Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Ações caem 14%, e Petrobras perde R$ 47 bilhões em valor de mercado

Sexta, 25/5/2018 7:34.

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ANAÏS FERNANDES E NICOLA PAMPLONA
SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os esforços do presidente da Petrobras, Pedro Parente, para acalmar investidores insatisfeitos com o corte nos preços do diesel não surtiram efeito, e as ações da Petrobras despencaram 14% nesta quinta (24).

Em teleconferência em inglês convocada às pressas para o início da tarde, Parente disse que a decisão foi excepcional e não representa interferência na política da estatal -o maior temor dos investidores. "Não vai acontecer de novo", afirmou.

Apesar disso, as ações preferenciais da petroleira caíram 13,7%, a R$ 20,08. As ordinárias, com direito a voto, recuaram 14,5%, para R$ 23,20.
Pela manhã, o mercado era tomado por rumores de que Parente poderia deixar o cargo. Ele negou e frisou que, caso o governo queira retomar o controle de preços, terá de encontrar "uma diretoria alinhada a essa decisão". Segundo Parente, porém, essa estratégia não deve ser adotada.

Com o tombo nas ações, a Petrobras perdeu R$ 47,3 bilhões em valor de mercado e foi ultrapassada pela Ambev como empresa mais valiosa da Bolsa. As ADRs (recibos de ação negociados nos Estados Unidos) perderam 15,4%, para US$ 12,78.

Os investidores temem que a iniciativa da Petrobras abra precedentes para novas interferências na política de preços da estatal, que desde julho de 2017 acompanha de perto as cotações internacionais.

Daniel Cobucci, do BB Investimentos, afirma que, no passado, a ausência de uma política assim resultou em elevadas perdas. "A mudança atual, embora temporária, abre um precedente para o retorno aos velhos tempos."

A política de preços é a base da estratégia da empresa para atrair parceiros para o refino, levantando dinheiro para reduzir seu endividamento.

"A nova política de preços foi uma das principais vitórias de Parente. Isso vinha puxando a margem e impulsionando os últimos resultados da empresa", diz Rafael Passos, da Guide Investimentos.

Parente defendeu a decisão como uma maneira de evitar maiores prejuízos com a paralisação de suas atividades.

"Nós vamos continuar a política de preços que estabelecemos para a companhia. Se o governo desejar conceder subsídios, isso terá que ser feito com o ressarcimento dos custos acordado antecipadamente."

A possibilidade de controle de preços pode dificultar ainda o processo de venda de dois grandes polos de refino, anunciado em abril pela petroleira. Esse é um dos principais processos de seu plano de venda de ativos.

"É uma medida temporária, com um tempo limitado, então não achamos que isso possa prejudicar o plano de desinvestimento nas refinarias", disse Parente, acrescentando que a venda pode ajudar a suportar a política de preços livres dos combustíveis.

Ele disse a analistas que espera assinar neste ano a venda das refinarias, mas que o negócio só deve ser fechado no ano que vem.

Com peso de quase 12% no Ibovespa, que reúne as ações de maior liquidez na Bolsa brasileira, a petroleira puxou o índice para baixo. Ele caiu 0,92%, mas conseguiu recuperar o patamar dos 80 mil pontos que havia perdido ao longo do dia.

O dólar também sentiu os impactos da paralisação. A moeda voltou a subir após três dias de queda, mesmo com intervenção do Banco Central. O comercial avançou 0,63% ante o real, para R$ 3,649. O dólar à vista subiu 0,23% e fechou cotado a R$ 3,637.


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Página 3

Ações caem 14%, e Petrobras perde R$ 47 bilhões em valor de mercado

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Sexta, 25/5/2018 7:34.

ANAÏS FERNANDES E NICOLA PAMPLONA
SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os esforços do presidente da Petrobras, Pedro Parente, para acalmar investidores insatisfeitos com o corte nos preços do diesel não surtiram efeito, e as ações da Petrobras despencaram 14% nesta quinta (24).

Em teleconferência em inglês convocada às pressas para o início da tarde, Parente disse que a decisão foi excepcional e não representa interferência na política da estatal -o maior temor dos investidores. "Não vai acontecer de novo", afirmou.

Apesar disso, as ações preferenciais da petroleira caíram 13,7%, a R$ 20,08. As ordinárias, com direito a voto, recuaram 14,5%, para R$ 23,20.
Pela manhã, o mercado era tomado por rumores de que Parente poderia deixar o cargo. Ele negou e frisou que, caso o governo queira retomar o controle de preços, terá de encontrar "uma diretoria alinhada a essa decisão". Segundo Parente, porém, essa estratégia não deve ser adotada.

Com o tombo nas ações, a Petrobras perdeu R$ 47,3 bilhões em valor de mercado e foi ultrapassada pela Ambev como empresa mais valiosa da Bolsa. As ADRs (recibos de ação negociados nos Estados Unidos) perderam 15,4%, para US$ 12,78.

Os investidores temem que a iniciativa da Petrobras abra precedentes para novas interferências na política de preços da estatal, que desde julho de 2017 acompanha de perto as cotações internacionais.

Daniel Cobucci, do BB Investimentos, afirma que, no passado, a ausência de uma política assim resultou em elevadas perdas. "A mudança atual, embora temporária, abre um precedente para o retorno aos velhos tempos."

A política de preços é a base da estratégia da empresa para atrair parceiros para o refino, levantando dinheiro para reduzir seu endividamento.

"A nova política de preços foi uma das principais vitórias de Parente. Isso vinha puxando a margem e impulsionando os últimos resultados da empresa", diz Rafael Passos, da Guide Investimentos.

Parente defendeu a decisão como uma maneira de evitar maiores prejuízos com a paralisação de suas atividades.

"Nós vamos continuar a política de preços que estabelecemos para a companhia. Se o governo desejar conceder subsídios, isso terá que ser feito com o ressarcimento dos custos acordado antecipadamente."

A possibilidade de controle de preços pode dificultar ainda o processo de venda de dois grandes polos de refino, anunciado em abril pela petroleira. Esse é um dos principais processos de seu plano de venda de ativos.

"É uma medida temporária, com um tempo limitado, então não achamos que isso possa prejudicar o plano de desinvestimento nas refinarias", disse Parente, acrescentando que a venda pode ajudar a suportar a política de preços livres dos combustíveis.

Ele disse a analistas que espera assinar neste ano a venda das refinarias, mas que o negócio só deve ser fechado no ano que vem.

Com peso de quase 12% no Ibovespa, que reúne as ações de maior liquidez na Bolsa brasileira, a petroleira puxou o índice para baixo. Ele caiu 0,92%, mas conseguiu recuperar o patamar dos 80 mil pontos que havia perdido ao longo do dia.

O dólar também sentiu os impactos da paralisação. A moeda voltou a subir após três dias de queda, mesmo com intervenção do Banco Central. O comercial avançou 0,63% ante o real, para R$ 3,649. O dólar à vista subiu 0,23% e fechou cotado a R$ 3,637.


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