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PÁGINA 3 / Seu Dinheiro
Dólar sobe 6% em abril e fecha o mês a R$ 3,50

Desde o final de 2016 não subia tanto

Terça, 1/5/2018 5:50.

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DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar subiu 6% em abril e fechou o mês cotado a R$ 3,50, pressionado por uma maior cautela dos investidores com a possibilidade de altas adicionais de juros nos Estados Unidos e também pelas incertezas que cercam o cenário eleitoral brasileiro.

Foi a maior alta mensal da moeda americana desde novembro de 2016. O dólar está no valor mais elevado desde 3 de junho de 2016, quando atingiu R$ 3,527.

Já o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, fechou o mês com valorização de 0,9% –nesta segunda, registrou queda de 0,38%, para 86.115 pontos.

A valorização do dólar em abril fez os fundos cambiais, opção para o investidor que quer aplicar em moeda estrangeira, liderarem o ranking de investimentos da Folha de S.Paulo. Esses fundos se valorizaram 5,3%, após desconto de Imposto de Renda.

O cenário externo desempenhou o maior papel na alta do dólar no mês, afirma Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial.

"Houve uma diferença entre a taxa de juros nos Estados Unidos e no Brasil que ficou favorável ao mercado americano, e não ao brasileiro."
Essa diferença ocorreu principalmente por causa das expectativas de que o banco central americano poderia ter que acelerar os aumentos de juros no país por uma inflação pressionada pelo preço de matérias-primas –em especial o petróleo–, que ganhou força ao longo do mês.

Os rendimentos dos títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, referência no mercado, chegaram a superar 3% anuais, o maior nível em mais de quatro anos.

Mas o cenário doméstico também influenciou a cotação da moeda. As primeiras pesquisas divulgadas depois da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7, mostraram na liderança Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede).

A falta de clareza sobre as propostas de ambos para a economia preocupa os investidores, segundo analistas.

Por causa dessas dúvidas, muitos estrangeiros que compram ações no país utilizaram instrumentos de proteção cambial, como a compra de dólares ou de contratos futuros da moeda estrangeira.

"O investidor estrangeiro que está entrando aproveita o fato de a Bolsa estar barata em dólar, mas busca manter os preços dos ativos no patamar em que comprou, sem ser prejudicado por eventuais desvalorizações do real", afirma Figueredo.

Esse movimento contribuiu para a valorização do dólar, mas, segundo o sócio-analista da Eleven, foi responsável por apenas 30% da alta da moeda americana. "Eu vejo vantagem nesse movimento, porque, com o dólar mais forte, os ativos brasileiros ficam mais baratos sob a ótica do capital estrangeiro, o que abre a possibilidade de ter mais investimento em Bolsa", ressaltou.

Abril marcou a retomada dos IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) na Bolsa brasileira. Depois de NotreDame Intermédica, que subiu 22,7% na estreia, e HapVida (22,8%), foi a vez de o Banco Inter começar a negociar seus papéis em Bolsa. Na estreia, as ações fecharam estáveis em R$ 74.

Na renda fixa, o cenário de queda da taxa básica de juros Selic deixa as aplicações ainda menos atrativas, diz Vinícius Maeda, diretor de relações com investidores da plataforma Magnetis.

"Dada a inflação estabilizando dentro das projeções do mercado, em torno de 4%, o mercado já projeta um novo corte de juros, que deve acontecer na reunião de maio", diz. Com isso, a Selic deve cair para 6,25%. No segundo semestre, dependendo da economia, ele vê espaço para que os juros voltem a subir.

Para Maeda, apesar da queda dos juros -de 14,25% em outubro de 2016 aos atuais 6,5%-, a renda fixa ainda tem um papel importante na carteira dos investidores. "Para o curto prazo, é importante ter a renda fixa para que não haja uma surpresa numa eventual volatilidade", afirma. É o caso de alguém que precisa juntar dinheiro para quitar um financiamento, por exemplo.

Ele adverte que o investidor tem que tomar cuidado com a euforia. "A gente vem de altas históricas de Bolsa e ativos de risco, como o câmbio, mas é importante ter a carteira diversificada para que as volatilidades não peguem o investidor de surpresa."


