Jornal Página 3

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Entrevista: Cartolas traz o rock gaúcho pro Cinerama Arthouse, nessa sexta

Sexta, 31/5/2019 9:33.

A banda de rock gaúcho Cartolas se apresenta hoje (31), a partir das 21h, na Cineramabca Arthouse, em Balneário Camboriú. Prometendo um show divertido, o quinteto traz na bagagem feitos como abrir o show de Eric Clapton, venceram o concurso nacional ‘Claro que é Rock’, tocaram em três edições do Planeta Atlântida (principal festival de música do Rio Grande do Sul) e ganharam o Prêmio Açorianos de Música, na categoria Melhor Disco Pop. Os ingressos estarão à venda no local por R$ 30,00.

Além disso já tocaram em três edições do Planeta Atlântida, principal festival realizado no RS, em 2008, 2009 e 2010 e ganhou o Prêmio Açorianos de Música, na categoria Melhor Disco POP, em 2007, com o seu primeiro disco "ORIGINAL FÁBRICA".


ENTREVISTA

O guitarrista do Cartolas, Dé Silveira, conversou com o Página 3 e contou um pouco sobre como vê o atual cenário da música nacional, o contato com os fãs e o que espera para o futuro do grupo, que está há 16 anos na estrada.

(Por Renata Rutes)

JP3: Como você vê o cenário da música nacional hoje? Considerando a 'onda' do funk e sertanejo que já dura alguns anos... Acredita que ainda há espaço para o rock?

Dé Silveira: Respondendo objetivamente, eu, pessoalmente, não me importo com o que vende mais. Isso vai depender do tempo, das coisas do mundo, das disponibilidades individuais, daquilo, enfim, do que não dispomos. Nós, Cartolas, eu, Dé, dispomos do vento, do ar, das pessoas que nos conhecem, das pessoas que carecem só por serem pessoas, do nosso próprio desejo de artista, das nossas próprias carências que se tornam o que chamam obra. Nossa próxima obra, nesse momento, um conjunto de 4 músicas nas quais estamos envolvidos há mais de 6 meses e seus futuros vídeos, constam, em uma delas um trecho com o ritmo do funk carioca (chama-se Bafo de Fada - "água suja não faz mal, mal não faz o sal, cerveja. Quero ar. Quero ar de caminhão. Ar de ter você e a estrada..."). Outra tem o ritmo do carimbó do indígena-paraense (Escravos de Jobs - "celular, futebol, zero de coração... quer saber? Vou cantar lado a lado com meus irmãos"). Somos banda de música. Preferimos assim. Da minha parte, não sei do rock, não sei das tipificações, não as tomo mais como algo a ser cogitado no fazer dentro da Cartolas. Sou mais de confiar no arrepio na hora em que a música pega a todos ao mesmo tempo (evento raro e fenômeno de imensa eficácia de saber se aquilo é popular ou não). Hoje faço o que sinto que precisa ser feito. Da melhor maneira possível, da maior possibilidade de verdade dentro do momento em que ela está escrita, com a maior eficácia discursiva que puder ter, com a maior beleza ou a mais bizarra estranheza, com a maior intimidade e abrangência ao mesmo tempo. Enfim, ironicamente, com a menor das pretensões. Ser o que se é enquanto se está vivo.

JP3: Várias bandas surgiram no Rio Grande do Sul, como Cachorro Grande, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawaii, Tequila Baby... De alguma forma eles influenciaram vocês? E quais foram/são as principais influências da banda?

Dé Silveira: Sem qualquer sombra de dúvida, queiramos ou não visto que todos esses exemplos circularam em nossos ouvidos com bastante frequência e em tempos de antes do começo e durante nossa carreira formal. As influências são muito diversas, diversidade essa que só aumenta com o tempo ou varia em suas formas. Eu diria que, pessoalmente, a influência vem dos relacionamentos amorosos, dos acontecimentos sociais, do padecimento diante do real, dos livros, desde Machado de Assis até Saint Exupery, de músicos antigos (Robert Johnson, o rock sessentista inglês, a MPB (Chico Buarque, Gil, Caetano), o samba (Cartola), jazz popularizado (Miles Davis, Nina Simone), blues, soul music, representantes da black music americana atual (Childish Gambimo) um ou outro da península ibérica (Sondre Lerche), ritmos gerais, rock dos anos 90 (Nirvana, Oasis) e 2000 (Strokes, Arcade Fire, Kings of Leon) e por aí vai...

