), a Bolsa brasileira voltou a subir nesta terça (29), interrompendo quatro sessões seguidas de perdas, impulsionada pela recuperação da Petrobras.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, avançou 0,95%, para 76.071 pontos.

No dia, o indicador chegou a subir mais de 2%, mas o índice foi barrado em parte pelo mau humor no exterior -Bolsas dos Estados Unidos e da Europa fecharam em queda forte com temores sobre o futuro político na Itália.

Apesar da alta, o Ibovespa não conseguiu recuperar ganhos e fechar o acumulado do ano no azul: cai 0,43% em 2018.

"Hoje começamos o dia dando uma respirada, mas o problema na Europa arrastou o mercado europeu e levou o americano. Com isso, o Ibovespa não conseguiu se recuperar tanto", diz Christian Lupinacci, analista de investimentos Terra Investimentos.

Para Leandro Martins, da corretora Modalmais, a alta no índice foi um movimento técnico, apoiado em parte em buscas por papéis que caíram muito nos últimos dias. "É um movimento com viés mais especulativo", afirmou.

As ações da Petrobras subiram 14,13% (preferenciais) e 12,38% (ordinárias), praticamente repondo as perdas do dia anterior, com a paralisação dos caminhoneiros dados sinais de dispersão.

Pela segunda vez em menos de uma semana, o presidente da estatal, Pedro Parente, convocou analistas para tentar acalmar o mercado com relação ao risco de ingerência do governo nos negócios da companhia.

Ele admitiu que a fórmula de cálculo do preço do diesel poderá mudar, mas disse confiar que a companhia manterá liberdade para definir margens de lucro e que as mudanças se restringirão ao óleo diesel.

O governo prometeu aos caminhoneiros que, após congelamento de 60 dias, o preço do diesel será reajustado mensalmente, e não mais diariamente, como prevê a política atual da Petrobras.

Na segunda (28), dia seguinte ao anúncio, as ações da estatal despencaram mais de 14,6%.

Os analistas que participaram da conferência demonstraram preocupação com o aumento da interferência do governo na gestão da empresa.
"O governo sempre ressaltou que não estava demandando mudança nas questões essenciais da política de preços. No entanto, não é segredo para ninguém que essa é uma empresa de controle e estatal e que eleições têm enorme influência", disse Parente.

GREVE

Preocupa também o mercado a paralisação de petroleiros, anunciada para começar nesta quarta (30).

"O mercado corrigiu hoje o exagero da queda de ontem. O cenário interno não mudou tanto, ainda se fala em paralisação dos petroleiros, em possível greve dos metroviários", aponta Marco Tulli, da Coinvalores.

A AGU (Advocacia-Geral da União) e a Petrobras apresentaram nesta terça ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) uma ação com pedido de liminar para evitar a greve.

Parente disse confiar que os empregados da Petrobras entendam o momento e não participem do movimento, que pede a redução dos preços dos combustíveis e a troca no comando da empresa.

Apesar dos sinais de que os protestos dos caminhoneiros caminham para um fim, o mercado deve continuar volátil nos próximos dias, aponta Martins, dada a piora na percepção do cenário político doméstico combinada com a avaliação de um efeito negativo da paralisação na econômica e nas contas públicas.

A agência de classificação de risco Moody's afirmou também nesta terça que o corte de impostos e o subsídio do governo são fatores negativos para a avaliação de risco soberano do Brasil e enfraquecem as perspectivas fiscais de curto e médio prazo.

O CDS (credit default swap, termômetro do risco-país) disparou 9,25%, para 210,808 pontos.

"A greve em si está reduzindo bem, só que ela vai deixar um rombo nas contas públicas, e isso o mercado enxerga com preocupação", afirma Lupinacci.

DÓLAR

O dólar subiu pela quarta sessão consecutiva influenciado não só pelos impactos da crise nacional, mas também pela aversão geral a risco no exterior.

O dólar comercial avançou 0,29%, para R$ 3,74. O à vista subiu 0,44%, cotado a R$ 3,737.

"O mercado está muito arisco nos últimos dias. E o feriado nos Estados Unidos na véspera deixa o mercado normalmente sem rumo. O tumulto externo e interno precificam o dólar com mais força", diz Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

"A preocupação do investidor é garantir que ele não terá prejuízo. O investidor começa a se questionar se o governo teve a habilidade do trato necessária para lidar com a greve por aqui, se os caminhoneiros querem só o que pediram ou se tem algo a mais. As suspeições acabam deixando o investidor preocupado", completa.

No exterior, o dólar tinha forte alta ante outras moedas, e subiu para a máxima contra o euro desde julho de 2017, com a liquidação no mercado de títulos na Itália devido ao aumento das preocupações políticas.

Em meio ao nervosismo recente do mercado, o Banco Central anunciou na véspera que pretende continuar a fazer leilões de novos contratos de swap no fim de maio e também em junho, quando também vai rolar os vencimentos em julho.

Nesta manhã, o BC vendeu toda a oferta de até 15 mil novos swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, totalizando US$ 6,5 bilhões desde a semana retrasada, quando vendia por dia até 5 mil contratos.

Para Lupinacci, os swaps tem efeitos pontuais. "A história mostra pra gente que o Banco Central não consegue influenciar na moeda por muito tempo".

"O patamar do dólar segue alto no exterior e não vejo sinal de reversão por aqui", afirma.

AÇÕES

Das 67 ações do Ibovespa, 35 caíram e 32 subiram.

Além da Petrobras, avançaram 6,04% as ações da Ultrapar, dona da distribuidora de combustíveis Ipiranga e da Ultragaz, setores fortemente impactos pela paralisação dos caminhoneiros.

Está no radar também a aprovação que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) deu nesta terça para cooperação logística entre as três maiores distribuidoras de combustíveis do país -Raízen, que opera a marca Shell, Ipiranga e BR Distribuidora- para tentar agilizar a regularização do abastecimento no país.

As siderúrgicas, que haviam sido castigadas no pregão anterior, registraram alta. A CSN subiu 4,22%, a Usiminas subiu 2,51% e a Gerdau avançou 1,48%. A Vale foi a exceção: caiu 1,78%.


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