Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
Retirada das esculturas do Parque foi decisão do grupo de artistas, porque não concordaram com as novas regras

“Fica a impressão de que não éramos bem vindos no local”, diz o autor do projeto Parque com Arte

Quinta, 14/11/2019 19:09.
Arquivo Pessoal

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Depois de dois anos e alguns meses, o escultor Jorge Schroeder, presidente do Instituto que leva seu nome, decidiu retirar esta semana as esculturas que estavam no parque ecológico Raimundo Malta em Balneário Camboriú. Segundo informou foi uma decisão tomada em assembleia junto com os outros artistas que faziam parte do projeto ‘Parque com Arte’, porque a resposta para continuidade do convênio demorou e quando veio, não concordaram com as novas diretrizes estabelecidas.

“Entendemos que elas desvirtuam o propósito do projeto”, escreveu Jorge Schroeder em Nota Pública, divulgada nesta quarta-feira (13).

A secretária do Meio Ambiente Maria Heloísa Furtado Lenzi disse que a decisão foi do Instituto, porque o Conselho Gestor do Parque decidiu fazer um chamamento público para que outros artistas também pudessem participar.

“Assumi em junho, mas o Jorge já solicitou a renovação do convênio que havia sido assinado com o Instituto, em fevereiro. De fevereiro a junho, o ex-secretário não deliberou sobre isso e em um certo momento o Instituto resolveu retirar as esculturas. Conversei com o Jorge e disse a ele que a decisão das esculturas ficar ou não teria que ser do Conselho Gestor do Parque, uma vez que ele é unidade de conservação”, comentou Heloísa.

O Conselho Gestor deliberou que as esculturas poderiam ficar mediante o chamamento público para que outros artistas tivessem oportunidade de fazer a exposição.

“O Jorge foi comunicado desta deliberação e a encaminhei à Fundação Cultural, a quem cabe fazer esse tipo de chamamento público para exposição de obras de artistas. Antes de qualquer iniciativa da Fundação Cultural de proceder o chamamento público, o Jorge deliberou com o Instituto retirar as esculturas de lá”, afirmou a secretária.

Consultado, o ex-secretário Ike Gevaerd lamentou a retirada.

“O mundo inteligente cada vez mais une ações ambientais, culturais e de lazer. Foi um retrocesso da administração. Não acredito que o prefeito tenha concordado com tal ato”, declarou.

A reportagem entrevistou o escultor, que não descarta a possibilidade de levar a exposição para outra cidade. Acompanhe:

Porque as esculturas não estão mais no Parque?

As obras foram retiradas do Parque Raimundo Malta neste mês de novembro e recolhidas para a sede do Instituto, devido ao entendimento tanto da diretoria do Instituto bem como de resultado de uma assembleia, realizada em 12/10 no 3° Encontro de Escultores na Canteira de Camboriú, entre alguns dos escultores que possuem obras no acervo da Instituição.

De quem foi a decisão de retirar as obras do Parque?

Os fatos ocorridos desde o ano de 2018 foram decisivos na decisão por parte dos escultores e do próprio Instituto. Neste período foi promovida uma “Denuncia Anônima” na 5° Promotoria de Justiça apontando Irregularidade no Convênio, não foi comprovado e o processo indeferido; também pela demora da resposta do pedido de Renovação do Convênio que deveria ser feito de dois em dois anos e foi encaminhado em 22/02/2019 e somente respondido em 28/08/2019, deixando uma espécie de vácuo irregular no processo. Aparentemente foi uma espécie de convite a deixar o local, feito de maneira sutil pelas dificuldades impostas e pelo entendimento de seus atuais Gestores juntamente com o Conselho do Parque. Fica a impressão de que não éramos bem-vindos naquele local... a gente percebe quando isto ocorre.

Foram dois anos de Parque? Você acha que faltou compreensão da comunidade?

