Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
BC reforça atuação no câmbio com dólar batendo R$ 3,95

Quinta, 7/6/2018 15:24.

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ANAÏS FERNANDES (FOLHAPRESS)

O Banco Central voltou aintensificar sua intervençãono câmbio nesta quinta-feira (7), conforme o dólar avança sobre o real e ultrapassa R$ 3,95.

Às 14h43, o dólar comercial subia 3,3%, para R$ 3,965. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, despenca 5,94%, para 71.588,42 pontos.

Para tentar conter a disparada da moeda americana, nesta sessão, o BCvendeu integralmente ofertaadicional de até 40 mil novosswapscambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares.

Mais cedo,já havia vendido todo o lote que vem ofertando de até 15 mil novosswaps(US$ 750 milhões). Vendeu integralmente também os8.800swapspara rolagem do vencimento dejulho,somandoUS$ 2,2 bilhõesdo total de US$ 8,762 bilhõesque vencem no próximo mês.

Em comunicado divulgado em meados de maio,quando iniciou as ofertas de 15 mil contratos, a autoridade monetária já havia indicado que poderia realizar atuações adicionais como a de hoje a qualquer momento, se necessário.

Nesta terça (5), por exemplo,colocou30 milcontratos adicionais, dos quais vendeu16,2 mil. Logo depois, anunciou segunda operação, para ofertar o restante (13,8 mil), mas só vendeu6.110contratos.

Analistas apontam que investidores estão testando o Banco Central para avaliar até onde ele consegue segurarcom os swaps tradicionais e, assim, pressionarpor intervenções ainda mais fortes, como leilões de linha -quandoo Banco Central vende dólar à vista, mas comcompromisso de recompra.

Na prática,acompra de um contrato deswappelo BC funciona como uma injeção de dólares no mercadofuturo.

"O Banco Central poderiaentrar hoje nomercado comprando evendendo dólares. Pensando em oferta edemanda, ele daria um choque de ofertae, assim, o valordiminuiria. Mas essa não é uma política que o BC temdemonstradoquegostariade usar",dizJoelsonSampaio,professordaFGVEESP(Escolade Economia de São Paulo da FundaçãoGetulioVargas).

A situação cambial doBrasilsedeteriora conforme as eleições de outubro se aproximam e pesquisas de intenção de voto não comprovam o avanço de candidatos considerados pelo mercado como comprometidos com o ajuste fiscal.

Assim,incertezasnofrontpolítico nacionalafastam investidores, aomesmo tempo em queexpectativas de alta de juros nos Estados Unidos atraem fluxode capital até então alocado em países emergentes para a economia americana, mais sólida e menosarriscada.O Federal Reserve (Fed, obanco central americano) fará nova decisão sobre juros na próxima semana, e aprojeção dos especialistas é de alta.

Das 31 principaisdivisas do mundo, 16perdem parao dólar nesta quinta, incluindo orandsul-africano (-1,94%), o rublo russo (-0,99%) e o peso mexicano (-0,78%).

O quadro brasileiro piorou também após a paralisação dos caminhoneiros. O mercado teme o reflexodo movimento na produção e na inflação -oIPCA de maio será divulgado nesta sexta (8), e o mercado vê umataxa de 0,29%-, bem como o impacto que as medidas do governo para subsidiar o diesel podem ter nas contas públicas.

ENTENDA O QUE É SWAP

O swap("troca", em inglês)éumaoperação para liquidação em data futuraque promove a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros entre agentes econômicos.

Umswaptem sempre duas pontas, uma que aposta na variação dos juros (compradora) e outra que aposta na variação do dólar (vendedora).

Normalmente, o Banco Central assume a ponta compradorae os investidores assumem a ponta vendedora.

No fim do prazo do contrato, o BC recebe a variação dejuros (taxaSelic)durante o período em que vigorou o contrato e paga ao investidor a variação do dólar ocorrida no mesmo período, além de uma taxa de remuneração com baseanual ("cupomcambial").

Ou seja,quemvende esse contratoficaprotegido caso a cotação do dólar aumente, mas tem de pagar a taxaSelicpara o comprador, no caso o BC.

"É como se o Banco Central dissesse que vai fazer uma operação e, no futuro, o investidor poderá comprardólar a R$ 3,50. Se no futuro o dólarestiver mais baixo, o BC ganha, porque continuarecebendo os R$ 3,50. Se o dólar sobe, no entanto, o banco perde", explica Sampaio.

