Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Dólar vai a R$ 3,80 e BC fará nova intervenção

Sexta, 15/6/2018 7:10.

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TÁSSIA KASTNER E MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O dólar disparou ontem e fechou acima dos R$ 3,80 pela primeira vez desde que o BC (Banco Central) anunciou, há uma semana, uma intervenção mais pesada no mercado para conter a volatilidade do câmbio.

Na cotação comercial, a moeda avançou 2,61%, a R$ 3,8120. Desde a última sexta, ela vinha oscilando ao redor dos R$ 3,70. Foi a maior alta diária desde maio de 2017, quando estourou o escândalo da JBS, que envolveu o presidente Michel Temer (MDB).

Em reação à valorização, o Banco Central ofertará outros US$ 10 bilhões em contratos de swap cambial na semana que vem, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Nesta sexta, ele terminará de vender os US$ 20 bilhões anunciados na semana passada, quando a moeda ultrapassou os R$ 3,90.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora NGO, diz que a alta do dólar era justamente uma estratégia de investidores para forçar o Banco Central a voltar a atuar no mercado na próxima semana, "apesar de não haver demanda por proteção cambial, mas um movimento especulativo".

O cenário econômico brasileiro se deteriorou de forma mais significativa após a paralisação dos caminhoneiros, no final de maio, e a incerteza eleitoral gera desconfiança nos investidores, receosos de que o país seja comandado por um presidente pouco afeito a pautas caras ao mercado, como o reequilíbrio das contas públicas.

No entanto, o país tem reserva em dólares e contas externas sólidas, que deveriam ser suficientes para minimizar oscilações bruscas da moeda.

"Os investidores acreditam que o dólar tem que subir, e o Banco Central fica operando no sentido contrário, segurando. Acontece que às vezes isso foge do controle", afirma André Perfeito, economista-chefe da Spinelli.

Nesta quinta, a desvalorização do real ocorreu em linha com o cenário internacional. Pela manhã, o Banco Central europeu anunciou o fim do programa de compra de títulos que tinha por objetivo evitar deflação no bloco econômico injetando dinheiro na economia. O BCE injetou mais de € 2 trilhões comprando títulos desde 2015.

Apesar de esperada, a notícia -que veio um dia após o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) sinalizar alta mais acelerada nos juros dos Estados Unidos- fez com que o euro perdesse valor ante o dólar, movimento replicado por outras moedas.

Quando os juros dos Estados Unidos sobem, a tendência é que investidores levem o dinheiro que estava em emergentes para aplicações em títulos da dívida americana, considerados mais seguros, levando a uma alta do dólar.

O risco-brasil medido pelo CDS (espécie de seguro contra calotes de países) subiu 2,6%, a 270,73 pontos, no maior patamar desde janeiro de 2017. Na época, a tendência era de queda porque investidores viam compromisso do governo com o ajuste fiscal, materializado na proposta de reforma da Previdência.

Houve ainda alta nos contratos de juros futuros negociados na B3, e o Tesouro Nacional anunciou que também fará novas intervenções por meio de recompra diária de títulos públicos.

Para Ignácio Crespo, da corretora Guide, o mercado financeiro voltou a expressar, na taxa de juros, uma "possibilidade não desprezível" de alta na Selic (taxa básica de juros), hoje em 6,50% ao ano, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que ocorre na próxima semana.

O presidente do BC disse, na semana passada, que não elevaria a taxa de juros para conter a disparada do dólar.

A Bolsa brasileira amargou mais um dia de perdas e fechou no menor patamar do ano. O Ibovespa, principal índice acionário, recuou 0,97%, a 71.421 pontos.


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Dólar vai a R$ 3,80 e BC fará nova intervenção

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Sexta, 15/6/2018 7:10.

TÁSSIA KASTNER E MAELI PRADO
SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O dólar disparou ontem e fechou acima dos R$ 3,80 pela primeira vez desde que o BC (Banco Central) anunciou, há uma semana, uma intervenção mais pesada no mercado para conter a volatilidade do câmbio.

Na cotação comercial, a moeda avançou 2,61%, a R$ 3,8120. Desde a última sexta, ela vinha oscilando ao redor dos R$ 3,70. Foi a maior alta diária desde maio de 2017, quando estourou o escândalo da JBS, que envolveu o presidente Michel Temer (MDB).

Em reação à valorização, o Banco Central ofertará outros US$ 10 bilhões em contratos de swap cambial na semana que vem, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Nesta sexta, ele terminará de vender os US$ 20 bilhões anunciados na semana passada, quando a moeda ultrapassou os R$ 3,90.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da corretora NGO, diz que a alta do dólar era justamente uma estratégia de investidores para forçar o Banco Central a voltar a atuar no mercado na próxima semana, "apesar de não haver demanda por proteção cambial, mas um movimento especulativo".

O cenário econômico brasileiro se deteriorou de forma mais significativa após a paralisação dos caminhoneiros, no final de maio, e a incerteza eleitoral gera desconfiança nos investidores, receosos de que o país seja comandado por um presidente pouco afeito a pautas caras ao mercado, como o reequilíbrio das contas públicas.

No entanto, o país tem reserva em dólares e contas externas sólidas, que deveriam ser suficientes para minimizar oscilações bruscas da moeda.

"Os investidores acreditam que o dólar tem que subir, e o Banco Central fica operando no sentido contrário, segurando. Acontece que às vezes isso foge do controle", afirma André Perfeito, economista-chefe da Spinelli.

Nesta quinta, a desvalorização do real ocorreu em linha com o cenário internacional. Pela manhã, o Banco Central europeu anunciou o fim do programa de compra de títulos que tinha por objetivo evitar deflação no bloco econômico injetando dinheiro na economia. O BCE injetou mais de € 2 trilhões comprando títulos desde 2015.

Apesar de esperada, a notícia -que veio um dia após o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) sinalizar alta mais acelerada nos juros dos Estados Unidos- fez com que o euro perdesse valor ante o dólar, movimento replicado por outras moedas.

Quando os juros dos Estados Unidos sobem, a tendência é que investidores levem o dinheiro que estava em emergentes para aplicações em títulos da dívida americana, considerados mais seguros, levando a uma alta do dólar.

O risco-brasil medido pelo CDS (espécie de seguro contra calotes de países) subiu 2,6%, a 270,73 pontos, no maior patamar desde janeiro de 2017. Na época, a tendência era de queda porque investidores viam compromisso do governo com o ajuste fiscal, materializado na proposta de reforma da Previdência.

Houve ainda alta nos contratos de juros futuros negociados na B3, e o Tesouro Nacional anunciou que também fará novas intervenções por meio de recompra diária de títulos públicos.

Para Ignácio Crespo, da corretora Guide, o mercado financeiro voltou a expressar, na taxa de juros, uma "possibilidade não desprezível" de alta na Selic (taxa básica de juros), hoje em 6,50% ao ano, na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que ocorre na próxima semana.

O presidente do BC disse, na semana passada, que não elevaria a taxa de juros para conter a disparada do dólar.

A Bolsa brasileira amargou mais um dia de perdas e fechou no menor patamar do ano. O Ibovespa, principal índice acionário, recuou 0,97%, a 71.421 pontos.


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