Penso que não, da Comunidade de maneira geral sempre houve manifestações positivas e de apoio a ação com elogios e participação, é uma inovação importante na agenda Cultural do Municipal e de Santa Catarina, principalmente se quisermos promover turismo diferenciado e diversificar a matriz de turismo da cidade. Houve relatos de algumas manifestações por parte de mães que colocavam ‘Risco de acidentes com seus filhos na obras’, o que nunca ocorreu de fato e acredito que não faz sentido esta preocupação, até porque não há relatos oficiais de acidentes de crianças com esculturas. Dentre os acidentes mais relevantes, temos afogamentos, atropelamentos, acidentes domésticos, etc... nestes sim as mães devem ter preocupações; não encontramos acidentes com obras de arte! Estas queixas são relato de funcionários do parque, nunca houve estas colocações diretamente ao Instituto. E o mais interessante é que esta queixa também faz parte da Denúncia Anônima feita ao Ministério Público, deixando uma suspeita de ser alguém de dentro da própria Secretaria a promover a denúncia, neste contexto fica compreensivo o travamento de processo e a falta de agilidade, impondo dificuldades para que o convênio prosseguisse.

Houveram reclamações, quais as alegações?

Desde o início da implantação do convênio, tivemos resistências por parte de alguns funcionários da Semam, esta dificuldade vimos do encarregado de cortar a grama, por achar inconveniente as peças espalhadas no local, ao setor administrativo, visto a denúncia ao Ministério Público, que certamente não foi o cortador de grama...Acredito que o secretário Ike Gevaerd teve dificuldades em efetivar o convênio, mesmo sabendo de sua importância para a cidade. Acho que nosso maior problema de aceitação do projeto foi interno mesmo, não da comunidade. O próprio prefeito Fabrício Oliveira esteve na inauguração apoiando o projeto e também agora no início de agosto de 2019 em audiência que mantive com ele, foi reafirmado a permanência das obras no local, acho que isto não surtiu efeito hierárquico e não foi levado em consideração na decisão do conselho e da atual gestão. As reclamações queixas de mães, são ao nosso ver pífias e fica a impressão de falta de esclarecimento de como educar filhos ao se portar perante obras de arte e manifestações culturais. Realmente é muito superficial tal alegação, pois se os pais não conseguirem educar seus filhos a se portarem num parque, que tipo de cidadão está sendo formado? Também tivemos casos de quedas de esculturas, que estavam fixadas nas bases, certamente não foram crianças, pois o peso das obras de mármore não é condizente com ação de crianças. As ações nas obras que possuem valor cultural relevante e valor financeiro significativo, não podem ser expostas a este tipo de vandalismo proposital, temos a obrigação de preservar este patrimônio.

A integração da arte está cada vez mais presente em todos os lugares, aqui andamos para trás?

Sim, no mundo inteiro estas ações estão sendo tomadas por instituições, governos e entidades culturais, a UNESCO tem feito muito por esta interação das coisas culturais com as populações mundiais, estávamos no caminho certo, são inúmeros parques ecológicos do mundo que estão implantando obras de Arte como forma de interação e humanização. Estão sendo criados Parques neste sentido multidisciplinar, mesmo aqui no Brasil, veja o caso de Inhotim (Instituto De Arte Contemporânea e Jardim Botânico MG., Parque do Silêncio em Nova Petrópolis/RS, Parque de Esculturas no Caminho das Pedras em Bento Gonçalves/RS , entre tantos outros. Nós do Instituto já temos outros dois Parques no Estado, o Jardim das Esculturas em São José/SC e a Praça de Esculturas na Pedra Branca em Palhoça/SC, ambos com acesso público gratuito, como era aqui em Balneário. A arte comprovadamente faz bem as pessoas, mas fica claro que não tem condições de superar a ignorância. Em Balneário estamos com muitos problemas no trato da cultura, veja o caso do Arquivo Histórico, da Galeria de Artes, abandono de obras públicas e outros fatores que são visíveis por todos da má gestão neste quesito, este episódio do Parque não é diferente, nunca recebemos atenção da Fundação Cultural nem mesmo agora quando foi acionada a se manifestar, pois o oficio encaminhado ao Instituto em 28 de agosto, também foi à Fundação Cultural em agosto. Nada de manifestação. Enfim, estamos andando para trás sim.