JP3: O que mudou de 2007, com o primeiro álbum, para hoje? O que ainda almejam alcançar com a banda?

Dé Silveira: Cartolas nasce, de fato, antes disso. Talvez ali por 2003 quando eu e meu irmão Otávio Silveira (hoje Professor de Engenharia da UFSC, pai do Camilo e morador da Ilha) éramos os integrantes criadores. Mudou tudo, menos eu como presença ativa. Mudaram as formações, as discussões, os objetivos ou a falta deles, os timbres, as técnicas. Isso se vê nas diferenças entre um disco e outro. Permanecer fazendo música com constância, criatividade, seguir tocando ao vivo, seguir gravando vídeos, apoiar a cultura, a comunicação, a liberdade, tentar transmitir alegria, tentar dividir nossa humanidade, seguir fazendo laços, amizades, conhecendo cidades, pessoas, voltando aos lugares já conhecidos, enfim, devolver com uma gratidão ao mundo na mesma proporção do sonho realizado de ter uma carreira musical autoral e livre no Brasil.

JP3: Quais são as principais inspirações na hora de compor? Vocês utilizam histórias que viveram como base ou aproveitam também para dar opinião sobre determinado assunto?

Dé Silveira: Com frequência são baseadas na experiência emocional do meu mundo interno. As inspirações geralmente vem depois dos períodos de expiações (no sentido espírita do termo - elas costumam me surgir após as tempestades emocionais). Nesse exato momento em que escrevo para o jornal, estou vivendo uma muito intensa e espero que gere algum fruto bonito depois que a tormenta passar. Ultimamente temos trabalhado temáticas de maior cunho coletivo quando comparado aos anteriores. No entanto, a obra no todo tem esse mote mais pessoal.

JP3: Como são os fãs de vocês? É o público mais jovem? Há também aqueles que acompanham desde o início? Como é o contato de vocês com eles?

Dé Silveira: São pessoas maravilhosas. São as que fazem circular e dão sentido ao nosso trabalho. Quando se monta uma banda não se tem garantia nenhuma de que isso irá acontecer, de que alguém criará amor pelo que fazemos, de que alguém espera ansioso pela próxima música, pelo próximo disco, pelo próximo vídeo. Sinto hoje uma espécie de aliança de compromisso que beira a obrigação, mas uma obrigação em que me sinto obrigado e no final agradeço por isso. Essa vai pros fãs da Cartolas: obrigado por me obrigarem a seguir.

JP3: Quais são os planos futuros da banda? E vocês possuem outros projetos paralelos?

Dé Silveira: No futuro próximo será o lançamento do nosso DVD ao vivo recém gravado, o single de 4 músicas construído em conjunto com Marcelo Fruet, vídeos desse single, shows marcados. Eu sigo por aqui achando que a Cartolas, a psiquiatria e psicanálise são o suficiente pra ocupar o meu desejo por enquanto.


A Cineramabc Arthouse, localizada na rua São Paulo 581-1 / Bairro dos Estados / Balneário Camboriú, abre as portas para o show que acontece no dia 31 de maio de 2019, a partir das 20h.

Os ingressos podem ser comprados na bilheteria (de terça a domingo das 16:00 às 20:00), ou no site www.arthousebc.com, por apenas R$ 20,00 antecipado ou R$ 30,00 na hora do show, que começa às 21h.

Cartolas esta disponível nas principais plataformas de streaming e mais infos podem ser encontradas em seu site oficial: www.cartolas.com.br

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Entrevista: Cartolas traz o rock gaúcho pro Cinerama Arthouse, nessa sexta

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Sexta, 31/5/2019 9:33.

