Jornal Página 3
PÁGINA 3 / Cultura
“Somos os atletas da música”, diz Carmen Monarcha em Balneário

Segunda, 13/5/2019 18:59.

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Texto e Fotos: Renata Rutes

A bela e talentosa soprano Carmen Monarcha estreou em Santa Catarina com dois shows lotados em Balneário Camboriú, na sexta-feira e no sábado (10 e 11). Carmen, que ganhou fama internacional como solista de André Rieu & Johann Strauss Orquestra, agora está investindo em carreira solo. Ela está esperando o segundo filho e quer trazer para o Brasil o melhor da música erudita, defendendo que os brasileiros estão prontos para vivenciá-la. Enquanto era maquiada na sexta-feira, poucos instantes antes de subir ao palco do Teatro Municipal Bruno Nitz em um show regido pelo maestro Gil Gonçalves e com participação do Coral do Litoral e da Orquestra de Câmara de Balneário, ela conversou com o Página 3 no camarim. Acompanhe:

JP3: Como você o contato dos brasileiros com a música erudita hoje?

Carmen Monarcha: Acho que a música erudita toma um papel hoje em dia ainda mais forte do que ela sempre tomou historicamente. Principalmente no Brasil, o meio musical está cada vez mais descartável. Não me entendam mal, mas a música está muito cheia de fórmulas. E eu não falo com preconceito não, estou falando da indústria da música. Então tem a fórmula do sertanejo universitário, tem a fórmula do pop, tem a fórmula do funk. São músicas super legais, que agitam a galera, mas que depois de um mês não se escuta mais. O que eu vejo é que são sucessos relâmpagos, mas que não emocionam. São sucessos descartáveis, como comida, como roupa. E a música erudita acentua cada vez mais o papel que ela sempre teve, que é o de emocionar as pessoas. Então quando as pessoas entram em contato, até o público mais jovem, eles se emocionam, falam ‘poxa, era uma coisa que a minha avó ouvia e eu não sabia que era tão bacana’. Eu sinto isso na pele, e o meu público jovem vem crescendo bastante. É o sentir, não é o ver. Não é entender, é se deixar emocionar, e isso acontece cada vez mais.

Como é para você estar com dois shows lotados em Balneário Camboriú? É a sua primeira vez em Santa Catarina também?

Carmen Monarcha: É muito bacana! A gente estava numa expectativa, porque é a primeira vez que eu venho para cá, para Santa Catarina também. É a primeira vez que eu estou vindo, é um público que eu não conheço pessoalmente. Estou super feliz que está sold out. Foi um espetáculo feito e dirigido pelo maestro Gil com todo o carinho e eu fiquei muito feliz quando ele me convidou para participar e que a gente conseguiu lotar os dois dias. É uma homenagem ao Dia das Mães, e por si só já é emocionante. Mãe remete a carinho, atenção, calor. E é nisso que pensamos, para abraçar a plateia. São canções com muito amor, que remetem a memória afetiva, que são da geração das mães. São em vários idiomas, francês, espanhol, inglês, português, em italiano. Então está bem bacana. Tem coisas eruditas, pop, tem até Pixinguinha, passando por Edith Piaf. É essa 'mistureba' que é a minha cara, e que eu acho que toca o público.

Qual é o seu principal público hoje? São os mais velhos que também levam os filhos?

Carmen Monarcha: O que eu percebo é que as pessoas me conhecem dos 15 anos que eu trabalhei com o maestro André Rieu pelo mundo e qual é o principal público dele? São as pessoas da melhor idade, que conseguem viajar e assistir aos espetáculos fora do Brasil e que gostam de música clássica. São geralmente os senhores e as senhoras, eu sou a rainha das sogras, das cunhadas, das tias, enfim (risos), mas o que eu tenho percebido é que o público jovem está vindo com eles. Vem sempre uma neta acompanhando alguém ali, uma filha. E essas pessoas me seguem no Instagram, e essa nova rede social vem subindo bastante. Antes eu era a rainha do Facebook, e agora os velhinhos estão no Face e os jovenzinhos no Insta (risos).

