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'O Mecanismo' ganha equilíbrio, e até petistas podem gostar da série

Quarta, 8/5/2019 13:45.

(FOLHAPRESS) - Lançada em março de 2018, a primeira temporada de "O Mecanismo" foi logo acusada por setores da esquerda de ser uma diatribe contra o ex-presidente Lula. De nada adiantou o diretor José Padilha reiterar que a série não era contra esse ou aquele partido, mas contra todos os que participariam do chamado "mecanismo": o sistema de governo lubrificado com propinas que, em seu entender, se instalou no país desde a redemocratização.

A segunda safra do programa, disponível na Netflix a partir de sexta (10), deixa esse posicionamento mais claro. Mas Padilha nega que tenha reagido às críticas e se esforçado para ser mais imparcial. Segundo ele, os novos episódios apenas seguem a linha do tempo da Operação Lava Jato da vida real, que, depois de incriminar e prender vários petistas, avançou sobre o PMDB e o PSDB.

A princípio, os políticos pouco aparecem. Os primeiros capítulos da segunda temporada focam mais o aspecto policial da investigação. Há um tiroteio dentro de um barco no rio Paraná, que termina com um saldo de dois mortos --algo que nunca aconteceu de verdade. É eficiente como thriller, mas aumenta a ansiedade de quem quer ver logo os avatares de figuras como Lula (Gino), Dilma Roussef (Janete Ruscov), Michel Temer (Samuel Themes) e Aécio Neves (Lucio Lemes).

Essa expectativa é plenamente atendida na segunda metade da temporada. Ricardo Bretch (a versão de Marcelo Odebrecht feita por Emilio Orciollo Neto) vai preso, denunciado por sua secretária, e entra em rota de colisão com o pai, dono da empreiteira Miller & Bretch. O senador Lucio Lemes aparece cheirando cocaína e dizendo que é preciso "estancar a sangria" provocada pela Lava Jato.

A frase, dita por Romero Jucá em um telefonema grampeado em 2016, foi replicada por Lula/Gino (Arthur Kohl) na primeira temporada, e causou furor entre as hostes petistas. Para mostrar que a intenção dessas palavras é inerente a todo o "mecanismo", os roteiristas agora a puseram na boca de Lucio/Aécio. Vamos ver como reagem as redes sociais.

Os dramas pessoais do ex-policial Rufo (Selton Mello) e de sua colega ainda na ativa, Verena (Caroline Abras), ocupam boa parte do tempo, e não despertam maior interesse. Mas quem insistir será recompensado com um soberbo episódio final, repleto de bons momentos.

Há a dúvida que permeia alguns integrantes da Polícia Federativa (como a Polícia Federal é chamada na série) quanto à divulgação de uma conversa entre Gino e Janete, gravada fora do prazo estipulado. Há o impeachment de Janete, visto como um desdobramento catastrófico pelos protagonistas. E há até uma conclusão desalentadora sobre a ascensão de um deputado de extrema-direita, escrita e gravada antes da vitória de Bolsonaro.

Retratando acontecimentos de três anos atrás e lançada depois do resultado das eleições de 2018, a segunda temporada de "O Mecanismo" perdeu um pouco da urgência original. Mas oferece um panorama mais equilibrado do que se passou no Brasil nos últimos tempos. Talvez até os petistas gostem.

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'O Mecanismo' ganha equilíbrio, e até petistas podem gostar da série

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Quarta, 8/5/2019 13:45.

(FOLHAPRESS) - Lançada em março de 2018, a primeira temporada de "O Mecanismo" foi logo acusada por setores da esquerda de ser uma diatribe contra o ex-presidente Lula. De nada adiantou o diretor José Padilha reiterar que a série não era contra esse ou aquele partido, mas contra todos os que participariam do chamado "mecanismo": o sistema de governo lubrificado com propinas que, em seu entender, se instalou no país desde a redemocratização.

A segunda safra do programa, disponível na Netflix a partir de sexta (10), deixa esse posicionamento mais claro. Mas Padilha nega que tenha reagido às críticas e se esforçado para ser mais imparcial. Segundo ele, os novos episódios apenas seguem a linha do tempo da Operação Lava Jato da vida real, que, depois de incriminar e prender vários petistas, avançou sobre o PMDB e o PSDB.

A princípio, os políticos pouco aparecem. Os primeiros capítulos da segunda temporada focam mais o aspecto policial da investigação. Há um tiroteio dentro de um barco no rio Paraná, que termina com um saldo de dois mortos --algo que nunca aconteceu de verdade. É eficiente como thriller, mas aumenta a ansiedade de quem quer ver logo os avatares de figuras como Lula (Gino), Dilma Roussef (Janete Ruscov), Michel Temer (Samuel Themes) e Aécio Neves (Lucio Lemes).

Essa expectativa é plenamente atendida na segunda metade da temporada. Ricardo Bretch (a versão de Marcelo Odebrecht feita por Emilio Orciollo Neto) vai preso, denunciado por sua secretária, e entra em rota de colisão com o pai, dono da empreiteira Miller & Bretch. O senador Lucio Lemes aparece cheirando cocaína e dizendo que é preciso "estancar a sangria" provocada pela Lava Jato.

A frase, dita por Romero Jucá em um telefonema grampeado em 2016, foi replicada por Lula/Gino (Arthur Kohl) na primeira temporada, e causou furor entre as hostes petistas. Para mostrar que a intenção dessas palavras é inerente a todo o "mecanismo", os roteiristas agora a puseram na boca de Lucio/Aécio. Vamos ver como reagem as redes sociais.

Os dramas pessoais do ex-policial Rufo (Selton Mello) e de sua colega ainda na ativa, Verena (Caroline Abras), ocupam boa parte do tempo, e não despertam maior interesse. Mas quem insistir será recompensado com um soberbo episódio final, repleto de bons momentos.

Há a dúvida que permeia alguns integrantes da Polícia Federativa (como a Polícia Federal é chamada na série) quanto à divulgação de uma conversa entre Gino e Janete, gravada fora do prazo estipulado. Há o impeachment de Janete, visto como um desdobramento catastrófico pelos protagonistas. E há até uma conclusão desalentadora sobre a ascensão de um deputado de extrema-direita, escrita e gravada antes da vitória de Bolsonaro.

Retratando acontecimentos de três anos atrás e lançada depois do resultado das eleições de 2018, a segunda temporada de "O Mecanismo" perdeu um pouco da urgência original. Mas oferece um panorama mais equilibrado do que se passou no Brasil nos últimos tempos. Talvez até os petistas gostem.

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