O objetivo dessas operações é oferecer hedgecambial -proteçãocontra variações excessivas da moeda americana em relação aoreal-e liquidez ao mercado de câmbio.

"Geralmente, quando o Banco Central faz essas operações, ele não está buscando ganhar, porisso, no final, ele costuma perder.Oqueele quer mais é trazer equilíbrio para o mercado", acrescenta Sampaio.

ESTOQUE E RESERVAS

Desde a última sexta (1º), o estoque deswapsem circulação no Brasil aumentou 13,5% e, desde o final de abril, 44,5%.

Em US$34,4 bilhões,noentanto, elesainda são apenas um terço do queforamem seu pico, durante a crise política de 2015 e 2016 queculminou com o impeachment de DilmaRousseff.

O estoque deswapcambial encerrou 2017 comUS$ 23,8bilhões. Em 2016, era deUS$ 26,6bilhões, enquanto no final de 2015, deUS$ 108,1bilhões.

As reservas cambiais brasileirasseguemestáveisem quase US$ 382 bilhões e demonstram queo país temfolgasecomparado aoutros paísesemergentesque tambémpassam por estresse cambial.Na Argentina, por exemplo, a reserva eradepouco mais de US$ 50 bilhões em abril.

"Estamos emcondições melhores doque Argentina eTurquia, por exemplo, mas essasituação está se deteriorando. As últimas semanas mostramquetalvez a genteestejacomeçando aentrar no mesmogrupo que eles",diz Sampaio.

André Perfeito, economista-chefe daSpinelliCorretora, observa que o Brasilpodeestar sofrendo umataqueespeculativo –quandoum conjunto deinvestidoresdecideapostar na desvalorização da moeda de um país.

"Eles acreditam que o ativo tem que ir para um determinado patamar, o mercado força para isso. O governo pode jogar esse jogo de várias formas. Pode fazer os swaps e tentar dizer 'calma'. Mas uma hora também o mercado vai perceber que o Brasil tem uma grande reserva de dólares e um superávit comercial grande, ou seja, a moeda não deve explodir", diz Perfeito.


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BC reforça atuação no câmbio com dólar batendo R$ 3,95

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Quinta, 7/6/2018 15:24.

ANAÏS FERNANDES (FOLHAPRESS)

O Banco Central voltou aintensificar sua intervençãono câmbio nesta quinta-feira (7), conforme o dólar avança sobre o real e ultrapassa R$ 3,95.

Às 14h43, o dólar comercial subia 3,3%, para R$ 3,965. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, despenca 5,94%, para 71.588,42 pontos.

Para tentar conter a disparada da moeda americana, nesta sessão, o BCvendeu integralmente ofertaadicional de até 40 mil novosswapscambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares.

Mais cedo,já havia vendido todo o lote que vem ofertando de até 15 mil novosswaps(US$ 750 milhões). Vendeu integralmente também os8.800swapspara rolagem do vencimento dejulho,somandoUS$ 2,2 bilhõesdo total de US$ 8,762 bilhõesque vencem no próximo mês.

Em comunicado divulgado em meados de maio,quando iniciou as ofertas de 15 mil contratos, a autoridade monetária já havia indicado que poderia realizar atuações adicionais como a de hoje a qualquer momento, se necessário.

Nesta terça (5), por exemplo,colocou30 milcontratos adicionais, dos quais vendeu16,2 mil. Logo depois, anunciou segunda operação, para ofertar o restante (13,8 mil), mas só vendeu6.110contratos.

Analistas apontam que investidores estão testando o Banco Central para avaliar até onde ele consegue segurarcom os swaps tradicionais e, assim, pressionarpor intervenções ainda mais fortes, como leilões de linha -quandoo Banco Central vende dólar à vista, mas comcompromisso de recompra.

Na prática,acompra de um contrato deswappelo BC funciona como uma injeção de dólares no mercadofuturo.

"O Banco Central poderiaentrar hoje nomercado comprando evendendo dólares. Pensando em oferta edemanda, ele daria um choque de ofertae, assim, o valordiminuiria. Mas essa não é uma política que o BC temdemonstradoquegostariade usar",dizJoelsonSampaio,professordaFGVEESP(Escolade Economia de São Paulo da FundaçãoGetulioVargas).