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Página 3

Dólar sobe 6% em abril e fecha o mês a R$ 3,50

Desde o final de 2016 não subia tanto

Terça, 1/5/2018 5:50.

DANIELLE BRANT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar subiu 6% em abril e fechou o mês cotado a R$ 3,50, pressionado por uma maior cautela dos investidores com a possibilidade de altas adicionais de juros nos Estados Unidos e também pelas incertezas que cercam o cenário eleitoral brasileiro.

Foi a maior alta mensal da moeda americana desde novembro de 2016. O dólar está no valor mais elevado desde 3 de junho de 2016, quando atingiu R$ 3,527.

Já o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa, fechou o mês com valorização de 0,9% –nesta segunda, registrou queda de 0,38%, para 86.115 pontos.

A valorização do dólar em abril fez os fundos cambiais, opção para o investidor que quer aplicar em moeda estrangeira, liderarem o ranking de investimentos da Folha de S.Paulo. Esses fundos se valorizaram 5,3%, após desconto de Imposto de Renda.

O cenário externo desempenhou o maior papel na alta do dólar no mês, afirma Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial.

"Houve uma diferença entre a taxa de juros nos Estados Unidos e no Brasil que ficou favorável ao mercado americano, e não ao brasileiro."
Essa diferença ocorreu principalmente por causa das expectativas de que o banco central americano poderia ter que acelerar os aumentos de juros no país por uma inflação pressionada pelo preço de matérias-primas –em especial o petróleo–, que ganhou força ao longo do mês.

Os rendimentos dos títulos de dívida americana com vencimento em dez anos, referência no mercado, chegaram a superar 3% anuais, o maior nível em mais de quatro anos.

Mas o cenário doméstico também influenciou a cotação da moeda. As primeiras pesquisas divulgadas depois da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 7, mostraram na liderança Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede).

A falta de clareza sobre as propostas de ambos para a economia preocupa os investidores, segundo analistas.

Por causa dessas dúvidas, muitos estrangeiros que compram ações no país utilizaram instrumentos de proteção cambial, como a compra de dólares ou de contratos futuros da moeda estrangeira.

"O investidor estrangeiro que está entrando aproveita o fato de a Bolsa estar barata em dólar, mas busca manter os preços dos ativos no patamar em que comprou, sem ser prejudicado por eventuais desvalorizações do real", afirma Figueredo.

Esse movimento contribuiu para a valorização do dólar, mas, segundo o sócio-analista da Eleven, foi responsável por apenas 30% da alta da moeda americana. "Eu vejo vantagem nesse movimento, porque, com o dólar mais forte, os ativos brasileiros ficam mais baratos sob a ótica do capital estrangeiro, o que abre a possibilidade de ter mais investimento em Bolsa", ressaltou.

Abril marcou a retomada dos IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) na Bolsa brasileira. Depois de NotreDame Intermédica, que subiu 22,7% na estreia, e HapVida (22,8%), foi a vez de o Banco Inter começar a negociar seus papéis em Bolsa. Na estreia, as ações fecharam estáveis em R$ 74.

Na renda fixa, o cenário de queda da taxa básica de juros Selic deixa as aplicações ainda menos atrativas, diz Vinícius Maeda, diretor de relações com investidores da plataforma Magnetis.

"Dada a inflação estabilizando dentro das projeções do mercado, em torno de 4%, o mercado já projeta um novo corte de juros, que deve acontecer na reunião de maio", diz. Com isso, a Selic deve cair para 6,25%. No segundo semestre, dependendo da economia, ele vê espaço para que os juros voltem a subir.

Para Maeda, apesar da queda dos juros -de 14,25% em outubro de 2016 aos atuais 6,5%-, a renda fixa ainda tem um papel importante na carteira dos investidores. "Para o curto prazo, é importante ter a renda fixa para que não haja uma surpresa numa eventual volatilidade", afirma. É o caso de alguém que precisa juntar dinheiro para quitar um financiamento, por exemplo.

Ele adverte que o investidor tem que tomar cuidado com a euforia. "A gente vem de altas históricas de Bolsa e ativos de risco, como o câmbio, mas é importante ter a carteira diversificada para que as volatilidades não peguem o investidor de surpresa."


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