Aí você acaba conversando com os dois públicos...

Carmen Monarcha: Sim, eu converso com os dois e isso é uma coisa que para o artista é muito interessante. Eu interajo direto, isso é muito legal. Seja nas lives, respondendo quem me escreve. Então é muito bacana.

Como você vê o mercado de trabalho para solistas no Brasil e no exterior?

Carmen Monarcha: É complicado como sempre foi e vamos ser realistas: como sempre será. A música erudita não é uma coisa popular, não é uma coisa de fácil acesso. Se você mora fora do Brasil, principalmente na Europa, você consegue mais trabalho, mais espaço, por ter uma oferta maior, mas também a concorrência é maior. Então ser cantor lírico seja no Brasil ou fora é um desafio, não só pelo mercado de trabalho e pelas condições de trabalho, mas por sermos os atletas da música. É uma profissão difícil. Você tem que dormir bem, comer bem, dominar as suas emoções. É preciso uma disciplina absurda e tudo isso é muito difícil, mas muito bem recompensado quando você sobe no palco, porque você não depende de instrumento nenhum. Claro, eles nos apoiam, porque eu não sou o Ed Sheeran que entra no Wembley (estádio na Inglaterra) e enche só ele e a guitarra dele (risos). E por sinal eu acho ele incrível, pode publicar isso aí (risos). Mas o cantor lírico é o único cantor que só com a voz ele dá um show. Vale toda a hora que você dorme, cada pasta bolonhesa que você não come, porque dá refluxo.

Quais são os cuidados que você tem com a sua voz?

Carmen Monarcha: Você tem que beber muita água, você tem que dormir bem, você tem que ver o que você come. Não pode ser muito gorduroso, nem muito ácido e nem muito picante. E essas são regras para a vida, mas é o preço.

E como foi ser solista do André Rieu por tantos anos?

Carmen Monarcha: Foi incrível. Foram 15 anos de muitos aprendizados e experiências. No momento eu estou cuidando da minha carreira solo. A última vez que sai em turnê com ele foi em 2017. Quando eu estava grávida do Vitinho, o meu primeiro filho, eu fiz a turnê com o André até o sétimo mês de gestação e depois não fui mais. Estou cuidando da minha vida pessoal e investindo no mercado brasileiro. Não adianta ter a experiência que adquiri com ele e fazer isso no exterior, eu quero trazer para o Brasil.

E você planeja voltar a se apresentar com ele?

Carmen Monarcha: Eu e ele temos uma relação muito aberta, ele sabe dos meus planos por aqui. No momento eu não vou voltar com ele, mas quem sabe eu não faço uma participação ou algo assim no ano que vem, depois que o meu filho nascer. Isso não está descartado. Mas, no momento, eu estou pelo Brasil gerando e cantando (risos).

O que você ainda almeja alcançar em sua carreira?

Carmen Monarcha: Eu acho que ainda tem duas coisas que eu quero focar e realizar, uma é desenvolver e trazer mais música de qualidade para o Brasil, porque tem uma carência disso. O público gosta e quer. Mas não posso ficar parada esperando empresários e gravadoras que também queiram. Temos que arregaçar as mangas e fazer, que é uma coisa que estamos fazendo em Balneário, o maestro Gil provou que era possível e eu abracei a causa e estamos fazendo dois espetáculos incríveis e lotados, e eu quero levar isso para o Brasil inteiro. Há possibilidades no México e em Portugal, mas agora eu quero focar aqui. Não adianta nada dizer que o Brasil está ruim, todo mundo debandar, não é assim. Eu acho que temos que tentar fazer a diferença aqui dentro. E a segunda coisa é compartilhar com os músicos as minhas experiências de todos esses anos (ela tem 20 anos de carreira), muitos já são inspirados pelo meu trabalho e de tantos outros artistas. Faço 40 anos de carreira, comecei aos 19 anos com a minha primeira ópera. Esse produto logo será compartilhado no mercado, com todos os meus segredinhos e dicas para fazer a diferença com a juventude.