A situação cambial doBrasilsedeteriora conforme as eleições de outubro se aproximam e pesquisas de intenção de voto não comprovam o avanço de candidatos considerados pelo mercado como comprometidos com o ajuste fiscal.

Assim,incertezasnofrontpolítico nacionalafastam investidores, aomesmo tempo em queexpectativas de alta de juros nos Estados Unidos atraem fluxode capital até então alocado em países emergentes para a economia americana, mais sólida e menosarriscada.O Federal Reserve (Fed, obanco central americano) fará nova decisão sobre juros na próxima semana, e aprojeção dos especialistas é de alta.

Das 31 principaisdivisas do mundo, 16perdem parao dólar nesta quinta, incluindo orandsul-africano (-1,94%), o rublo russo (-0,99%) e o peso mexicano (-0,78%).

O quadro brasileiro piorou também após a paralisação dos caminhoneiros. O mercado teme o reflexodo movimento na produção e na inflação -oIPCA de maio será divulgado nesta sexta (8), e o mercado vê umataxa de 0,29%-, bem como o impacto que as medidas do governo para subsidiar o diesel podem ter nas contas públicas.

ENTENDA O QUE É SWAP

O swap("troca", em inglês)éumaoperação para liquidação em data futuraque promove a troca de taxas ou rentabilidade de ativos financeiros entre agentes econômicos.

Umswaptem sempre duas pontas, uma que aposta na variação dos juros (compradora) e outra que aposta na variação do dólar (vendedora).

Normalmente, o Banco Central assume a ponta compradorae os investidores assumem a ponta vendedora.

No fim do prazo do contrato, o BC recebe a variação dejuros (taxaSelic)durante o período em que vigorou o contrato e paga ao investidor a variação do dólar ocorrida no mesmo período, além de uma taxa de remuneração com baseanual ("cupomcambial").

Ou seja,quemvende esse contratoficaprotegido caso a cotação do dólar aumente, mas tem de pagar a taxaSelicpara o comprador, no caso o BC.

"É como se o Banco Central dissesse que vai fazer uma operação e, no futuro, o investidor poderá comprardólar a R$ 3,50. Se no futuro o dólarestiver mais baixo, o BC ganha, porque continuarecebendo os R$ 3,50. Se o dólar sobe, no entanto, o banco perde", explica Sampaio.

O objetivo dessas operações é oferecer hedgecambial -proteçãocontra variações excessivas da moeda americana em relação aoreal-e liquidez ao mercado de câmbio.

"Geralmente, quando o Banco Central faz essas operações, ele não está buscando ganhar, porisso, no final, ele costuma perder.Oqueele quer mais é trazer equilíbrio para o mercado", acrescenta Sampaio.

ESTOQUE E RESERVAS

Desde a última sexta (1º), o estoque deswapsem circulação no Brasil aumentou 13,5% e, desde o final de abril, 44,5%.

Em US$34,4 bilhões,noentanto, elesainda são apenas um terço do queforamem seu pico, durante a crise política de 2015 e 2016 queculminou com o impeachment de DilmaRousseff.

O estoque deswapcambial encerrou 2017 comUS$ 23,8bilhões. Em 2016, era deUS$ 26,6bilhões, enquanto no final de 2015, deUS$ 108,1bilhões.

As reservas cambiais brasileirasseguemestáveisem quase US$ 382 bilhões e demonstram queo país temfolgasecomparado aoutros paísesemergentesque tambémpassam por estresse cambial.Na Argentina, por exemplo, a reserva eradepouco mais de US$ 50 bilhões em abril.

"Estamos emcondições melhores doque Argentina eTurquia, por exemplo, mas essasituação está se deteriorando. As últimas semanas mostramquetalvez a genteestejacomeçando aentrar no mesmogrupo que eles",diz Sampaio.

André Perfeito, economista-chefe daSpinelliCorretora, observa que o Brasilpodeestar sofrendo umataqueespeculativo –quandoum conjunto deinvestidoresdecideapostar na desvalorização da moeda de um país.

"Eles acreditam que o ativo tem que ir para um determinado patamar, o mercado força para isso. O governo pode jogar esse jogo de várias formas. Pode fazer os swaps e tentar dizer 'calma'. Mas uma hora também o mercado vai perceber que o Brasil tem uma grande reserva de dólares e um superávit comercial grande, ou seja, a moeda não deve explodir", diz Perfeito.


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