Como você reagiu?

Com tristeza e serenidade que o caso merece. Me sinto também como todos os demais escultores que fazem parte deste projeto. Mas na condição de representante do Instituto devo ter a postura de não misturar a arte com as picuinhas políticas envolvidas neste episódio, até porque entendo que a arte é imensamente maior.

Para onde levou as obras? Pretendem expô-las?

As esculturas foram removidas para a sede do Instituto e vão passar por um processo de limpeza e conservação para posterior colocação em outro local, ainda não definido. Estamos avaliando como proceder com o Acervo, uma vez que este ampliou desde o início do projeto e hoje já conta com 46 obras de renomados escultores brasileiro e estrangeiros. Um acervo de valor cultural significativo que está sendo formado com muito respeito à arte. No início o Parque de Balneário contava com 28 obras em 2017, que na época nossos objetivos era implantar mais obras no Parque, fazer a reestruturação do Labirinto com Arte, uma ideia do então secretário Ike Gevaerd de implementação do projeto, foi um apoio importante e sempre positivo dele. Não descartamos a possibilidade de levar para outra cidade.

O que sobrou desta experiência?

Sou otimista em tudo, sei que tudo ocorre de maneira a proporcionar melhorias, penso que as crises, são a oportunidade que temos de reavaliar condutas e caminhos a seguir. Nas minhas viagens pelo mundo, passei a entender o significado da impermanência, isto é muito bom. Da mesma forma, também reconheço que sou bastante ingênuo no trato político das coisas, esta é uma agenda que ignoro.

Teve algum custo neste projeto que pode ter motivado esta situação?

Tivemos um pequeno custo no início para a implantação das obras, mas nunca houve por parte do Município nenhum desembolso ou pagamento ao Instituto para manutenção e ou exposição das obras. Talvez aí reside outro erro de minha parte, “As coisas gratuitas, parecem não ser valorizadas”. O público alvo sempre foi a comunidade, visitação gratuita.

Considerações Finais

Foi importante toda nossa ação, tentamos fazer o melhor para nossa comunidade, dentro do que nos propomos no Instituto, o fomentar o fazer da escultura e da arte. Sabemos que para toda ação cabe uma reação, alguns realizam e outros criticam, é assim que tudo funciona e não é de agora. Há interesse de toda a ordem que se manifestam. Infelizmente não conseguimos sensibilizar a todos, mas isto independe de nossa vontade, está mais na compreensão do espectador, que pode ver ali uma obra de arte ou um estorvo, depende de sua condição cultural de seu conhecimento. Saímos satisfeitos pela ação que fizemos e agradecidos aos que apoiaram, não levamos mágoas de ninguém, nunca foi a intenção prejudicar a ninguém, até porque o que estamos tentando fazer é por um mundo melhor para todos e isto basta. Importante também que agora o Conselho Gestor do Parque pode disponibilizar o espaço por nós desenvolvido para outras manifestações culturais, como pretendem conjuntamente com a Fundação Cultural e que o Município retorne a aquisição de obras de arte para implantação nos logradouros públicos a título de humanização e melhorias na cidade, usando expediente de aquisição de obras dos artistas que dependem de seus trabalhos para sua manutenção e não é o Instituto que pode resolver isto espalhando obras pela cidade, não é este nosso propósito”.


As obras produzidas em granito de Camboriú são assinadas pelos seguintes escultores: Alberto Rossi (Suiça), Christian Alvarenga (Argentina), Hidaldo Adans (Brasil), Hugo Pagani (Chile), Irineu Garcia (Brasil), Jean Rodrigues (Brasil), Jorge Aranda (Bolívia), Jorge Schröder (Brasil), Jonas Figur (Brasil), Marcos Guimarães (Brasil), Mauri Menegoto (Brasil), Nivaldo Klopel (Brasil), Pita Camargo (Brasil), Plínio Verani (Brasil), Rafael Rodrigues (Brasil), Renato Brunello (Itália), Ricardo Aguiar (Brasil) e Ricardo Kersting (Brasil).