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Página 3

“Somos os atletas da música”, diz Carmen Monarcha em Balneário

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Segunda, 13/5/2019 18:59.

Texto e Fotos: Renata Rutes

A bela e talentosa soprano Carmen Monarcha estreou em Santa Catarina com dois shows lotados em Balneário Camboriú, na sexta-feira e no sábado (10 e 11). Carmen, que ganhou fama internacional como solista de André Rieu & Johann Strauss Orquestra, agora está investindo em carreira solo. Ela está esperando o segundo filho e quer trazer para o Brasil o melhor da música erudita, defendendo que os brasileiros estão prontos para vivenciá-la. Enquanto era maquiada na sexta-feira, poucos instantes antes de subir ao palco do Teatro Municipal Bruno Nitz em um show regido pelo maestro Gil Gonçalves e com participação do Coral do Litoral e da Orquestra de Câmara de Balneário, ela conversou com o Página 3 no camarim. Acompanhe:

JP3: Como você o contato dos brasileiros com a música erudita hoje?

Carmen Monarcha: Acho que a música erudita toma um papel hoje em dia ainda mais forte do que ela sempre tomou historicamente. Principalmente no Brasil, o meio musical está cada vez mais descartável. Não me entendam mal, mas a música está muito cheia de fórmulas. E eu não falo com preconceito não, estou falando da indústria da música. Então tem a fórmula do sertanejo universitário, tem a fórmula do pop, tem a fórmula do funk. São músicas super legais, que agitam a galera, mas que depois de um mês não se escuta mais. O que eu vejo é que são sucessos relâmpagos, mas que não emocionam. São sucessos descartáveis, como comida, como roupa. E a música erudita acentua cada vez mais o papel que ela sempre teve, que é o de emocionar as pessoas. Então quando as pessoas entram em contato, até o público mais jovem, eles se emocionam, falam ‘poxa, era uma coisa que a minha avó ouvia e eu não sabia que era tão bacana’. Eu sinto isso na pele, e o meu público jovem vem crescendo bastante. É o sentir, não é o ver. Não é entender, é se deixar emocionar, e isso acontece cada vez mais.

Como é para você estar com dois shows lotados em Balneário Camboriú? É a sua primeira vez em Santa Catarina também?

Carmen Monarcha: É muito bacana! A gente estava numa expectativa, porque é a primeira vez que eu venho para cá, para Santa Catarina também. É a primeira vez que eu estou vindo, é um público que eu não conheço pessoalmente. Estou super feliz que está sold out. Foi um espetáculo feito e dirigido pelo maestro Gil com todo o carinho e eu fiquei muito feliz quando ele me convidou para participar e que a gente conseguiu lotar os dois dias. É uma homenagem ao Dia das Mães, e por si só já é emocionante. Mãe remete a carinho, atenção, calor. E é nisso que pensamos, para abraçar a plateia. São canções com muito amor, que remetem a memória afetiva, que são da geração das mães. São em vários idiomas, francês, espanhol, inglês, português, em italiano. Então está bem bacana. Tem coisas eruditas, pop, tem até Pixinguinha, passando por Edith Piaf. É essa 'mistureba' que é a minha cara, e que eu acho que toca o público.

Qual é o seu principal público hoje? São os mais velhos que também levam os filhos?

Carmen Monarcha: O que eu percebo é que as pessoas me conhecem dos 15 anos que eu trabalhei com o maestro André Rieu pelo mundo e qual é o principal público dele? São as pessoas da melhor idade, que conseguem viajar e assistir aos espetáculos fora do Brasil e que gostam de música clássica. São geralmente os senhores e as senhoras, eu sou a rainha das sogras, das cunhadas, das tias, enfim (risos), mas o que eu tenho percebido é que o público jovem está vindo com eles. Vem sempre uma neta acompanhando alguém ali, uma filha. E essas pessoas me seguem no Instagram, e essa nova rede social vem subindo bastante. Antes eu era a rainha do Facebook, e agora os velhinhos estão no Face e os jovenzinhos no Insta (risos).