A banda de rock gaúcho Cartolas se apresenta hoje (31), a partir das 21h, na Cineramabca Arthouse, em Balneário Camboriú. Prometendo um show divertido, o quinteto traz na bagagem feitos como abrir o show de Eric Clapton, venceram o concurso nacional ‘Claro que é Rock’, tocaram em três edições do Planeta Atlântida (principal festival de música do Rio Grande do Sul) e ganharam o Prêmio Açorianos de Música, na categoria Melhor Disco Pop. Os ingressos estarão à venda no local por R$ 30,00.

Além disso já tocaram em três edições do Planeta Atlântida, principal festival realizado no RS, em 2008, 2009 e 2010 e ganhou o Prêmio Açorianos de Música, na categoria Melhor Disco POP, em 2007, com o seu primeiro disco "ORIGINAL FÁBRICA".


ENTREVISTA

O guitarrista do Cartolas, Dé Silveira, conversou com o Página 3 e contou um pouco sobre como vê o atual cenário da música nacional, o contato com os fãs e o que espera para o futuro do grupo, que está há 16 anos na estrada.

(Por Renata Rutes)

JP3: Como você vê o cenário da música nacional hoje? Considerando a 'onda' do funk e sertanejo que já dura alguns anos... Acredita que ainda há espaço para o rock?

Dé Silveira: Respondendo objetivamente, eu, pessoalmente, não me importo com o que vende mais. Isso vai depender do tempo, das coisas do mundo, das disponibilidades individuais, daquilo, enfim, do que não dispomos. Nós, Cartolas, eu, Dé, dispomos do vento, do ar, das pessoas que nos conhecem, das pessoas que carecem só por serem pessoas, do nosso próprio desejo de artista, das nossas próprias carências que se tornam o que chamam obra. Nossa próxima obra, nesse momento, um conjunto de 4 músicas nas quais estamos envolvidos há mais de 6 meses e seus futuros vídeos, constam, em uma delas um trecho com o ritmo do funk carioca (chama-se Bafo de Fada - "água suja não faz mal, mal não faz o sal, cerveja. Quero ar. Quero ar de caminhão. Ar de ter você e a estrada..."). Outra tem o ritmo do carimbó do indígena-paraense (Escravos de Jobs - "celular, futebol, zero de coração... quer saber? Vou cantar lado a lado com meus irmãos"). Somos banda de música. Preferimos assim. Da minha parte, não sei do rock, não sei das tipificações, não as tomo mais como algo a ser cogitado no fazer dentro da Cartolas. Sou mais de confiar no arrepio na hora em que a música pega a todos ao mesmo tempo (evento raro e fenômeno de imensa eficácia de saber se aquilo é popular ou não). Hoje faço o que sinto que precisa ser feito. Da melhor maneira possível, da maior possibilidade de verdade dentro do momento em que ela está escrita, com a maior eficácia discursiva que puder ter, com a maior beleza ou a mais bizarra estranheza, com a maior intimidade e abrangência ao mesmo tempo. Enfim, ironicamente, com a menor das pretensões. Ser o que se é enquanto se está vivo.

JP3: Várias bandas surgiram no Rio Grande do Sul, como Cachorro Grande, Nenhum de Nós, Engenheiros do Hawaii, Tequila Baby... De alguma forma eles influenciaram vocês? E quais foram/são as principais influências da banda?