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Página 3
Arquivo Pessoal

Retirada das esculturas do Parque foi decisão do grupo de artistas, porque não concordaram com as novas regras

“Fica a impressão de que não éramos bem vindos no local”, diz o autor do projeto Parque com Arte

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Quinta, 14/11/2019 19:09.

Depois de dois anos e alguns meses, o escultor Jorge Schroeder, presidente do Instituto que leva seu nome, decidiu retirar esta semana as esculturas que estavam no parque ecológico Raimundo Malta em Balneário Camboriú. Segundo informou foi uma decisão tomada em assembleia junto com os outros artistas que faziam parte do projeto ‘Parque com Arte’, porque a resposta para continuidade do convênio demorou e quando veio, não concordaram com as novas diretrizes estabelecidas.

“Entendemos que elas desvirtuam o propósito do projeto”, escreveu Jorge Schroeder em Nota Pública, divulgada nesta quarta-feira (13).

A secretária do Meio Ambiente Maria Heloísa Furtado Lenzi disse que a decisão foi do Instituto, porque o Conselho Gestor do Parque decidiu fazer um chamamento público para que outros artistas também pudessem participar.

“Assumi em junho, mas o Jorge já solicitou a renovação do convênio que havia sido assinado com o Instituto, em fevereiro. De fevereiro a junho, o ex-secretário não deliberou sobre isso e em um certo momento o Instituto resolveu retirar as esculturas. Conversei com o Jorge e disse a ele que a decisão das esculturas ficar ou não teria que ser do Conselho Gestor do Parque, uma vez que ele é unidade de conservação”, comentou Heloísa.

O Conselho Gestor deliberou que as esculturas poderiam ficar mediante o chamamento público para que outros artistas tivessem oportunidade de fazer a exposição.

“O Jorge foi comunicado desta deliberação e a encaminhei à Fundação Cultural, a quem cabe fazer esse tipo de chamamento público para exposição de obras de artistas. Antes de qualquer iniciativa da Fundação Cultural de proceder o chamamento público, o Jorge deliberou com o Instituto retirar as esculturas de lá”, afirmou a secretária.

Consultado, o ex-secretário Ike Gevaerd lamentou a retirada.

“O mundo inteligente cada vez mais une ações ambientais, culturais e de lazer. Foi um retrocesso da administração. Não acredito que o prefeito tenha concordado com tal ato”, declarou.

A reportagem entrevistou o escultor, que não descarta a possibilidade de levar a exposição para outra cidade. Acompanhe:

Porque as esculturas não estão mais no Parque?

As obras foram retiradas do Parque Raimundo Malta neste mês de novembro e recolhidas para a sede do Instituto, devido ao entendimento tanto da diretoria do Instituto bem como de resultado de uma assembleia, realizada em 12/10 no 3° Encontro de Escultores na Canteira de Camboriú, entre alguns dos escultores que possuem obras no acervo da Instituição.

De quem foi a decisão de retirar as obras do Parque?

Os fatos ocorridos desde o ano de 2018 foram decisivos na decisão por parte dos escultores e do próprio Instituto. Neste período foi promovida uma “Denuncia Anônima” na 5° Promotoria de Justiça apontando Irregularidade no Convênio, não foi comprovado e o processo indeferido; também pela demora da resposta do pedido de Renovação do Convênio que deveria ser feito de dois em dois anos e foi encaminhado em 22/02/2019 e somente respondido em 28/08/2019, deixando uma espécie de vácuo irregular no processo. Aparentemente foi uma espécie de convite a deixar o local, feito de maneira sutil pelas dificuldades impostas e pelo entendimento de seus atuais Gestores juntamente com o Conselho do Parque. Fica a impressão de que não éramos bem-vindos naquele local... a gente percebe quando isto ocorre.

Foram dois anos de Parque? Você acha que faltou compreensão da comunidade?