Aí você acaba conversando com os dois públicos...

Carmen Monarcha: Sim, eu converso com os dois e isso é uma coisa que para o artista é muito interessante. Eu interajo direto, isso é muito legal. Seja nas lives, respondendo quem me escreve. Então é muito bacana.

Como você vê o mercado de trabalho para solistas no Brasil e no exterior?

Carmen Monarcha: É complicado como sempre foi e vamos ser realistas: como sempre será. A música erudita não é uma coisa popular, não é uma coisa de fácil acesso. Se você mora fora do Brasil, principalmente na Europa, você consegue mais trabalho, mais espaço, por ter uma oferta maior, mas também a concorrência é maior. Então ser cantor lírico seja no Brasil ou fora é um desafio, não só pelo mercado de trabalho e pelas condições de trabalho, mas por sermos os atletas da música. É uma profissão difícil. Você tem que dormir bem, comer bem, dominar as suas emoções. É preciso uma disciplina absurda e tudo isso é muito difícil, mas muito bem recompensado quando você sobe no palco, porque você não depende de instrumento nenhum. Claro, eles nos apoiam, porque eu não sou o Ed Sheeran que entra no Wembley (estádio na Inglaterra) e enche só ele e a guitarra dele (risos). E por sinal eu acho ele incrível, pode publicar isso aí (risos). Mas o cantor lírico é o único cantor que só com a voz ele dá um show. Vale toda a hora que você dorme, cada pasta bolonhesa que você não come, porque dá refluxo.

Quais são os cuidados que você tem com a sua voz?

Carmen Monarcha: Você tem que beber muita água, você tem que dormir bem, você tem que ver o que você come. Não pode ser muito gorduroso, nem muito ácido e nem muito picante. E essas são regras para a vida, mas é o preço.

E como foi ser solista do André Rieu por tantos anos?

Carmen Monarcha: Foi incrível. Foram 15 anos de muitos aprendizados e experiências. No momento eu estou cuidando da minha carreira solo. A última vez que sai em turnê com ele foi em 2017. Quando eu estava grávida do Vitinho, o meu primeiro filho, eu fiz a turnê com o André até o sétimo mês de gestação e depois não fui mais. Estou cuidando da minha vida pessoal e investindo no mercado brasileiro. Não adianta ter a experiência que adquiri com ele e fazer isso no exterior, eu quero trazer para o Brasil.

E você planeja voltar a se apresentar com ele?

Carmen Monarcha: Eu e ele temos uma relação muito aberta, ele sabe dos meus planos por aqui. No momento eu não vou voltar com ele, mas quem sabe eu não faço uma participação ou algo assim no ano que vem, depois que o meu filho nascer. Isso não está descartado. Mas, no momento, eu estou pelo Brasil gerando e cantando (risos).

O que você ainda almeja alcançar em sua carreira?

Carmen Monarcha: Eu acho que ainda tem duas coisas que eu quero focar e realizar, uma é desenvolver e trazer mais música de qualidade para o Brasil, porque tem uma carência disso. O público gosta e quer. Mas não posso ficar parada esperando empresários e gravadoras que também queiram. Temos que arregaçar as mangas e fazer, que é uma coisa que estamos fazendo em Balneário, o maestro Gil provou que era possível e eu abracei a causa e estamos fazendo dois espetáculos incríveis e lotados, e eu quero levar isso para o Brasil inteiro. Há possibilidades no México e em Portugal, mas agora eu quero focar aqui. Não adianta nada dizer que o Brasil está ruim, todo mundo debandar, não é assim. Eu acho que temos que tentar fazer a diferença aqui dentro. E a segunda coisa é compartilhar com os músicos as minhas experiências de todos esses anos (ela tem 20 anos de carreira), muitos já são inspirados pelo meu trabalho e de tantos outros artistas. Faço 40 anos de carreira, comecei aos 19 anos com a minha primeira ópera. Esse produto logo será compartilhado no mercado, com todos os meus segredinhos e dicas para fazer a diferença com a juventude.


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