Dé Silveira: Sem qualquer sombra de dúvida, queiramos ou não visto que todos esses exemplos circularam em nossos ouvidos com bastante frequência e em tempos de antes do começo e durante nossa carreira formal. As influências são muito diversas, diversidade essa que só aumenta com o tempo ou varia em suas formas. Eu diria que, pessoalmente, a influência vem dos relacionamentos amorosos, dos acontecimentos sociais, do padecimento diante do real, dos livros, desde Machado de Assis até Saint Exupery, de músicos antigos (Robert Johnson, o rock sessentista inglês, a MPB (Chico Buarque, Gil, Caetano), o samba (Cartola), jazz popularizado (Miles Davis, Nina Simone), blues, soul music, representantes da black music americana atual (Childish Gambimo) um ou outro da península ibérica (Sondre Lerche), ritmos gerais, rock dos anos 90 (Nirvana, Oasis) e 2000 (Strokes, Arcade Fire, Kings of Leon) e por aí vai...

JP3: O que mudou de 2007, com o primeiro álbum, para hoje? O que ainda almejam alcançar com a banda?

Dé Silveira: Cartolas nasce, de fato, antes disso. Talvez ali por 2003 quando eu e meu irmão Otávio Silveira (hoje Professor de Engenharia da UFSC, pai do Camilo e morador da Ilha) éramos os integrantes criadores. Mudou tudo, menos eu como presença ativa. Mudaram as formações, as discussões, os objetivos ou a falta deles, os timbres, as técnicas. Isso se vê nas diferenças entre um disco e outro. Permanecer fazendo música com constância, criatividade, seguir tocando ao vivo, seguir gravando vídeos, apoiar a cultura, a comunicação, a liberdade, tentar transmitir alegria, tentar dividir nossa humanidade, seguir fazendo laços, amizades, conhecendo cidades, pessoas, voltando aos lugares já conhecidos, enfim, devolver com uma gratidão ao mundo na mesma proporção do sonho realizado de ter uma carreira musical autoral e livre no Brasil.

JP3: Quais são as principais inspirações na hora de compor? Vocês utilizam histórias que viveram como base ou aproveitam também para dar opinião sobre determinado assunto?

Dé Silveira: Com frequência são baseadas na experiência emocional do meu mundo interno. As inspirações geralmente vem depois dos períodos de expiações (no sentido espírita do termo - elas costumam me surgir após as tempestades emocionais). Nesse exato momento em que escrevo para o jornal, estou vivendo uma muito intensa e espero que gere algum fruto bonito depois que a tormenta passar. Ultimamente temos trabalhado temáticas de maior cunho coletivo quando comparado aos anteriores. No entanto, a obra no todo tem esse mote mais pessoal.

JP3: Como são os fãs de vocês? É o público mais jovem? Há também aqueles que acompanham desde o início? Como é o contato de vocês com eles?

Dé Silveira: São pessoas maravilhosas. São as que fazem circular e dão sentido ao nosso trabalho. Quando se monta uma banda não se tem garantia nenhuma de que isso irá acontecer, de que alguém criará amor pelo que fazemos, de que alguém espera ansioso pela próxima música, pelo próximo disco, pelo próximo vídeo. Sinto hoje uma espécie de aliança de compromisso que beira a obrigação, mas uma obrigação em que me sinto obrigado e no final agradeço por isso. Essa vai pros fãs da Cartolas: obrigado por me obrigarem a seguir.

JP3: Quais são os planos futuros da banda? E vocês possuem outros projetos paralelos?

Dé Silveira: No futuro próximo será o lançamento do nosso DVD ao vivo recém gravado, o single de 4 músicas construído em conjunto com Marcelo Fruet, vídeos desse single, shows marcados. Eu sigo por aqui achando que a Cartolas, a psiquiatria e psicanálise são o suficiente pra ocupar o meu desejo por enquanto.


A Cineramabc Arthouse, localizada na rua São Paulo 581-1 / Bairro dos Estados / Balneário Camboriú, abre as portas para o show que acontece no dia 31 de maio de 2019, a partir das 20h.

Os ingressos podem ser comprados na bilheteria (de terça a domingo das 16:00 às 20:00), ou no site www.arthousebc.com, por apenas R$ 20,00 antecipado ou R$ 30,00 na hora do show, que começa às 21h.

Cartolas esta disponível nas principais plataformas de streaming e mais infos podem ser encontradas em seu site oficial: www.cartolas.com.br

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