Penso que não, da Comunidade de maneira geral sempre houve manifestações positivas e de apoio a ação com elogios e participação, é uma inovação importante na agenda Cultural do Municipal e de Santa Catarina, principalmente se quisermos promover turismo diferenciado e diversificar a matriz de turismo da cidade. Houve relatos de algumas manifestações por parte de mães que colocavam ‘Risco de acidentes com seus filhos na obras’, o que nunca ocorreu de fato e acredito que não faz sentido esta preocupação, até porque não há relatos oficiais de acidentes de crianças com esculturas. Dentre os acidentes mais relevantes, temos afogamentos, atropelamentos, acidentes domésticos, etc... nestes sim as mães devem ter preocupações; não encontramos acidentes com obras de arte! Estas queixas são relato de funcionários do parque, nunca houve estas colocações diretamente ao Instituto. E o mais interessante é que esta queixa também faz parte da Denúncia Anônima feita ao Ministério Público, deixando uma suspeita de ser alguém de dentro da própria Secretaria a promover a denúncia, neste contexto fica compreensivo o travamento de processo e a falta de agilidade, impondo dificuldades para que o convênio prosseguisse.

Houveram reclamações, quais as alegações?

Desde o início da implantação do convênio, tivemos resistências por parte de alguns funcionários da Semam, esta dificuldade vimos do encarregado de cortar a grama, por achar inconveniente as peças espalhadas no local, ao setor administrativo, visto a denúncia ao Ministério Público, que certamente não foi o cortador de grama...Acredito que o secretário Ike Gevaerd teve dificuldades em efetivar o convênio, mesmo sabendo de sua importância para a cidade. Acho que nosso maior problema de aceitação do projeto foi interno mesmo, não da comunidade. O próprio prefeito Fabrício Oliveira esteve na inauguração apoiando o projeto e também agora no início de agosto de 2019 em audiência que mantive com ele, foi reafirmado a permanência das obras no local, acho que isto não surtiu efeito hierárquico e não foi levado em consideração na decisão do conselho e da atual gestão. As reclamações queixas de mães, são ao nosso ver pífias e fica a impressão de falta de esclarecimento de como educar filhos ao se portar perante obras de arte e manifestações culturais. Realmente é muito superficial tal alegação, pois se os pais não conseguirem educar seus filhos a se portarem num parque, que tipo de cidadão está sendo formado? Também tivemos casos de quedas de esculturas, que estavam fixadas nas bases, certamente não foram crianças, pois o peso das obras de mármore não é condizente com ação de crianças. As ações nas obras que possuem valor cultural relevante e valor financeiro significativo, não podem ser expostas a este tipo de vandalismo proposital, temos a obrigação de preservar este patrimônio.

A integração da arte está cada vez mais presente em todos os lugares, aqui andamos para trás?

Sim, no mundo inteiro estas ações estão sendo tomadas por instituições, governos e entidades culturais, a UNESCO tem feito muito por esta interação das coisas culturais com as populações mundiais, estávamos no caminho certo, são inúmeros parques ecológicos do mundo que estão implantando obras de Arte como forma de interação e humanização. Estão sendo criados Parques neste sentido multidisciplinar, mesmo aqui no Brasil, veja o caso de Inhotim (Instituto De Arte Contemporânea e Jardim Botânico MG., Parque do Silêncio em Nova Petrópolis/RS, Parque de Esculturas no Caminho das Pedras em Bento Gonçalves/RS , entre tantos outros. Nós do Instituto já temos outros dois Parques no Estado, o Jardim das Esculturas em São José/SC e a Praça de Esculturas na Pedra Branca em Palhoça/SC, ambos com acesso público gratuito, como era aqui em Balneário. A arte comprovadamente faz bem as pessoas, mas fica claro que não tem condições de superar a ignorância. Em Balneário estamos com muitos problemas no trato da cultura, veja o caso do Arquivo Histórico, da Galeria de Artes, abandono de obras públicas e outros fatores que são visíveis por todos da má gestão neste quesito, este episódio do Parque não é diferente, nunca recebemos atenção da Fundação Cultural nem mesmo agora quando foi acionada a se manifestar, pois o oficio encaminhado ao Instituto em 28 de agosto, também foi à Fundação Cultural em agosto. Nada de manifestação. Enfim, estamos andando para trás sim.

