Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Economia
Dólar tem maior valor desde maio de 2017 e Bolsa cai com julgamento de Lula

Quinta, 5/4/2018 5:42.

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DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou a atenção dos investidores nesta quarta-feira (4), deixando em segundo plano uma melhora no exterior seguindo a dissipação de parte das tensões entre Estados Unidos e China. O dólar subiu ao maior patamar desde maio de 2017 e a Bolsa caiu.

Bolsa e dólar fecharam antes que o ministro Alexandre de Moraes encerrasse seu voto contra o habeas corpus de Lula. A Bolsa brasileira recuou 0,31%, para 84.359 pontos.

O dólar comercial subiu 0,05%, para R$ 3,341. É o maior patamar desde 18 de maio de 2017, dia seguinte ao vazamento da notícia de delação do empresário Joesley Batista, da JBS. O dólar à vista, que fecha mais cedo, avançou 0,92%, para R$ 3,349.

O início da sessão foi marcado pela aversão a risco provocada pela intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Na terça, o governo americano incluiu cerca de 1.300 itens nas tarifas contra a China, em resposta a um suposto roubo de propriedade intelectual pelo país asiático.

O objetivo do governo é tarifar até US$ 50 bilhões em importações chinesas -o equivalente a cerca de 10% das vendas para o país. A alíquota a ser imposta é de 25%.

Nesta quarta, a China anunciou tarifas de 25% para a soja, carros e outros produtos americanos importados pelo valor de US$ 50 bilhões. O ministério do Comércio da China citou 106 famílias de produtos americanos, como carne, uísque, produtos químicos ou cigarros, mas indicou que a data de aplicação ainda será anunciada.

Os mercados reagiram à piora do humor e abriram em baixa, mas foram melhorando ao longo da sessão, principalmente após a Casa Branca anunciar que não estuda, neste momento, novas iniciativas comerciais contra a China. Segundo porta-voz oficial, o foco é na implementação de medidas já anunciadas.

Para Marcelo López, gestor de recursos na L2 Capital Partners, a reação dos mercados à crise entre EUA e China foi exagerada. "É um grande circo para ocultar o que está acontecendo, que é um mercado extremamente caro. As Bolsas precisam de uma desculpa para poder cair", afirma.

"Qualquer coisa que aconteça, é uma bolha à procura de um alfinete. O modus operandi do [presidente americano, Donald] Trump é bem previsível. Ele bate na mesa, a outra pessoa pede para negociar, ele ganha algumas coisas com isso e entrega o que prometeu durante a campanha", diz.

Mas, à tarde, os rumos do julgamento do ex-presidente Lula no STF conduziram os rumos do mercado, com impacto principalmente nos juros futuros mais longos, que subiram.

A Bolsa, que iniciou a sessão com queda de 1,3%, diminuiu a desvalorização durante o voto do relator do pedido, ministro Edson Fachin. "O cenário está mais complexo. Existe um arranjo institucional brasileiro fragilizado em meio a uma eleição polemizada", avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

"A decisão do [ministro Gilmar] Mendes de votar a favor do habeas corpus inaugura a controvérsia. Num cenário como esse, vende Brasil e compra dólar", complementa. O mercado fechou antes de o ministro Alexandre de Moraes, o terceiro a se pronunciar, dar seu voto contrário ao pedido da defesa de Lula.

AÇÕES

Das 64 ações que compõem o Ibovespa, 39 caíram, 24 subiram e uma fechou estável.

A maior queda foi registrada pelos papéis da Iguatemi (-3,15%). A Kroton recuou 3,10%, e a Rumo perdeu 3,04%.

Na ponta positiva, a Suzano subiu 4,33%. As ações preferenciais da Eletrobras avançaram 3,36%, e a Klabin se valorizou 2,88%.

As ações da Petrobras recuaram, em dia de estabilidade dos preços do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais da estatal caíram 1,59%, para R$ 20,38. As ações ordinárias caíram 0,35%, para R$ 22,72.

A mineradora Vale fechou em baixa de 0,75%, para R$ 42,55.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco subiu 0,65%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram queda de 0,86%, e as ordinárias avançaram 0,41%. O Banco do Brasil se valorizou 0,83%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil caíram 0,95%.

CÂMBIO

O dólar perdeu força ante 15 das 31 principais moedas do mundo.

O Banco Central não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio nesta sessão. Em maio, vencem US$ 2,565 bilhões em swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro).

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 0,23%, para 165,8 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram resultados mistos. O DI para julho deste ano caiu de 6,295% para 6,293%.

O DI para janeiro de 2019 subiu de 6,235% para 6,240%.


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Dólar tem maior valor desde maio de 2017 e Bolsa cai com julgamento de Lula

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Quinta, 5/4/2018 5:42.

DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou a atenção dos investidores nesta quarta-feira (4), deixando em segundo plano uma melhora no exterior seguindo a dissipação de parte das tensões entre Estados Unidos e China. O dólar subiu ao maior patamar desde maio de 2017 e a Bolsa caiu.

Bolsa e dólar fecharam antes que o ministro Alexandre de Moraes encerrasse seu voto contra o habeas corpus de Lula. A Bolsa brasileira recuou 0,31%, para 84.359 pontos.

O dólar comercial subiu 0,05%, para R$ 3,341. É o maior patamar desde 18 de maio de 2017, dia seguinte ao vazamento da notícia de delação do empresário Joesley Batista, da JBS. O dólar à vista, que fecha mais cedo, avançou 0,92%, para R$ 3,349.

O início da sessão foi marcado pela aversão a risco provocada pela intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Na terça, o governo americano incluiu cerca de 1.300 itens nas tarifas contra a China, em resposta a um suposto roubo de propriedade intelectual pelo país asiático.

O objetivo do governo é tarifar até US$ 50 bilhões em importações chinesas -o equivalente a cerca de 10% das vendas para o país. A alíquota a ser imposta é de 25%.

Nesta quarta, a China anunciou tarifas de 25% para a soja, carros e outros produtos americanos importados pelo valor de US$ 50 bilhões. O ministério do Comércio da China citou 106 famílias de produtos americanos, como carne, uísque, produtos químicos ou cigarros, mas indicou que a data de aplicação ainda será anunciada.

Os mercados reagiram à piora do humor e abriram em baixa, mas foram melhorando ao longo da sessão, principalmente após a Casa Branca anunciar que não estuda, neste momento, novas iniciativas comerciais contra a China. Segundo porta-voz oficial, o foco é na implementação de medidas já anunciadas.

Para Marcelo López, gestor de recursos na L2 Capital Partners, a reação dos mercados à crise entre EUA e China foi exagerada. "É um grande circo para ocultar o que está acontecendo, que é um mercado extremamente caro. As Bolsas precisam de uma desculpa para poder cair", afirma.

"Qualquer coisa que aconteça, é uma bolha à procura de um alfinete. O modus operandi do [presidente americano, Donald] Trump é bem previsível. Ele bate na mesa, a outra pessoa pede para negociar, ele ganha algumas coisas com isso e entrega o que prometeu durante a campanha", diz.

Mas, à tarde, os rumos do julgamento do ex-presidente Lula no STF conduziram os rumos do mercado, com impacto principalmente nos juros futuros mais longos, que subiram.

A Bolsa, que iniciou a sessão com queda de 1,3%, diminuiu a desvalorização durante o voto do relator do pedido, ministro Edson Fachin. "O cenário está mais complexo. Existe um arranjo institucional brasileiro fragilizado em meio a uma eleição polemizada", avalia André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

"A decisão do [ministro Gilmar] Mendes de votar a favor do habeas corpus inaugura a controvérsia. Num cenário como esse, vende Brasil e compra dólar", complementa. O mercado fechou antes de o ministro Alexandre de Moraes, o terceiro a se pronunciar, dar seu voto contrário ao pedido da defesa de Lula.

AÇÕES

Das 64 ações que compõem o Ibovespa, 39 caíram, 24 subiram e uma fechou estável.

A maior queda foi registrada pelos papéis da Iguatemi (-3,15%). A Kroton recuou 3,10%, e a Rumo perdeu 3,04%.

Na ponta positiva, a Suzano subiu 4,33%. As ações preferenciais da Eletrobras avançaram 3,36%, e a Klabin se valorizou 2,88%.

As ações da Petrobras recuaram, em dia de estabilidade dos preços do petróleo no exterior. Os papéis preferenciais da estatal caíram 1,59%, para R$ 20,38. As ações ordinárias caíram 0,35%, para R$ 22,72.

A mineradora Vale fechou em baixa de 0,75%, para R$ 42,55.

No setor financeiro, o Itaú Unibanco subiu 0,65%. As ações preferenciais do Bradesco tiveram queda de 0,86%, e as ordinárias avançaram 0,41%. O Banco do Brasil se valorizou 0,83%, e as units -conjunto de ações- do Santander Brasil caíram 0,95%.

CÂMBIO

O dólar perdeu força ante 15 das 31 principais moedas do mundo.

O Banco Central não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio nesta sessão. Em maio, vencem US$ 2,565 bilhões em swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro).

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) subiu 0,23%, para 165,8 pontos.

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram resultados mistos. O DI para julho deste ano caiu de 6,295% para 6,293%.

O DI para janeiro de 2019 subiu de 6,235% para 6,240%.


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