Como você reagiu?

Com tristeza e serenidade que o caso merece. Me sinto também como todos os demais escultores que fazem parte deste projeto. Mas na condição de representante do Instituto devo ter a postura de não misturar a arte com as picuinhas políticas envolvidas neste episódio, até porque entendo que a arte é imensamente maior.

Para onde levou as obras? Pretendem expô-las?

As esculturas foram removidas para a sede do Instituto e vão passar por um processo de limpeza e conservação para posterior colocação em outro local, ainda não definido. Estamos avaliando como proceder com o Acervo, uma vez que este ampliou desde o início do projeto e hoje já conta com 46 obras de renomados escultores brasileiro e estrangeiros. Um acervo de valor cultural significativo que está sendo formado com muito respeito à arte. No início o Parque de Balneário contava com 28 obras em 2017, que na época nossos objetivos era implantar mais obras no Parque, fazer a reestruturação do Labirinto com Arte, uma ideia do então secretário Ike Gevaerd de implementação do projeto, foi um apoio importante e sempre positivo dele. Não descartamos a possibilidade de levar para outra cidade.

O que sobrou desta experiência?

Sou otimista em tudo, sei que tudo ocorre de maneira a proporcionar melhorias, penso que as crises, são a oportunidade que temos de reavaliar condutas e caminhos a seguir. Nas minhas viagens pelo mundo, passei a entender o significado da impermanência, isto é muito bom. Da mesma forma, também reconheço que sou bastante ingênuo no trato político das coisas, esta é uma agenda que ignoro.

Teve algum custo neste projeto que pode ter motivado esta situação?

Tivemos um pequeno custo no início para a implantação das obras, mas nunca houve por parte do Município nenhum desembolso ou pagamento ao Instituto para manutenção e ou exposição das obras. Talvez aí reside outro erro de minha parte, “As coisas gratuitas, parecem não ser valorizadas”. O público alvo sempre foi a comunidade, visitação gratuita.

Considerações Finais

Foi importante toda nossa ação, tentamos fazer o melhor para nossa comunidade, dentro do que nos propomos no Instituto, o fomentar o fazer da escultura e da arte. Sabemos que para toda ação cabe uma reação, alguns realizam e outros criticam, é assim que tudo funciona e não é de agora. Há interesse de toda a ordem que se manifestam. Infelizmente não conseguimos sensibilizar a todos, mas isto independe de nossa vontade, está mais na compreensão do espectador, que pode ver ali uma obra de arte ou um estorvo, depende de sua condição cultural de seu conhecimento. Saímos satisfeitos pela ação que fizemos e agradecidos aos que apoiaram, não levamos mágoas de ninguém, nunca foi a intenção prejudicar a ninguém, até porque o que estamos tentando fazer é por um mundo melhor para todos e isto basta. Importante também que agora o Conselho Gestor do Parque pode disponibilizar o espaço por nós desenvolvido para outras manifestações culturais, como pretendem conjuntamente com a Fundação Cultural e que o Município retorne a aquisição de obras de arte para implantação nos logradouros públicos a título de humanização e melhorias na cidade, usando expediente de aquisição de obras dos artistas que dependem de seus trabalhos para sua manutenção e não é o Instituto que pode resolver isto espalhando obras pela cidade, não é este nosso propósito”.


As obras produzidas em granito de Camboriú são assinadas pelos seguintes escultores: Alberto Rossi (Suiça), Christian Alvarenga (Argentina), Hidaldo Adans (Brasil), Hugo Pagani (Chile), Irineu Garcia (Brasil), Jean Rodrigues (Brasil), Jorge Aranda (Bolívia), Jorge Schröder (Brasil), Jonas Figur (Brasil), Marcos Guimarães (Brasil), Mauri Menegoto (Brasil), Nivaldo Klopel (Brasil), Pita Camargo (Brasil), Plínio Verani (Brasil), Rafael Rodrigues (Brasil), Renato Brunello (Itália), Ricardo Aguiar (Brasil) e Ricardo Kersting (Brasil).


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